Toma atenção!

Se a pessoa com quem tens uma relação te diz que não deves usar as unhas arranjadas de uma determinada forma, que o batom encarnado não te fica bem ou que as roupas que tanto gostas não te favorecem, toma atenção. Se a pessoa com quem tens uma relação te pede para controlar as gargalhadas, para falares menos e mais baixo e te incentiva a ver as pessoas que gostas menos vezes, toma atenção. Se a pessoa com quem tens uma relação oprime a tua opinião, em detrimento da sua, desvaloriza a tua profissão ou o teu trabalho e sugere controlar o dinheiro que ganhas e que gastas, toma atenção. A pessoa com quem tens uma relação, muito provavelmente, não tem estas e outras atitudes porque se preocupa contigo. A sua única intenção é controlar-te, é ter-te na mão. É ser dono ou dona, senhor ou senhora da tua vida, para que da sua te sintas incapaz de sair, mesmo que assim o desejes. Por isso, toma atenção. Controlo não é preocupação. Não é amor. Não é carinho. Controlo é opressão e violência. Toma atenção e pede ajuda a alguém em quem confies.

Obrigada!

Hoje é o Dia Internacional do Obrigado (as meninas dizem obrigada, ok?) e eu, que tenho tanto para agradecer, não podia deixar passar este dia sem escrever um textinho sobre agradecimentos sinceros. Não, não vou dizer obrigada a ninguém em especial. Não me levem a mal, nem me achem injusta, mas hoje, confesso, disse obrigada a mim mesma. Obrigada por ter este mau feitio, que me ajuda a viver a vida que quero. Obrigada a esta força de vontade, que me faz continuar a querer ser melhor, a muitos níveis. Obrigada ao meu espírito de sacrifício, que me motiva a trabalhar todos os dias da semana, muitas horas, porque sei perfeitamente que a vida não é mel e que as coisas não caem do céu. Obrigada por ter tomado decisões muito, muito importantes, que me trouxeram até ao dia de hoje, em que me sinto muito feliz com a vida que tenho, com as pessoas que fazem parte dela, porque assim o querem e porque eu quero também. Muito satisfeita com o meu trabalho (tenho 22 novos miúdos encantadores e só me apetece mordê-los!), com este blogue, com o CrossFit. Muito, muito agradecida, de morte, por, depois de tanto tempo, me deitar todas as noites e pensar: agora está tudo bem. Por tudo isto, bolas, eu digo um profundo obrigada.

Comer para emagrecer

Já falei ao de leve nalguns textos sobre este tema, mas nunca me dediquei a escrever sobre ele afincadamente. Pois é, cambada, desenganem-se os que acham que para emagrecer precisam de passar fome. Eu achei isso durante toda a minha vida e o resultado foi tudo menos bem sucedido. Apesar de cada vez mais se falar na importância de se ter uma alimentação variada, equilibrada e sem demasiadas restrições, este continua a ser um conceito demasiado estranho para quem quer emagrecer, de forma permanente. A restrição e o jejum persistem em ser o objetivo da maioria das pessoas que pretendem perder peso. A ciência explica-nos isto. Ora atentem: Sabe-se que comer com pouca frequência ou mesmo fazer jejum reduz a produção de insulina e leptina (hormonas que informam o cérebro de que estamos saciados), aumentando a produção de grelina, que se traduz em sensação de fome! De facto, grandes picos de grelina diminuem o gasto de gordura, ativando os centros de recompensa cerebrais. Resultado: comemos mais quantidade de alimentos e de menor qualidade nutricional. A fome é inimiga do controlo do comportamento alimentar, fazendo-nos desejar alimentos mais calóricos, comê-los mais rapidamente, mastigando mal e quando nos apercebemos já ingerimos mais do que precisaríamos na realidade. Não obstante, saltar refeições (passar mais de 4 horas sem comer) aumenta a produção de hormonas do stress, como o cortisol, que por sua vez aumenta o desejo por gordura e açúcar (1). Tudo ao lado, portanto. O pior de tudo, é que se entra num ciclo vicioso de fome, emagrecimento, fome, ingestão de muita comida, aumento de peso, frustração, ingestão de muita comida… Sair disto torna-se muito mais difícil do que a perda de peso por si só. Acreditem, eu sei do que falo. Por isso, comam! Esqueçam as bolachas, as barrinhas de cereais, os produtos light e comam comida a sério, de boa qualidade. Procurem alternativas, novos sabores, percebam o que faz melhor e pior ao vosso corpo e, muito importante, se acharem que não conseguem fazer isto sozinhos, procurem ajuda médica. Só um especialista vos ajudará a tomar as melhores decisões. Mesmo. Mas comam, por favor comam.

