Biquínis e fatos de banho (triquínis não!)

Ai o verão! Estou em crer que este será O verão. Se não for por mais nada, será por eu me sentir incrivelmente saudável e de bem com a vida e, por isso, poder desfrutar tranquilamente de tudo o que o Universo me oferecer. (Uma grande amiga garante-me que o Universo, quando eu menos esperar, será muito generoso comigo. Assim seja!)

Se durante toda a minha existência a época balnear foi um martírio, este ano pensar em escolher roupa de praia provoca-me calafrios, calafrios dos bons. As redes sociais estão cheias de fotos de biquínis e fatos de banho de perder a cabeça e eu já não consigo parar de pensar na possibilidade de deslizar p’los areais desse Universo a passear este corpinho crossfitado (LOL).

Como há muita oferta, ainda não pensei bem no que quero usar. Gostava de ter um fato de banho, acho muito elegante, e não visto nenhum desde miúda. Mas também não digo que não a um biquínizinho com folhos ou coisas assim. Talvez compre um de cada e vá variando. Depende dos valores, claro, que alguns são autênticos assaltos à carteira.

Estes são pura inspiração.

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Onde é que posso adquirir o cabelo (e o bronze?!) da miúda da primeira foto?
Dava-me um jeitão.

O melhor presente

A minha doutora deu-me um presente que não precisou de embrulho. Deu-me a sua visão do percurso que tenho vivido desde que a conheci, escrevendo um texto que me comoveu até às entranhas. Foi a única pessoa que compreendeu o meu problema com a comida. Quando eu falava no meu vício a familiares ou a amigos próximos, ninguém me levava a sério. Diziam que eu tinha de fechar a boca e pronto. Se eu bebesse até cair, se eu me drogasse, se eu gastasse todo o meu ordenado em jogo, talvez percebessem a minha compulsão. Como o meu vício era a comida, e ficar gorda era a única consequência, o meu problema, aos olhos dos outros, era apenas uma enorme gula. Não era bem assim.

“A J era uma das muitas “J’s” que persistem no mundo: mal com o seu corpo, consigo mesma, insegura e triste. A comida era a sua maior inimiga, mas também o seu maior conforto. Descrevia na primeira consulta, há cerca de 10 meses, a sua relação conflituosa com a alimentação. Chorou. Não de vergonha, mas de medo. Medo de não conseguir libertar-se daquele corpo que não reconhecia e daquele comportamento compulsivo que a prendia num ciclo sem fim de “dieta” desde muito jovem. Fazia atividade física intermitente, tal como a sua relação com a comida, auto-penitenciando-se.
“Um caso difícil…” pensei para mim, “mas vou conseguir ajudar a J”.
A primeira consulta foi longa, tumultuosa e extenuante para ambas. Foi explicado à J que o seu comportamento alimentar tinha de mudar, que tinha de abandonar o “como tudo ou não como nada” para conseguir ter sucesso a longo prazo e ter força para continuar, que as compulsões tinham de parar. Para isso precisávamos de tempo, sinceridade, perseverança, garra, trabalho de equipa, confiança e de mudar de atitude!
A verdade é que foi mesmo assim. A J “agarrou-se” à sua oportunidade. Teve altos e baixos na sua vida que, claro, afetaram a alimentação. Mas foi mais forte. Reconheceu e aprendeu que a alimentação saudável não é uma dieta, é um estilo de vida e é para sempre.
Juntas fomos construindo o seu plano alimentar, que tanto mudou nestes 10 meses, até estar realmente perfeito, totalmente “à sua medida”.
Porém, a J não mudou a sua vida só com a alimentação, procurou um desporto que a satisfizesse e desafiasse! Tem-se superado e surpreendido, já não há limites para o que consegue fazer, até o pino!
E o que interessa o peso inicial e final da J para a sua história? NADA! A história é sobre a sua mudança de atitude perante a vida, foi isso que a fez ter sucesso e não a dieta X”, Dietista Catarina Cachão Bragadeste.

