Carta aberta às Boazonas do Instagram

Olá, Boazonas do Instagram, como estão?

Eu estou bem, obrigada, não fiquem apoquentadas a achar que me vou pôr p’raqui a lamentar a minha vida, nada disso. Mas bom, calculo que estejam melhor que eu, não é verdade?

Até porque estão sempre em altas, estou certa? Sempre alegres, sempre bem vestidas, sempre bem maquilhadas, sempre a comer (pouquíssimo) em sítios super in.

Convosco não há TPM, não há dias em que o cabelo pareça um ninho de ratos, não há mau humor, não há celulite, estrias, não há falta de dinheiro, não há dias de trabalho de 12 horas. Não há.

São assim: comem bem a todas as refeições, treinam muito, maquilham-se com as melhores marcas, usam as jóias mais brilhantes, têm os namorados mais gatos.

Ótimo, Boazonas do Instagram, ótimo! Fico muito feliz por todas, enquanto choro em posição fetal as dores que tenho nos rins, dada a altura do mês.

Porque eu não sei se sabem, mas as pessoas comuns padecem de cenas chatas, têm problemas para resolver e nem tudo se resume a um filtro.

Era só isto. Alguém tinha de vos dar a saber a realidade. Se um dia se dignarem a descer até aqui, venham tranquilas. Parece difícil, mas até se leva.

Aqui come-se, dança-se, chora-se, abraça-se, bebe-se, treina-se, têm-se uns desgostos, procuram-se outros, vive-se. É fixe, acreditem.

Ou então não venham, que nos ajudam a sonhar. Esse vossos rabos em forma de emoji de pêssego são uma grande ambição na minha vida. Tinha dois, se pudesse. Continuem a exibi-lo, por favor!

Vá, um grande beijo nessa bochecha cheia de makeup,
Joana.

Deus me perdoe se nisto peco #2

Deus me perdoe se nisto peco, mas eu pelo-me por uma francesinha. Tudo aquilo é merdum, eu sei, mas só de imaginar aquele pão com carne e enchidos, a escorrer queijo e molho, a minha boca lateja. E eu gosto daquilo mesmo picante, mesmo ao ponto de queimar a língua. Prefiro a salsicha de lata, à fresca. Gosto do bife médio, fino e tenro. Normalmente, como sem ovo, mas percebo que esta minha opção choque os mais puros devotos desta iguaria. Hoje comi uma e estou aqui toda consoladinha. Deus me perdoe. Ele já perdoou.

Ainda bem que já não tenho balança!

Ainda bem mesmo, que sabem lá o que eu enfardei nestes dias que fiquei a cortar os pulsos em casa. Sabem lá! Por isso, ainda bem que já não tenho balança. É que amanhã vai cair-me a ficha e era menina para me passar a pesar de manhã e à noite. Era era. E era menina para ter engordado assim um quilinho, para desdizer a minha vida e começar a passar uma fome de cão durante dias, para depois voltar a devorar tudo outra vez, no fim de semana. Eu era assim, mas já não sou. Comi, está comido. Isso é um assunto arrumado na minha cabeça. Comi porque estive em casa a passar-me. Era razão para isso? Não era, mas foi. Por isso, agora, é tempo de voltar à minha comida de todos os dias, aos treinos (ainda só com um pé) e à esperança de que tudo volte ao normal, sabendo que os próximos dias serão de ressaca alimentar. Azar o meu. Ninguém disse que isto era fácil, ninguém disse, mas também, quem diz que é impossível está a mentir.

