Eu tenho dois amores

Eu tenho dois amores,
Que em nada são iguais.
Num faço agachamentos,
Noutro parto queixais.

Eu tenho dois amores,
Que em nada são iguais.
Eu tenho dois amores,
Não sei qual amo mais.

Um tem burpees, salto à corda,
Boxjumps e flexões.
Outro tem diretos, uppers,
Ganchos e alguns empurrões.

Num eu quase que faleço,
De tanto ferro levantar.
Noutro bato sem piedade,
Mas também chego a levar.

Eu tenho dois amores,
Que em nada são iguais.
Num faço agachamentos,
Noutro parto queixais.

Eu tenho dois amores,
Que em nada são iguais.
Eu tenho dois amores,
Não sei qual amo mais.

Depois das 18:00…

Começo por dizer que assumo, à partida, que este texto pode ser polémico. Que muita gente estará contra isto e eu aceito. É legítimo. Prontos? Eu não janto. Eu raramente janto. Aliás, eu só janto se tiver um jantar combinado com a minha família ou com amigos. De resto, eu não janto. E passo a explicar.

Eu já fiz muitas dietas, como quem me segue há algum tempo sabe. Já passei muita fome. Já emagreci muito. Já tive crises sérias de compulsão. Já engordei tudo outra vez. Fiz dietas muito restritivas. Fiz dietas de batidos. Fiz dietas de sopas, de frutas, do diabo a sete. E fiz, também, aquelas dietas, ou regimes alimentares, em que se deve comer de X em X horas.

Em todas essas situações eu perdi peso, nalgumas engordei tudo outra vez ou mais. Desde que comecei a Perna Fina mudei muito a minha alimentação. Fiz consultas de reeducação alimentar e mudei toda a perspetiva que tinha do que era comer. Aprendi muitas coisas. A mais importante, talvez tenha sido conhecer o meu corpo e dar-lhe apenas o que precisa.

Pelo caminho, larguei os produtos com lactose, eliminei o glúten quase na totalidade, passei a evitar ao máximo os produtos processados, reduzi o consumo de carne e retirei o açúcar da minha vida. Sem fundamentalismos, mas a perceber que se o fizesse me sentia mais forte, satisfeita e de bem comigo.

Durante este processo, percebi, também, que comia vezes demais. Entendi que não precisava de estar sempre a comer fruta, nozes, cenouras, o que fosse. O que acontecia era que o meu estômago estava constantemente a ser alimentado, e o meu cérebro também, e por isso eu tinha sempre mais vontade de comer, tinha de estar sempre a trincar qualquer coisa.

Junta-se a esta brincadeira o facto de ter uma hérnia do hiato e, por isso, dever comer muito pouco ao jantar. A hérnia, “que fica à entrada do estômago”, faz com que tenha refluxo gástrico e uma azia de morte. Sempre que comia à noite e me deitava pouco tempo depois, sentia-me tão, mas tão mal, que pouco descansava. Era como se o meu corpo estivesse preocupado em fazer uma maratona durante a noite.

Ora, juntando isto tudo, percebi que não precisava de comer à noite. Comia para me ir deitar logo a seguir ou muito pouco tempo depois. Deixou de me fazer sentido. Por isso, hoje em dia, como o pequeno-almoço, debico qualquer coisa a meio da manhã, almoço e depois faço um lanche reforçado para ter energia para treinar. Simples assim. Há já algum tempo.

O que é que tenho sentido? Que durmo muito melhor. Que tenho uma barriga mais chapada. Que tenho menos fome. Que me sinto menos ansiosa sobre os horários em que tenho ou devo comer. Que é tudo mais leve, em todos os aspetos. Há muita gente que fala desta ideia de não comer nada depois das 18:00. Aliás, manequins pelo mundo inteiro cumprem essa regra.

Tudo isso me diz pouco. O que me interessa, verdadeiramente, é a forma como me sinto, que é a melhor que nunca. Como menos, mas nunca me senti tão saciada, nem com tanta energia, nem com tanta fúria para treinar. Não estou a incentivar ninguém a fazer o mesmo que eu, mas gostava só que pensassem nisto. Será que não andamos a comer vezes demais, sem necessidade?

Bar Aberto

Disse este fim de semana a uns amigos: estou em modo bar aberto! Como assim, bar aberto? Exatamente como estão a pensar. É a época da fartura minha gente! É Natal! É farra! É enfardanço! Bar aberto porque, numa altura normal, janto pouco ou nada (podemos falar sobre isto, ok?), lancho os meus snacks de sempre, bebo muita água… E agora não! Calma, não passei a comer Estrelitas ao pequeno-almoço, nem batatas fritas a todas as refeições, mas sinto-me assim mais liberalzinha. Estes dias de soltura têm-me sabido bem, confesso. Não que hoje em dia viva numa grande restrição, mas há coisas que não faço mesmo, por norma, e nos últimos dias tenho-me permitido a isso. A grande diferença? É que não páro de treinar. E isso é muito! É bar aberto, mas não é preciso entrar em coma alcoólico. É só assim uma bezana fofinha.

