De obesa a medalhada!

No sábado houve uma competição na box onde pratico Crossfit. As equipas foram feitas com base num treino curto e inicial. Foram feitas equipas heterogéneas. Comecei por pedir desculpa aos membros da minha equipa. Tudo o que não queria era atrasá-los. Desculpem qualquer coisa, disse eu um par de vezes.

Em todas as provas dei mais do que o meu máximo. Esfalfei-me como nunca. Por mim. Pela minha equipa. Não queria mesmo prejudicá-los de maneira nenhuma. Tinha de os acompanhar. Tinha de correr rápido, de ser eficaz a levantar os pesos, de suportar as dores que se iam fazendo sentir. E que dores!

A minha equipa terminou a competição em 1.º lugar e eu contribuí para isso. Senti uma felicidade gigante, muito, muito forte. Eu gosto de ganhar, é certo, sou muito competitiva, mas, no sábado, só me vinham à cabeça todas as vezes que fui a última a ser escolhida para as equipas da escola. Anos a fio. A escolaridade inteira.

Eu fui sempre a última opção. Sempre. Naquele dia não: eu fui uma mais-valia para a minha equipa, que acabou em 1.º lugar. Este lugar nada mais vale do que uma enorme valorização de todo o meu percurso. Como se fosse a validação de que mudei muito, de que mudei para sempre. Como nunca.

Passei de obesa a medalhada. Era só nisto que pensava! Quem diria que isto iria acontecer? Quem diria que seria capaz de me superar desta maneira? Quem diria que não seria a última a ser escolhida? Quem diria? Por isso, e para todos os que lêem este blogue e não acreditam em impossíveis, pensem nisto: somos capazes de tudo o que quisermos muito. Mesmo.

Mastiga, filha, mastiga!

Já escrevi muitas vezes sobre a vontade que tenho em ser uma pessoa mais calma. Sobre o trabalho que me tem dado investir numa postura de pessoa mais serena, mais ponderada. Porque sempre fui sôfrega em tudo na vida: queria muito, queria intensamente. Com a comida também era assim.

Perante um prato de batatas fritas, eu não me controlava. Acho que, às vezes, nem lhes sentia o sabor. Eu queria comer muito, como se estivesse a encher um saco que se queria cheio. Por ansiedade, por (des)gostos, sei lá porquê. Quem diz batatas fritas, diz chocolate, diz gelado, diz miniaturas numa festa de aniversário, diz tudo o que se possa imaginar.

Está provado que o nosso cérebro só se começa a sentir satisfeito após 20 a 30 minutos da refeição começar. Quando comemos muito rapidamente, precisamos de uma maior quantidade de comida, para que nos sintamos satisfeitos. Acabamos por comer mais do que precisamos, mais do que temos vontade. Este comportamento é muito, muito comum, ainda que subvalorizado.

Tenho-me treinado a comer mais devagar, a mastigar melhor, a sentir verdadeiramente o sabor de cada ingrediente da receita. Confesso que me tenho surpreendido. Como menos e fico satisfeita. Mais satisfeita, até. Porque muitas vezes o que tem fome é a cabeça e o coração, não o estômago.

Por tudo isto, pela minha desejada calma, com a comida e na vida, e por um corpo mais saudável e estreito, sempre que como há uma qualquer voz a ecoar na minha cabeça: mastiga, filha, mastiga! Mastiga, que o teu mastigar tem graça! Mastiga, que o teu mastigar só te faz é bem. Mastiga e vais ver como te tornarás fina!

Eu é que os educo (ou tento, vá)!

Eu nasci, não é verdade, e os meus pais passaram a ser responsáveis pela minha educação. E foram bem supimpas na tarefa: tenho-me como uma miúda educada, que sabe estar. Cof cof. Porém, do alto dos meus 30 anos bem feitos, constatei há uns tempos que, hoje em dia, quem educa o meus pais, e o meu irmão, sou eu. Não no geral, que somos todos amantes da liberdade de espírito, mas alimentarmente falando.

Faça-se aqui um breve parênteses: a minha família gosta de comer. Somos todos bestas de grande alimento. Gostamos tanto do salgado, como do doce. Gostamos da mesa farta, quase sem espaço para pôr a loiça e os talheres. Depois, somos craques em arranjar desculpas para comer. O Benfica ganhou? ‘bora comer! O Benfica perdeu? ‘bora comer. Passa tudo muito por comer, só porque sim.

Ora, vai que cresci imbuída neste espírito de comer como se não houvesse amanhã e o resultado esteve, claramente, à vista. Quando comecei a mudar de vida, a minha família achou que seria um episódio com fim à vista, como tinham sido todos os outros. Para seu grande espanto, este episódio dura há mais de três anos e, parece-me, só há pouco tempo perceberam que não vou MESMO voltar a ser uma pequena grande orca.

