Resoluções de 2018

No final do ano que acabou de passar, não fiz aquele balanço típico que costumo fazer. Apesar de não ter escrito sobre o ano velho, não deixei de agradecer milhões de vezes à vida por tudo o que 2017 me deu (ou que eu fiz por ter!).

Continuei nesta demanda que é ser a melhor versão de mim e fui bem sucedida. Fiz novas adaptações na minha alimentação, descobri o boxe, abracei novos projetos, fiz viagens muito boas, consolidei amizades, fui feliz. 2017 foi um ano muito bom.

Por isso, tenho algums expectativas para 2018. Não muito altas, que eu já não sou pessoa de cair aos trambolhões (ou sou, esqueçam o que acabaram de ler). As expectativas são isso mesmo: as esperanças que temos relativamente a um tema. As minhas não variam muito de ano para ano, mas vão-se tornando mais exigentes.

Em miúda era muito pedinchona. Pedia muito, a toda a hora. A vida ensinou-me que devo pedir menos e fazer acontecer mais. Nesse sentido, as minhas esperanças em 2018 dependem muito de mim. Vou esforçar-me por que aconteçam algumas coisas, mas as que mais vos dizem respeito, meus leitores mais fofos, prendem-se com os objetivos Perna Finásticos a que me proponho.

Eu não jogo para vitórias pequeninas e, apesar de cada vez mais gostar do meu corpo, e de cada vez menos me comparar com outras miúdas, tenho há uns dias uma fotografia no telemóvel que vejo de vez em quando. É uma boazona do Instagram que tem aquele corpo à custa de boa alimentação e muito treino. É musculada, sem exagero, não é magra demais. É uma brasa e, neste momento, é a minha inspiração.

O que é que eu vou fazer nesse sentido? Pronto, é aqui que começa a doer. 1.° Ser consistente com a minha alimentação, abrindo menos exceções na saída do plano. 2.° Treinar seis vezes por semana. 3.° Beber mais água (mais ou menos 2 litros). 4.° Comer menos vezes fora. 5.° Largar o açúcar de vez. O último tópico, o mais difícil, o mais desafiador, o que mais me atormenta a alma (a este tema me dedicarei brevemente!).

Quero experimentar ser absolutamente consistente durante seis meses e perceber o que acontece. Já escrevi muitas vezes que o peso não me interessa. No mais puro exercício narcisista que podem imaginar, o que quero, mesmo, é ver-me nua e pensar: Chiça, que canhão! Sim, é essa sensação que quero. Não que já não me sinta bem, mas se posso melhorar, porque não?

 

[Não] Aceito

Aceito que digam que gosto das coisas feitas à minha maneira. É verdade. Aceito que digam que tenho dificuldade em disfarçar o desagrado. Também é verdade. Aceito que digam que o meu feitio é duvidoso. Admito-o. Aceito que digam que evito o confronto. Não contesto. Aceito que digam que me falta coragem para declarações bonitas. Sinto vergonha disso. Aceito que digam um sem número de coisas sobre mim. Nunca aceitarei que digam que sou uma pessoa desleal, ingrata, desonesta ou leviana. Se isso acontecer, e eu souber a identidade do ser, é bom que fuja. Ou que se prepare para morrer senão tentar provar que o que diz é verdade.

2

O dia 2 de janeiro sempre foi um dia muito importante para mim. Ou, pelo menos, eu achava que era. Era sempre no dia 2 que eu começava uma nova dieta.

Normalmente, era assim: ia a uma consulta a meados de dezembro. Percebia que estava gorda. Metia-me numa nova dieta. Enfardava por três nos dias que faltavam até acabar o ano e, ao dia 2, começava a nova dieta. E depois: fome, fome, fome e mais fome.

Era sempre isto. Todos os anos. Muitos, muitos anos da minha vida. A dieta funcionava durante uns tempos, eu emagrecia e vacilava uma vez. Vacilar sabia-me bem, apesar do sentimento de culpa. Vacilava mais uma vez. Outra.

