Pernas Finas no Mundo #1

Há Pernas Finas por este mundo fora, que nem sabem que o são. Inauguro, por isso, esta rubrica: uma espécie de base de dados fofinha, onde aparecerão pessoas que fizeram mudanças profundas na sua vida, alterando drasticamente a sua imagem. Vamos começar com o Matthew Lewis.

Quem é que leu os livros ou viu os filmes do Harry Potter? Quem? Pois. E quem é que se lembra do Neville Longbottom? O miúdo tonto, que dividia o dormitório com o Harry e com o Ron, conhecido por ser fraquinho nas habilidades mágicas e por nunca ser capaz de decorar um feitiço. Este:
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Pois muito bem, o menino cresceu e deu lugar a um tipo absolutamente dedicado ao fitness. É claro que teve outros arranjos pelo caminho: melhorou os dentes, o estilo, uma série de coisas. O que mais me impressionou, foi mesmo a mudança no seu todo. Como é que aquele gorducho com pouca graça se transformou num homem tão cheio de pinta, com um ar que roça o fofinho?
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357 pontos para Gryffindor, faz favor!

Rápido, seguro e eficaz

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Antes do verão, a propaganda vendia a ideia de se ficar bem num biquíni. Agora, vende a necessidade de se eliminarem os excessos das férias. Os anúncios aos comprimidos, refeições pré-feitas ou aos líquidos mágicos que prometem fazer emagrecer num ai, são hilariantes. Eu, mesmo quando era gorda, nunca acreditei muito nisto e, para ser sincera, custa-me muito a querer que alguém acredite que, sem esforço nenhum, possa ter o corpo que deseja. Mas bom, dando de barata a hipótese de há quem dê crédito a estes comerciais enganosos, aqui estou eu. Aqui estou eu para dizer que para se perder peso se tem de comer bem e mexer o rabo (e outras partes também). Não há milagres, não há poções mágicas, não há nada para além de comer bem e mexer o corpinho. Digo-vos eu, que já fiz todas as dietas que há na história da humanidade. Depois, perder peso leva tempo, exige dedicação e foco. Não é assim do pé p’ra mão que se perdem 20 quilos. Isso é irreal, é tonto. Porque há o perder peso, que é relativamente fácil. O pior vem depois disso. Mas sobre isso, escreverei outro texto. Só para terminar, como já disse neste texto, gastem o vosso dinheiro noutras coisas que não nestas fraudes do emagrecimento. É porque é o mesmo que pegar numa quantidade de dinheiro e mandá-la pela pia abaixo. A sério que é.

Ser magra

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Estou sempre a dizer que gosto muito do meu corpo como está, que não gostava de trocar de corpo com ninguém. É verdade, juro que sim. Mas às vezes gostava de passar pela sensação de ser magra. Mesmo magra. E podem começar a dizer: olhem que ingrata, ãh? Não tem razões para estar contente, quer ver? Eu tenho. Eu sei que tenho, mas o que querem que faça? Este desejo ainda não saiu de dentro de mim. Porém, eu acho difícil ficar (muito) mais magra do que estou hoje em dia. Porque eu sei que teria de ser 100% rigorosa com alimentação e eu nem sempre sou. Não era passar fome. Era comer só aquilo que me faz bem (e eu gosto demasiado de comidas más). Também porque os treinos que eu faço me ajudam a ter esta constituição, que não é propriamente estreita. Preciso de algum arcaboiço para pegar em barras e cenas. Por isso, acho que não conseguirei (muito) mais do que isto. Ou menos do que isto, para ser mais exata. Aqui já não se trata do peso, ou pelo menos eu tento que não trate. Trata-se antes das imagens que por vezes me aparecem na cabeça. Como seria eu muito magra? Porque nunca fui, não faço ideia de como seria. Talvez nem gostasse de me ver assim, sei lá. Sei, ao dia de hoje, que, apesar de querer sempre melhorar, isto já está tudo bastante bem. E, mesmo continuando a querer muito uma série de coisas, nada mais é importante do que saber o que não quero voltar a ser. Porque lá eu já estive. Muito tempo. Não quero (mesmo) regressar. Talvez seja para sempre assim. Não me poderei queixar.

Dois anos de Crossfit

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Perguntavam-me no outro dia há quanto tempo andava eu no Crossfit. Eu sabia que tinha começado em outubro de 2014, mas não tinha de memória o dia. Felizmente, eu deixei esse dia épico marcado no blogue, com um texto que considero muito engraçado por várias razões. Pela forma inocente com que descrevi o treino, pelo deslumbramento com que falei do meu treinador, que adoro e estimo até hoje, e até pela lembrança da dificuldade com que cheguei ao carro e me arrastei até casa.