Agora, eu trabalhei muito este meu problema da comida. Com consultas, com autoreflexão, com desporto. Eles não. Sucede que os velhos hábitos ainda lhes estão muito impregnados e teimam em não sair, de maneira nenhuma, o que é uma grande chatice. Como alguém tem de pôr ordem na barraca, assumi o papel de mentora alimentar da minha mãe, pai e irmão. Porém, não tenho sido muito bem sucedida.

A minha rica mãe é a que mais me ouve. Continua sem deixar o pão e o leite, que eu acho que só lhe fazia era bem, mas pronto. Tem cuidado, sobretudo, ao jantar. Faz uma alimentação muito mais à base de peixe do que de carne, come fruta e legumes com fartura. Está mais magra, diz que tem menos vontade de comer. Maravilha. O meu pai e o meu irmão, é um vê se te avias.

Cereais com fartura, pão com manteiga aos sacos, iogurtes açucarados, pizas, douradinhos, massas, muito arroz e, no caso do meu irmão, pouquíssimos vegetais e frutas. É muito esquisitinho, o menino! Confesso, que estou quase a abortar missão com estes dois. Já devia saber, por mim, que ou uma pessoa muda porque quer ou nada feito. Eu já devia saber, mas enfim.

Eu é que os educo (ou tento, vá), mas ou eles mudam porque assim o desejam ou…

Autoboicote

Muitas vezes desejamos estar de uma determinada forma, que nos parece impossível de alcançar. E lamentamos, lamentamos muito, o facto de não termos nascido altas de espadaúdas. Eu sempre fui assim: uma insatisfeita com o meu aspeto. Imaginava-me sempre magra, muito bronzeada e loura. Talvez tanta Barbie me tenha feito mal, sei lá. Talvez.

Loura fui, a determinada altura do campeonato. Quem me fez as madeixas foi a mãe de uma amiga da época. Uma bela merda, foi o que foi. Tinha o cabelo às riscas, grossas, de um péssimo gosto. Durante anos tive de pintar o cabelo da minha cor, para reparar o estrago. Não havia mais nada a fazer.

O bronze, aparentemente o desejo mais fácil de concretizar, tornava-se impossível porque eu evitava as idas à praia. Com gente da minha idade nem pensar, a não ser que fossem da minha extrema confiança. Deus Nosso Senhor quis eu fosse branca, branca, portanto, o que à partida parecia fácil, era só mais um desejo por cumprir.

Magra? Como é que eu podia ser magra? Eu comia como se não houvesse amanhã, todos os dias. Comia muitas gomas, muitos gelados, muitos aperitivos de queijo, muitos hambúrgueres. Fora de casa, sobretudo, com a semanada que os meu pais me davam para comer na cantina da escola.

O autoboicote foi a principal razão do meu insucesso, durante muitos anos. Eu achava que queria mudar, mas, na verdade, fazia muito pouco por conseguir o que queria. Ou achava que queria. Se eu tivesse de eleger um dos principais objetivos que atingi, seria este: parar o autoboicote.

Ultimamente, tenho-me boicotado pouquíssimo. Aqueles extrazinhos ao final do dia acabaram, praticamente na totalidade, há uns meses. Episódios de idas a pastelarias, sozinha, comer um bolo, são cada vez menos recorrentes. Não me lembro da última vez que aconteceu. No meu caso, é um ótimo sinal.

Não digo que não como nada que saia da minha alimentação de todos os dias. Claro que como. Ainda ontem soube o que era o céu com um Snickers de chocolate branco (é de edição limitada, tive de provar!). Mas sinto que me consigo controlar cada vez mais. Mesmo.

E, aos poucos, os resultados vão aparecendo. Não no peso, estou a cagar-me para o peso, mas no aspeto do meu corpo, na forma como me sinto e na confiança que carrego no peito por, finalmente, poder ser como sempre me imaginei.

[A imagem é meramente ilustrativa. Eu lá queria um cabelo daqueles!?]

Coisas que me tiram do sério #10

Pessoas que fazem tudo by the book. Todos os dias, a todas as horas, em todos os segundos. Uma seca de gente. Que não fazem nada fora da regra, que nunca prevaricam, que nunca se desviam do caminho. Sobretudo na alimentação, se há coisa que me irrita são os fundamentalismos. Nunca mais como açúcar, numa mais como pão, nunca mais como queijo. Passo as férias todas a comer folhas de alface com frango grelhado, o Natal a comer bolo rei sem glúten, mesmo não tendo nenhum tipo de intolerância, só porque sim, e na Páscoa só amêndoas ressequidas, sem sabor nenhum. E passam os dias assim: na sua ideologia fechada, sem saberem que há vida para além das regras de todos os dias. Às vezes penso para comigo: será que não têm curiosidade em saber o que há para além daquilo que pregam? Ou será que, às escondidas, partem a loiça toda? Não sei. Só sei que me irrita, porque na vida, nem tanto nem tão pouco.

Não pode ser!