Acabava por me borrifar na dieta. Já me sentia mais magra. Estava farta de passar fome. Voltava a pôr açúcar no chá do pequeno-almoço. Voltava a comer arroz e massa como se fosse passar a tarde a laborar no campo. Um exagero pegado.

Engordava tudo outra vez ou mais. Falhava mais uma dieta. Achava, mais uma vez, que não era merecedora de coisas boas. Pensava-me uma fraca, uma inútil, uma idiota gorda e incapaz de cumprir metas.

Hoje é dia 2 e eu não comecei nenhuma dieta. Escrevo este texto enquanto espero que comece mais um treino de Crossfit. O Natal e o Ano Novo mal passaram por mim, alimentarmente falando.

Este dia 2 é diferente de muitos outros da minha vida. É a certeza de que a minha vida mudou muito e para sempre. Acresce o facto de me sentir na minha melhor forma física de sempre e com vontade de melhorar ainda mais.

Que todos os meus dias sejam desta certeza absoluta que é: as dietas não funcionam. Nada é mais importante do que dar ao nosso corpo o que ele mais precisa. Cabe a cada um descobrir as suas necessidades. Foi isso que fiz. Foi isso que mudou. Foi por isso que perdi peso. E nunca mais o recuperei.

4 anos, 4!

Há 4 anos, quando escrevi o primeiro texto deste blogue, a minha intenção era puramente de autoajuda. Eu queria perder peso e achei que se começasse a escrever sobre esse processo, se fosse lida por alguém, o meu comprometimento seria maior e mais forte. Eu queria ser controlada, digamos assim. Estava convencida de que precisava do olhar dos outros para conseguir mudar.

Aos poucos, fui percebendo que os textos que eu escrevia eram lidos por mais gente que não apenas a minha mãe e os meus amigos mais próximos. Comecei a receber emails e mensagens de pessoas, sobretudo mulheres, dizendo que a minha história podia ser a delas, agradecendo por ter a coragem de escrever aquilo que sentiam enquanto maldiziam o seu corpo e tentavam mudá-lo, sem saber como.

Recebo, todos os dias, muito carinho de pessoas que eu não sei quem são, mas que, por alguma razão, gostam de mim e se identificam comigo. Queiram ou não perder peso, continuam por cá, a ler o que escrevo, a ver os meus vídeos tontos, a torcer por mim. Essas são as primeiras pessoas a quem agradeço por estes quatro anos. Eu escrevo para ser lida e não tenho problema nenhum em assumir isso. Quero que me leiam e que gostem de o fazer. Obrigada.

Depois, quero agradecer à minha mãe, que sempre me apelidou de Perna Fina e que nunca imaginou receber encomendas em casa por causa disso. A minha mãe, que tira a maioria das fotografias que tenho no Instagram. A mais paciente, a mais chata, a insubstituível. Ao meu pai, por ter a família que tem, com a alcunha que tem. Sei que há umas tias e umas primas que vibram imenso com este meu orgulho em ser Perna Fina e que me lêem com carinho. Obrigada.

Agradeço, também, aos meus amigos sinceros. Àqueles que estão comigo, faça eu o que fizer, que me aceitam com todas as minhas imperfeições, que me tiram fotografias (muitas!), pacientemente. Obrigada. Ao Luís, o meu querido treinador, que se tornou numa das pessoas em quem mais confio na vida. A ele agradeço o facto de nunca ter olhado para mim como incapaz, por ter antes olhado para mim como uma atleta em potência. Devo-lhe muito. Obrigada.

Por fim, agradeço a todos os que estão à espera que eu falhe e que volte a ser gorda outra vez. A um em especial, que eu sei que, lá no fundo, bem no fundindo, não aguenta que eu mantenha este projeto vivo e que, ao contrário do que previu, eu tenha mesmo conseguido emagrecer. Eu tenha mesmo conseguido emancipar-me. Eu tenha mesmo conseguido ser aquilo que sempre disse que eu não seria. A si e a todos os que duvidaram (e ainda duvidam!), obrigada.

