(Des)Prevenida

Neste momento, que estou mesmo focada em comer sempre bem e a treinar mais afincadamente, fazer a preparação das minhas refeições ganha mais importância que nunca. Por isso, não posso, jamais, ser apanhado desprevenida. Onde trabalho tenho direito a almoço, mas nem sempre as refeições são aquilo que preciso. Quando me lembro de ver a ementa, decido se levo comida minha ou não. Se não sei mesmo o que é, na dúvida, levo uma marmitinha minha. Ser apanhada desprevenida é que não. Hoje, à falta de melhor, pus uma latinha de atum na lancheira. À fome não morria. Sem chão não ficava. Esta atitude, vai ajudar-me a ir [mais] longe.

Caminhada 10′

Há uma semana que tenho caminhado durante 10 minutos, à hora do almoço. Esta caminhada rápida pode parecer ineficaz, mas tem-se revelado muito querida a vários níveis. As minhas pernas andam cansadas, visto que tenho treinado bastante. Nesse sentido, a caminhada funciona como uma espécie de recuperação ativa, que faz os músculos relaxarem enquanto me movimento. Para além disso, sinto que me ajuda imenso na digestão do almoço, que é a refeição mais pesada que faço. Tenho sentido que o estômago não fica ali tanto a trabalhar em esforço, o que me faz sentir mais leve e bem disposta. Depois, a caminhada, apesar de curta, é mais um acrescento de movimento à minha vida, que me ajuda a queimar calorias, a testar a minha resistência e a velocidade com que retomo à calma and so on, and so on. E dirão que 10 minutos não são nada, mas convido-vos a experimentar. 10 minutos em passo acelerado põem mesmo o coração a bater e pode funcionar como acréscimo a quem já se mexe e como motivação a quem quer mexer, mas, por alguma razão, ainda não ganhou coragem para isso. Assim sendo, desafio todos a experimentar esta intensa caminhada. Põem no cronómetro 5 minutos, caminham até o tempo acabar e depois é só voltar para trás, de volta ao trabalho. Mais fácil que isto é impossível, não é? E não me venham com a treta do tempo. 10 minutos toda a gente tem! ‘bora?

Como é que eu vou fazer?

Como é que eu vou fazer quando for casada e tiver filhos?, perguntaram-me noutro dia. Isto porque falava da minha rotina de treino e de alimentação. Efetivamente, eu não tenho filhos para dar banho e jantar e, por isso, posso dar-me ao luxo de estar no Crossfit ao final do dia. Eu não sou mãe e, confesso, esse chamamento ainda não despertou em mim. Talvez por lidar todos os dias com miúdos e por ter o amor deles de forma incondicional. Não sei. Mas pensando um pouco nisso, a verdade é que não posso antever como é que vou fazer se tiver um filho ou mais. O que sei, é que neste momento organizo a minha vida para que seja assim, exatamente como desejo que seja. Não me faz sentido que seja de outra maneira. Se um dia tiver filhos para dar banho e jantar, logo vejo como vai ser. O que não posso, nem quero, é comprometer o presente com uma ideia futura, que ainda nem desejo (sorry, expetativas da sociedade), que pode ou não vir a acontecer.

Gosto assim.

Gosto das costas largas. Gosto dos braços musculados. Gosto das pernas fortes. Gosto de me sentir mais rápida, ágil e flexível. Gosto de conseguir correr, saltar, fazer flexões e abdominais. Muitas e muitos. E seguidos. Gosto de me esforçar nas elevações, nos pinos. Gosto de saltar para a caixa e até já nem desgosto dos burpees (mais ou menos, vá!). Gosto de dar socos certeiros, secos, que fazem o Luís andar para trás. Gosto de morrer pendurada no TRX, de carregar pesos, de fazer X-Walks até as pernas arderem e eu quase chorar. Não me importo com as nódoas negras, nem com os arranhões, muito menos com os calos das mãos. As dores musculares já fazem parte. Aceito que digam que treino demais, que é um exagero, que agora só penso nisto. Mas quem diz isso é que devia aceitar que agora eu vivo assim, que sou mais feliz assim! Este corpo não me foi dado, foi [é] construído. Não é perfeito. Nunca será, nem eu tenho essa ambição. Mas tenho, do tamanho da minha obstinação, um profundo orgulho na volta que dei à minha vida.

