Batata doce assada

Eu podia alimentar-me só de batata doce. Não é só por ser dita como mais saudável, relativamente à batata normal, é porque gosto mesmo da consistência, do sabor. A laranja é a minha variedade favorita, mas não digo que não à amarela ou à roxa. Estas batatas vão bem com carne ou peixe e são fáceis, fáceis de fazer.

Ingredientes (para duas pessoas):
– 3 a 5 batatas doces;
– sal marinho, pimenta e tomilho;
– azeite.

Modo de preparação:
1.º Aquecer o forno a 200º;
2.º Lavar muito bem as batatas e cortar em rodelas finas;
3.º Forrar um tabuleiro com papel de alumínio e espalhar as batatas, sem as sobrepor;
4.º A gosto, temperar com sal, pimenta, tomilho e um fio de azeite generoso;
5.º Envolver as batatas nos temperos e tapar com outra folha de alumínio, de modo a que as batatas fiquem fechadas numa espécie de envelope;
6.º Levar ao forno entre 15 a 20 minutos.

Às vezes, se quiser que pareçam fritas, retiro a parte de cima do envelope e deixo-as ficar no forno, já desligado, com a porta entreaberta. Ficam super estaladiças! Estou a salivar só de escrever a receita. Para mim, um dos melhores acompanhamentos de sempre. Mesmo.

Inspira-te, Perna Fina #8

Sempre achei esta atriz muito gira, mas desde que a sigo no Instagram que a acho uma verdadeira inspiração. Mudou radicalmente a sua alimentação e escreve, várias vezes, sobre os benefícios que essas mudanças trouxeram para a sua vida, nomeadamente à pele e ao cabelo. Treina muito também. Gosto das stories, que dão várias dicas de pequenos-almoços, por exemplo, e das fotografias, cheias de bom gosto. Acho que vale a pena seguir a Catarina Gouveia, mesmo.

Isto de ser forte

A semana passada, quando estive a recuperar da minha lesão e escrevi sobre a vontade louca de devorar meio mundo, recebi muitas mensagens a dizer que eu era forte e que seria capaz de ultrapassar calmamente a situação, sem comer.

Já estou muito melhor, já voltei aos treinos e sinto que já recuperei (quase) na totalidade. Vivi este acontecimento da minha vida com a maior naturalidade que me foi possível, até porque não foi o fim do mundo, mas terei sido assim tão forte?

Forte no sentido em que quem me lê espera que eu seja. Eu comi muito naqueles dias em que estive em casa. Talvez a quantidade não tenha sido significativa, mas a qualidade sim. Comi muito gelado, piza, pão, sushi e mais uma quantidade de coisas que agora me escapam.

Comi e não sinto que tenha sido fraca por causa disso. Acho que é importante escrever o seguinte: o que me fazia fracassar em todas as dietas, antigamente, não era o facto de fraquejar de vez em quando, era a incapacidade que tinha de parar.

Ao dia de hoje, eu sei parar. Eu sei perceber que ainda como porque estou triste, mas não deixo que esse comportamento perdure no tempo. Assim que voltei à minha rotina, voltei à minha comida de todos os dias, voltei aos treinos. Pus um ponto final na cena.

É por isso que me considero cada vez mais forte: porque aceito que às vezes a comida ainda me dá conforto e porque, com a mesma intensidade, sei reconhecer que uns dias de comida de plástico não me definem como pessoa e, por isso mesmo, volto rapidamente ao que quero que seja a minha vida, sem desculpas.

Já escrevi algumas vezes sobre a importância de recomeçar todos os dias. A consistência é tudo na vida: no trabalho, no treino, no amor, na capacidade de superação, em tudo. Não preciso de ser forte sempre, mas preciso de ser muito, muito forte algumas vezes.

O meu esforço é exatamente nesse sentido: fazer com que os momentos de força sejam de tal forma intensos que me permitam atingir os meus objetivos, mesmo sabendo que, por vezes, ainda me tenha de agarrar a um saco de gomas… Não é isso que me define. Já foi. Agora não é.

Carta aberta às Boazonas do Instagram

Olá, Boazonas do Instagram, como estão?

Eu estou bem, obrigada, não fiquem apoquentadas a achar que me vou pôr p’raqui a lamentar a minha vida, nada disso. Mas bom, calculo que estejam melhor que eu, não é verdade?

