“Meatless Mondays”

Nestes últimos dias tenho dedicado a minha atenção, entre outras coisas, a uma nova comida. (Nova comida para mim.) Tenho constatado que há imensas páginas de boa comida, inovadora, apetecível e, aparentemente, mais equilibrada. Tenho ficado cheia de vontade de experimentar novas receitas.

Houve uma altura da minha vida em que aboli completamente a carne da minha alimentação, bem como todos os seus derivados. Gosto de animais e fico horrorizada por saber a forma como são tratados nos matadouros e, pior, durante toda a sua vida. Nascem e morrem sem nunca experimentarem a liberdade. Nem consigo pensar muito a sério nisso! (Em pequena a minha mãe dizia-me sempre: “Não, este bife que estás a comer não vem de uma vaca… Este nasceu das árvores.” E eu acreditava e ficava toda feliz.)

A verdade é que tomei essa decisão, mas não me impliquei nela a valer. (Shame on you, Perna Fina!) Não comia carne, é certo, mas nunca me dediquei ao estudo de  novas receitas.

Por circunstâncias da vida voltei a comer carne até hoje…

E hoje, numa das minhas inúmeras pesquisas, encontrei um movimento global muito interessante: Meatless Mondays. Como o próprio indica, esta organização promove o não consumo de carne, às segundas-feiras. Comecei a ler mais sobre o assunto e percebi que o movimento está espalhado por inúmeros países e que atua junto de restaurantes, empresas e escolas, como exemplos. Dizem eles que basta apenas um dia por semana sem consumir carne para que o seu consumo reduza significativamente, bem como o gasto de água, a poluição no planeta… And so on, and so. (Isto do movimento global internacionalizou-me a escrita.)

Achei uma ideia tão interessante que se acentuou ainda mais a minha vontade de mudar a minha alimentação de forma mais séria e regular: experimentar novas texturas, sabores, condimentos. E ajudar o planeta a ser mais sustentável ao mesmo tempo. Todo um novo mundo que ultrapassa em larga escala o bife frito com ovo a cavalo, que eu adoro, admito! (Busted!)

Partilho convosco esta ideia, com a intenção de mudar as minhas segundas-feiras, esperando que pensem também em mudar as vossas. Acrescento a promessa de ir partilhando convosco as receitas que for experimentando.

(Amanhã volto às corridas. Os meus ténis não me vêem desde antes do Natal! Aiiii.)

Dedico este  texto a uma das melhores pessoas que conheço: a minha amiga Catarina. Uma defensora convicta dos direitos dos animais em particular e dos seres vivos no geral. Desculpa se algum dia te desiludi por causa destas questões alimentares. Adoro-te para sempre, Cata.

#dica 1: evitem a balança

Se como eu passam a vida a pesar-se, deixem-se disso! A balança deve ser encarada como um instrumento de auxílio a corpos felizes e não um bicho papão destruidor de autoestima e motivação, sobretudo durante um processo de perda ou aumento de peso.

Escolham um dia por semana para se pesarem, de preferência de manhã e depois de se ter ido à casa de banho (não há uma maneira limpinha de se dizer isto!). Vão registando o vosso peso semanalmente e não caiam na tentação de o fazer durante os outros dias da semana.

Por vezes, o nosso corpo não corresponde de imediato à mudança e se constatarmos isso matematicamente, corremos o risco de achar que os dois míseros dias de sacrifício foram em vão.

Como diz o sr. Sérgio Godinho numa das suas canções: “A vida é feita de pequenos nadas.”

“Professorando”

Hoje voltei ao trabalho. Custou-me um pouco acordar cedo, confesso, mas a alegria que sinto por esta profissão que escolhi é tão genuína, que levantar cedo passa a ser um pormenor.

Conta a minha mãe que das primeiras coisas que disse foi que queria ser “polefôsa”, com pouco mais de 2 anos. Lembro-me de muito cedo pôr todos os bonecos a olhar para mim, no quarto, para eu os ensinar.

Fui crescendo sempre com diferentes crianças por perto, das quais “tomei conta” inúmeras vezes. Eu não sabia bem como, mas era absolutamente capaz de as “controlar”, de as entusiasmar com as brincadeiras. E o meu maior fascínio era perceber como pensavam. Gostava de perceber se entendiam palavras novas, se sabiam contar em diferentes situações, se eram capazes de expressar a sua opinião. Ah, eu adorava ver as crianças mais novas que eu a pensar.

“É a vocação dela!”, dizia e diz convictamente a minha mãe (E eu também acho que é!).

Hoje tenho o maior gosto em ser professora e poucas são as alegrias comparadas às conquistas de um aluno. Ajudar a aprender a escrever e a ler, por exemplo, é das sensações mais maravilhosas que já vivi. Cada aluno é para mim uma “riqueza” e não no sentido piroso do termo. Uma riqueza porque me enriquece, me torna melhor e me faz reinventar todos os dias para que o/a possa ajudar a aprender cada vez mais e melhor. Exerço a profissão que escolhi e sou a professora que desejo ser (ainda que inacabada, claro).

Por tudo isto e muito mais, hoje regressei ao trabalho com vontade.