Dizem que… #2

Dizem que o Crossfit é perigoso. Estão sempre a dizer-me isso e eu já não os posso ouvir. Aliás, já perdi a conta da quantidade de vezes que me disseram que torci o pé por causa do Crossfit. Efetivamente, eu estava dentro da box, mas eu torci o pé porque caí da bicicleta, ou seja, não torci o pé a fazer nenhum movimento típico de Crossfit. Até podia ter sido, mas não foi. Porque os pés se torcem em variadíssimas situações, que fogem a este demónio que é o Crossfit: num passeio com pedras irregulares, a descer escadas, com saltos, a descer do carro, a pendurar um quadro em casa, a dançar, a correr, a dar beijinhos na boca, a estender a roupa, a sei lá. Só sei que não vale a pena pôr as culpas todas das coisas más da vida nesta modalidade, porque isso é só estúpido. A acontecer o fim do mundo, a culpa será do Crossfit? Tenham juízo e, a menos que já lá tenham ido bater com os costados, guardem a vossa opinião dentro da boca. Ou engulam-na, que vão ver a azia com que ficam. E não é porque o Crossfit faz mal. É porque o vosso julgamento, sem conhecimento de causa, é absolutamente indigesto.

Fundo do poço!

Ontem resisti às tentações alimentares. Hoje, olha, caguei. Caguei e encomendei uma piza, a escorrer queijo (que me faz tão bem #sqn), cheia de salame picante. Encomendei, por telefone, deitada na cama: o meu habitat dos últimos dias. Pensei: deixa-me cá pôr já a carteira ao pé de mim para poder pagar logo e não andar aos saltinhos de um lado para o outro, à frente do menino da piza. Toca a campainha e eu, ai fod**-se, que susto!, que entretanto tinha adormecido. Toda uma logística: telemóvel no sutiã, que é do mais digno que há, cartão multibanco na boca, canadianas em riste e pumba. Antes de chegar à porta, que a minha casa não é assim tão pequena, já o moço estava a tocar outra vez, a achar que não estava ninguém em casa e que ia ser vítima daqueles telefonemas-fantasma. Chego ao intercomunicador e digo: olhe, a porta não abre. Vou dar-lhe o código, ok? Pronto, o rapaz põe o código da porta com sucesso e eu tento abrir a porta da entrada de casa, que estava fechada à chave! A chave estava no quarto, na minha mala, e naqueles nanosegundos eu pensei que era mais rápido ir ao pé coxinho até lá. Poing, poing, poing, p’ra frente e para trás. Abro a porta e está o menino da piza a olhar para mim do género: pá, queres a piza ou não? Eu olho para ele e digo: olá, faz-me um favor? Estou assim, não vou conseguir pegar na piza e andar com ela. Importa-se de a deixar em cima da mesa? E o tipo lá foi, amoroso, sempre a pedir licença por ter entrado em casa. Tento pagar com o multibanco e não havia rede. Foi aí que disse para mim mesma: Joana, se o teu destino é este, opta por não viver mais, faz esse favor a ti mesma. Se calhar aqui mais na escada, disse o rapaz. E eu de muletas! Fomos até ao vão da escada e a merda do cartão lá deu. Olhe, as melhoras e bom proveito, despediu-se ele. Eu fechei a porta, larguei as cabras das bengalas, sentei-me e pensei: depois disto tudo, estas calorias não vão contar. Não vão! Os deuses do fitness vão ter esta minha odisseia de fundo do poço em consideração. Vão sim.

Só penso em comer…!

Estou em casa, deitada, agarrada ao computador, à espera que a entorse que fiz na terça-feira me deixe voltar ao trabalho e aos treinos. Isto é uma valente seca: respondo aos e-mails de trabalho, faço uns materiais para os miúdos, vejo vídeos no youtube e penso em comer. Na verdade, mesmo quando estou a fazer outras as outras coisas que escrevi, eu estou a pensar em comer. Porque estou aborrecida. PRO-FUN-DA-MEN-TE aborrecida! Tenho comido só coisas que fazem parte da minha alimentação de todos os dias, mas na minha cabeça só passam chocolates, sushi, pizas, merdas sem fim. É que se dou asas a estes meus apetites, deitada todo o dia, viro um pequeno cachalote num abrir e fechar de olhos. Passa, entorse, passa depressa ou este blogue tem os dias contados.

