Como deixar o açúcar de vez?

Pois que por causa do texto de ontem, choveram pedidos a implorar por dicas para se deixar de comer açúcar. Como é que tu aguentas? Deve ter sido a pergunta que mais me fizeram desde que anunciei que na minha vida já não têm lugar produtos com açúcar adicionado.

Estou há quase 24 horas a pensar em dicas para vos ajudar a largar o açúcar de vez, mas, confesso, não é fácil pôr por escrito esta metamorfose que se deu em mim. É que nem eu própria sei bem como estou nesta demanda há 4 meses. 4 meses, ãh, quem diria? Quem diria que seria capaz de tal feito?

Mas a verdade é que tenho sido incrivelmente capaz e que me sinto muito bem com esta minha decisão. Mesmo. Mas bom, vamos ao que interessa, ao que nos trouxe até aqui. Dicas, dicas e mais dicas. Agora, garanto à partida: não há milagres. Não julguem que vão encontrar neste texto uma fórmula mágica de espécie alguma. Isto exige esforço, perseverança e algum jogo de cintura. Ora atentem:

1.ª Decidir que se quer MESMO deixar o açúcar: e neste sentido não há meio termo. Ou sim ou sopas. Pessoalmente, detesto radicalismos, mas quando estamos a falar duma substância que pode ser comparada a uma droga, e temos a noção que a queremos deixar, não vamos andar aqui a brincar às escondidas. Se é para deixar, é para deixar e pronto.

2.ª Comunicar aos outros só quando estivermos certos da nossa decisão: o mundo vai querer tramar-nos. É mesmo assim, que eu não ando aqui para enganar ninguém. As pessoas vão testar-nos, vão ver se a nossa decisão é para durar ou não e nós vamos ter de nos preparar para isso. Se a nossa convicção for forte, não há oferta nem tentação que nos amedronte.

3ª Ler os rótulos com atenção: quase tudo tem açúcar, minhas meninas e meus meninos. Por isso, ler os rótulos é fundamental. Tudo o que tenha escrito: melaço, melaço de cana, melaço negro, malte de cevada, adoçante à base de milho, cana-de-açúcar, xarope de milho, xarope de ácer, xarope de alfarroba, xarope de aveia, xarope de arroz ou geleia de agave… É açúcar! Tal como a dextrose, a frutose, a sacarose, a maltose, a galactose, a lactose e a glucose: açúcar! Estão assustados, não estão? Mas não vale a pena! Basta que compremos o mínimo possível de produtos em pacotes e que optemos, sempre que possível, por alimentos que sabemos o que são e que se apresentam no seu estado natural.

4ª Encontrar substitutos à altura: a fruta pode ser uma boa opção, por ser doce. Claro que a fruta tem açúcar, mas um açúcar naturalmente presente e, por isso, não entra para estas contagens. Eu opto por ter sempre comigo tâmaras, porque adoro e porque me saciam à séria. Também compro chocolate com açúcar de côco, que é uma boa opção.

5.ª Aceitar que os primeiros dias são os mais difíceis: quem diz dias, diz o primeiro mês. E para nós mulheres, há dias que são iguais a levar com um pau de marmeleiro nas costas, muitas vezes seguidas. Eu bebia água, comia frutos secos e pensava noutras coisas.

6.ª Evitar pensar no assunto: isto é, para que é que vou estar sempre a pensar no que não posso comer, em vez de pensar no que posso comer? É aqui que avançamos para a 7.ª dica.

7.ª Fazer uma lista de tudo o que podemos comer e nos sabe bem: quando começamos a constatar que podemos comer uma série de coisas, percebemos que o inferno alimentar está apenas nas nossas cabeças. Há uma série de combinações ótimas, que desconhecemos, que nos podem saciar verdadeiramente. Ver programas de culinária, ir a uma livraria ver livros de receitas, vale tudo.

8.ª Estar confortável com a decisão: estamos sempre a tempo de desistir disto. Não é um caminho sem volta, apesar de eu achar que só traz benefícios. Por isso, o que perdemos em experimentar?

