Não é falsa modéstia!

Tenho brincado no stories do Instagram com fotografias minhas antigas. Aviso que podem apanhar um susto, peço para descobrirem as diferenças… Por aí. Há dias recebi uma mensagem a dizer que era feio eu gozar com a minha figura antiga, como se isso fosse uma ofensa para as pessoas que ainda não conseguiram perder peso. Bom, não sei que cabeça pensa isto, mas, como estava à espera que se percebesse, essa não é a intenção. O que acontece é que vivi anos a querer ter uma imagem que não tinha (podem chamar-me fútil à vontade) e, por isso, quando hoje olho para algumas fotografias que tiro, fico quase tão surpreendida como quem as vê pela primeira vez. Ainda ontem dizia a uma amiga: eu ainda me vejo, um pouco, como antigamente. Foi a imagem que guardei de mim desde sempre, que parece que ainda não apaguei completamente. Até porque não quero fazê-lo. Não, isto não é falsa modéstia, nem uma tentativa forçada de um churrilho de elogios da parte de quem me lê. É apenas a honestidade de alguém que, com muito custo, tenta, a cada dia, encontrar a melhor versão de si. [Seja lá isso o que for!]

Activa Sem Lactose

Sempre gostei de iogurtes. Qual é a criança que não gosta? À medida que fui crescendo, fui percebendo que sempre que comia lacticínios ficava mal disposta. Ninguém falava de intolerâncias há 30 anos! Portanto, lá continuei eu a sentir-me mal, sem saber porquê.

Aos 28 anos, com acompanhamento médico, descobri que sou intolerante à lactose. De repente, a minha vida alimentar mudou drasticamente. O que é eu ia comer a meio da manhã? Como viveria sem o meu iogurte? Aos poucos, dei por mim a procurar alternativas que me soubessem bem e não me causassem indisposição.

Desde que descobri esta minha condição, comecei a comprar alguns iogurtes lactose free. Uns eram muito gordos ou demasiado açucarados, o que não me ajudava nada na perda de peso. Outros eram grossos, tipo papa. Nada o meu género. Fui desistindo. Iogurtes nunca mais, achava eu!

A pensar em mim e em todas as pessoas que sofrem com este tipo de intolerância, Activia criou uma nova opção sem lactose, em três novos incríveis sabores: natural edulcorado, kiwi e pêssego. Eu já pude experimentar os novos Activia e posso garantir: estamos a falar de um produto cremoso, leve, de uma belíssima opção de pequeno-almoço ou lanche.

Afinal, há vida para além das intolerâncias! Felizmente, posso voltar a dizer que uma vida sem lactose, não é uma vida sem sabor.

[Texto escrito em parceria com a Activia]

Sobre (novos) hábitos

Eu sempre comi bolas de berlim na praia. Sempre, convenhamos, nos verões em que fui à praia. A vergonha do meu corpo desaparecia, momentaneamente, no segundo em que ouvia os vendedores a anunciar a chegada das ditas. Foi um hábito que criei, sobretudo nos últimos anos, já mais velha, em que me comecei a cagar (mais ou menos) para o aspeto do meu corpo. Comia uma bola por dia. Havia dias em que comia duas. Este fim de semana estive em Tróia, onde as bolas de berlim costumam ser uma pequena categoria. Lá veio o senhor, amoroso, a apregoar as filhas da mãe. Eu respirei fundo uma meia dúzia de vezes, concentrei-me, sem grande esforço, confesso, e passei por cima da possibilidade de comer uma granda bola de berlim com creme. Eu constatei que, afinal, tenho vindo a conseguir prescindir de coisas que antes achava absolutamente indispensáveis. Afinal não são. Afinal, que vale o que vale, para mim vale tudo, sabe-me melhor sentir-me confiante, do que comer o que quer que seja. Não digo que não volte a comer, já comi uma esta estação e talvez volte a isso se me apetecer. Porém, uma coisa é certa: há em mim a certeza de que há sensações que me trazem mais felicidade do que a comida. Levei anos, mais de uma década, a aprender isto.

