Mudança

Eu tenho um sentimento pouco claro no que à mudança diz respeito. O que é um pouco tonto, dada a revolução que fiz na minha vida, mas refiro-me a mudanças mais internas, quase de caráter. Por muito que gostássemos, por diversas razões, que alguém mudasse, ansiar isso é só uma perda de tempo. Para não dizer estúpido.

E perdoem-me se perdi a fé num sem número de pessoas, mas a minha vida ainda não me permitiu o contrário. Uma pessoa desligada, será sempre uma pessoa desligada. Um traidor, será sempre um traidor. Um forreta, será sempre um forreta. Um mau intencionado, terá sempre intenções duvidosas. Sempre. Mesmo que desejemos com todas as forças que assim não seja.

Mas é. E, também, que direito temos nós de exigir o contrário? Cada um é como é, verdade? Agora, a escolha de permitir que essas pessoas continuem nas nossas vidas é exclusivamente nossa. Se é fácil mandá-las embora? É uma merda. Às vezes temos de ser nós a sair de cena, não há outra solução.

Outras vezes permanecemos lá, mesmo que nos sintamos a corromper a alma, numa dor quase física. Porque estamos habituados àquilo. Porque não sabemos se o que está do outro lado é menos mau. Porque temos medo. Porque estamos acomodados. Porque (achamos que) gostamos um bocadinho. Porque. Porque. Porque.

Eu, que mudei muito, sou pouco crente na mudança… Talvez esteja apenas a ser incapaz de explicar isto melhor por palavras. A essência de cada um é inalterável, diria eu, é estrutural. Não está errada, nem tem de mudar. Até porque isso não vai acontecer. Nunca. Ainda que, por vezes, seja essa essência, ou a falta dela, que nos faz querer partir (ou ficar).

OLX

Eu adoro pechinchas. Adoro! E também gosto muito de poder ter a liberdade de vender e comprar coisas sem ter de me preocupar muito. A nova app da OLX permite-me isso: uma pesquisa filtrada, que me ajuda a encontrar rapidamente o que preciso, com valores muito competitivos. A categoria de desporto é a que mais utilizo, porque é a que mais me interessa no meu dia a dia.

Andava à procura de umas luvas novas para o Muay Thai e só encontrava modelos caríssimos. Foi no OLX que encontrei as minhas novas amigas da pancada a um valor impossível de encontrar em loja. O OLX conta com mais de 80 000 artigos, de diferentes áreas do desporto. Lá encontram tudo o que podem imaginar. Até mais.

Encontram, também, a oportunidade de se livrarem de coisas que já não precisam e que merecem uma nova oportunidade. Foi assim que vendi a minha bicicleta impecável, arrumada na garagem dos meus pais há séculos. Com tanto Crossfit e luta, não tenho tempo para pedalar. Lá foi ela, toda contente, para o irmão mais velho de uma família amorosa!

O maior problema tem sido saber parar. Fazer compras e vendas à distância dum clique tem-me ocupado mais tempo do que gostaria. Mas bom, deixem-me lá usufruir das maravilhas do novo mundo, sim?

Texto escrito em parceria com o OLX

Pernas Finas Pelo Mundo #2

A Jennifer Hudson canta muito. Lembro-me da primeira vez que a vi, no American Idol, a cantar de forma inexplicável uma música de Aretha Franklin. Aquilo foi qualquer coisa. No programa apresentava uma figura dita normal, mas cedo se começou a falar dos seus problemas com o peso. Sobretudo, depois de ter sido mãe. Jennifer assumiu que Hollywood adorava a sua voz, mas que, por estar gorda, não tinha acesso a tanto destaque como na verdade merecia.

Nos Estados Unidos existem grupos de pessoas que se reúnem com o objetivo de perder peso em conjunto. Partilham receitas e dicas de exercício. Algumas figuras públicas dão a cara por estes grupos, uma vez que é mais do que sabido que os americanos enfrentam o excesso de peso como ninguém. Jennifer entrou para um destes grupos e não perdeu a oportunidade de relatar o seu processo desde então.

Perdeu muito, muito peso, mas recusa-se a dizer quanto. Eu percebo-a. Às tantas um número é só um número. Sempre que digo a alguém que perdi muito peso, a pergunta que chega 2 segundos depois é: quanto? Faz parte. Somos bichos de números, mas acho que a Jenniferzinha faz bem em manter este mistério por cima da sua cabeça. É pena que só depois de se ter tornado uma brasa, tenham reparado verdadeiramente na sua voz, que é estrondo. Vai, Jenny!

Coisas que me tiram do sério #11

Desgraçadinhos. Seres que estão sempre mal, que sofrem mais do que os outros, que trabalham mais e têm mais chatices na vida. Eu não posso com desgraçadinhos. Porque estão sempre infelizes, a curtir a fossa. E se lhes dizemos: hoje estou mesmo cansada. A resposta é logo: então e eu? Porra, eu lá quero comparar cansaços? Cada um tem o seu. Os desgraçadinhos são pessoas que acham que gerem lindamente o seu tempo, mas, na realidade, desperdiçam-no. Depois andam sempre a lamentar o que não fizeram, o que não viram, com quem não estiveram. Privam-se de vivências por uma ou outra razão, que podia ser resolvida facilmente. Nunca podem. Nunca estão. Têm muito para fazer. Sempre. A vida passa-lhes ao lado, cheios de desculpas. Sobra-lhes o autoengano.

