Eu quero ser forte!

Eu quero ser forte. Forte de força, de capacidade de superação. Forte de corpo, de cabeça e de coração. Forte na alma, forte na calma, forte e em paz.

Eu quero ser forte e sentir que posso tudo aquilo para que me esforço. Para ter o que mereço, para dar mais, para ser melhor. Todos os dias da minha vida.

Eu quero ser forte e ter comigo pessoas que são tão ou mais fortes que eu. Gente que eleva, em vez de diminuir. Gente que é, quer e sabe ser mais.

Eu quero ser forte e conseguir coisas normais. Outras extraordinárias, fora de série. Ser alguém que surpreende, que sabe admirar, que contempla e agradece.

Eu quero ser forte e ter voz para gritar os meus ideais. Para argumentar, para quase quebrar, para comover, enternecer, para convencer. Às vezes ceder.

Eu quero ser forte, como uma grande muralha. Robusta. E quero, também, ter uma porta entreaberta, para tudo o que houver de bom (e quiser ficar).

PA, que é como quem diz pequeno-almoço

Toma o pequeno-almoço de um rei, diziam os antigos e eles lá sabiam o que diziam. Porque o PA é, efetivamente, a refeição mais importante do dia e a qual, alguns de nós, menos importância damos. Quantas vezes, quantas, saí de casa sem comer? Não em criança, mas quando achei que já tinha altura para tomar decisões. Chegava à escola e malhava um folhado misto e um iced tea. Quantas, quantas vezes?

O PA é importante por várias razões: é a primeira refeição que damos ao nosso corpo depois de várias horas em jejum, influencia o metabolismo, ajuda-nos a estar concentrados durante o dia de escola ou de trabalho e funciona também como (des)regulador do apetite.

Hoje em dia, a não ser que esteja perante uma catástrofe natural, o que felizmente não tem acontecido, não saio de casa sem tomar o PA. Antigamente, tal como oiço muito dizer, não tinha grande apetite de manhã. Aprendi que é tudo uma questão de hábito e que o nosso corpo se acostuma ao que é bom.

Gosto de variar e por isso tenho várias opções para a minha refeição matinal: panquecas de aveia, cereais com bebida vegetal, papas de aveia, pão com fiambre de aves, omeletas de frango, atum ou salmão, ovos mexidos, torradas com queijo creme, chá, café. Anda tudo muito por aqui. Evito as frutas frescas, por me darem um pico de açúcar de absorção rápida e me fazerem ter fome mais depressa, mas, às vezes, lá como meia banana nas panquecas.

As necessidades que cada um tem ao PA depende muito de estilo de vida que apresenta. Se alguém passa o dia sentado no computador, talvez não precise de tanto sustento como alguém que passa o dia a conduzir de um lado para o outro, por exemplo.

O mais importante é que o PA inclua uma fonte de proteína saudável e hidratos de carbono de absorção lenta (como a aveia ou o pão escuro), para que nos sintamos saciados durante mais tempo. Importante também é que comamos coisas que nos saibam mesmo bem. Não vale a pena insistir na aveia, se aquilo não nos sabe a nada.

Posto isto, como estamos de pequenos-almoços por esses lados?

Casei-me!

Estou casada com o Crossfit, daqui a pouco, há três anos. E esta, parece-me, será das relações mais longas, sérias e complicadas que já tive. Porque estar casado não é um mar de rosas, diz quem sabe. (Confesso que adoro viver na ignorância.)

Um casamento tem coisas boas (também dito por quem sabe), tem momentos mais difíceis, tem desentendimentos, tem lutas boas e más e tem recompensas. Por tudo isto, eu concluo que me casei com o Crossfit, porque é exatamente assim.

Manter esta relação tem-me saído do pêlo. Eu grito, eu guincho, eu enervo-me, eu fico arrasada. Mas, ao mesmo tempo, tenho tido muitas recompensas: ser uma miúda mais forte, mais flexível, mais resistente, mais feliz com o meu corpo.

Este meu marido, que nem sempre é fácil, no fundo, bem lá no fundinho, só quer o meu bem, por isso me dá tanto trabalho. Todo ele é carinho, se eu vir bem. (Tudo isto acreditando que nos casamentos é assim, ok?)

