Dar uma limpeza à vida

De vez em quando, devemos dar uma limpeza à vida. Tal como limpamos o pó das prateleiras ou mudamos os lençóis da cama. É que, exatamente como acontece com as coisas e os lugares, a nossa vida também se suja. Quando isso acontece, fazemos o disparate de limpar tareco aqui, tareco ali, com um paninho seco. Durante umas horas, ou dias, a vida parece ficar limpa e pronta para desfrutarmos dela.

Porém, quando olhamos com atenção, percebemos que a nossa limpeza foi demasiado superficial. Faltou-nos arredar os sofás, afastar as cómodas, e um pano seco passa a ser insuficiente. É nesse momento que constatamos que a coisa só lá vai com um balde de água bem quente e muita lixívia (a minha mãe sempre disse que nada limpa como a lixívia). Depois de esfregarmos paredes e tetos a fundo, podemos, então, desfrutar.

No entanto, nem sempre estamos dispostos a arregaçar as mangas e a limpar à séria. Por vezes, começar por mudar os móveis de sítio, ou inovar um pouco na decoração, pode ser o motor para a motivação que precisamos. Eu não fiz muitas limpezas à minha vida. Talvez tenha feito duas. Mas empenhei-me tanto nesse par de vezes, que julgo que a minha vida permanecerá bem limpa por muito tempo. Ou, p’lo menos, até que eu a volte a sujar ou deixe que alguém a imunde por mim.

Os meus alunos são os melhores do mundo #1

Ao olhar para uma folha informativa de Estudo do Meio sobre o corpo humano, olhou para mim e perguntou:
– Por que é que a Joana pôs aqui esta imagem de um corpo nu? Incomoda-me ver aqui esta pilinha.
– Mas isso é só uma ilustração. – respondi eu com um ar descomplicado.
– Pois, é que a minha pilinha não é nada assim.
– Então?
(Por que é que eu perguntei isto?)
– A minha pilinha é muito maior!
A conversa terminou aqui porque eu não consegui falar mais. Ri tanto, que até me faltou o ar.

Eu pago as minhas dívidas, ãh?

Hoje cheguei 15 minutos mais cedo. Os três treinadores olharam para mim como quem diz: de hoje não passas (sim, porque eu já tinha ido a duas aulas e fugido ao castigo). Um disse que eu tinha de fazer 40 burpees. Outro disse que eu tinha de fazer 55. O terceiro disse que eu tinha de fazer 45. Obedeci ao terceiro. Obedeci ao chefe da box. (mais…)

Vamos manter a calma, Pernas Finas!

Publiquei este texto no fb há um mês e pouco. Hoje tratei de tudo. As promessas foram feitas para serem cumpridas.

Lá porque ontem eu disse que tinha fotografias minhas com 80 quilos, não significa que as partilhe convosco assim ao desbarato, não. É que eu quase faleço quando mostro aquilo assim a uma ou duas pessoas ao mesmo tempo. O que me aconteceria se mostrasse aquelas fotos a centenas de pessoas duma só vez? Era uma camadona de nervos capaz de me fazer cair o cabelo todo. (mais…)

Coisas que me tiram do sério #1

Se há coisa que me tira do sério é ver homens a exibirem-se, desnecessariamente, só para se mostrarem. Só porque sim. Não porque são espetacularmente bonitos. Não porque são extraordinariamente talentosos. Não porque são estupidamente interessantes. Exibem-se só porque sim.

E é vê-los a fazer flexões à velocidade da luz. Pumba, pumba, pumba, como se não houvesse amanhã. E a saltar à corda, dando saltos duplos, estilo Rocky Balboa. Pinos, abdominais, elevações, papam tudo. O mais ridículo é que se nota que não estão assim tão em forma e, por isso, o exibicionismo deixa-os a arfar que nem camelos no deserto. Pobrezinhos.

Eu quero um Ferrero Rocher

Eu quero muito um Ferrero Rocher, mas quero ainda mais atingir o meu objetivo. Por isso, vou ignorar o facto de um aluno me ter dado uma mega-caixa dos chocolates do Ambrósio e vou seguir com a minha vida.

“A máquina não tem aí nada para chupar”

Uma amiga contou-me que a tia trabalha com uma máquina que chupa gordura localizada. P’la conversa, pareceu-me que a máquina era mesmo uma bomba e senti-me tentada a experimentar.

Levantei logo ali a camisola e perguntei-lhe:
– Achas que a máquina da tua tia faz alguma coisa aqui?

A minha amiga, que está grávida de gémeos e diz sentir-se enorme, respondeu-me:
– Cala-te, pá, até me estás a enervar. A máquina não tem aí nada para chupar.

Foi elogio que me durou o fim de semana inteiro. Não há máquina que bata o crossfit.

63

Hoje foi um dia muito feliz. Subi à balança e aos meus olhos, e aos olhos da minha querida doutora, apareceu um 63 (e uns pózinhos). Ficámos, as duas, muito felizes. O 63 era o objetivo inicial. O limite entre estar saudável e estar com excesso de peso. Hoje foi por isso estabelecido um novo objetivo.

Depois da consulta, já no carro, comovi-me um bocadinho. Chegar até aqui saiu-me do pêlo. Mas o que interessa, o que realmente importa, é que eu me sinto como nunca me senti: livre de um corpo que era meu, não o sendo na verdade.

E a minha doutora, a doutora Catarina, é a melhor do mundo. Foi a primeira pessoa da minha vida a mostrar-me que a relação que mantenho com a comida pode ser pacífica. Bem vivida. Sou-lhe muito agradecida. Obrigada, doutora, para sempre. (Eu sei que vai ler isto.)