Um obrigada do tamanho da minha felicidade à Doutora Catarina, por me ter ajudado sempre, com tanta generosidade, compreensão e assertividade. Obrigada por ter acreditado em mim, no meu potencial, na mulher que queria ser, sem saber como. Ser-lhe-ei eternamente grata.

Esta capacidade de adorar o meu corpo

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Nunca foi fácil a relação entre mim e o meu corpo. Lembro-me da primeira vez que o odiei. Tinha 14 anos quando reparei numas marcas na pele, que não tinham resultado de nenhum arranhão, nem de nenhuma queda. Eram estrias. Eram avermelhadas, quase roxas e, como nunca me tinha acontecido antes, senti vergonha de estar na praia com os meus colegas. Pela primeira vez evitei mostrar-me demasiado nas fotografias que foram tiradas durante esse dia. Estas marcas insignificantes no meu corpo foram o meu primeiro ódio de estimação. Seguiram-se as mamas, que cresceram mais do que era suposto e depressa se partiram com o peso. Era difícil encontrar um sutiã que me sustentasse bem o peito e, ao mesmo tempo, não fosse demasiado adulto, dada a minha idade. O rabo igual ao do meu pai também sempre me incomodou. A partir daqui, foi sempre a piorar.

Nenhum exercício físico, a não ser os da aulas de educação física, nas quais me mexia muito pouco, e uma péssima alimentação fora de casa, levaram-me a inúmeras perdas e ganhos de peso. Mais estrias. Mais celulite. Mais cenas más. As idas à praia eram mesmo o pior de tudo. Houve um ano que não pus o pé na areia. Recusei-me mesmo. Não queria que ninguém olhasse para mim: gorda e demasiado branca. Como se todas as pessoas que estivessem na praia olhassem para mim e me achassem uma aberração de tão branca e de tão gorda. (As pessoas querem lá saber disso!)

Anyway, foi preciso chegar aos 28 anos para aceitar verdadeiramente o meu corpo. As mamas tiveram intervenção divina (que dinheiro tão bem empregue!), mas as estrias, a celulite e o rabo igual ao do meu pai continuam cá. Apesar disso, aos 28 anos, e depois de um ano inteiro de boa alimentação e muito suor, consigo olhar para o espelho e não me importar com as marcas que os sacos de gomas e os Cheetos deixaram no meu corpo. Porque apesar de poder parecer uma frase feita, são precisamente aquelas marcas que me lembram a vida que vivi até aqui, os dias bons e os dias maus, os dias em que comi desmedidamente só porque estava triste, por exemplo.

Mesmo ao lado dessas marcas, começa também a ser visível o primeiro burpee, a sobremesa que recusei e os quilómetros que corri mais rapidamente por estar irritada com alguma coisa. E se não for por mais nada no mundo, que esta Perna Fina nunca deixe de existir em mim, na medida em que me permite adorar este corpo que é meu, com a maior admiração, respeito e verdade que me são possíveis.

Regresso ao passado #3

Odeio a escola. Todos os dias tenho de lidar com estupores que gozam comigo por causa do meu corpo. Fazem-me crer que sou monstruosamente gorda, estranhamente feia. Os rapazes gozam comigo. As raparigas também. E as que mais me chamam nomes não são mais magras, nem mais bem feitas que eu. Mas juntaram-se ao grupo e eu tornei-me um alvo fácil. Vaca. Baleia. São as ofensas mais levezinhas. Todos os dias. Todos os dias. Nem vale a pena dizer aos professores: eles não se vão meter com aquela gente. Se os castigarem ainda têm de ouvir os pais e as mães deles a dizer que “nesta idade é absolutamente normal gozar-se com os outros”, que “faz parte do crescimento, da entrada na idade adulta”. NÃO, NÃO FAZ! Eu tenho o direito de estar na escola e aprender em paz. Ou será que não tenho?

