Três anos de Perna Fina

Passaram três anos desde que escrevi e publiquei o primeiro texto neste blogue. Passaram SÓ três anos, mas parece que passaram trinta. Como se eu me tivesse preparado toda a vida, para esta que agora vivo. Tal como ela é. Como se tudo o que passei antes, de bom, muito bom, mau e péssimo, tivesse sido o estágio para os dias de hoje.

Hoje eu sou mais feliz. Indiscutivelmente. Porque sou mais magra, é certo, mas, sobretudo, porque parei de estar em luta permanente com a minha cabeça e com o meu corpo. Quem já passou por isto sabe exatamente do que falo.

A Perna Fina deu-me a possibilidade de escrever e partilhar o processo de melhoramento que fui vivendo e, sem eu perceber muito bem como, de chegar mais perto doutros que passam pelo mesmo que eu, mostrando que é possível mudar. Mesmo com medo de falhar. Mesmo com avanços e recuos. Mesmo recomeçando tudo de novo, mais uma vez.

Nunca imaginei que isto durasse tanto tempo. Achei que, a par com tantas outras situações em que desisti na vida, o blogue acabaria por morrer. Houve quem me dissesse que isso aconteceria, mas aconteceu precisamente o contrário. Este blogue está mais vivo que nunca e eu não páro de ter ideias para o tornar cada vez maior, para fazer com que a minha história chegue a um maior número de pessoas, em especial àquelas que, por alguma razão, deixaram de acreditar em si e no seu potencial.

Obrigada a todos os que vêm aqui ler os meus devaneios, que comentam, que me escrevem. (Às vezes demoro a responder, mas acabo sempre por fazê-lo. Se não o fizer, insistam comigo, ok?) Obrigada à minha doutora Catarina, que me ajudou a mudar a minha relação com a comida e aos meus treinadores, que em todos os treinos me incentivam a tentar mais e a ser mais forte. Obrigada à minha família e aos meus amigos, que estão sempre comigo e que vibram, tanto quanto eu, com este meu estado de ser Perna Fina.

A Perna Fina é uma força interna, muito minha, que me ajudou a atingir muitos objetivos e a prova que somos capazes de quase tudo o que sonhamos. A Perna Fina sou eu. Hoje. Para sempre.




Serenidade

Nunca fui uma pessoa calma. Acho que nunca serei. Ultimamente, porém,  tenho-me sentido mais serena. Não completamente, mas em muitas situações. Em relação à comida, por exemplo, tenho-me sentido muito mais tranquila. Muitas vezes falei com a Dr.ª Catarina sobre ser muito ou pouco permissiva comigo, alimentarmente falando. Tenho-me esforçado por analisar com cuidado se esta serenidade é permissão. Acho que não tem sido. É só uma paz enorme por não me preocupar com o peso, com o facto de alguém me poder achar gorda ou se estou bem ou mal. É quase como se conseguisse sair de dentro de mim e me pudesse observar com a imparcialidade necessária para ser o mais cuidadosa que posso ser comigo própria, sem histerias, sem culpas, sem adições, sem precisar de motivações alheias. Só por me conhecer tão bem (ou cada vez melhor), por me sentir tão bem. Percebo que quem nunca se sentiu dependente do que (de quem) quer que seja não perceba esta sensação, mas não é para essas pessoas que escrevo isto (desculpem lá). Escrevo este texto para todos aqueles que, por alguma razão ou algum vício, estão em luta consigo, com o seu corpo, com os seus fantasmas. O meu vício era (será sempre!?) a comida. Aprender a lidar com isto tem sido um caminho tão duro, quanto compensador. Deixar de estar em luta comigo foi o melhor que me aconteceu. Foi a possibilidade de viver uma serenidade que espero não largar mais. Foi crescer. Muito.

Eu explico (ou tento, vá)!

Ontem republiquei este texto na página da Perna Fina, no facebook, a propósito dos devaneios em que nos metemos depois de alguns excessos. Já escrevi inúmeras vezes que não acredito em milagres. Milagres de espécie nenhuma, verdade seja dita, mas, porque muito me toca, acredito ainda menos em soluções milagrosas para perder peso. Perder peso não tem segredo nenhum: é preciso comer bem e treinar o que se pode, com afinco. É só isto. Não há nada a fazer que não isto mesmo. Dá trabalho? Se dá! Mas não há nada mais eficaz e duradouro. É rápido? Depende dos corpos, dos metabolismos. Nalguns casos demora mais tempo, noutros demora menos. Agora, em que é que eu tenho vindo a acreditar com muita fé: é preciso ser-se consistente, tranquilo e evitar os picos de fome/comida em excesso. Eu explico (ou tento, vá)! Antigamente eu vivia assim: comia muito, não comia nada. Engordava muito, emagrecia muito. O meu corpo não sabia muito bem com o que contar. Imagino o que aconteceria se tivesse um pensamento autónomo, independente de mim: será que hoje esta tipa me vai dar combustível? Ou será que vou passar o dia a ir às reservas? O que quero dizer é que é contranatura comer muito e depois, logo a seguir, não comer nada ou o contrário. Talvez o corpo reaja, mas tenho dúvidas que práticas destas lhe traga muitos benefícios. Até percebo que se queira fazer alguma contenção depois de dias de festa, eu ando a esforçar-me por isso, mas calma com os detox da vida. Comer o melhor possível e mexer o rabo é mais do que suficiente para a coisa se voltar a equilibrar. Pudesse eu transmitir em palavras a serenidade que sinto dentro de mim por, finalmente, pensar assim. Mas sobre serenidade escreverei outro texto.