Por isso, e apesar de às vezes só me apetecer gritar DIVÓRCIO, vou manter-me casada. Porque em última análise, esta relação faz-me muito mais bem que mal. O balanço é claramente positivo. Até porque se assim não fosse, mais valia assinar os papéis.

Panquecas de limão


Ingredientes (para duas panquecas grandes):
– 1 ovo inteiro;
– 1 clara de um ovo;
– 100 gr. de iogurte natural;
– 4 col. de sopa de flocos de aveia;
– 1 col. de chá de fermento;
– açúcar de côco q.b.;
– raspas de meio limão;
– óleo de côco q.b., para untar a frigideira.

Modo de Preparação:
1.º Pôr a frigideira a aquecer, em lume baixo, untada com o óleo de côco;
2.º Colocar todos os ingredientes no robô de cozinha e triturar, até formar uma massa homogénea;
3.º Deitar metade da massa na frigideira e deixar fritar até que a superfície da panqueca esteja cheia de bolhinhas;
4.º Virar a panqueca e deixar cozinhar do outro lado.
5.º Servir com o topping preferido: eu adoro juntar iogurte e uns fios de xarope de agave.

Mulheres

Não adoro aqueles discursos fundamentalistas de que as mulheres são mais que isto ou aquilo. Não adoro, porque a igualdade de direitos e de deveres não deve ser mais. Porque isso é o que já existe, mas para os homens. Nós, as mulheres, temos montes de coisas boas, como os homens também têm. Por isso, não podemos nunca, em situação nenhuma, ser menos do que eles são: nas empresas, nos ordenados, na sociedade, na vida, no mundo.

Infelizmente, continua a ser necessário falar-se da igualdade de direitos entre géneros e isso é triste. Diminuir alguém por ser mulher é lamentável em qualquer situação, mas há casos gravíssimos a que o mundo devia estar mais atento, que me incomodam muito, que mexem comigo como pessoa e como mulher.

Aqui não falo de mulheres que não têm acesso a um cargo de chefia numa multinacional, por serem mulheres, o que é absolutamente tonto e inadmissível, falo antes de mulheres que são apedrejadas até à morte por se separarem do marido que as violentava, por exemplo. Ou que são espancadas em praça pública por darem de mamar aos filhos à frente de outro homem que não o seu marido, como ato de desrespeito.

Há mulheres a serem vendidas, usadas, violadas, separadas dos seus filhos. Mulheres que ficam completamente vulneráveis, à mercê dos homens que as rodeiam, que fazem o que querem delas, cegos à sua condição de ser que sofre, que tem dor, que tem alma. Mulheres, que às vezes ainda são meninas, cujas vidas são tudo menos o que um ser merece.

Eu não sei muito bem o que se pode fazer, na prática, para ajudar estas pessoas. Há toda uma parte cultural, muito forte, que faz com que sempre tivesse sido assim, como se fosse normal. Mas não é. Não pode ser. Tem de haver alguma solução. Queria acreditar que existe, queria perceber como agir.

Neste Dia Internacional da Mulher, gostava de poder adormecer, sabendo que pelo mundo fora só existem mulheres que são respeitadas, valorizadas, tratadas de igual para igual. Sem recurso à violência, sem recurso à ofensa. Pensando nos casos menos extremos, mas não menos importantes, desejava que todas nós nos soubéssemos valorizar, lutando por aquilo que queremos e cremos, com direitos e deveres iguais.

[Feliz Dia Internacional da Mulher]

Eles andam aí…

Eles: os dias bons. Eles andam aí e eu, quando os vejo a chegar, fico sempre um pouco receosa. Não tanto como já fiquei há uns anos, mas, ainda assim, sinto sempre aquela pressãozinha de ter de usar menos roupa. Ora, porque usar menos roupa implica todo um braço, toda uma perna, todo um peito mais à mostra, salvo seja. Eles, os dias bons, são mais exigentes nesse sentido. Porque os dias de inverno pedem um camisolão ou dois e, de uma maneira ou de outra, lá conseguimos esconder a quantidade de carne armazenada. A partir de agora isso começa a deixar de ser possível, o que é uma chatice. Portanto, meus amigos, quanto a vós não sei, mas esta Perna Fina que vos escreve já decidiu que aqueles chocolatinhos a meio da semana acabaram. Os chocolatinhos, as entradinhas, uma bolachinha aqui e ali. Finito. The end. Acabou. Eles andam aí, eu já os topei, e nem pensei que não estarei preparada, em bom, para os receber.