Esta sou eu.


Eu tenho a cara torta. Sempre tive e sempre soube disso. Um dia o meu dentista, que é amigo da minha família e me conhece desde que nasci, confirmou-me o que eu já sabia. Eu tenho a cara torta. Usei aparelho nos dentes para corrigir, mas acho que isto acabou por voltar ao que estava. Houve um ano na escola em que uns simpáticos colegas decidiram chamar-me Capitão América, por causa do meu queixo exuberante. Foi só mais uma alcunha, no meio de tantas que eu já tinha tido ao longo da minha vida na escola. Lembro-me que fizeram um desenho meu, uma caricatura, e que o expuseram no quadro de cortiça da sala. Uns amores, portanto. Bons cidadãos mesmo. Durante muitos anos evitei fotografias que focassem muito o meu perfil. Houve até a possibilidade de me serrarem a cara para corrigir isto, mas teria de ficar três meses a comer por uma palhinha. Fiquei assim. Hoje tirei esta selfie e lá está o meu queixo torto e saliente. Hoje não me incomoda nada. Não sou perfeita. Já deixei de querer ser. Esta sou eu.

Jantares

Há pessoas que adoram o pequeno-almoço. Outras que deliram com os almoços que se prolongam pela tarde. Há ainda quem se passe com jantaradas até altas horas. Eu adoro todas as refeições. Adoro comer de manhã, a meio do dia, à tarde e à noite. Sou uma moça de grande apetite e não o nego. Gosto muito de comer. Facto. Porém, desde que mudei de vida que os jantares passaram a ter uma atenção especial.

Durante muitos, muitos anos, eu passei o tempo a privar-me de comer durante o dia. Foi quando comecei o ciclo das dietas, aos 16 anos. Espalhei aos sete ventos que ia emagrecer, que queria emagrecer e, por isso, passava o dia numa profunda contenção. No secundário, meses a fio, eu almocei uma sopa e uma peça de fruta. Eu achava que era por passar fome que ia emagrecer.

O que é que acontecia depois? Chegava ao fim da tarde com uma fome, que nem Deus Nosso Senhor me valia. Ninguém me valia. Só o pão com manteiga, os bolos de pastelaria que comia a caminho de casa, os menus de hambúrgueres, os pacotes de aperitivos de queijo. Foi nesta altura que comecei a desenvolver um comportamento de compulsão alimentar. Foram muitos anos de sofrimento. De privação e de exagero, numa angústia que me parecia não ter fim.

Chegava a casa e comia mais. Jantava o que havia para jantar, porque a minha família não me controlava nisso (talvez o devesse ter feito). Resultado? Eu nunca consegui atingir os meus objetivos porque, na verdade, o meu comportamento era tudo menos equilibrado. Emagrecia e engordava. Engordava e emagrecia. Vezes sem conta. Vivia numa permanente frustração comigo própria. A desejar coisas que me pareciam impossíveis.

Hoje, e depois de muitas consultas e de muita reflexão, percebo que eu fazia tudo ao contrário. Hoje é durante o dia que me alimento de tudo o que devo. Como pão, iogurtes, legumes crus, frutos secos, fruta fresca, carne, peixe, ovos, tudo isto. Para além das refeições principais, faço um lanche a meio da manhã e dois durante a tarde, o segundo pouco tempo antes de treinar.