#mudaporti

Eu quis mudar por muitas e diferentes razões, ao longo da minha vida. Durante as diferentes dietas que fiz, o meu pensamento assentava quase sempre na forma como os outros me passariam a ver se eu ficasse magra. Será que os colegas da escola deixariam de me chamar nomes? Será que aquele rapaz ia olhar para mim? Será? Descobri, há um tempo, que neste processo só há uma pessoa que importa: eu mesma. Por isso, de nada valeram as vezes que quis perder peso para provar a alguém o que quer que fosse. Não nego que me dá um certo gozo mostrar que consegui, mas, entretanto, outros valores se impuseram. Hoje percebo que mudei por mim: para ser saudável, para vestir a roupa que quero, para me sentir confiante, para ser feliz. Eu mudei e continuo a mudar por mim, pelo meu bem estar, pela minha sanidade. Assim sendo, gostava de lançar um movimento sob o mote: muda por ti. Gostava de partilhassem comigo as vossas histórias e as razões que vos levaram a mudar a vossa vida de alguma forma, desde que tenha sido pelo vosso próprio bem. Vou estender o desafio ao Instagram. Usem e abusem do hashtag #mudaporti ou #mudeipormim. Vamos fazer uma corrente do bem, que nos leve a mudanças que valem mesmo a pena. Vamos?

Mas tem direito a mais!

Não me aconteceu nem uma, nem duas vezes: ir a um restaurante e ficarem ofendidos por querer pouco acompanhamento ou por não querer acompanhamento de todo. A conversa é quase sempre deste género:

– Quais são os acompanhamentos?
– Queria os legumes assados, por favor!
– Mas tem direito a dois acompanhamentos. Posso juntar arroz ou batata frita?
– Não obrigada, queria só mesmo os legumes.

Dez pás de legumes começam a marchar para o meu prato e eu digo, quase a medo:
– Não é preciso pôr muito, por favor!
– Então, mas só quer isto?
– Sim, sim. Está bom assim!
– Mas tem direito a mais.
– Eu sei, mas não é necessário pôr mais.

Eu sei que as pessoas não sabem que eu já estive próxima de ser membro de uma família de orcas, eu sei. Mas estamos numa época que quanto mais melhor. Não interessa se se vai desperdiçar, se não apetece assim tanto, se é um exagero pegado. Só interessa encher o prato. Eu acho que esta é uma característica muito portuguesa: se tenho direito, levo até nos bolsos. Para quase tudo, o que tem coisas boas e outras mais ou menos. No caso da comida, julgo que devíamos repensar uma série de coisas. Sem extremismos, mas com mais cabeça. Acreditem, eu sei do que falo.

Trio de Ataque

Sinto-me na minha melhor forma física de sempre. É assim mesmo que quero começar este texto. Nunca, mas nunca, nem nos sonhos bons, eu imaginei que seria capaz de me sentir tão bem na minha pele. A verdade é que sinto. Melhor que nunca (quero que percebam que este é um sentimento sério, daí o reforço na mensagem). No inverno desleixei-me um pouco, como é comum, mas nos primeiros raios de sol comecei a investir verdadeiramente em mim.

Alimentarmente falando, atingi um objetivo gigante: os extras acabaram de vez. Há meses que não vou sozinha a uma pastelaria, comer um bolinho só porque sim. Garanto, isto dos extras fez toda a diferença. No corpo, mas sobretudo na cabeça.

Depois, intensifiquei o treino. Para além do Crossfit, comecei a aprender a lutar Muay Thai. Chiça, que eu gosto daquilo até às entranhas. Já sei dar diretos, ganchos, frontais, circulares… Eu sei lá! Só sei que me sinto ainda mais confiante como atleta e isso não tem preço.

A cereja no topo do bolo, foram as massagens que comecei no fim de abril. Eu sou sempre muito cética, mas neste momento estou mais do que convencida de que há massagens e massagens. Estas que tenho feito, chamam-se massagens fitness. Mais do que o nome, importa perceber que funcionam como modeladoras, ao mesmo tempo que ajudam na retenção de líquidos.

