Oh Vaquinha, queres ir correr comigo?

Uma das principais responsáveis por ter desenvolvido um pequeno ódio por todo e qualquer desporto foi a minha professora de educação física do 11.º ano. Verdade seja dita, eu nunca fui brilhante nessa disciplina e tenho plena noção de que os professores me davam 3 ou 10 apenas porque tinham pena de mim. Mas a professora de educação física do 11.º ano, fez nascer em mim um ódio tão grande por praticar desporto, que sempre que penso nela corro um pouco mais rápido.

Voltemos um bocadinho atrás. Quando fiz 16 anos os meus pais decidiram trocar de casa e essa mudança implicou trocar de escola. Lembro-me bem que a escola para onde fui me tinha sido recomendada por ser “das melhores da zona” e, num belo dia, eu e a minha rica mãe, pusemos pernas a caminho e fomos tratar da matrícula. A escola ficava onde Judas perdeu as botas, mas lá a encontrámos. Depois de esperarmos nas filas habituais, fomos chamadas. Uma professora, que nunca tinha visto na vida, começou a preencher os papéis e às tantas disse:

“- …e educação física!”
“- Essa disciplina bem podia não estar aí…! – respondi eu.
“- Ai sim? Porquê, não gostas de educação física?”
“- Detesto… Não tenho jeito nenhum!”
“- Que engraçado…! Eu sou professora de educação física e muito provavelmente serei tua professora!”

E foi, aquela desgraçada! E tomou-me de ponta o ano inteiro. E humilhou-me e gozou comigo! E eu aguentei, mas zangada, cheia de raiva dela! A desgraçada era tratada pelos alunos como Vaquinha. Imaginem só o calibre do bicho. A maldita foi minha professora apenas um ano, mas para mal dos meus pecados vive perto dos meus pais e, por isso, hoje tive o prazer de a rever. Se os meus olhos disparassem… (Felizmente ando a trabalhar a minha calma!) Mas em vez de a matar, eu gostava mesmo era de lhe dizer:

Oh Vaquinha, queres ir correr comigo? Olha que vais ficar surpreendida.

Programas de culinária? É fugir deles a 7 pés!

Já toda a gente sabe que eu adoro comida. Eu vibro com comida. Assim sendo, costumo passar horas da minha vida a ver programas de culinária. E é ver-me a salivar para todas aquelas refeições: lindas, bem feitas, com um aspeto formidável. E é ver-me tentada a ir à cozinha comer qualquer coisa para adormecer o bicho que aqueles programas acordam em mim. Portanto, tenho-me proibido de ver esses programas do demo. Constatei que só aumentam a minha vontade de comer coisas que nada me ajudam a perder peso e que, por isso mesmo, me deixam zangada e com mau feitio. Programas de culinária, que apresentam receitas que prometem ressuscitar um morto, talvez daqui uns tempos nos voltemos a encontrar. Para já, ficamos assim.

Ah, e tal, mas a Perna Fina já perdeu peso ou não?

A minha Perna Fina nasceu há quase 5 meses. Há quase 5 meses que tornei pública a minha vontade de perder peso, mudar o meu corpo e sentir-me mais feliz com a minha imagem. Esta viagem (ainda que curta) mostrou-me que mais do que querer ser magra, eu quero mesmo é sentir-me bem no meu corpo e que o número que aparece na balança tem a importância que tem. No entanto. eu continuo a querer “baixar o número” e a desejar ter um corpo mais tonificado.

Não posso dizer que fui exemplar nestes 5 meses, mas fui muito mais comportada que nos últimos 10 anos. E os resultados estão a aparecer. (Aparecerão mais quando os hábitos que tenho vindo a desenvolver existirem em todos os dias da minha vida. Porque isso é mesmo o mais difícil.)

No entanto, as últimas 2 semanas foram exemplares. Menos 2 quilos e menos 10 centímetros em todo o corpo (cintura, peito, anca…). Por que é que estas 2 semanas foram diferentes de todas as outras? Porque alguma coisa mudou em mim. Eu não sei bem explicar o quê… Mas alguma coisa foi. Acho que parei de me lamentar por não poder comer coisas que gosto e que finalmente aceitei que ou faço esta escolha ou passarei o resto da vida em luta comigo.

Para além disso, desisti definitivamente das dietas (espero eu, para sempre). Desisti dos resultados a curto prazo e dos exageros de restrição alimentar. E pode parecer um cliché, mas é verdade: o equilíbrio é fundamental.

