Categoria: Diário

A minha mãe

A minha mãe é obcecada com as limpezas.
A minha mãe preocupa-se demais.
A minha mãe, às vezes, é um pouco ingénua.
A minha mãe faz tudo para agradar os outros (e às vezes esquece-se dela).
A minha mãe perde facilmente a calma (sobretudo com o meu pai. É compreensível!).
A minha mãe demora anos a sair de casa.
A minha mãe adora camisolas às riscas e camisas brancas.
A minha mãe gosta de arrumar as camisolas por cores.
A minha mãe adora animais e trata-os como ninguém.
A minha mãe desconfia de pessoas que não tratam bem animais.
A minha mãe come tabletes de chocolate inteiras (e gaba-se disso).
A minha mãe é bonita.
A minha mãe dá bons conselhos.
A minha mãe consegue perceber rapidamente o caráter de um pessoa.
A minha mãe é muito generosa.
A minha mãe comove-se facilmente (então se ouvir crianças a cantar…).
A minha mãe gosta de produtos de boa qualidade.
A minha mãe tem bom gosto.
A minha mãe é amiga do seu amigo.
A minha mãe é súbtil.
A minha mãe é uma empolgada benfiquista.
A minha mãe faz o melhor bacalhau à narcisa do mundo (tenho saudades!).
A minha mãe coleciona peças da Pandora.
A minha mãe diz que um dia vai ganhar o Euromilhões.
A minha mãe adora ser mãe.

E todos os que acham que a sua mãe é a melhor do mundo, desenganem-se: a minha mãe é que é a melhor do MUNDO.

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25 e o meu vestido azul

No dia em que fiz 25 anos estreei um vestido azul e depois desse dia guardei-o no roupeiro até hoje. Guardei-o sem voltar a vesti-lo porque deixou de me servir. Tentei enfiá-lo uma ou duas vezes, em diferentes ocasiões, mas nunca mais lhe consegui apertar o fecho. Ao longo destes quase 3 anos, quando me sentia mais desanimada com a minha imagem, revia as fotografias desse dia e desejava voltar a ter aquele aspeto e vestir o meu vestido azul.

Hoje, dia 25 de abril, olhei para o vestido pendurado no armário e num ataque doido de esperança e liberdade de espírito, peguei-lhe e vesti-o. E ele serviu-me na perfeição. Na perfeição. Ser livre é ter a oportunidade de fazer escolhas. E a escolha de perder peso dá-me a possibilidade de fazer outras inúmeras escolhas. Hoje fui livre, senti-me livre, e o dia não podia ser o mais indicado. Não que o facto de me sentir livre por vestir um vestido que não me servia há muito tempo seja comparável à liberdade de uma nação. Mas eu acredito que, por vezes, a liberdade mais difícil de conquistar mora dentro de nós.

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Os verdadeiros Pernas Finas

Páscoa é sinónimo de visita à família dos Pernas Finas, os verdadeiros. Avós, tios e primos, há de tudo.

Há também comida da boa: broa com nozes, bolos de castanha e mel, cabrito e batatas de comer e chorar por mais.

Dias não são dias e os verdadeiros Pernas Finas, ao contrário de mim, nunca dizem que não a um belo banquete.

Venham eles, todos eles.

Asneiras

Há cerca de 5 anos fiz uma dieta muito restritiva. Durante semanas pouco mais comi do que carne e derivados, peixe, legumes e gelatina. Aos poucos, fui introduzindo a fruta. Semanas mais tarde, já com muito peso perdido, pude voltar aos hidratos (que eu tanto adoro.). Foi aí que comecei a perder o pé.

Ao longo destas semanas, tinha sempre ordem de soltura durante 1 dia por semana – o dia da asneira. Nesse dia, absolutamente faminta, comia mais do que durante toda a semana. Muitas vezes sentia-me mal disposta. O meu corpo estranhava o meu comportamento.”Eu mereço comer isto! Eu portei-me bem a semana toda.” Era o meu pensamento.

Hoje vejo as coisas de maneira diferente. Não acho necessário fazer uma dieta restritiva para perder peso. Muito menos acho preciso existir na minha vida um dia da asneira. Quantos dias de asneira seguidos já existiram na minha vida? Se usar o meu saldo uma vez por semana, julgo que os dias me chegam até à morte.

Por outro lado penso: o que é que eu mereço realmente? Uma recompensa alimentar por passar a semana inteira cheia de fome? Ãh??? As dietas restritivas não funcionam comigo (nem sei se a longo prazo funcionarão com alguém). Eu não aguento sentir fome, não aguento. E depois, recompensar-me com algo que me faz mal? Com algo que eu comia quando a minha educação alimentar estava pelas horas da morte? Isto não está tudo ao contrário do que é razoável?