De manhã, quando ainda se trocavam desejos de Bom Ano, uma colega foi até à minha sala e perguntou: “Então, este ano vamos ficar todos com as Pernas Finas?” Eu disse que sim, sorri por dentro e o meu entusiasmo de Perna Fina cresceu mais um pouco (ainda?!).

Ah, dia feliz. Um bom pronúncio para 2014.

2014

Querido 2014,

Como acabas de nascer vou contar-te algo que talvez não saibas: há milhões de pessoas a contar contigo. É, a contar contigo! Por muito que tenha evitado pensar nisso, 2013 não foi um ano fácil. Para mim, foi um ano marcado por ganhos e perdas (uma delas irreparável). Foi um ano trabalhoso, com algumas conquistas, mas não menos desilusões, e esta, que te fala, é apenas uma entre milhões. Estou mesmo a contar contigo.

Agora, 2014, perguntas-me tu: como esperas que te ajude, espécie mortal?

2014, não te peço nada de extraordinário. Cada vez mais conto comigo e com as pessoas de confiança, mas não posso deixar que te apresentes sem pedir dias felizes, dias de sol, noites longas, cheias de calor (e de amor?!). Almoços com tempo, em família… Tempo, tempo, tempo para passear e para ajudar os miúdos a aprender mais e melhor. Peço-te também capacidade para comer bem e exercitar-me mais, vá.

No entanto, apesar destes humildes pedidos que te apresento, não vá o diabo tecê-las, deixo-te também aquelas resoluções que faço todos os anos:
– Ajuda-me a desviar o carro de todos os focos de perdição por que passo diariamente (saliento algumas pastelarias da zona, restaurantes, quiosques, centros comerciais, lojas de gomas…);
– Levanta-me do sofá sempre que o rabo me pesar, faz-me calçar os ténis e suar como se não houvesse amanhã;
– Obriga-me a criar listas de compras, para que compre só o que preciso e o que me faz bem (e já agora, cria uma barreira invisível, mas talvez sonora para eu me envergonhar, em todos os corredores de bolachas, bolos, gomas, chocolates e batatas fritas…);
– (Por último, mas não menos importante) Traz-me rasgos de inspiração, de humor, de “escrita da boa”, como diz a minha amiga Marta e, sobretudo, vontade de ser sempre melhor, sem desistir.

E é isto, 2014. Esforça-te um bocadinho mais do que o teu antecessor, que, aqui entre nós, me deu cabo da cabeça.

Ano Velho

Por onde quer que se ande, ouve-se dizer: “Bom Ano Novo! Que 2014 seja melhor que 2013!” Nesta altura do ano, há a tendência para se refletir sobre o ano que passou: o que correu bem? O que correu mal? O que se deixou por fazer? E, normalmente, formulam-se desejos para o novo ano. Eu costumo ter estes pensamentos todos os anos.

Porém, hoje foi um dia diferente de outros 30 de dezembro da minha vida. Hoje pensei muito pouco no ano que está a acabar. Hoje procurei embelezar-me e usufruir de um belíssimo almoço, em ótima companhia. Passei a maior parte do dia acompanhada, é verdade, mas em todos os minutos que estive sozinha comigo, não fui capaz de parar de sorrir. Depressa percebi porquê.

Passei o dia entusiasmada com a minha Perna Fina e com as críticas que recebi, ao longo da tarde de ontem. Nos momentos de silêncio não parei de sentir as ideias a fervilhar na minha cabeça: novos conteúdos, dicas dos mais variados tipos e ainda umas 4 ou 5 receitas que tenciono partilhar com todos os que me lêem.

Não estive, por isso, parada a pensar no Ano Velho (o que para mim é uma grande conquista. Costumo ser demasiado saudosista). Estive antes a pensar no ano que aí vem, no que quero fazer e em como me quero tornar melhor (a imensos níveis).

Sinto que já estabeleci um compromisso com cada um que me leu e sinto-me bem por isso. Vai-te embora Ano Velho, que o Novo está mesmo a chegar.

“Amanhã faço dieta”

ADORO COMER, ADORO. Comer dá-me imenso prazer, faz-me feliz. Porém, esta felicidade tem-se revelado uma felicidade envenenada, qual maçã da Branca de Neve. Mas nem sempre fui assim.

Lembro-me de ser miúda e de ser para mim um verdadeiro sacrifício comer. Lembro-me de erradamente despejar o leite do pequeno-almoço lava-loiça abaixo, sempre que a minha mãe virava costas. Lembro-me de ter um pedaço de pão na mão, quase a apodrecer, tal era o tempo que levava a comê-lo. E vomitava, involuntariamente, vomitava imenso. Hoje sei que tenho uma hérnia no estômago e que sempre que “asneiro” ou que como certos alimentos, me sinto indisposta. Eu tinha (e ainda tenho) uma má relação com a comida.

Quando entrei na puberdade, as loucas das minhas hormonas mudaram radicalmente. Passei a sentir os sabores e aromas de maneira diferente. Comecei a apreciá-los e a dar-lhes mais valor. E como se a puberdade não fosse por si só complicada, comecei a mudar o corpo e a engordar.