Não tenho coragem de contar isto aos meus pais. Tenho a certeza que se o meu pai souber vai à escola dar uma cabeçada nos meus colegas e ainda se mete em trabalhos. Eu não quero isso. E a minha mãe? Não quero que se enerve. Eu aguento mais uns meses disto. As férias da Páscoa estão quase a chegar e o 3.º período passa num instante. Até pode ser que eles se cansem de gozar comigo, que encontrem outra distração. O pior de tudo é que as miúdas que eu julgava serem minhas amigas se juntaram a eles. São umas cobardes. “Temos medo deles, Joana”, dizem-me elas por mensagem. “Amanhã não vamos contigo para a escola.” Logo amanhã, que é dia de educação física. Vou ter de me equipar nos balneários. Vou ter de correr à volta do campo. Vou ter de fazer parte da equipa que for a última a escolher.

Odeio a escola. Mesmo assim, tenho conseguido manter as notas e isso irrita-os. Mesmo assim, continuo a ter a atenção dos professores, que investem em mim. Mesmo assim, vou à escola todos os dias e enfrento-os de novo a cada manhã. O que será da minha vida quando o 7.º ano acabar? E o 8.º? E o 9.º? Será que terei de os continuar a ver? Acho que alguns vão chumbar e desistir da escola. Talvez nunca mais tenha de os ouvir. Talvez um dia até possa passar por eles e sentir-me bem comigo. Isso ia deixá-los tão furiosos…

Alarme hídrico

Há já duas ou três consultas que a minha doutora ralha comigo por beber menos líquidos do que preciso. Todos sabemos que beber água faz bem a uma porradona de coisas, entre elas a perda de peso e a eliminação de líquidos em excesso no organismo. No meu caso, por praticar CrossFit três vezes por semana, a água revela-se também fundamental na recuperação muscular. Apesar de saber isto tudo, tenho bebido pouquíssimos líquidos. Tenho sempre uma garrafa de água na secretária, até porque passo o dia a falar com os miúdos e as minhas cordas vocais estão longe de terem uma saúde espetacular, mas ultimamente a mesma garrafa tem permanecido intacta dias a fio. Acho que é do frio: não me apetece beber água, pronto. Sim, eu sei que posso fazer chá, que até me vai aquecer, mas olha, não tenho cumprido nada disso.

Hoje voltei ao trabalho e trouxe comigo uma garrafa de um litro e meio de tisanas e, para garantir que a bebia mesmo, pus um alarme no telemóvel que tocou a cada vinte e cinco minutos. Sempre que o toque se fez ouvir, pimba: eu emborquei um copo de tisanas. Às onze da manhã já a garrafa ia a meio e a seguir ao almoço já a tinha quase acabado. Percebi que consigo aumentar a quantidade de líquidos facilmente, como em tudo na vida, se for metódica e persistente. Este alarme hídrico é capaz de ter sido a melhor invenção dos últimos tempos. Senhores das apps, não querem criar uma aplicação qualquer para regular o consumo de água das pessoas? Ah bolas, fui confirmar e já existe! Lá se foi a minha oportunidade de ficar milionária e de ir passear o meu corpinho para as Maldivas por tempo indeterminado.

O problema não era meu, era das luvas

(Como sou uma menina, e ainda tento proteger o meu corpo dalgumas das brutalidades vividas no CrossFit, uso sempre luvas.)

Hoje tive de me pendurar na maldita da barra, mas, como sempre, caí ao fim de cinco repetições. Às tantas, o treinador disse que se eu tirasse as luvas e enchesse as mãos de magnésio, seria capaz de fazer as doze repetições seguidas, sem cair, porque já tenho força para isso. Eu, que sou uma rapariga muito obediente (NOT), lá tirei as luvas e enchi as mãos daquele pó branco, que me faz tossir como cão molhado. E não é que até ao final do WOD fiz as 12 repetições, a cada minuto, sem cair? É, fiz mesmo! As minhas mãos? Ficaram perto da carne viva, mas isso tem pouca importância. O treinador ainda acrescentou: “Tens de ganhar calo. Um dia vai deixar de doer. Não uses luvas. Não valem a pena.” Não sei quando deixará de doer. Sei que para já tenho as mãos cobertas de Halibut, para ver se cicatrizam até quarta-feira. Ai!