Divorciei-me!

Estava, há mais de três anos, à espera deste dia. Do dia em que pudesse, finalmente, fechar o capítulo do maior desamor da minha vida. Apesar desta relação já ter acabado há muito tempo, só hoje a encerrei definitivamente. Hoje divorciei-me. Não foi um divórcio à séria, porque não tínhamos casado. Não tinha havido o vestido, nem os convidados, nem a festa, nem o bolo. Não tinha havido nada disso. Só o resto. O bom e o menos bom. Mas houve um bem comum, que hoje deixou de ser meu (e ainda bem). Por isso, hoje, com todos os papéis assinados e com as contas feitas, sinto que me divorciei. Há algum tempo que me sinto muito livre de mim. Hoje, acho-me nas nuvens. Esta porta fechou. Acabou! Divorciei-me!

Gatos do aeroporto

Eu fico toda nervosinha quando entro num aeroporto. Assim, toda ansiosasinha, excitadinha. Gosto muito de me pisgar daqui e ir para o mundo. Por mim, estava sempre de rabinho num avião, para cá e para lá.

Junta-se a este meu entusiasmo, o facto de no aeroporto haver muitos gatos. Homens giros que se fartam, passam por todos os corredores, a todas as horas. Portugueses, estrangeiros. Lindos, lindos.

Os comissários e os pilotos são qualquer coisa. Podem não ser uma estampa, mas aquele estatuto de quem tem um avião nas mãos dá cabo de mim. A farda ajuda. Muito! E eu nem era destas coisas, mas os 30 deram-me para isto.

Acho que o aeroporto é um bom sítio para se lavar a vista, que funciona como topping do delicioso que é viajar. Gatos do aeroporto… São só os meus olhos ou tenho apoiantes nesta teoria?

Sobre o texto de ontem…

Recebi muitas mensagens ao texto de ontem, dizendo que a minha ambição de melhorar a vida das pessoas já está ser cumprida. Escreveu-me uma leitora que depois de começar a ler os meus textos entrou para o Crossfit. Disse-me outra que o facto de perceber que havia alguém com o mesmo problema que o seu, a fez ter esperança na mudança e que, aos poucos, tem conseguido comer melhor e até já se pôs a caminhar ao fim do dia.

Muitas pessoas me escrevem a dizer que as inspiro. Isto de assumir que posso ser uma inspiração é um pouco presunçoso, e eu não sei se gosto disso, mas, a verdade, é que me ponho no lugar das pessoas e compreendo o que dizem.

Quem me dera que alguém tivesse escrito alguns dos textos que eu já escrevi, para que os pudesse ler nos momentos mais difíceis. Quem me dera ter sabido antes que não era a única pessoa no mundo a comer até ficar mal disposta. Quem me dera ter aprendido, há anos, que as dietas não emagrecem ninguém. Quem me dera!

Mas se calhar não era mesmo para ter havido, por isso é que não houve. Quase como se isto fosse uma predestinação fofinha, que me esteve reservada desde sempre. Será que é isso? Acreditar nisto também é presunção, não é?

Seja pelo que for, a minha intenção (e ambição) mantém-se. Melhor: aumenta a cada dia. Por isso, obrigada por me tratarem tão bem e por quase fazerem valer a pena ter passado por aquilo tudo, que foi tão duro, tão devastador e agora tão recompensador.

Obrigada. E rezem ou peçam ou acreditem ou queiram ou ajudem a que estas minhas ideias ganhem vida. A acontecer, será espetacular!

Vai acontecer!

Ontem estive a gravar uma conversa com um amigo para o seu canal de YouTube. Ele chamou-me para conversar sobre blogues. Mais concretamente: sobre o que fazer para que um blogue tenha sucesso. O Francisco deixou-me falar de como tive a ideia de criar a Perna Fina, sobre a razão de ter escolhido este nome, a importância de me associar a marcas… Bom, o vídeo saí no próximo fim de semana e aí terão oportunidade de o ver com atenção e de me ouvir a botar discurso p’ra lá de meia hora.

A dada altura da conversa, e esta foi a parte que mais me entusiasmou, o Francisco levou-me a pensar sobre até onde irá a Perna Fina: em termos de crescimento de blogue, como uma marca, até como uma empresa (que o Francisco diz que eu já sou uma empresária e ainda não sei disso). Eu sei, quero e vou fazer por isso, que a Perna Fina vai continuar a crescer. Os números do blogue continuarão a subir: mais seguidores, mais visualizações, mais cliques aqui e ali. Estes números interessam, sobretudo, às marcas, que podem passar a ter o interesse de investir em mim de alguma maneira.