Dama de Copas

Sabiam que mais de 90% das mulheres não usa o sutiã adequado? São os números, são as letras, são os modelos…! É uma canseira! Mas usar um sutiã certo faz toda a diferença na silhueta de uma mulher, tenha pouco ou muito peito. Já contei que operei as minhas meninas, não já? Aos 23 anos, com parte dos ordenados do 1.º ano de trabalho a sério, arranjei as mamas e essa foi uma decisão de que nunca me arrependi. Por isso, fui à Dama de Copas a achar-me expert na matéria disto que é saber escolher o tamanho de sutiã. Enganei-me.

Isto porque a missão da marca é ajudar todas as mulheres na escolha dos sutiãs no tamanho e modelo certos para cada ocasião, através de uma consulta de bra-fitting gratuita. E é tudo muito fancy, diga-se de passagem: a loja é linda e cheirosa. Oferecem café ou chá. Convidam-nos a entrar num provador com uma luz muito simpática e a vestir um roupão de cetim super sexy. Eu senti-me um máximo!

Eu, que achava que vestia um 34C, visto, afinal, um 32DD! Ou seja: tenho as costas estreitas e a mama com alguma profundidade. Uma deusa do Olímpo, portanto. O sutiã que levava vestido, estava demasiado largo nas costas e não apoiava tanto o peito como devia. No aconselhamento enunciaram-me os principais problemas detetados em loja.

Ora atentem: é frequente a banda das costas marcar e subir nas ditas. Ao mesmo tempo, a copa é pequena e cria o efeito de “peito duplo”. A falta de espaço na copa faz com que o peito fique “achatado”, muito junto, colando uma mama à outra, o que provoca transpiração e irritações na pele. Outro problema comum são as alças, que suportam erradamente o peso do peito e o apertam em demasia, sendo estes apenas alguns exemplos.

E por que é que isto acontece? É um mix entre a falta de aconselhamento e a pouca oferta de tamanhos. O aconselhamento só é possível quando uma loja tem ampla oferta de tamanhos: de 28 a 46 de costas e trabalha com todas as copas: A, B, C, D, DD, E, F, FF, G, GG, H, HH, J, JJ e K. Por falta de opções confortáveis e bonitas, algumas mulheres chegam mesmo a deixar de usar sutiãs com aros ou optam por desportivos ou redutores. Estas escolhas não resolvem o problema mas devido à falta de escolha, infelizmente são as soluções mais comuns.

Eu vim toda contentinha com os meus novos sutiãs desportivos e tenho vindo a perceber que salto melhor à corda do que imaginava, vejam só! O que me complexava era ter ali as mamas a abanar. Agora nada salta, está tudo seguro, tipo uma armadura de combate. O peito está estável e apoiado. Juro que tenho sentido muito conforto e menos inibição. Para além disso, são giros, os raios dos sutiãs. Lá mais para o verão será ver-me a treinar só de top. Um mimo!

Posto isto, deixo aqui a minha mais sincera opinião sobre os produtos e o aconselhamento na Dama de Copas: fiquei para cima de surpreendida. Não só pela qualidade dos produtos, como pela loja em si e, não menos importante, muito pelo contrário, pelo atendimento 6 estrelas. As minhas maminhas estão felizes, pelo menos a treinar (ainda tenho de investir no resto). Deixem que as vossas se tornem mais felizes também.

Texto Escrito em Parceria com a Dama de Copas

Resoluções de 2018

No final do ano que acabou de passar, não fiz aquele balanço típico que costumo fazer. Apesar de não ter escrito sobre o ano velho, não deixei de agradecer milhões de vezes à vida por tudo o que 2017 me deu (ou que eu fiz por ter!).

Continuei nesta demanda que é ser a melhor versão de mim e fui bem sucedida. Fiz novas adaptações na minha alimentação, descobri o boxe, abracei novos projetos, fiz viagens muito boas, consolidei amizades, fui feliz. 2017 foi um ano muito bom.

Por isso, tenho algums expectativas para 2018. Não muito altas, que eu já não sou pessoa de cair aos trambolhões (ou sou, esqueçam o que acabaram de ler). As expectativas são isso mesmo: as esperanças que temos relativamente a um tema. As minhas não variam muito de ano para ano, mas vão-se tornando mais exigentes.

Em miúda era muito pedinchona. Pedia muito, a toda a hora. A vida ensinou-me que devo pedir menos e fazer acontecer mais. Nesse sentido, as minhas esperanças em 2018 dependem muito de mim. Vou esforçar-me por que aconteçam algumas coisas, mas as que mais vos dizem respeito, meus leitores mais fofos, prendem-se com os objetivos Perna Finásticos a que me proponho.