Dois anos depois, há coisas que se mantêm: eu dou cabo do meu couro em todos os treinos. Posso treinar com mais ou menos vontade, mas raras são as vezes em que não me atiro para o chão a arfar. O meu querido coach, o Luís, foi fundamental para a minha evolução. Mesmo que o tenha pensado, o meu treinador nunca mostrou desdém pela minha falta de habilidade. Sempre me incentivou a ser melhor, dentro dos limites da razão. Na verdade, eu tive muita sorte com os treinadores. Não só com o Luís, mas também com o Fábio e com o Sebastião. Todos eles tiveram sempre a maior das paciências e eu, apesar de refilar muito com eles, sou-lhes muito, muito grata.

O meu corpo mudou muito também. Eu nunca tive rabo e agora tenho. Eu tive sempre uma bóia à volta da cintura e agora já não há nada disso em mim. Os meus braços, as minhas pernas. Nem em sonhos. O Crossfit mostrou-me que sou capaz de muito mais do que alguma vez imaginei. Mostrou-me que tenho força, resistência, equilíbrio, flexibilidade. Provou-me, acima de tudo, que é a cabeça que manda em tudo. O Crossfit é muito um desafio mental, de superação, de conquista própria, de espírito de grupo.

Por fim, e o mais importante de tudo, o Crossfit deu-me a conhecer pessoas fabulosas. A minha querida amiga Sónia, por exemplo, foi o Crossfit que ma deu. As manas Rita e Marta. O Afonso, o Francisco, o Emerson, a Inês, a Tânia, a Andrea, a Sílvia… Tantas, tantas pessoas com o mesmo propósito: serem melhores do que já foram um dia, idependentemente do significado que isso tem para cada uma delas.

O Crossfit não se permite a ser explicado, a sério que não. Por isso, todos os que falam desta modalidade sem nunca a terem experimentado, não sabem o que dizem. Não sabem mesmo [o que perdem]. Porque eu, que cancelei todas as inscrições de ginásios em poucos meses, estou nisto há dois anos. Eu, a gorda que não dava uma volta ao campo da escola, a correr. Eu? Chiça, eu adoro o Crossfit.

[Este texto também é do início dos inícios. Dá para perceber a dimensão da coisa, não dá?]

Sobre o glúten

Eu já li muito sobre os malefícios do glúten. Já fui a palestras ouvir falar sobre o assunto e até já senti os efeitos de não o comer. Custa-me a acreditar que o glúten seja responsável por patologias tão graves como a demência e alguns tipos de cancro, mas há quem afirme a pés juntos que está mais do que provado. Eu já experimentei estar uns tempos sem ingerir glúten, ou a evitá-lo quase a 100%, e a verdade é que me senti muito melhor. A barriga desinchou por completo, passei a ir à casa de banho com maior regularidade, as poucas borbulhas que tinha também desapareceram e, sobretudo, tive menos apetite. Os inimigos do glúten também afirmam que o não consumo desta goma manipulada ajuda a controlar os apetites maus. Há uns tempos desleixei-me um pouco, voltei a comer pão normal e a enfiar a cara numa pasta ou outra e senti logo a diferença. Mesmo. Sobretudo na barriga tipo balão, que aumentou quase instantaneamente. Eu já pensei muito sobre esta decisão de não comer glúten de todo, mas tenho medo de aumentar o meu grau de intolerância, porque a verdade é que não corro riscos sérios se comer. Há quem não possa mesmo tocar em glúten, literalmente. Por outro lado, apetece-me pouco andar sempre neste incha, desincha e passa. Por agora, voltei a fazer o meu próprio pão. Experimentei esta receita e a-do-rei. Talvez, se for consistente, seja este o caminho para um super-ultra-jeitoso sixpack. Talvez.

Pena de mim

Os últimos anos fizeram-me crescer muito, a muitos níveis. Não só mudei o meu corpo, como mudei a minha vida. Passei a gostar mais de mim e a ser uma pessoa menos amargurada, com uma série de coisas. Mas, às vezes, a velha Joana ainda volta. E, sei lá eu como ou porquê, inundo-me numa pena de mim, que me deixa a questionar acerca de um sem número de aspetos muito meus. Como se, por alguma razão, ou algum acontecimento, sentisse, e me permitisse a sentir, pena da pessoa que sou, da mulher que sou. Como se fosse uma espécie de coitadinha, inconsolável, mal tratada.