Foi neste blogue que expus as minhas dificuldades em lidar com a comida, o desastre que sempre fui em todo e qualquer desporto, os meus complexos, as minhas angústias. As minhas vitórias, que foram crescendo, à medida que os incentivos não paravam de chegar, de todos os pontos do país, confirmando que o que estava a fazer já não era só por mim, mas por todos aqueles que, tal como eu, queriam perder peso e mudar de vida.

Nas páginas deste diário público, declarei o meu amor ao Crossfit, falei das consultas de reeducação alimentar, mostrei gostos e desgostos, fui eu, crua, nem sempre feliz, mas sempre autêntica. Abri guerra às dietas, anunciei o fim do consumo de produtos com lactose, apresentei os argumentos contra o glúten, percebi que queria aprender a lutar e pus-me de joelhos aos pés do boxe, colaborei com marcas que gosto.

A Perna Fina assenta na ideia de que podemos ser tudo o que quisermos, se lutarmos por isso. Ser Perna Fina é ser esforçado, teimoso, obstinado, criativo, resiliente. É ter mau feitio, é ser-se chato, é querer e fazer mais e, se possível, melhor. Por isso, na Perna Fina, cabem todos os que forem do lado bom da força. Cabem os outros, também. Cabem todos, na verdade.

Estes foram os melhores quatro anos da minha vida. Foram os anos em que cresci mais, em que me diverti mais, em que trabalhei e treinei mais. Foram os anos em que me tornei na melhor versão de mim, mesmo que esta não seja a versão preferida de toda a gente. É a minha, que, em última análise, é a quem mais interessa. Da minha parte, posso apenas prometer em manter viva a chama, da forma mais entusiasmante e original que conseguir. Obrigada.

Feliz Natal, Pernas Finas!

Que este dia tenha sido tudo aquilo que quisessem que fosse. Seja estar junto de quem mais gostam, seja comer umas coisas boas, seja ter feito as pazes com alguém, seja ter continuado zangado por alguma razão. Seja p’lo que tiver sido. O mais importante é que cada um tenha encontrado paz no coração, que, no final, é tudo o que se precisa para continuar.

Não tenho a certeza se não acho a pose da fotografia ridícula. Não tenho a certeza!

Eu tenho dois amores

Eu tenho dois amores,
Que em nada são iguais.
Num faço agachamentos,
Noutro parto queixais.

Eu tenho dois amores,
Que em nada são iguais.
Eu tenho dois amores,
Não sei qual amo mais.

Um tem burpees, salto à corda,
Boxjumps e flexões.
Outro tem diretos, uppers,
Ganchos e alguns empurrões.

Num eu quase que faleço,
De tanto ferro levantar.
Noutro bato sem piedade,
Mas também chego a levar.

Eu tenho dois amores,
Que em nada são iguais.
Num faço agachamentos,
Noutro parto queixais.

Eu tenho dois amores,
Que em nada são iguais.
Eu tenho dois amores,
Não sei qual amo mais.

Depois das 18:00…

Começo por dizer que assumo, à partida, que este texto pode ser polémico. Que muita gente estará contra isto e eu aceito. É legítimo. Prontos? Eu não janto. Eu raramente janto. Aliás, eu só janto se tiver um jantar combinado com a minha família ou com amigos. De resto, eu não janto. E passo a explicar.

Eu já fiz muitas dietas, como quem me segue há algum tempo sabe. Já passei muita fome. Já emagreci muito. Já tive crises sérias de compulsão. Já engordei tudo outra vez. Fiz dietas muito restritivas. Fiz dietas de batidos. Fiz dietas de sopas, de frutas, do diabo a sete. E fiz, também, aquelas dietas, ou regimes alimentares, em que se deve comer de X em X horas.

Em todas essas situações eu perdi peso, nalgumas engordei tudo outra vez ou mais. Desde que comecei a Perna Fina mudei muito a minha alimentação. Fiz consultas de reeducação alimentar e mudei toda a perspetiva que tinha do que era comer. Aprendi muitas coisas. A mais importante, talvez tenha sido conhecer o meu corpo e dar-lhe apenas o que precisa.