Eu não jogo para vitórias pequeninas e, apesar de cada vez mais gostar do meu corpo, e de cada vez menos me comparar com outras miúdas, tenho há uns dias uma fotografia no telemóvel que vejo de vez em quando. É uma boazona do Instagram que tem aquele corpo à custa de boa alimentação e muito treino. É musculada, sem exagero, não é magra demais. É uma brasa e, neste momento, é a minha inspiração.

O que é que eu vou fazer nesse sentido? Pronto, é aqui que começa a doer. 1.° Ser consistente com a minha alimentação, abrindo menos exceções na saída do plano. 2.° Treinar seis vezes por semana. 3.° Beber mais água (mais ou menos 2 litros). 4.° Comer menos vezes fora. 5.° Largar o açúcar de vez. O último tópico, o mais difícil, o mais desafiador, o que mais me atormenta a alma (a este tema me dedicarei brevemente!).

Quero experimentar ser absolutamente consistente durante seis meses e perceber o que acontece. Já escrevi muitas vezes que o peso não me interessa. No mais puro exercício narcisista que podem imaginar, o que quero, mesmo, é ver-me nua e pensar: Chiça, que canhão! Sim, é essa sensação que quero. Não que já não me sinta bem, mas se posso melhorar, porque não?

 

[Não] Aceito

Aceito que digam que gosto das coisas feitas à minha maneira. É verdade. Aceito que digam que tenho dificuldade em disfarçar o desagrado. Também é verdade. Aceito que digam que o meu feitio é duvidoso. Admito-o. Aceito que digam que evito o confronto. Não contesto. Aceito que digam que me falta coragem para declarações bonitas. Sinto vergonha disso. Aceito que digam um sem número de coisas sobre mim. Nunca aceitarei que digam que sou uma pessoa desleal, ingrata, desonesta ou leviana. Se isso acontecer, e eu souber a identidade do ser, é bom que fuja. Ou que se prepare para morrer senão tentar provar que o que diz é verdade.

2

O dia 2 de janeiro sempre foi um dia muito importante para mim. Ou, pelo menos, eu achava que era. Era sempre no dia 2 que eu começava uma nova dieta.

Normalmente, era assim: ia a uma consulta a meados de dezembro. Percebia que estava gorda. Metia-me numa nova dieta. Enfardava por três nos dias que faltavam até acabar o ano e, ao dia 2, começava a nova dieta. E depois: fome, fome, fome e mais fome.

Era sempre isto. Todos os anos. Muitos, muitos anos da minha vida. A dieta funcionava durante uns tempos, eu emagrecia e vacilava uma vez. Vacilar sabia-me bem, apesar do sentimento de culpa. Vacilava mais uma vez. Outra.

Acabava por me borrifar na dieta. Já me sentia mais magra. Estava farta de passar fome. Voltava a pôr açúcar no chá do pequeno-almoço. Voltava a comer arroz e massa como se fosse passar a tarde a laborar no campo. Um exagero pegado.

Engordava tudo outra vez ou mais. Falhava mais uma dieta. Achava, mais uma vez, que não era merecedora de coisas boas. Pensava-me uma fraca, uma inútil, uma idiota gorda e incapaz de cumprir metas.

Hoje é dia 2 e eu não comecei nenhuma dieta. Escrevo este texto enquanto espero que comece mais um treino de Crossfit. O Natal e o Ano Novo mal passaram por mim, alimentarmente falando.

Este dia 2 é diferente de muitos outros da minha vida. É a certeza de que a minha vida mudou muito e para sempre. Acresce o facto de me sentir na minha melhor forma física de sempre e com vontade de melhorar ainda mais.

Que todos os meus dias sejam desta certeza absoluta que é: as dietas não funcionam. Nada é mais importante do que dar ao nosso corpo o que ele mais precisa. Cabe a cada um descobrir as suas necessidades. Foi isso que fiz. Foi isso que mudou. Foi por isso que perdi peso. E nunca mais o recuperei.

4 anos, 4!

Há 4 anos, quando escrevi o primeiro texto deste blogue, a minha intenção era puramente de autoajuda. Eu queria perder peso e achei que se começasse a escrever sobre esse processo, se fosse lida por alguém, o meu comprometimento seria maior e mais forte. Eu queria ser controlada, digamos assim. Estava convencida de que precisava do olhar dos outros para conseguir mudar.