Salmão grelhado com esparguete de curgete e cogumelos

Ingredientes (para 2 pessoas):
– 2 filetes de salmão;
– 2 curgetes;
– 1 lata de cogumelos laminados;
– 1 pacote de natas de soja;
– Sumo de 1 limão;
– 2 dentes de alho;
– Azeite, sal e pimenta q.b.

Preparação:
1.º Temperar os filetes com sal, pimenta e sumo de limão, deixando marinar durante 15 minutos (no mínimo);
2.º Pôr uma panela com água ao lume, até ferver;
3.º Lavar muito bem a curgete e cortá-la em forma de esparguete. (Eu usei um espiralizador de vegetais);
4.º Mergulhar o esparguete na água fervente e deixar cozer durante 1 minuto (no máximo). Escorrer e reservar;
5.º Colocar um fio de azeite no wok, deixar aquecer um pouco e colocar os cogumelos e os dentes de alho esmagados;
6.º Depois dos cogumelos fritarem um pouco, juntar o espaguerte para saltear;
7.º Grelhar o salmão numa chapa antiaderente, durante cerca de 3 minutos de cada lado;
8.º Enquanto o salmão cozinha, juntar um pouco de natas de soja aos vegetais e envolver bem.

Eu não resisti e juntei uns pedaços de queijo à “massa”. Um sucesso!

Deliciem-se, Pernas Finas!

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Je t’aime forever, Nutella!

Eu já sabia que, como eu, há muitos nutellodependentes por esse mundo fora e eu sinto-me feliz por fazer parte dessa vasta comunidade. O que eu não sabia é que o melhor género alimentício do mundo inteiro tinha um dia internacional, que se celebra hoje. As redes sociais estão cheias de imagens, todas muito sugestivas, e eu dei por mim a salivar como um boxer em plena corrida. Porém, devo dizer que esta distinção não muda em nada o amor que tenho àqueles boiões de puro prazer e deleite. É que a nossa relação já tem muitos anos. É uma relação fiel, sem zangas, nem discussões. Por isso, neste dia internacional, sinto-me na obrigação de reforçar os meus votos: amo-te, querida Nutella. Ou, citando uma das maiores pensadoras dos tempos modernos – Cátia Palhinha – Je t’aime forever, Nutella. Je t’aime forever!

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Só fiz merda!

Desculpem o meu palavreado, Pernas Finas, mas estou mesmo pior que estragada. Hoje o treino teve montes de movimentos complicados e eu saí de lá com a sensação de que só fiz merda. A minha maior dificuldade é pendurar-me na barra, presa ao teto, e balançar o meu corpo, ao mesmo tempo que contraio os abdominais e mais uma série de coisas que AINDA não consigo fazer. Tenho as mãos feitas num 8, os abdominais que não os sinto e as pernas a tremer.

Deixo um vídeozinho só para terem noção do que falo.

“Not a good rep. Not a good rep.” Argh!

Sonhos

dream

Magra. Bronzeada. Cabelo comprido. Foi sempre assim que me imaginei nos sonhos bons. Hoje percebo que esta condição de ser feliz comigo foi adiada porque nunca a quis verdadeiramente, porque nunca me empenhei das entranhas. A imagem que tinha de mim, mas que não via quando me observava, está cada vez mais perto. E às vezes até parece mentira. Até parece mentira que já não como quando me sinto infeliz. Até parece mentira que o meu rabo está a crescer. Até parece mentira que consigo repetir um agachamento 120 vezes seguidas. Até parece mentira que esta mulher esteve sempre dentro de mim, aprisionada, aos gritos, cheia de vontade de sair e de se mostrar. A verdade é que tudo isto existia apenas à distância da minha vontade. A verdade é que os sonhos se podem tornar reais. Se quisermos muito. E eu nunca quis nada assim.