Chego à conclusão que este trio de ataque é imbatível: alimentação, treino e massagens. Todos se complementam lindamente. Melhor: não funcionam uns sem os outros. As massagens não dão resultado se só comer lixo. Só a alimentação não me dá um rabo que sim senhora. E por aí fora.

A fotografia, que acompanha este texto, é muito especial para mim. Não tem mais de duas semanas. Foi tirada num dia de praia com amigas em que me senti muito, mas mesmo muito feliz na minha pele. Mais do que um corpo magro, o que me traz felicidade é a tranquilidade de não me sentir incomodada comigo, com o meu corpo e com o meu aspeto. É qualquer coisa que vem de dentro para fora, que eu gostava de saber explicar, mas não consigo (nem sei, ao certo, se quero).

Fit Day

É já no próximo dia 24, que terá lugar no Alegro Setúbal o Fit Day. Um dia que, como o próprio nome indica, será dedicado ao fitness. Eu lá estarei para dois momentos diferentes: um para crescidos e outro para os mais pequenos. No primeiro, falarei da minha mudança de vida, de viva voz, através de fotografias que Deus Nosso Senhor me livre. Uns tesourinhos que muito apreciarão, creio eu. No segundo, e usando todas as técnicas de encantamento infantil que a minha profissão me traz, contarei uma história sobre uns heróis muito peculiares. A criançada há-de adorar! Por mim e por todos os outros convidados e iniciativas, apareçam. Dias de praia há muitos, dias Fit nem por isso. Tragam os miúdos, almocem, façam umas compras. Olhem que programa tão catita, ãh? Lá vos espero, para abraços apertados. Só se quiserem, claro.

De obesa a medalhada!

No sábado houve uma competição na box onde pratico Crossfit. As equipas foram feitas com base num treino curto e inicial. Foram feitas equipas heterogéneas. Comecei por pedir desculpa aos membros da minha equipa. Tudo o que não queria era atrasá-los. Desculpem qualquer coisa, disse eu um par de vezes.

Em todas as provas dei mais do que o meu máximo. Esfalfei-me como nunca. Por mim. Pela minha equipa. Não queria mesmo prejudicá-los de maneira nenhuma. Tinha de os acompanhar. Tinha de correr rápido, de ser eficaz a levantar os pesos, de suportar as dores que se iam fazendo sentir. E que dores!

A minha equipa terminou a competição em 1.º lugar e eu contribuí para isso. Senti uma felicidade gigante, muito, muito forte. Eu gosto de ganhar, é certo, sou muito competitiva, mas, no sábado, só me vinham à cabeça todas as vezes que fui a última a ser escolhida para as equipas da escola. Anos a fio. A escolaridade inteira.

Eu fui sempre a última opção. Sempre. Naquele dia não: eu fui uma mais-valia para a minha equipa, que acabou em 1.º lugar. Este lugar nada mais vale do que uma enorme valorização de todo o meu percurso. Como se fosse a validação de que mudei muito, de que mudei para sempre. Como nunca.

Passei de obesa a medalhada. Era só nisto que pensava! Quem diria que isto iria acontecer? Quem diria que seria capaz de me superar desta maneira? Quem diria que não seria a última a ser escolhida? Quem diria? Por isso, e para todos os que lêem este blogue e não acreditam em impossíveis, pensem nisto: somos capazes de tudo o que quisermos muito. Mesmo.

Mastiga, filha, mastiga!

Já escrevi muitas vezes sobre a vontade que tenho em ser uma pessoa mais calma. Sobre o trabalho que me tem dado investir numa postura de pessoa mais serena, mais ponderada. Porque sempre fui sôfrega em tudo na vida: queria muito, queria intensamente. Com a comida também era assim.