Deus me perdoe se nisto peco #3

Deus me perdoe se nisto peco, mas eu não bebo leite. Em miúda, esta questão do leite era um verdadeiro sarilho: quem é que não bebia leite? Ainda me lembro do sabor, das natas que se criavam em cima, quando estava quente. Um nojo! Para mim, sempre foi um blheck gigante, mas a minha mãe borrifava-se no que eu dizia e obrigava-me a beber leite. Anos a fio.

Cresci com campanhas a apoiar o consumo de leite, que fazia bem aos ossos e quê, mas nada me convencia de que aquilo fazia bem a alguma coisa. Mais, eu morria de azia. Houve até uma altura em que perdi a voz, porque o refluxo gástrico era tanto que me estava a queimar as cordas vocais, literalmente. O leite era a principal causa. Eu nunca supus que isto fosse sério ao ponto de inúmeros problemas na minha vida se relacionarem com este alimento.

Até chegar aos 28 anos e constatar que tenho intolerância à lactose. Não fiz nenhum teste de alergia, mas testei-me à seria. Fiquei um mês sem tocar em lacticínios e depois comi um iogurte, só para ter a certeza. Achei que ia morrer, a desfazer-me em diarreia. Foi tudo o que precisei para cortar com esta história, que me atormentava há séculos. O acne também passou. Eu que me enchia de hormonas há mais de uma década para não ter borbulhas…

A bem da verdade, quase não consumo lacticínios. Não sou extremista, de vez em quando como gelados e queijo, que eu adoro. Iogurtes, só sem lactose ou vegetais. Leite? Leite nunca mais. Até porque tenho lido muito acerca desta temática, sobre o que é efetivamente o leite e a minha aversão à cena não pára de crescer. Gosto daquela ideia: a vaca é tua mãe? Então não bebas o leite dela!

Somos o único mamífero que bebe leite em idade adulta, doutro animal. Blheck. Blheck. Blheck. Ao longo deste processo, tenho provado muitas bebidas vegetais. As minhas favoritas são as de arroz e côco. Nem todas as marcas me satisfazem, mas encontrei uma ou duas que gosto muito. Percebo que esta ideia de não beber leite choque alguns puritanos da alimentação, mas eu sinto na pele os efeitos de não o beber. Teorias à parte, é tudo o que me interessa é retirar benefícios dos alimentos. Não o contrário.

Viciada em treinar

Eu estou viciada em treinar. Para as pessoas que me lêem, esta não será uma afirmação estranha, mas eu não imagino a reacção dos meus colegas da escola, por exemplo (considerando que lêem o blogue, claro!). É porque eu era aquela pessoa que tinha sempre negativa a educação física, incapaz de dar duas voltas ao campo de futebol, em passo de corrida.

Eu tinha a história 13 vezes por mês, só para poder não fazer a aula. Eu arranjava maleitas, que me impedissem de mexer. Eu era essa pessoa. Aquela que era sempre a última a ser escolhida para as equipas, que acabava por ficar para último, na equipa que tinha mesmo de me aceitar por não ter alternativa.

Portanto, passei desta pessoa imóvel a alguém que sente necessidade de treinar… Por isso, aqui estou eu para vos escrever acerca desta metamorfose espetacular que se deu em mim. Porque é mesmo verdade: eu estou viciada no treino. Dizia no outro dia ao meu treinador que há uma qualquer cena dentro de mim, que me leva a querer treinar.

É uma sensação boa, uma espécie de formigueiro, não sei bem. Só sei que o treino diário passou a ser uma prioridade gigante na minha vida e que me organizo ao minuto para poder ser consistente nisso. Não estou com isto a querer dizer que passei a gostar de burpees, por exemplo.

Não adoro tudo o que faço nos treinos, mas os movimentos passaram a ser um pormenor. Eu quero (preciso!) é de ir, de fazer, de me sentir a melhorar. Preciso daquela sensação boa, no final, de dever cumprido. Houve um tempo em que me obriguei a treinar para ter saldo para comer. Agora também já não é isso. Eu treino porque quero, porque gosto, porque me sinto melhor assim. E enquanto eu puder, assim será.