Ao jantar, como muito, muito pouco: um prato de sopa e um ovo cozido, uma lata de atum com legumes, uma omeleta… Vegetais e proteína, sem muitos exageros. Porque a verdade é que janto muito pouco tempo antes de dormir e tudo o que comer me vai parar à anca. Por isso, não vale a pena inventar muito. Eu continuo a adorar jantar e dou a vida por uma tarde de petiscos, mas não posso fazer disso um hábito.

Antigamente eu ficava super frustrada por perceber que não podia comer certas coisas sempre que me apetecia. Que tonta! Agora eu percebo que eu não tenho de fazer esta escolha, se assim o entender. Mas o que eu percebo também, é que é muito mais importante me sentir bem comigo, vestir as roupas que gosto e ser confiante, do que comer arroz à noite. Muito, muito mais.

E então, como estamos até agora?

Já passaram 3 dias do ano novo. Sei que parece pouco tempo para se fazer um balanço do que quer que seja, mas as coisas começam pelo princípio, por isso, hoje parece-me ser o dia ideal para uma reflexão. Já voltaram a pensar nos desejos da meia noite de dia 1? Ou nunca mais pensaram nisso? Desejaram o quê: ser mais tolerantes? Ter mais tempo? Comer melhor? Fazer um treininho de meia hora por dia? Levantar mais cedo para não sair de casa sem tomar o pequeno-almoço? Arranjar a roupa no dia anterior, para que de madrugada não vos apeteça ir de pijama trabalhar? Foi alguma coisa deste género? Mas depois voltaram ao trabalho e o vosso colega foi mais do que irritante que há e a vossa atitude foi tudo menos tolerante. E tiveram mil pontas para acertar e tempo nem vê-lo. Como se não chegasse, chegaram ao sítio onde costumam almoçar e só havia qualquer coisa muito próxima de esparguete à bolonhesa ou bacalhau com natas. Treinar? Querem é enfiar-se na cama, tanto que é o frio e a chuva. Por aí adiante. De repente, parece-vos que nada do que desejaram se cumprirá nos próximos anos, porque o dia a dia é um caos e percebem que, talvez e afinal, 2018 é que é mesmo o ano. Desenganem-se! Cada vez mais acredito que a vida é o que fazemos dela. Mais: é o que fazemos com o que a vida nos dá ou o que fazemos para que a vida nos dê [o que queremos]. Assim sendo, recomecem tudo de novo amanhã. E depois. E depois. Não há nada melhor do que controlar a nossa própria vida. Até porque isso é o suposto, não o contrário.

Ano Novo

Ontem, enquanto ouvia toda a gente aos gritos e o barulho do fogo de artifício, anunciando a chegada do ano novo, eu só pensei em duas coisas: em ter saúde, muita saúde, e em ser uma pessoa absolutamente focada. Focada no cuidado com o meu corpo e com a minha alma. Focada no meu trabalho e na minha profissão. Focada nos treinos. Focada nos que me são queridos. Focada nos meus objetivos e no que tenho de fazer para os atingir, sem desculpas. Para que isto tudo aconteça, preciso de saúde. Só quero isto. Por tudo, que só quero isto. Já fui uma menina muito pedinchona, mas agora não. Agora só quero ter a capacidade para fazer as coisas acontecerem, em vez de esperar que simplesmente aconteçam. 2017? Estou cheia de fé.

2016

Não me queixo de nada, 2016. Foste um ano bom. Foste o ano dos meus 30. Foste o ano em que me senti melhor comigo. Foste o ano de muitas coisas boas, intensas. Também me deste alguns desgostos, mas nada que me deitasse abaixo ao ponto de não me levantar. É, foste um ano bom, 2016! Mas lamento dizer-te creio muito mais no teu sucessor. Algo que me diz que 2017 será O ano. Eu vou esfalfar-me por isso.