Perante um prato de batatas fritas, eu não me controlava. Acho que, às vezes, nem lhes sentia o sabor. Eu queria comer muito, como se estivesse a encher um saco que se queria cheio. Por ansiedade, por (des)gostos, sei lá porquê. Quem diz batatas fritas, diz chocolate, diz gelado, diz miniaturas numa festa de aniversário, diz tudo o que se possa imaginar.

Está provado que o nosso cérebro só se começa a sentir satisfeito após 20 a 30 minutos da refeição começar. Quando comemos muito rapidamente, precisamos de uma maior quantidade de comida, para que nos sintamos satisfeitos. Acabamos por comer mais do que precisamos, mais do que temos vontade. Este comportamento é muito, muito comum, ainda que subvalorizado.

Tenho-me treinado a comer mais devagar, a mastigar melhor, a sentir verdadeiramente o sabor de cada ingrediente da receita. Confesso que me tenho surpreendido. Como menos e fico satisfeita. Mais satisfeita, até. Porque muitas vezes o que tem fome é a cabeça e o coração, não o estômago.

Por tudo isto, pela minha desejada calma, com a comida e na vida, e por um corpo mais saudável e estreito, sempre que como há uma qualquer voz a ecoar na minha cabeça: mastiga, filha, mastiga! Mastiga, que o teu mastigar tem graça! Mastiga, que o teu mastigar só te faz é bem. Mastiga e vais ver como te tornarás fina!

Eu é que os educo (ou tento, vá)!

Eu nasci, não é verdade, e os meus pais passaram a ser responsáveis pela minha educação. E foram bem supimpas na tarefa: tenho-me como uma miúda educada, que sabe estar. Cof cof. Porém, do alto dos meus 30 anos bem feitos, constatei há uns tempos que, hoje em dia, quem educa o meus pais, e o meu irmão, sou eu. Não no geral, que somos todos amantes da liberdade de espírito, mas alimentarmente falando.

Faça-se aqui um breve parênteses: a minha família gosta de comer. Somos todos bestas de grande alimento. Gostamos tanto do salgado, como do doce. Gostamos da mesa farta, quase sem espaço para pôr a loiça e os talheres. Depois, somos craques em arranjar desculpas para comer. O Benfica ganhou? ‘bora comer! O Benfica perdeu? ‘bora comer. Passa tudo muito por comer, só porque sim.

Ora, vai que cresci imbuída neste espírito de comer como se não houvesse amanhã e o resultado esteve, claramente, à vista. Quando comecei a mudar de vida, a minha família achou que seria um episódio com fim à vista, como tinham sido todos os outros. Para seu grande espanto, este episódio dura há mais de três anos e, parece-me, só há pouco tempo perceberam que não vou MESMO voltar a ser uma pequena grande orca.

Agora, eu trabalhei muito este meu problema da comida. Com consultas, com autoreflexão, com desporto. Eles não. Sucede que os velhos hábitos ainda lhes estão muito impregnados e teimam em não sair, de maneira nenhuma, o que é uma grande chatice. Como alguém tem de pôr ordem na barraca, assumi o papel de mentora alimentar da minha mãe, pai e irmão. Porém, não tenho sido muito bem sucedida.

A minha rica mãe é a que mais me ouve. Continua sem deixar o pão e o leite, que eu acho que só lhe fazia era bem, mas pronto. Tem cuidado, sobretudo, ao jantar. Faz uma alimentação muito mais à base de peixe do que de carne, come fruta e legumes com fartura. Está mais magra, diz que tem menos vontade de comer. Maravilha. O meu pai e o meu irmão, é um vê se te avias.

Cereais com fartura, pão com manteiga aos sacos, iogurtes açucarados, pizas, douradinhos, massas, muito arroz e, no caso do meu irmão, pouquíssimos vegetais e frutas. É muito esquisitinho, o menino! Confesso, que estou quase a abortar missão com estes dois. Já devia saber, por mim, que ou uma pessoa muda porque quer ou nada feito. Eu já devia saber, mas enfim.

Eu é que os educo (ou tento, vá), mas ou eles mudam porque assim o desejam ou…