Dizem que… #3

Dizem que eu passo fome, para me manter assim, e é um bocadinho verdade. Eu adorava poder escrever que já como tudo o que me apetece, sem ter de me preocupar com isso, mas não é verdade. Não é, nem nunca vai ser. Para perder peso é preciso abrir mão de uma série de coisas boas e não há volta nenhuma a dar neste campo. Não há, nem nunca vai haver. É impossível alguém perder peso a comer tudo o que lhe apetece, isso não é real, não é humano. Eu sei que existem pessoas que perdem peso se comerem menos massa do que o costume, só porque sim. Eu sei que esse tipo de pessoas habitam neste mundo e eu odeio-as, mas tirando esse género de gente, ou bem que se come limpo ou nada feito. Por isso, sim: eu passo fome. Fome de coisas boas. Fome de coisas que me alimentam a alma, mas me aumentam a barriga, os braços e as pernas. Fome de gelados, de chocolates, de pizas, de massas, de pão, de batatas fritas. Fome de enchidos, de queijos, de petiscos, de cachorros, de bolos, de tartes. Eu passo fome disto tudo. Como às vezes, não tantas como gostaria, mas a minha vida passou a ser isto. Tenho vindo a descobrir que sou muito mais feliz a passar fome e a ter uma cintura fina, do que a comer, trazendo uma bóia à cintura. Por isso, continuo faminta e nem por um segundo me arrependo da decisão que tomei.

A fotografia é de hoje e eu gosto muito dela. Ninguém diz que passo fome, pois não?

Batata doce assada

Eu podia alimentar-me só de batata doce. Não é só por ser dita como mais saudável, relativamente à batata normal, é porque gosto mesmo da consistência, do sabor. A laranja é a minha variedade favorita, mas não digo que não à amarela ou à roxa. Estas batatas vão bem com carne ou peixe e são fáceis, fáceis de fazer.

Ingredientes (para duas pessoas):
– 3 a 5 batatas doces;
– sal marinho, pimenta e tomilho;
– azeite.

Modo de preparação:
1.º Aquecer o forno a 200º;
2.º Lavar muito bem as batatas e cortar em rodelas finas;
3.º Forrar um tabuleiro com papel de alumínio e espalhar as batatas, sem as sobrepor;
4.º A gosto, temperar com sal, pimenta, tomilho e um fio de azeite generoso;
5.º Envolver as batatas nos temperos e tapar com outra folha de alumínio, de modo a que as batatas fiquem fechadas numa espécie de envelope;
6.º Levar ao forno entre 15 a 20 minutos.

Às vezes, se quiser que pareçam fritas, retiro a parte de cima do envelope e deixo-as ficar no forno, já desligado, com a porta entreaberta. Ficam super estaladiças! Estou a salivar só de escrever a receita. Para mim, um dos melhores acompanhamentos de sempre. Mesmo.

Inspira-te, Perna Fina #8

Sempre achei esta atriz muito gira, mas desde que a sigo no Instagram que a acho uma verdadeira inspiração. Mudou radicalmente a sua alimentação e escreve, várias vezes, sobre os benefícios que essas mudanças trouxeram para a sua vida, nomeadamente à pele e ao cabelo. Treina muito também. Gosto das stories, que dão várias dicas de pequenos-almoços, por exemplo, e das fotografias, cheias de bom gosto. Acho que vale a pena seguir a Catarina Gouveia, mesmo.

Isto de ser forte

A semana passada, quando estive a recuperar da minha lesão e escrevi sobre a vontade louca de devorar meio mundo, recebi muitas mensagens a dizer que eu era forte e que seria capaz de ultrapassar calmamente a situação, sem comer.

Já estou muito melhor, já voltei aos treinos e sinto que já recuperei (quase) na totalidade. Vivi este acontecimento da minha vida com a maior naturalidade que me foi possível, até porque não foi o fim do mundo, mas terei sido assim tão forte?

Forte no sentido em que quem me lê espera que eu seja. Eu comi muito naqueles dias em que estive em casa. Talvez a quantidade não tenha sido significativa, mas a qualidade sim. Comi muito gelado, piza, pão, sushi e mais uma quantidade de coisas que agora me escapam.

Comi e não sinto que tenha sido fraca por causa disso. Acho que é importante escrever o seguinte: o que me fazia fracassar em todas as dietas, antigamente, não era o facto de fraquejar de vez em quando, era a incapacidade que tinha de parar.

Ao dia de hoje, eu sei parar. Eu sei perceber que ainda como porque estou triste, mas não deixo que esse comportamento perdure no tempo. Assim que voltei à minha rotina, voltei à minha comida de todos os dias, voltei aos treinos. Pus um ponto final na cena.

É por isso que me considero cada vez mais forte: porque aceito que às vezes a comida ainda me dá conforto e porque, com a mesma intensidade, sei reconhecer que uns dias de comida de plástico não me definem como pessoa e, por isso mesmo, volto rapidamente ao que quero que seja a minha vida, sem desculpas.

Já escrevi algumas vezes sobre a importância de recomeçar todos os dias. A consistência é tudo na vida: no trabalho, no treino, no amor, na capacidade de superação, em tudo. Não preciso de ser forte sempre, mas preciso de ser muito, muito forte algumas vezes.

O meu esforço é exatamente nesse sentido: fazer com que os momentos de força sejam de tal forma intensos que me permitam atingir os meus objetivos, mesmo sabendo que, por vezes, ainda me tenha de agarrar a um saco de gomas… Não é isso que me define. Já foi. Agora não é.