Quando sinto isto, tento pôr os pés no chão e perceber que estou a ter um ataque qualquer, que não me deixa ver com clareza. Volto a enumerar, na minha cabeça [e no meu coração], todas as razões pelas quais me considero uma pessoa sortuda e feliz, de bem com as escolhas que faço todos os dias. Nestes momentos, sinto sempre muita vontade de comer. É nestas alturas que gostava de gostar de fumar ou de beber cerveja ou de correr não sei quantos quilómetros, só para desanuviar um pouco. Eu não sou assim. A verdade é que eu, em momentos de aflição, ainda pondero devorar um pacote de bolachas, um saco de batatas fritas ou um quilo de gelado.

A comida continua a estar muito associada às emoções que vou sentido, sejam elas alegres ou tristes, entusiastas ou depressivas. O que é que eu concluo? Que este trabalho que tenho vindo a fazer, de um enorme autocontrole e de uma enorme reflexão sobre a forma como lido com a comida, é para continuar até ao fim dos meus dias. Por isso é que nenhuma dieta funcionou comigo. Porque eu nunca precisei de uma dieta. Eu precisei, e continuo a precisar, de perceber que, independentemente do que me aconteça, de bom ou de mau, de muito bom ou de péssimo, a comida deve ser, sempre, carta fora do baralho.

Não quero.

Passo os dias a pensar no que quero. No que quero ter. No que quero viver. No que quero ser. Passo o tempo a querer [muito]. A querer ir. A querer estar. A querer ver. Ultimamente, tenho percebido que às vezes não devo querer tanto. Não por ser demasiado ambiciosa, nem por querer mais do que mereço, mas antes por começar a perceber que nem sempre sei o que quero. Porque eu acho que quero, mas sei lá.

Por isso, ando empenhada em estabelecer uma lista mental de coisas, pessoas e vivências que não quero para mim. Sinto que se evitar algumas delas, serei mais feliz. Porque, nalguns casos, menos é mais. Mais saúde. Mais sanidade mental. Mais riqueza pessoal. Mais caráter. Mais amor próprio.

Facto é, que saber o que não quero me dá muita segurança. Permite-me distinguir o que julgo querer, muitas vezes sem certeza, do que não quero de todo. Do que me faz mal ou me magoa, sabendo eu dessas inevitáveis fatalidades e insistindo, mesmo assim. Cega, por uma ou outra razão.

Há quem possa achar que esta negação de quereres me traz o risco de não experenciar uma série de coisas boas. Acho que não. Há cenas que já vi noutros filmes da minha vida, vi vezes demais. Posso, perfeitamente, guardá-las para uma próxima vinda à terra. Poupar-me ao esforço. E ao desgosto.

Portanto, o resumo é este: o que quero? Não sei bem. Ainda estou a descobrir. Talvez nunca venha até a saber. Talvez. O que não quero? Ah, caraças, isso eu sei bastante bem. Até demais. E podem julgar-me à vontade, porque esta armadura rija de ferro levou-me anos de construção. Não há amargura que a destrua. Ela só se abrirá a bem. Doutra forma, não quero.

Mimos dos bons #2

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A Pura tem uma t-shirt Inspira, Perna Fina! para oferecer.
Para se habilitarem a ganhar os produtos têm apenas de:
1.º Colocar um gosto na página de Facebook da Pura;
2.º Preencher este formulário;
3.º Rezar para que sejam os felizes contemplados.

Podem inscrever-se no passatempo até dia 8 de outubro.
Os resultados serão apresentados no dia seguinte, 9 de outubro.
O sorteio será aleatório, com recurso ao site random.org.

Boa sorte, Pernas Finas!

Ser saudável está na moda?

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Parece que ser saudável está na moda, não é? De repente é in comer melhor, treinar mais, ser fit. As redes sociais estão repletas de imagens lindas de pequenos-almoços cheios de granola, de panquecas de aveia, de sumos coloridos. Há milhentas fotos de saladas e 1001 maneiras de comer legumes. Porque ser saudável é o mais fixe que há. Depois vêm os extremismos, de não comer nada que não seja verde, ou bio, ou sugarfree. Gente que parece obcecada com tudo o que come e com tudo o que treina. Podem até odiar aveia, mas comem-na em barda, só porque sim. Porque se deve. Eu gosto de modas, mas gosto mais de perceber o que me torna mais ou menos saudável. Por isso, não me deixo contagiar por fotos impecáveis, se souber que aquilo não é do que preciso, por alguma razão. Ser saudável vem da atenção que damos ao nosso corpo. Da forma como o testamos e entendemos. Não precisamos todos de comer as mesmas coisas, nem que seja porque nem todos gostamos do mesmo. Mas bom, há modas piores. Como deixar crescer os pêlos das axilas, pintá-los e exibi-los. Que ser saudável seja muito mais do que uma moda passageira. Que seja um hábito de todos os dias, até ao fim dos dias [felizes]. Que seja um autoconhecimento que vai muito além do que vimos alguém dizer ou fazer.