Aos poucos, fui percebendo que os textos que eu escrevia eram lidos por mais gente que não apenas a minha mãe e os meus amigos mais próximos. Comecei a receber emails e mensagens de pessoas, sobretudo mulheres, dizendo que a minha história podia ser a delas, agradecendo por ter a coragem de escrever aquilo que sentiam enquanto maldiziam o seu corpo e tentavam mudá-lo, sem saber como.

Recebo, todos os dias, muito carinho de pessoas que eu não sei quem são, mas que, por alguma razão, gostam de mim e se identificam comigo. Queiram ou não perder peso, continuam por cá, a ler o que escrevo, a ver os meus vídeos tontos, a torcer por mim. Essas são as primeiras pessoas a quem agradeço por estes quatro anos. Eu escrevo para ser lida e não tenho problema nenhum em assumir isso. Quero que me leiam e que gostem de o fazer. Obrigada.

Depois, quero agradecer à minha mãe, que sempre me apelidou de Perna Fina e que nunca imaginou receber encomendas em casa por causa disso. A minha mãe, que tira a maioria das fotografias que tenho no Instagram. A mais paciente, a mais chata, a insubstituível. Ao meu pai, por ter a família que tem, com a alcunha que tem. Sei que há umas tias e umas primas que vibram imenso com este meu orgulho em ser Perna Fina e que me lêem com carinho. Obrigada.

Agradeço, também, aos meus amigos sinceros. Àqueles que estão comigo, faça eu o que fizer, que me aceitam com todas as minhas imperfeições, que me tiram fotografias (muitas!), pacientemente. Obrigada. Ao Luís, o meu querido treinador, que se tornou numa das pessoas em quem mais confio na vida. A ele agradeço o facto de nunca ter olhado para mim como incapaz, por ter antes olhado para mim como uma atleta em potência. Devo-lhe muito. Obrigada.

Por fim, agradeço a todos os que estão à espera que eu falhe e que volte a ser gorda outra vez. A um em especial, que eu sei que, lá no fundo, bem no fundindo, não aguenta que eu mantenha este projeto vivo e que, ao contrário do que previu, eu tenha mesmo conseguido emagrecer. Eu tenha mesmo conseguido emancipar-me. Eu tenha mesmo conseguido ser aquilo que sempre disse que eu não seria. A si e a todos os que duvidaram (e ainda duvidam!), obrigada.

Foi neste blogue que expus as minhas dificuldades em lidar com a comida, o desastre que sempre fui em todo e qualquer desporto, os meus complexos, as minhas angústias. As minhas vitórias, que foram crescendo, à medida que os incentivos não paravam de chegar, de todos os pontos do país, confirmando que o que estava a fazer já não era só por mim, mas por todos aqueles que, tal como eu, queriam perder peso e mudar de vida.

Nas páginas deste diário público, declarei o meu amor ao Crossfit, falei das consultas de reeducação alimentar, mostrei gostos e desgostos, fui eu, crua, nem sempre feliz, mas sempre autêntica. Abri guerra às dietas, anunciei o fim do consumo de produtos com lactose, apresentei os argumentos contra o glúten, percebi que queria aprender a lutar e pus-me de joelhos aos pés do boxe, colaborei com marcas que gosto.

A Perna Fina assenta na ideia de que podemos ser tudo o que quisermos, se lutarmos por isso. Ser Perna Fina é ser esforçado, teimoso, obstinado, criativo, resiliente. É ter mau feitio, é ser-se chato, é querer e fazer mais e, se possível, melhor. Por isso, na Perna Fina, cabem todos os que forem do lado bom da força. Cabem os outros, também. Cabem todos, na verdade.

Estes foram os melhores quatro anos da minha vida. Foram os anos em que cresci mais, em que me diverti mais, em que trabalhei e treinei mais. Foram os anos em que me tornei na melhor versão de mim, mesmo que esta não seja a versão preferida de toda a gente. É a minha, que, em última análise, é a quem mais interessa. Da minha parte, posso apenas prometer em manter viva a chama, da forma mais entusiasmante e original que conseguir. Obrigada.

Feliz Natal, Pernas Finas!

Que este dia tenha sido tudo aquilo que quisessem que fosse. Seja estar junto de quem mais gostam, seja comer umas coisas boas, seja ter feito as pazes com alguém, seja ter continuado zangado por alguma razão. Seja p’lo que tiver sido. O mais importante é que cada um tenha encontrado paz no coração, que, no final, é tudo o que se precisa para continuar.

Não tenho a certeza se não acho a pose da fotografia ridícula. Não tenho a certeza!