Devia ter cerca de 16 anos quando pela primeira vez disse para mim mesma que tinha de fazer dieta. Fazer dieta? Ah, claro, deixar de comer, pensei eu. E de repente, o meu almoço passava a ser sopa e fruta e o peso baixava como por magia… Passava um mês, eu fartava-me de me privar de tudo o que gostava, voltava a comer desmedidamente e, está-se mesmo a ver, voltava a engordar. Sem eu dar por isso, a minha vida alimentar passou a sustentar-se de promessas: é nesta segunda que recomeço… Vá, no dia 1 do próximo mês! Se calhar deixo passar o Natal e o fim de ano e recomeço a sério a 2 de Janeiro. Promessas, promessas, promessas! Promessas que duram há cerca de 10 anos. Promessas que cumpro durante 1 semana, às vezes 2 dias. Ou por 3 horas?!

Ao longo deste tempo já fiz várias dietas, umas mais restritas que outras e em todas elas perdi (bastante) peso. Em todas elas voltei a ganhá-lo. Nalgumas, ganhei mais do que perdi?!

Hoje percebo que perder peso não é difícil. Isso é o mais fácil. Basta restringir uma série de alimentos, ou até reduzir a quantidade que ingerimos dos mesmos e está feito. Difícil é manter o peso que atingimos e desejamos ter. Difícil é manter o equilíbrio. Difícil é ser coerente, consistente. No peso, no amor, no trabalho, NA VIDA.

É difícil, bolas. É mesmo difícil.

Começo 2014 com o objetivo de encontrar o que muitos, como eu, procuram: equilíbrio. Uma solução a longo prazo. Vou concentrar-me nisso. Vou mesmo. Estou farta de promessas e de falhar comigo e com a minha saúde. Prometo!?

*Deixo-vos uma música do Herman José sobre promessas.

(Mais) Um blogue de moda?

Blogues há muitos, seu palerma, e há para todos os gostos e interesses: blogues sobre culinária, sobre relacionamentos, astrologia, nailart, decoração, literatura… Para homens (gosto particularmente do blogue do Pedro Teixeira. Que bom rapaz!) e para mulheres! Há também os blogues que se dedicam às modas: o que vestir? De que cor pintar as unhas? O que comer ao pequeno-almoço? Blogues, blogues, blogues! Costumo ler alguns.

Por defeito profissional, gosto de blogues bem escritos, com uma linguagem clara, inteligente, daquela que roça a corrosão da alma e nos diverte ao mesmo tempo. Dou importância à forma como as frases estão escritas e se são ou não capazes de me prender ao monitor. Os temas interessam-me mais ou menos, mas a linguagem, a capacidade de comunicar (seja sobre o que for), isso sim me entusiasma.

Quando me surgiu a ideia de criar o blogue da Perna Fina pensei nisso mesmo: tenho de ser capaz de prender os leitores. Tenho de apresentar uma escrita fluída, descomprometida, mas séria e cuidada. Tenho de ter graça e ser autêntica. Pensei também, claro, no conteúdo.

No Perna Fina vou escrever sobre as minhas escolhas diárias. E o que é que isso tem de interessante? A AUTENTICIDADE! A autenticidade com que todos os dias prometo, por exemplo, que não vou comer a fatia de bolo de aniversário de um dos alunos ou que vou assumidamente deixar de lamentar a minha coxa grossa e começar a exercitá-la à séria.

Será um blogue de comprometimento comigo mesma, acerca das peripécias diárias por que passo, sempre com o intuito de saber cuidar melhor de mim e dos seres que amo. Será um blogue sobre bem-estar, com espaço para dicas de alimentação, exercício físico, algumas receitas e tudo o resto que me parecer oportuno.

Este blogue é para todas as pessoas que, tal como eu, a certa altura da vida desejam mudar algo em si e, por uma ou outra razão, não têm conseguido essa mudança. É um blogue de sentimentos reais, com pouca edição, para pessoas reais que querem mudar ou melhorar e não sabem como (como eu também ainda não sei).

Este não é, por isso, mais um blogue de moda, mas também não deixa de o ser. Afinal, está na moda quem se sente bem consigo, com as suas escolhas e com os outros.

A Perna Fina

Desde miúda que oiço dizer: “Ai menina, és da família dos Perna Fina!” E eu ouvia e não percebia por que me diziam tal coisa! Eu, que desde que me conheço luto para afinar as pernas (e todas as outras partes do meu corpo), achava que estavam verdadeiramente loucos.

Sou duma família que nasceu na Lousã, perto de Coimbra, cujos membros são conhecidos por ter um caráter muito peculiar. São também conhecidos por ter uns corpos estranhíssimos, com pernas muito finas. Daí o nome. Sou efetivamente uma Perna Fina de feitio. Apenas e só. Quanto às minhas pernas… Hum! Já viram melhores e piores dias!

O blogue da Perna Fina é a materialização do meu dia a dia na luta por umas pernas menos grossas, pensamentos largos, desejos gordos, aspirações cheias e uma ou outra tristeza mais magrela.

Perna Fina