Ressaca doce

O açúcar deixa-me de ressaca. À seria! Eu evito ao máximo bolos, chocolates e cenas, mas se vou jantar fora, num aniversário, como. Como porque gosto mesmo muito. Porém, nos dias seguintes ando péssima. Como se o corpo me pedisse mais, como se não suportasse passar sem aquelas coisinhas do demónio, que tanto adoro. Acho mesmo que não é psicológico. Não pode ser.

Há alguns estudos que apontam neste sentido. Afirmam que o açúcar cria dependência, que vicia como qualquer outra substância tóxica. Porque é isso que o açúcar é: tóxico. Não pretendo abrir uma guerra ao açúcar. Já assumi que não me pretendo fundamentalista em (quase) nada na vida, mas, a verdade, é que está mais que provado que o açúcar nos dá cabo do corpinho.

E este dar cabo não é só por fora, é por dentro também. Basta pensar que dá uma espécie de ressaca para perceber que mexe com o sistema todo, que nos corrói por dentro, como o álcool, como a droga, sem querer estar a ser dramática. A questão principal é a que diz respeito às todas as dependências relacionadas com comida: não são levadas a sério em praça pública. Porque a comida não nos faz cambalear, não nos faz ter visões… Mas é mais mortal do que se julga e já é tempo de levar estas ressacas doces mais a peito.

Organizadinha!

A minha nova rotina tornou-me uma pessoa mais organizada. Garanto. Eu trabalho muito. Mesmo. Pelo meio tenho de ter tempo para preparar as minhas refeições, para os treinos e para o resto da minha vida (que às vezes, Deus Nosso Senhor Sabe!)

Por isso, tenho, obrigatoriamente, de ser uma pessoa mais organizada. Porque não posso viver sempre do acaso, do que me aparecer para comer, do que me surgir para fazer ao final do dia, em vez do treino. Por aqui.

Não que a minha vida seja só comer e treinar, não é, mas esta é uma parte demasiado importante para mim. Durante anos não lhe dei atenção e o resultado foi o que se viu. Banhas, banhas everywhere.

Por querer que seja assim, levanto-me muitas vezes mais cedo do que gostava. Tal como me deito mais tarde do sonhava. Aos domingos, passo algum tempo a preparar as refeições da semana: cozo uma boa quantidade de arroz integrar, preparo legumes para saladas, de forma a que no dia seja só atirar tudo para a marmita.

Um dia por semana vou ao supermercado, comprar os frescos, a bebida vegetal, barrinhas cruas ou proteicas. Compro água (prefiro a alcalina), frutos secos e alguns suplementos. Esta é uma tarefa que adoro. Ando sempre à procura de novos sabores, coisas que me dêem mesmo prazer.

Ainda não sou uma mulher de família, e acredito que os filhos modifiquem estas rotinas, mas espero que estes anos-teste me dêem bagagem para continuar neste ritmo por uns bons tempos. Porque esta organização mudou a minha vida e a minha disponibilidade para enfrentar o dia a dia.

Temos tempo para tudo, eu garanto. Talvez só tenhamos de nos levantar antes da maioria. Ganhar tempo é ganhar qualidade existencial. Eu não sei, sinceramente, como aguentei viver tanto tempo no caos. Mas por conhecê-lo tão bem, sei, perfeitamente, que não quero que volte. Assim está bom.

Cheguei ao meu limite?

Eu sinto-me lindamente. Neste momento, estou muito contente com tudo o que habita em mim. Ok, a celulite continua a ser um tema a massajar, mas, tirando isso, está tudo muito bem encaminhado. Apesar de me estar cagando para o que os outros acham da minha forma física, às vezes, os comentários menos queridos ainda me doem.