Há dias que custam mais, dias em que o sacrifício é maior, dias em que apetece mandar tudo às urtigas e comer como fazia antigamente. Há dias assim: que quase me fazem desacreditar de tudo o que já (re)construí em mim, que me fazem duvidar se vale a pena o esforço, se faz sentido continuar. Isto é uma luta, que às vezes parece ganha, mas não está, nunca está. Nem sei se algum dia estará. Depois, olho para mim e mal me reconheço. Vejo-me como nunca me imaginei. Confesso, nada me move mais do que me ver segura, certa de mim, de cabeça levantada em (quase) tudo o que me acontece e, por muito que me apeteça comer uma piza, dois hambúrgueres, três doses de batatas com molho d’alho, quatro milkshakes e cinco ou seis sacos de gomas, fixo os pés no chão, remendo a alma e digo para mim mesma, de coração: não pode ser! Nada vale mais a pena do que viver sem pena de mim.

Águas drenantes

Há dezenas de drenantes no mercado. Comprei um, uma vez. Não adorei o sabor e não voltei a experimentar outro. Comecei umas massagens ótimas, com uma técnica ótima (depois falo disto), que me sugeriu a ingestão de drenantes naturais. Como assim, naturais? Que ajudem na retenção (que, p’los vistos, é um mal de que padeço). Pepino, gengibre, limão, hortelã, canela, frutos vermelhos… Tenho variado as receitas, a verdadade é que os meus tornozelos estão mais finos e tenho ido à casa de banho ainda mais vezes. Cá para fora, tudo cá para fora! Como é que tenho feito? Na noite anterior corto meio pepino, em rodelas finas, imenso gengibre partido em pequenos pedaços e ponho na garrafa de 1,5 litro que vou beber no dia seguinte. Às vezes junto um pouco de sumo de limão, um pau de canela, rodelas de laranja, vou variando. São alimentos que têm muitas potencialidades, muito, muito amigos de um rabo liso. Há por aí opiniões sobre drenantes, há?

Livre de mim

Vivi, anos a fio, prisioneira de mim. Refém do meu corpo, da minha cabeça, da minha alma amargurada por tantas razões. Razões que não eram mais fortes, nem mais fracas que as de ninguém. Eram as minhas, as que me entristeciam. Vivi sem saber bem quem era, o que queria, para onde ia, apesar de, ao olhos dos outros, parecer sempre muito segura e orientada. Não era. Não tanto como alguns me achavam ser. Ainda bem que assim o era, que assim o foi. Hoje, mais do que nunca, luto pelo direito de ser livre de mim, em mim. Vivo, todos os dias, com a vontade de não voltar ao que era, ao que não queria ser. Todos os dias, todas as horas da minha vida. Não consigo sempre, mas consigo muitas vezes. E há poucas coisas que me entusiasmem mais do que a liberdade de ser quem sempre desejei. Talvez me tenha tornado mais egoísta, mais autocentrada. Talvez. Que a vida não me tolde a alma ao ponto de deixar de olhar para o lado, de ser empática. Mas, também, que jamais me volte a tirar esta capacidade e alegria plena de ser livre: livre de mim.

Quero aprender a lutar!

Eu adoro este filme. Adoro, sobretudo, a última cena: em que ela sova o ex-marido, que lhe fez a vida negra a muitos níveis, que lhe bateu, que lhe tentou tirar a filha. Já houve situações em que quis saber lutar. Não para atacar ninguém, para me defender. Ultimamente, sei lá eu porquê, tenho sentido esta vontade a ferver em mim. Quero aprender a lutar. Quero saber auto-defesa. Quero ser uma badass do caraças! Ora, o que eu que eu pretendo com este texto? Opiniões. O que escolher? Uma arte marcial? Uma luta? O quê? E onde? Sabem de sítios de confiança onde eu possa começar isto à séria, na zona de Lisboa? Desde já, obrigadinha. Fico à espera de sugestões.

Voltei às corridas!

Eu nunca gostei de correr. Achei sempre tonto correr só porque sim. Ainda se fosse atrás de alguém… Ou à frente! Correr só porque sim era uma ideia que não me entrava na cabeça, mas há uns tempos entrou. No início do blogue, quando decidi mudar de vida, comecei a correr. Não sabia tempos, nem distâncias, só sabia que era uma pessoa obesa a tentar mexer-se. Caminhava e corria um bocadinho, até que o peso foi baixando e eu consegui correr, sem parar, uma subida tramada perto de casa. Depois conheci o Crossfit e as corridas foram ficando esquecidas na minha vida. Nos meus treinos também há corrida, mas eu sinto que a faço sempre em esforço. Por isso, voltei às corridas, à séria, duas vezes por semana. Sem olhar para os tempos, sem olhar para as distâncias. A olhar apenas para o desafio e para a liberdade que sinto em correr, na rua, sobretudo agora que chegaram os dias bons. A corrida seca o corpo [tenho de vos falar sobre o que ando a fazer nesse sentido], mas também massacra muito os músculos e as articulações. Por isso, isto não é para meter na cabeça que agora vou preparar-me para uma maratona d’hoje para amanhã, é só mais uma forma de me desafiar e de reforçar esta mudança que trouxe para a minha vida de todos os dias. Para sempre.