
Dizem que eu passo fome, para me manter assim, e é um bocadinho verdade. Eu adorava poder escrever que já como tudo o que me apetece, sem ter de me preocupar com isso, mas não é verdade. Não é, nem nunca vai ser. Para perder peso é preciso abrir mão de uma série de coisas boas e não há volta nenhuma a dar neste campo. Não há, nem nunca vai haver. É impossível alguém perder peso a comer tudo o que lhe apetece, isso não é real, não é humano. Eu sei que existem pessoas que perdem peso se comerem menos massa do que o costume, só porque sim. Eu sei que esse tipo de pessoas habitam neste mundo e eu odeio-as, mas tirando esse género de gente, ou bem que se come limpo ou nada feito. Por isso, sim: eu passo fome. Fome de coisas boas. Fome de coisas que me alimentam a alma, mas me aumentam a barriga, os braços e as pernas. Fome de gelados, de chocolates, de pizas, de massas, de pão, de batatas fritas. Fome de enchidos, de queijos, de petiscos, de cachorros, de bolos, de tartes. Eu passo fome disto tudo. Como às vezes, não tantas como gostaria, mas a minha vida passou a ser isto. Tenho vindo a descobrir que sou muito mais feliz a passar fome e a ter uma cintura fina, do que a comer, trazendo uma bóia à cintura. Por isso, continuo faminta e nem por um segundo me arrependo da decisão que tomei.
A fotografia é de hoje e eu gosto muito dela. Ninguém diz que passo fome, pois não?

Sempre achei esta atriz muito gira, mas desde que a sigo no Instagram que a acho uma verdadeira inspiração. Mudou radicalmente a sua alimentação e escreve, várias vezes, sobre os benefícios que essas mudanças trouxeram para a sua vida, nomeadamente à pele e ao cabelo. Treina muito também. Gosto das stories, que dão várias dicas de pequenos-almoços, por exemplo, e das fotografias, cheias de bom gosto. Acho que vale a pena seguir a 


Ainda bem mesmo, que sabem lá o que eu enfardei nestes dias que fiquei a cortar os pulsos em casa. Sabem lá! Por isso, ainda bem que já não tenho balança. É que amanhã vai cair-me a ficha e era menina para me passar a pesar de manhã e à noite. Era era. E era menina para ter engordado assim um quilinho, para desdizer a minha vida e começar a passar uma fome de cão durante dias, para depois voltar a devorar tudo outra vez, no fim de semana. Eu era assim, mas já não sou. Comi, está comido. Isso é um assunto arrumado na minha cabeça. Comi porque estive em casa a passar-me. Era razão para isso? Não era, mas foi. Por isso, agora, é tempo de voltar à minha comida de todos os dias, aos treinos (ainda só com um pé) e à esperança de que tudo volte ao normal, sabendo que os próximos dias serão de ressaca alimentar. Azar o meu. Ninguém disse que isto era fácil, ninguém disse, mas também, quem diz que é impossível está a mentir.
Dizem que o Crossfit é perigoso. Estão sempre a dizer-me isso e eu já não os posso ouvir. Aliás, já perdi a conta da quantidade de vezes que me disseram que torci o pé por causa do Crossfit. Efetivamente, eu estava dentro da box, mas eu torci o pé porque caí da bicicleta, ou seja, não torci o pé a fazer nenhum movimento típico de Crossfit. Até podia ter sido, mas não foi. Porque os pés se torcem em variadíssimas situações, que fogem a este demónio que é o Crossfit: num passeio com pedras irregulares, a descer escadas, com saltos, a descer do carro, a pendurar um quadro em casa, a dançar, a correr, a dar beijinhos na boca, a estender a roupa, a sei lá. Só sei que não vale a pena pôr as culpas todas das coisas más da vida nesta modalidade, porque isso é só estúpido. A acontecer o fim do mundo, a culpa será do Crossfit? Tenham juízo e, a menos que já lá tenham ido bater com os costados, guardem a vossa opinião dentro da boca. Ou engulam-na, que vão ver a azia com que ficam. E não é porque o Crossfit faz mal. É porque o vosso julgamento, sem conhecimento de causa, é absolutamente indigesto.
Estou em casa, deitada, agarrada ao computador, à espera que a entorse que fiz na terça-feira me deixe voltar ao trabalho e aos treinos. Isto é uma valente seca: respondo aos e-mails de trabalho, faço uns materiais para os miúdos, vejo vídeos no youtube e penso em comer. Na verdade, mesmo quando estou a fazer outras as outras coisas que escrevi, eu estou a pensar em comer. Porque estou aborrecida. PRO-FUN-DA-MEN-TE aborrecida! Tenho comido só coisas que fazem parte da minha alimentação de todos os dias, mas na minha cabeça só passam chocolates, sushi, pizas, merdas sem fim. É que se dou asas a estes meus apetites, deitada todo o dia, viro um pequeno cachalote num abrir e fechar de olhos. Passa, entorse, passa depressa ou este blogue tem os dias contados.