Quando os resultados começam a aparecer, ficamos convencidos. A pele, o cabelo, o humor, a barriga chapada, a celulite, fica tudo mil vezes melhor.

Não sei se era isto que queriam, meus fofinhos, mas eu dei o litro. Como comecei por dizer, dei início a isto a achar que talvez não conseguisse. Mas consigo, conseguimos todos. Se é fácil? É pior que uma unha encravada, mas vale muito a pena. Vale tudo.

Bolos

Bolos. Eu sempre adorei bolos. Bolos de chocolate, de noz, de cenoura, de brigadeiro, de maçã, de iogurte. Bolos. Eu sempre achei que não viveria sem eles. Mas vivo. Vivo sem os bolos que me habituei a comer desde miúda. Ao pequeno-almoço, ao lanche, a toda a hora. Vivo com outros bolos e tenho encontrado coisas muito boas. Muito boas mesmo. Recebo muitas (MUITAS) mensagens a perguntar como consigo não comer açúcar. Vou tentar responder: os primeiros dias e semanas foram difíceis. Sentia o corpo a pedir, a gritar. Hoje já não sinto esse desejo. Estou calma em relação aos bolos e aos doces em geral. Não me faz a mínima impressão ver os outros a comer, nem entrar numa pastelaria para beber apenas um café. Sei que há quem ache que “de vez em quando não faz mal” e que esta atitude “é extremista”. Eu não digo que nunca mais volto a comer açúcar, nem vou morrer se o fizer, mas se me sinto mais equilibrada assim, por que razão tenho de comer uma coisa que não me traz benefício nenhum? Convido todas as pessoas a experimentarem esta sensação. Sobretudo, se tiverem uma má relação com a comida, como eu tinha. Faz toda a diferença.

Massa Gorda

Houve um tempo em que a minha massa gorda era de 39%. 39% de massa gorda, considerando o meu género e a minha idade na altura, correspondia a obesidade. Eu era obesa. Quando digo isto as pessoas chamam-me exagerada. Normalmente, associam a obesidade a pessoas com mais de 100 quilos (só para ter um número redondo). Por isso, na cabeça de muita gente, eu nunca fui obesa. Mas fui, a verdade é que fui. Os números diziam isso. O valor da massa gorda dizia isso. No fim de semana, no bootcamp, voltei a conhecer este número, através de uma balança que faz essa medição. 17,4% de massa gorda é o que habita hoje no meu corpo. Passar de 39% para 17%, é uma espécie de feito heróico. É passar de obesa a atleta, literalmente. Interessa dizer que este dado se torna fundamental para perceber a minha composição corporal e é muito mais significativo que o peso. Muito mais. Por isso, o peso já não conta. A balança só teve um número mais pequeno que este na infância. Mas, como já escrevi muitas vezes, deixei de me pesar. Voltei a fazê-lo por imposição do meu treinador, para percebermos a evolução. Agora, para além do peso, sei a quantidade de gordura. E isso sim, interessa-me. É isto!

Ninguém ia saber…!

Quando eu comia às escondidas, fazia-o porque não queria que os outros soubessem que estava a falhar outra dieta. Queria que achassem que estava a ser bem sucedida, que daquela vez, era de vez. Mas nunca era. Afinal, eu comia, comia muito. Só que ninguém sabia e, para mim, isso era o suficiente. No outro dia, tive estas bolas de berlim na sala. Estava lá eu e elas, sozinhas. Ninguém ia saber, se eu tivesse comido. Ninguém me veria a falhar. Porém, neste momento, eu importo-me pouco com os olhares alheios. Eu não falho comigo. Agora, eu vivo em paz com a minha consciência. E não troco esta paz por nada.

É muito fixe estar aqui!

Dei por mim a dizer esta frase, mais do que uma vez, o fim de semana passado. Estive no bootcamp que anunciei neste texto e a experiência foi mesmo enriquecedora. Tive a oportunidade de cozinhar e comer refeições equilibradas, de ir às compras, tendo em atenção os rótulos, de treinar e de contar a minha história.