Até porque estão sempre em altas, estou certa? Sempre alegres, sempre bem vestidas, sempre bem maquilhadas, sempre a comer (pouquíssimo) em sítios super in.

Convosco não há TPM, não há dias em que o cabelo pareça um ninho de ratos, não há mau humor, não há celulite, estrias, não há falta de dinheiro, não há dias de trabalho de 12 horas. Não há.

São assim: comem bem a todas as refeições, treinam muito, maquilham-se com as melhores marcas, usam as jóias mais brilhantes, têm os namorados mais gatos.

Ótimo, Boazonas do Instagram, ótimo! Fico muito feliz por todas, enquanto choro em posição fetal as dores que tenho nos rins, dada a altura do mês.

Porque eu não sei se sabem, mas as pessoas comuns padecem de cenas chatas, têm problemas para resolver e nem tudo se resume a um filtro.

Era só isto. Alguém tinha de vos dar a saber a realidade. Se um dia se dignarem a descer até aqui, venham tranquilas. Parece difícil, mas até se leva.

Aqui come-se, dança-se, chora-se, abraça-se, bebe-se, treina-se, têm-se uns desgostos, procuram-se outros, vive-se. É fixe, acreditem.

Ou então não venham, que nos ajudam a sonhar. Esse vossos rabos em forma de emoji de pêssego são uma grande ambição na minha vida. Tinha dois, se pudesse. Continuem a exibi-lo, por favor!

Vá, um grande beijo nessa bochecha cheia de makeup,
Joana.

Deus me perdoe se nisto peco #2

Deus me perdoe se nisto peco, mas eu pelo-me por uma francesinha. Tudo aquilo é merdum, eu sei, mas só de imaginar aquele pão com carne e enchidos, a escorrer queijo e molho, a minha boca lateja. E eu gosto daquilo mesmo picante, mesmo ao ponto de queimar a língua. Prefiro a salsicha de lata, à fresca. Gosto do bife médio, fino e tenro. Normalmente, como sem ovo, mas percebo que esta minha opção choque os mais puros devotos desta iguaria. Hoje comi uma e estou aqui toda consoladinha. Deus me perdoe. Ele já perdoou.

Ainda bem que já não tenho balança!

Ainda bem mesmo, que sabem lá o que eu enfardei nestes dias que fiquei a cortar os pulsos em casa. Sabem lá! Por isso, ainda bem que já não tenho balança. É que amanhã vai cair-me a ficha e era menina para me passar a pesar de manhã e à noite. Era era. E era menina para ter engordado assim um quilinho, para desdizer a minha vida e começar a passar uma fome de cão durante dias, para depois voltar a devorar tudo outra vez, no fim de semana. Eu era assim, mas já não sou. Comi, está comido. Isso é um assunto arrumado na minha cabeça. Comi porque estive em casa a passar-me. Era razão para isso? Não era, mas foi. Por isso, agora, é tempo de voltar à minha comida de todos os dias, aos treinos (ainda só com um pé) e à esperança de que tudo volte ao normal, sabendo que os próximos dias serão de ressaca alimentar. Azar o meu. Ninguém disse que isto era fácil, ninguém disse, mas também, quem diz que é impossível está a mentir.

Dizem que… #2

Dizem que o Crossfit é perigoso. Estão sempre a dizer-me isso e eu já não os posso ouvir. Aliás, já perdi a conta da quantidade de vezes que me disseram que torci o pé por causa do Crossfit. Efetivamente, eu estava dentro da box, mas eu torci o pé porque caí da bicicleta, ou seja, não torci o pé a fazer nenhum movimento típico de Crossfit. Até podia ter sido, mas não foi. Porque os pés se torcem em variadíssimas situações, que fogem a este demónio que é o Crossfit: num passeio com pedras irregulares, a descer escadas, com saltos, a descer do carro, a pendurar um quadro em casa, a dançar, a correr, a dar beijinhos na boca, a estender a roupa, a sei lá. Só sei que não vale a pena pôr as culpas todas das coisas más da vida nesta modalidade, porque isso é só estúpido. A acontecer o fim do mundo, a culpa será do Crossfit? Tenham juízo e, a menos que já lá tenham ido bater com os costados, guardem a vossa opinião dentro da boca. Ou engulam-na, que vão ver a azia com que ficam. E não é porque o Crossfit faz mal. É porque o vosso julgamento, sem conhecimento de causa, é absolutamente indigesto.

Fundo do poço!