Pronto, foi ótimo…

…mas acabou! Felizmente, que eu não aguento mais. O Natal é partilha, amor e bla bla bla. É tudo isso, eu sei, mas é também enfardar que nem uma besta. Na minha casa é e eu não posso lutar contra esse facto. Por isso, confesso, estou desejosa para que isto acabe. Não suporto mais um bombom, mais um novelo de fios de ovos, mais um sonho, mais uma gamba. Não dá mais. Tenho comida até aos olhos, a sair pelos poros. Estou aqui toda inchada, com uma barriga como há muito não tinha. Deus ma livre! Amanhã é dia 26 e volta tudo ao normal. Já pus os restos no congelador e arrumei os bombons numa prateleira alta, para não me dar ao trabalho de os ir buscar mais. Também não ia conseguir, só se fosse a rebolar, tipo lontra, a fazer aqueles sons anasalados. Ai, Jesus, o teu aniversário dá cabo de mim!

Feliz Natal, Pernas Finas!

Encham essa barriguinha de coisas boas e não se preocupem: não são dois dias de festa, calor e de doces que vos vão impedir de atingir objetivos. Tratam disso nos restantes dias do ano.

Por favor!

Sou defensora acérrima duma alimentação saudável, todos os dias. Porém, detesto fundamentalismos. Nunca mais como açúcar. Nunca mais como gorduras. Nunca mais como o que quer que seja. Não condeno quem o faz, mas acho que, não havendo numa questão de saúde diretamente relacionada, não há razão para tamanha radicalidade. Por isso, engalinham-me um pouco as opções saudáveizinhas para o Natal. Ai, a filhó que não é frita. Ai, o bolo rei que não tem açúcar. Ai, as batatas do bacalhau sem tempero nenhum. Por favor! Não é por se enfardar tudo a que se tem direito durante dois dias que se vai deixar de ser saudável e equilibrado. Aliás, sair da rotina não faz mal a ninguém. Atentem nos que vos escrevo! Não estou a dizer que se tenha de comer um tronco de Natal inteiro, mas também, de que vale comer três fatias de um tronco de Natal fingido, sem cena nenhuma? O Natal é para se comer, para se estar no quentinho e em paz. (Felizes os que podem dizer-se em paz, com todo o mal que anda a acontecer no mundo.) Por isso, que venha o Natal, as luzes, os presentes, os abraços sinceros, os pensamentos bons. Que os corações estejam tranquilos e as barrigas cheias. Dia 26 logo se recomeça tudo outra vez.

Por todas…

Por todas as vezes que fiz dietas e falhei. Por todas as vezes que me senti mal disposta. Por todas as vezes que comi compulsivamente. Por todas as vezes que chorei sozinha e fui infeliz. Por todas as vezes que passei uma fome de morte. Por todas as vezes que me senti mal com o meu corpo. Por todas as vezes que emagreci e engordei tudo outra vez. Por todas as vezes que me senti diminuída por alguma razão. Por todas as vezes que me privei de ser quem sempre quis ser. Por todas as vezes que permiti que gozassem com o meu aspeto. Por todas as vezes que me deixei acreditar que não merecia mais e melhor. Foi por tudo isto que mudei. De dentro para fora. De mim para mim. Para todo o sempre.

[e para ter fotografias como as que tenho do dia de hoje]

nutella, meu grande amor!

Já comprei o meu frasco de nutella anual. Só compro nutella uma vez por ano, no Natal, pois de outro modo, de Perna Fina teria apenas o feitio e o nome do blogue. Não quer dizer que não coma esporadicamente durante o ano, mas num crepe comprado num café ou isso. O que me mata é ter o frasco em casa. Porque às vezes me perguntam: comes nutella com pão? E eu respondo: eu como nutella com pão, com tostas, com crepes, com morangos, com banana, com framboesas. Eu como nutella com nutella, à colher. nutella é vida. É amor. É tudo o que há de bom. Ok, vou acalmar-me. Comprei um frasco de 200 gramas, que foi o mais pequeno que encontrei. Também não é minha intenção banhar-me naquele creme do mal, nada disso. Achei que aquela quantidade era suficiente para me satisfazer, mas depois, abri o facebook e vi isto:

E pronto, toda a quantidade de nutella necessária na minha vida teve de ser questionada. Talvez tenha de comprar mais um potezinho, que também não vem mal nenhum ao mundo por causa disso. Já vi o vídeo umas 137 vezes e sinto cenas a acontecerem no meu corpo por causa disso. Sinto, assim, a saliva a escorrer pelo canto da boca. Não é bonito de se ver, garanto. Ai, nutella, nutella, meu grande amor.

Sobre ter tempo para treinar

Faltam poucos minutos para as 22:00 e eu acabo de chegar a casa, vinda de treinar. Isto a propósito de me colocarem questões acerca do tempo que tenho para treinar (quase) todos os dias. Já houve alturas da minha vida em que achei que não tinha tempo para praticar exercício, sendo muito menos ocupada do que sou hoje. Hoje percebo que, da minha parte, era só mais uma desculpa. Eu sei que não tenho filhos para dar banhos, nem uma família para quem fazer o jantar. Acredito que isso faz toda a diferença, mas só saberei ao certo se um dia passar pela experiência. Mas acredito também que ter uma hora por dia de sangue, suor e lágrimas opera maravilhas incalculáveis. Por isso, e apesar de saber que conselhos e água só se dá a quem nos pede, anotem isto que vos digo: encontrem no vosso dia uma hora que dediquem a mexer o esqueleto. Seja num ginásio, numa box de Crossfit, na rua, em casa, a ver vídeos de YouTube. Seja de manhã, antes dos pequenos-almoços, à hora de almoço, ao fim da tarde ou à noite. Vale tudo. Só não vale ficar à espera que as coisas aconteçam sozinhas. Porque vos garanto: sem dar algum movimento ao corpo, muito pouco muda. Palavra de Perna Fina.