[como já estive um dia.]

Eu gostava…

Eu gostava de ser uma daquelas pessoas que come um croissant de doce de ovos de manhãzinha, só para acordar.

Eu gostava de ser uma daquelas pessoas que se dá ao luxo comer um Kit Kat a meio da manhã, a acompanhar o café, assim como snack.

Eu gostava de ser uma daquelas pessoas que come batatas fritas na maioria das refeições, sem olhar para os brócolos cozidos.

Eu gostava de ser uma daquelas pessoas que come sempre um bolo a seguir ao almoço, só para ficar mais aconchegadinha.

Eu gostava de ser uma daquelas pessoas que lancha um pacote de bolachas, daquelas tipo americanas com pepitas de chocolate.

Eu gostava de ser uma daquelas pessoas que janta sempre grandes pratos de arroz, com o peixe ou com a carne.

Eu gostava, mas não sou. Porque se o fizer sei qual vai ser o meu destino. E as pessoas que o fazem, que destino terão?

Está tudo acabado entre nós!

Os dias em Barcelona têm sido uma pouca vergonha. Tenho encontrado bastantes opções saudáveis, mas volta e meia e lá estou eu a dar-lhe nas pizas, nas tapas, nos tacos. Acho que, depois disto, não há razões para continuar. Está tudo acabado entre nós, queridos Pernas Finas. Ora ponham lá os olhos nisto:





Estou a brincar, meus pequeninos. Não está nada tudo acabado. Mas se me virem na rua e eu vos parecer uma pequena orca, não achem que estão enganados: serei mesmo eu.

Mamas


Vamos falar de mamas? Das minhas mamas? Vamos lá. No 5.º ano eu e as minhas amigas fomos para a casa de banho ver os carocinhos umas das outras. Naquela altura os meus eram os mais pequenos, mas depois puff: de um ano para o outro cresceram-me uns autênticos melões.

Apresentação do primeiro dia do 8.° ano e eu de blusa justa, sem me ter apercebido que tinha uns enormes seios. Os rapazes da minha turma fizeram-me perceber depressa que o meu corpo tinha mudado e mostraram-se visivelmente agradados com tal facto. Já eu, senti vergonha do meu corpo pela primeira vez. Fogo, quem me dera ter umas mamas como as tuas, diziam-me outras miúdas.

Não sabiam o que diziam. O meu peito cresceu muito e muito depressa. Era muito pesado e partiu, como um peito de uma senhora idosa. Só que eu tinha 14 anos, não 140! Este foi o meu maior complexo de sempre. Era difícil comprar sutiãs minimamente jovens, que me amparassem bem o peito. Biquínis, então, era praticamente impossível. De qualquer pedaço de tecido saía mama.

À medida que os anos, e os verões, iam passando eu odiava mais as minhas mamas e, um dia, prometi a mim mesma que o meu primeiro ano de ordenados serviria para fazer uma redução mamária. Assim foi: no final do meu primeiro ano de trabalho como professora, aos 23 anos, fiz a operação.

O dia 1 de julho foi um dos dias mais felizes da minha vida. Eu chorei de emoção quando me vi ao espelho pela primeira vez. As mamas estavam negras e inchadas, mas eu emocionei-me à mesma. Tinha mais comprimento de barriga, tinha outra postura. A partir daí, foi todo um novo mundo.

Pude começar a usar blusas sem alças, transparências, vestidos de alças finas, biquínis. Todos os anos faço exames para perceber se está tudo bem com as minhas meninas. Foi uma operação muito séria, que exigiu uma série de procedimentos muito sérios também. As cicatrizes mal se vêem e quem não me conheceu antes não diz que já tive umas maminhas até ao umbigo.

Costumo dizer que estes milhares de euros, foram das quantias mais bem gastas da minha vida. Nunca, nunca me arrependi desta decisão que tomei. Já estive muito gorda, muito magra, média e elas cá continuam, lindas e direitas como só elas. Quem me operou garantiu: nem que amamente 50 crianças, isto não sai mais daqui. São casos como o meu que dão força e importância à cirurgia plástica consciente e bem feita.