Ontem resisti às tentações alimentares. Hoje, olha, caguei. Caguei e encomendei uma piza, a escorrer queijo (que me faz tão bem #sqn), cheia de salame picante. Encomendei, por telefone, deitada na cama: o meu habitat dos últimos dias. Pensei: deixa-me cá pôr já a carteira ao pé de mim para poder pagar logo e não andar aos saltinhos de um lado para o outro, à frente do menino da piza. Toca a campainha e eu, ai fod**-se, que susto!, que entretanto tinha adormecido. Toda uma logística: telemóvel no sutiã, que é do mais digno que há, cartão multibanco na boca, canadianas em riste e pumba. Antes de chegar à porta, que a minha casa não é assim tão pequena, já o moço estava a tocar outra vez, a achar que não estava ninguém em casa e que ia ser vítima daqueles telefonemas-fantasma. Chego ao intercomunicador e digo: olhe, a porta não abre. Vou dar-lhe o código, ok? Pronto, o rapaz põe o código da porta com sucesso e eu tento abrir a porta da entrada de casa, que estava fechada à chave! A chave estava no quarto, na minha mala, e naqueles nanosegundos eu pensei que era mais rápido ir ao pé coxinho até lá. Poing, poing, poing, p’ra frente e para trás. Abro a porta e está o menino da piza a olhar para mim do género: pá, queres a piza ou não? Eu olho para ele e digo: olá, faz-me um favor? Estou assim, não vou conseguir pegar na piza e andar com ela. Importa-se de a deixar em cima da mesa? E o tipo lá foi, amoroso, sempre a pedir licença por ter entrado em casa. Tento pagar com o multibanco e não havia rede. Foi aí que disse para mim mesma: Joana, se o teu destino é este, opta por não viver mais, faz esse favor a ti mesma. Se calhar aqui mais na escada, disse o rapaz. E eu de muletas! Fomos até ao vão da escada e a merda do cartão lá deu. Olhe, as melhoras e bom proveito, despediu-se ele. Eu fechei a porta, larguei as cabras das bengalas, sentei-me e pensei: depois disto tudo, estas calorias não vão contar. Não vão! Os deuses do fitness vão ter esta minha odisseia de fundo do poço em consideração. Vão sim.

Só penso em comer…!

Estou em casa, deitada, agarrada ao computador, à espera que a entorse que fiz na terça-feira me deixe voltar ao trabalho e aos treinos. Isto é uma valente seca: respondo aos e-mails de trabalho, faço uns materiais para os miúdos, vejo vídeos no youtube e penso em comer. Na verdade, mesmo quando estou a fazer outras as outras coisas que escrevi, eu estou a pensar em comer. Porque estou aborrecida. PRO-FUN-DA-MEN-TE aborrecida! Tenho comido só coisas que fazem parte da minha alimentação de todos os dias, mas na minha cabeça só passam chocolates, sushi, pizas, merdas sem fim. É que se dou asas a estes meus apetites, deitada todo o dia, viro um pequeno cachalote num abrir e fechar de olhos. Passa, entorse, passa depressa ou este blogue tem os dias contados.

Ressaca doce

O açúcar deixa-me de ressaca. À seria! Eu evito ao máximo bolos, chocolates e cenas, mas se vou jantar fora, num aniversário, como. Como porque gosto mesmo muito. Porém, nos dias seguintes ando péssima. Como se o corpo me pedisse mais, como se não suportasse passar sem aquelas coisinhas do demónio, que tanto adoro. Acho mesmo que não é psicológico. Não pode ser.

Há alguns estudos que apontam neste sentido. Afirmam que o açúcar cria dependência, que vicia como qualquer outra substância tóxica. Porque é isso que o açúcar é: tóxico. Não pretendo abrir uma guerra ao açúcar. Já assumi que não me pretendo fundamentalista em (quase) nada na vida, mas, a verdade, é que está mais que provado que o açúcar nos dá cabo do corpinho.

E este dar cabo não é só por fora, é por dentro também. Basta pensar que dá uma espécie de ressaca para perceber que mexe com o sistema todo, que nos corrói por dentro, como o álcool, como a droga, sem querer estar a ser dramática. A questão principal é a que diz respeito às todas as dependências relacionadas com comida: não são levadas a sério em praça pública. Porque a comida não nos faz cambalear, não nos faz ter visões… Mas é mais mortal do que se julga e já é tempo de levar estas ressacas doces mais a peito.