O auto-controlo

Há três semanas que ando a trabalhar o meu auto-controlo: ver um bolo ou um folhado passarem à minha frente e não me atirar logo a eles, como se não houvesse amanhã.

Para aumentar o meu auto-controlo tenho procurado manter a calma nas mais variadas situações. Nos últimos tempos descobri (ou tive a certeza) que como mais quando me enervo. Há quem fume um cigarro, há quem beba um copo, há quem diga palavrões… Eu como! Por isso, manter a calma tem sido fundamental.

Depois, e ainda à volta com o livro de que vos falei, tenho procurado ser uma consumidora consciente. Ser uma consumidora consciente é ter a capacidade de pensar antes de comer e de colocar algumas questões a mim própria:

– Estou a comer isto porquê?
– Apetece-me?
– Tenho fome?
– Estou nervosa?
– Estou triste?
– Estou zangada?

E fazer estas perguntas a mim mesma leva pouco mais de alguns segundos.

Esta semana ofereceram-me um macarron de chocolate e um croissant do careca. Deus sabe que me pelo por ambos. Impulsiva. Sempre fui perfeitamente capaz de os engolir em segundos. Esta semana não. Agradeci as ofertas e mais tarde ofereci-as a outras pessoas, que têm mais controlo do que eu e que não estão num processo de perda de peso.

Dirão vocês: “Ai, que esta Perna Fina se virou para a espiritualidade!” Não direi tanto! Apesar disso, cada vez mais me convenço que muitas pessoas (eu incluída) têm a alma faminta e, em vez de alimentarem a alma, alimentam (em excesso) o corpo.

O auto-conhecimento de quem somos, do que queremos, do que nos faz felizes, do que nos faz tristes, do que nos dá prazer e do que nos chateia torna-se fundamental para vivermos tranquilamente e, pelo caminho, ainda nos pode ajudar a perder peso (ou a ter uma melhor relação com a comida).

Ser do Benfica

Ser do Benfica é saber ganhar.
Ser do Benfica é aguentar.
Ser do Benfica é também saber perder.
Ser do Benfica é acreditar.
Ser do Benfica é gostar do Luisão.
Ser do Benfica é ser vermelho sangue, vermelho paixão.
Ser do Benfica é estar preparado para tudo.
Ser do Benfica é lembrar Eusébio.
Ser do Benfica é ser Jesus.
Ser do Benfica é sonhar.
Ser do Benficar é ser para sempre.
Ser do Benfica é ser MAIOR!

OBRIGADA, BENFICA!

Vestidos

Escolher um vestido não é fácil. Achamos sempre que temos uma ideia do que queremos, mas, na verdade, a nossa cabeça é só um turbilhão de ideias: a cor, o modelo, o padrão.

Hoje entrei numa loja, que não acho nada de especial, e lá estava Ele à minha espera. Lindo, muito mais entusiasmante do que o tinha sonhado. Melhor: o modelito era perfeito para os sapatos, mala e brincos que já tinha para combinar.

E é isto: já tenho vestido para o primeiro casamento deste ano.

Ainda às voltas com o livro de Deepak Chopra

Dar tempo à vida. Tempo de qualidade, tempo bem vivido. Nunca tinha pensado nisto. Nunca tinha pensado na importância que viver à pressa tinha na minha alimentação. Pelos vistos tem importância, muita.

Vivemos (eu vivo!?) sempre com pressa: pressa para chegar ao trabalho, pressa para ir ao supermercado, pressa para ir correr, pressa para visitar a família. Quantos de nós se queixam de falta de tempo?!

O tempo disponível é igual para todos, mas a verdade é que nem todos usufruímos do tempo da mesma forma. Coisas simples que fazem a diferença:

– antes de dormir deixar tudo pronto para o dia seguinte;
– levantar meia hora mais cedo para preparar e comer sentada um saciante e bonito pequeno-almoço;
– chegar a casa e parar alguns minutos: desligar do dia de trabalho e entrar no resto do dia, aproveitando-o;
– guardar alguns minutos do dia para conversar com as pessoas que mais gostamos;
– fazer planos de refeição, escolher um dia da semana para ir ao supermercado e comprar o máximo de ingredientes possível;
– …

Dar tempo à vida exige menos esforço do que eu imaginei e é muito mais recompensador do que um dia sonhei.