A minha história de vida, que passou muito por esta insatisfação com o meu corpo, com o meu aspeto e com a minha imagem. Às tantas, dei por mim a dizer, em tom motivador: isto é fixe. É mesmo muito fixe estar aqui. Aqui, deste lado, do lado de quem se sente bem consigo e com as suas escolhas.

E nunca tinha pensado nisto assim. Nisto de poder haver dois lados (ou mais do que dois, até). Porque até cá se chegar, tudo parece meio vago, meio impossível, meio estranho. Mas, posso garantir, é uma sensação incrível. Poder viver num corpo que não nos atormenta é das melhores coisas que já senti. É uma liberdade que sai dos poros, que vem de dentro para fora.

Gostei do fim de semana também por isto. Por poder ser a concretização real e ao vivo de que é possível chegar aqui. O caminho é tudo menos fácil. É acidentado, tem muitos obstáculos, mas o destino? O destino é para lá de incrível. É a ideia de se ser absolutamente feliz em alguns momentos, que passam a ser muito mais frequentes do que um dia foram.

Atalhos

As pessoas, no geral, querem ter a vida facilitada em inúmeras coisas. Querem ganhar dinheiro fácil, querem progredir na carreira de um ano para o outro, querem perder o peso todo num mês. Então, decidem atalhar. Decidem escolher o caminho mais fácil, o que lhes parece mais simples, o que acham ser apenas o indispensável para atingirem os seus objetivos, com pouco esforço. O que é que normalmente acontece? Várias coisas. Por um tempo, pode parecer que estão no bom caminho, mas isso não passa de uma ilusão. Os atalhos são inimigos da consistência, da resiliência e da superação. Os atalhos são fantasias da nossa cabeça, são perdas de energia, de dinheiro, de tempo. Eu escolhi os atalhos durante a minha vida inteira: batidos, sumos, fome, dias de asneira, falando apenas de perda de peso, claro! Agora não há atalhos, há só três coisas: alimentação, treino e descanso. Vá, também há alguma suplementação e massagens, mas tudo com conta, peso e medida. Quem atalha num determinado aspeto, atalha na vida. E o que pode parecer aliciante, não passa de uma manobra de diversão autoinduzida.

Boicote

Escrevi, um dia, sobre o autoboicote. Escrevi e voltaria a escrever cada palavra (à exceção do Snickers, claro está)! O autobocoite, as desculpas que arranjamos para não comer bem, para não treinar, são mais de muitas. Eu conheço-as a todas e usei-as milhares de vezes. Este foi um processo que me levou anos. Parar de comer às escondidas, parar de me enganar, parar de dizer que era só mais uma vez. Parar.

Hoje acho que já não me boicoto. Acho não, tenho a certezinha absoluta. A luta agora é outra: é não deixar que me boicotem. As pessoas lidam mal com a mudança. Quando se habituam a ver-nos de uma maneira, normalmente uma maneira mais contida, custa-lhes a aceitar-nos de outra. Por isso, envergam a bandeira do boicote. E toca de investir num desencorajamento sem fim.

Às vezes é de forma inconsciente, não digo que não, mas as pessoas, de um modo geral, adoram ver até onde vai a nossa obstinação. Morrem por testar o ponto pelo qual vergaremos. Tenho sentido muito isso. Tenho sentido isso todos os dias, aliás. E, confesso, já me chateou mais. Agora é só ruído. Agora é só mais uma quase queda, um quase desconforto, um quase desgosto.

Porque há uma coisa que eu aprendi, e não me importo nada que me apelidem de egoísta: as minhas decisões têm de ser boas, em primeiro lugar, para mim. Porque foi por não me pôr em primeiro lugar, e por ter querido sempre agradar à opinião dos outros, que deixei que o meu amor-próprio se arrastasse na lama.