Pelo caminho, larguei os produtos com lactose, eliminei o glúten quase na totalidade, passei a evitar ao máximo os produtos processados, reduzi o consumo de carne e retirei o açúcar da minha vida. Sem fundamentalismos, mas a perceber que se o fizesse me sentia mais forte, satisfeita e de bem comigo.

Durante este processo, percebi, também, que comia vezes demais. Entendi que não precisava de estar sempre a comer fruta, nozes, cenouras, o que fosse. O que acontecia era que o meu estômago estava constantemente a ser alimentado, e o meu cérebro também, e por isso eu tinha sempre mais vontade de comer, tinha de estar sempre a trincar qualquer coisa.

Junta-se a esta brincadeira o facto de ter uma hérnia do hiato e, por isso, dever comer muito pouco ao jantar. A hérnia, “que fica à entrada do estômago”, faz com que tenha refluxo gástrico e uma azia de morte. Sempre que comia à noite e me deitava pouco tempo depois, sentia-me tão, mas tão mal, que pouco descansava. Era como se o meu corpo estivesse preocupado em fazer uma maratona durante a noite.

Ora, juntando isto tudo, percebi que não precisava de comer à noite. Comia para me ir deitar logo a seguir ou muito pouco tempo depois. Deixou de me fazer sentido. Por isso, hoje em dia, como o pequeno-almoço, debico qualquer coisa a meio da manhã, almoço e depois faço um lanche reforçado para ter energia para treinar. Simples assim. Há já algum tempo.

O que é que tenho sentido? Que durmo muito melhor. Que tenho uma barriga mais chapada. Que tenho menos fome. Que me sinto menos ansiosa sobre os horários em que tenho ou devo comer. Que é tudo mais leve, em todos os aspetos. Há muita gente que fala desta ideia de não comer nada depois das 18:00. Aliás, manequins pelo mundo inteiro cumprem essa regra.

Tudo isso me diz pouco. O que me interessa, verdadeiramente, é a forma como me sinto, que é a melhor que nunca. Como menos, mas nunca me senti tão saciada, nem com tanta energia, nem com tanta fúria para treinar. Não estou a incentivar ninguém a fazer o mesmo que eu, mas gostava só que pensassem nisto. Será que não andamos a comer vezes demais, sem necessidade?

Bar Aberto

Disse este fim de semana a uns amigos: estou em modo bar aberto! Como assim, bar aberto? Exatamente como estão a pensar. É a época da fartura minha gente! É Natal! É farra! É enfardanço! Bar aberto porque, numa altura normal, janto pouco ou nada (podemos falar sobre isto, ok?), lancho os meus snacks de sempre, bebo muita água… E agora não! Calma, não passei a comer Estrelitas ao pequeno-almoço, nem batatas fritas a todas as refeições, mas sinto-me assim mais liberalzinha. Estes dias de soltura têm-me sabido bem, confesso. Não que hoje em dia viva numa grande restrição, mas há coisas que não faço mesmo, por norma, e nos últimos dias tenho-me permitido a isso. A grande diferença? É que não páro de treinar. E isso é muito! É bar aberto, mas não é preciso entrar em coma alcoólico. É só assim uma bezana fofinha.

Divorciei-me!

Estava, há mais de três anos, à espera deste dia. Do dia em que pudesse, finalmente, fechar o capítulo do maior desamor da minha vida. Apesar desta relação já ter acabado há muito tempo, só hoje a encerrei definitivamente. Hoje divorciei-me. Não foi um divórcio à séria, porque não tínhamos casado. Não tinha havido o vestido, nem os convidados, nem a festa, nem o bolo. Não tinha havido nada disso. Só o resto. O bom e o menos bom. Mas houve um bem comum, que hoje deixou de ser meu (e ainda bem). Por isso, hoje, com todos os papéis assinados e com as contas feitas, sinto que me divorciei. Há algum tempo que me sinto muito livre de mim. Hoje, acho-me nas nuvens. Esta porta fechou. Acabou! Divorciei-me!