Diziam-me no outro dia, assim com um ar meio depreciativo: tu estás bem, mas acho que, ainda assim, devias fazer mais qualquer coisa de diferente. Sei lá! Acho que ainda não estás no melhor que podes. Aquela merda ficou a bater-me na cabeça como uma torneira a pingar. Será que podia estar mais magra? Mais musculada? Mais definida? Será que não? Será que disto não passo? Cheguei ao meu limite de melhoramento?

O meu treinador tem muuuuuuuita paciência para mim. Para as minhas queixas e para os meus desabafos e eu perguntei-lhe isto: cheguei ao meu limite? Ele levou-me a uma análise mais profunda da cena. Desde que comecei a mudar, nem sempre fui consistente. Porém, desde abril que fiz umas alterações mais sérias na minha alimentação e passei a treinar, religiosamente, seis vezes por semana (4 vezes Crossfit, 1 vez Muay Thai/Boxe e 1 vez corrida).

Efetivamente, desde abril que este corpinho levou um abanão. Eu não estou necessariamente mais magra. Já disse que deitei a balança fora, não já? Eu estou diferente. O meu corpo mudou a forma. Eu, que nem nunca tive rabo, agora tenho! Portanto, esta análise levou-me à resposta da minha pergunta. Acho que ainda não cheguei ao meu limite, porque, na verdade, nem sei se esse limite existe.

Para além disso, reforcei a ideia de que se estou, diariamente, a fazer tudo o que está ao meu alcance, não há dedo nenhum a apontar. Se houver, olha: é fazer mais uma dúzia de burpees, dar mais uns rounds de socos e provar, apenas e só a mim mesma, que eu posso chegar onde eu quiser e não só, mas também, por saber que é isso que assusta quem tenta desmotivar-me.

Carta Aberta à Zara

Zara, meu amor indumentário maior,

Temos de falar! Já houve um tempo em que eu e tu não fomos as melhores amigas. Em parte culpa minha, admito. De ti, recebia só algumas túnicas, calças largas e t-shirts. Pronto, vivíamos assim. Eu aceitava que só fazias roupa para esqueletos e vivia com esse facto o melhor que podia.

Mas depois eu perdi mais de 20 quilos. Sabes o que são 20 quilos de chicha? Não é pouco, acredita. E tu, como é que me compensaste perante o meu esforço, como? De porra de maneira nenhuma! Sim, estou pior que fula e sabes porquê? Porque este fim de semana cheguei ao meu limite. Ora atenta.

Eu estava necessitada de calças. Visitei-te, como boas amigas que somos, na esperança que tivesses o que precisava. Calças! Eu só queria calças. Não te estava a pedir nenhuma instalação tipo Joana Vasconcelos, nada disso! 546 modelos diferentes e quase todos eles serviriam, com maior facilidade, às minhas alunas de 7 anos!

Isto porque, Zara, não sei se já olhaste à tua volta, mas a comum mulher tuga tem anca e tem rabo. Essas formas da anatomia humana que pareces desconhecer. Ou ignorar. Portanto, dos 328 modelos que experimentei, independentemente do tamanho, só dois me serviram na anca, sem me sobrar meio metro de tecido na cintura, e na barriga das pernas.

Zara, minha amiga que afinal se começa a revelar uma grande cabra, EU PERDI 22 QUILOS!? Como é que não há calças para eu vestir, caraças? É que afinal, o problema não era meu. Tu é que vendes roupa para mulheres que não existem ou existem, mas vão para o trabalho montadas nos seus unicórnios.

Portanto, minha destruidora de sonhos, vê se acordas. Faz um estudo de mercado, informa-te, fala com pessoas reais e percebe, duma vez por todas, que, das duas uma: ou mudas, nem que seja um bocadinho, ou esta amizade, no que a calças diz respeito, tem os dias contados. Olha que se fosse a ti, levava estas ameaças a sério. Olha que eu não sou para brincadeiras. Estou quase a devolver-te a metade do meu coração de BFF. Tenho dito.

Um beijo desta Anca Larga que te adora (até ver),
Joana.