E, apesar de eu ser doida por números, e querer que este blogue seja uma top de visualizações e cenas, o que eu quero mesmo, e farei com que isso aconteça, é estar cada vez mais perto das pessoas que me lêem. Porque querem perder peso. Porque querem ganhar músculo. Porque querem começar a treinar. Porque querem comer melhor. Porque querem mudar de emprego. Porque querem mudar a cor do cabelo e lhes falta coragem.

Seja pelo que for: eu quero que os meus textos, e esta minha condição de ser Perna Fina, contagie o máximo de pessoas possível e que, por isso, a vida delas melhore de alguma maneira. Eu sei que isto é ambicioso. Não tenho uma ideia certa de como isto vai acontecer (apesar do Francisco achar que eu sou uma estratega nata), mas sei que acontecerá.

Porque, hoje em dia, o estado de ser Perna Fina está muito além da perda de peso. Está no esforço de todos os dias, no empenho de ser sempre melhor. Na vontade de crescer e aprender e trabalhar, como poucos. Está na coragem de tomar decisões e de enfrentar as consequências. Está nisto tudo e muito mais.

É isto que eu quero para a Perna Fina: quero que seja contagiante, honesta, crua, humana, diferente, inovadora, vendável, inacreditável. Quero que toque as pessoas e que as melhore, independentemente da forma. É isto que eu quero. É isto que vai acontecer.

Consegues sempre um pouco mais!

Seja no que for, consegues sempre um pouco mais, se te esforçares para isso. Estou, claro está, a falar de tudo o que depende exclusivamente da tua vontade, do teu empenho, da tua coragem. Esta coisa de acreditar que consegues sempre um pouco mais, é fundamental para combater a acomodação: de corpo e de espírito. Uso esta máxima nos treinos. Dá sempre para fazeres mais flexão, mais um agachamento, mais uma elevação. Dá sempre! Aplica-se também à alimentação de todos os dias. Dá sempre para compensares ao almoço a porcaria que comeste no jantar de ontem. E por aí fora. O mais importante é mesmo não ficares confortável, por muito aliciante que isso seja. Por isso, é fundamental começares por algum lado. Se já estás lançado, é continuar a querer. E querer mais! Se queres começar, é fazer isso mesmo. Começar. Tentar. Fazer todos os dias um pouco mais. Na mesma é que não. Pior muito menos. Consegues tudo o que quiseres muito. A questão é sempre esta: queres? Mesmo?

Mulheres com Mamas, se faz favor!

Eu não gosto de extremismos em nada. Não adoro o cinzento, prefiro o preto ou o branco, mas há posições com as quais não me identifico em absoluto. Por isso, não ergo a bandeira do feminismo. Porque há coisas que me parecem exageradas. Ou algumas vozes, talvez seja mais isso. Algumas vozes.

Mas se há coisa que eu odeio, é haver mulheres que atiram abaixo outras mulheres. Que acham que as outras são todas umas cabras, umas invejosas, umas ressabiadas. Algumas são, nem todas, e este discurso a favor dos homens, vindo de mulheres transtorna-me. Vindo dos homens também, como é óbvio. Não suporto machistas.

Serve esta conversa toda para quê? Para chegar a uma expressão que eu odeio de morte: uma mulher com tomates ou aquela mulher tem uns grandes tomates ou que mulher de tomates. Esta merda desassossega-me a alma. Dá cabo de mim. Causa-me uma coceira sem precedentes.

Como se uma caraterística puramente masculina engrandecesse alguém. Como se fosse o surgimento de tomates, a razão para uma mulher enfrentar o que quer que seja. Como se as mulheres pudessem ser, ou deixar de ser, o que quisessem, por terem, ou não, aqueles dois saquinhos ali pendurados.

E eu não sei se mais alguém se encanita com isto, talvez seja só uma parvoíce minha, mas eu acho que não. Acho que está na altura, de uma vez por todas, de usarmos, também, carateríticas femininas como forma de engrandecimento. Assim de repente, surgem-me mamas. Sim, mamas! Essa peculiaridade tão feminina, tão apreciada por toda a gente.

Sim, porque toda a gente gosta de mamas: seja porque as deseja ter ou ver de perto, homens e mulheres. Mamas são mamas, minha gente. Não há quem não as aprecie. Ora, desta feita, por que não passarmos a dizer: uma mulher com mamas ou aquela mulher tem umas grandes mamas ou que mulher de mamas?

Não no sentido bardajão da coisa. Antes com o intuito de engrandecer aquela mulher por ser mulher, dentro daquilo que é expectável ter no seu corpo (que não é certamente um par de tomates). Porque acho que o machismo continua a existir em pequenas coisas, como nesta expressão tonta.

Porque já não faz sentido haver estas diferenças entre homens e mulheres. Faz cada vez menos sentido. Um homem com tomates e uma mulher com mamas, ambos capazes de feitos heróicos. Ambos capazes de serem aquilo que quiserem, independentemente do género ou das miudezas que trazem penduradas no corpo.