Não quero dizer com isto que para se perder peso, mudar de vida e se ser bem sucedido numa série de coisas se deva pisar alguém, nada disso. Só digo que se tomamos uma decisão a devemos assumir, aceitando que haverá quem não concorde, sabendo que haverá quem tente dissuadir-nos. Nem sempre é por mal, que fazem isso. Às vezes é só medo. Medo alheio. O medo também é uma escolha. Não a minha. Não mais.

De volta!

Estes dias de férias souberam-me a pato. A um pato com redução em vinho do Porto ou isso, daqueles todos XPTO, feitos por um chef de cozinha à séria. Consegui mesmo desligar daquilo que é a minha vida doida e usufruir das aulas de surf, do ioga e de imensas conversas boas, com gente já conhecida e com outra que conheci lá. Lá, em Aljezur, onde tudo é lindo, onde todos são simpáticos e têm um ar feliz. Eu andei como quis: despreocupada de todo, de roupa larga, sem maquilhagem, sem sapato no pé. Estavam previstos dias maus, mas eu sou filha da sorte e o sol brilhou que se fartou. No meio destas atividades programadas, tive ainda espaço para pensar nos meus projetos e para os escrever. Esperam-se novidades bem boas, aviso já! Mas pronto, acabou. Está na hora de largar o chinelo, a cara lavada e o cabelo por arranjar. Está na hora de voltar a vestir a roupa do dress code e a ter um ar sério (dentro do meu género). Confesso que adorei estes dias. Foram melhores do que sonhei. Agora só volto a eles em julho. Que Deus Nosso Senhor me ilumine. Iluminará!

I’m off!

Vou fechar para balanço, que é como quem diz: VOU DE FÉRIAS! Os últimos três meses foram de cão. Por isso, os próximos dias serão de descanso muito merecido. Não darei notícias porque vou para um sítio onde o conceito é desligar. Desligar do telemóvel, das redes sociais. Vão fechar-me o telefone num cacifo, dizem eles! Não sei como vou aguentar, porque sou completamente dependente do meu telefone, mas, confesso, está a apetecer-me passar por isto. Vou dormir, fazer ioga, aprender a fazer surf?! e passear. Vou acalmar-me um bocadinho, que a este ritmo não chego a velha e era coisa que até apreciava. Falamos para a semana, ok?

3 meses sem açúcar?!

[Eu sou uma madrinha fixe! Pago gelados aos meus afilhados e fico a vê-los comer.]

Quando propus a mim própria deixar de comer açúcar, achando que seria uma missão impossível, pus na cabeça que levaria esta demanda a cabo durante 6 meses.

Queria perceber o que aconteceria se não comesse nada com açúcar processado. Mais do que perceber o que me aconteceria fisicamente, eu estava tentada a começar isto pela paz interior.

Eu fui dependente de açúcar muitos anos. Nos picos das minhas crises de compulsão alimentar, um litro de gelado era facilmente mandado abaixo por mim. Tabletes de chocolate inteiras, refrigerantes.

Alimentos cheios de açúcar que me davam uma falsa sensação de calma e bem-estar, que depois me levavam para ressacas de dias a fio. Os dias seguintes eram muito duros, mesmo, porque queria comer mais.

Mas não era só nestes momentos de crise que o açúcar dava cabo de mim. Nas dietas em que havia o tão famoso dia da asneira, era ver-me a devorar sacos de gomas e bolos.

Mais uma vez, os dias a seguir eram de morte. Voltar à dieta era quase impensável. Era uma tortura. Era ali que eu começava a falhar, a querer desistir. Eram as ressacas do açúcar que me faziam isso.

Pois que desde janeiro não há nada disso. Não há apetites loucos, não há desejos fora do normal, não há incumprimentos no plano. Não há nenhum tipo de ansiedade em relação à comida.

E se o açúcar está sempre à minha volta: bolos de aniversário dos miúdos, por exemplo, há todos os dias. Até tenho ido comprar comprar doces para lanches e afins.

As minhas escolhas não são as delas e está tudo bem. Por mim? Por mim está tudo bem. Desde que me respeitem e entendam que estou melhor assim. Passados três meses está tudo mais calmo. Sobretudo as opiniões. Haja Deus!