Quero saber comer e recompensar o meu corpo todos os dias. Quero recompensá-lo por anos de alheiras, batatas fritas, gelados, gomas e aperitivos de queijo. Quero livrá-lo dos cachorros, da comida chinesa, do Mc Donald’s. Quero não ter azia. Quero não me sentir enfartada. Quero não me sentir apertada nas calças que trago vestidas. Quero dar-lhe proteína da boa, a maior variedade de legumes e frutas possível.

Comer asneiras como recompensa? A maior recompensa é sentir-me saudável (pode soar a cliché, mas no meu caso é bem verdade!)

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“Comer porcaria não é uma recompensa. É um castigo.”

“Foi em vão, tudo foi em vão…”?

Escrevi nos posts mais recentes que o último mês de Perna Fina foi um desastre! No meio de outros assuntos, comi mal e praticamente não me exercitei. Confesso que não me pus em cima da balança, mas sinto na roupa que o meu corpo está diferente. E não é para melhor.

Por isso, achei que estava na hora de voltar a levar os meus desejos/planos a sério porque, analisando o calendário, falta muito pouco para pôr as “carnes” ao léu e eu tenciono estar o mais enxuta possível! (Adoro esta expressão. Aprendi-a com a minha querida amiga Ivete Sangalo.)

Portanto, está na hora de voltar a planear corretamente os exercícios que me permitem aumentar a resistência e a força do meu corpo, bem como as minhas refeições e os meus snacks diários.

O meu pai vai continuar a treinar-me nas corridas. O Sr. Perna Fina PROMETEU que me vai treinar nos exercícios de força. Foram ambos atletas, hão-de saber mais disto que eu! Vou andar com os dois homens da minha vida às costas, literalmente. A parte dos exercícios está assegurada.

A outra parte, a mais difícil, depende de mim. Tenho de ser capaz de resistir às tentações que abundam à minha volta… Tenho de comer bem, equilibradamente. Posso treinar o dia inteiro, se não comer o que devo “tudo foi em vão, tudo foi em vão…” (como diria o Anselmo Ralph).

Ninguém disse que ia ser fácil.

(Aprender a) Ser feliz

Não sou permanentemente feliz. Não sei se alguém o é. Duvido-o!
Eu sou muitas vezes feliz, tal como me sinto muitas vezes triste.
Neste Dia Internacional da Felicidade deixo-vos este texto, que me fez pensar nas minhas alegrias.

“Posso ter defeitos, viver ansioso e ficar irritado algumas vezes, mas não esqueço de que minha vida é a maior empresa do mundo e que posso evitar que ela vá à falência.
Ser feliz é reconhecer que vale a pena viver, apesar de todos os desafios, incompreensões e períodos de crise.
Ser feliz é deixar de ser vítima dos problemas e se tornar autor da própria história.
É atravessar desertos fora de si, mas ser capaz de encontrar um oásis no recôndito da sua alma.
É agradecer a Deus a cada manhã pelo milagre da vida.
Ser feliz é não ter medo dos próprios sentimentos.
É saber falar de si mesmo.
É ter coragem para ouvir um “não”.
É ter segurança para receber uma crítica, mesmo que injusta”, Augusto Cury.

O meu pai

O meu pai é bruto, refilão e fala muito alto.
O meu pai é de ideias fixas e não gosta de ser contrariado.
O meu pai é pouco compreensivo e tem dificuldade em ouvir os outros.
O meu pai passa a vida a falar de futebol e horas a ver séries que deixa a gravar na box.
O meu pai é o homem mais trabalhador que conheço.
O meu pai adora o Benfica.
O meu pai tem a capacidade de comer e beber como se “não houvesse amanhã”.
O meu pai é capaz de vender ou comprar o que quer que seja e consegue sempre o melhor preço.
O meu pai sabe orientar o dinheiro da família como ninguém.
O meu pai gosta de fazer surpresas com telemóveis, carros e janelas para fechar varandas.
O meu pai é o meu novo treinador de corrida e dá cabo de mim a cada treino.
O meu pai (às vezes) é uma pequena grande besta, mas também tem a sua graça.
O meu pai é meu, incondicionalmente, e isso é o mais importante.

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Dúvidas existenciais #1

Por que é que quanto menos comemos menos vontade temos de comer? Por que é que quanto mais corremos mais vontade temos de correr? Estive anos no “lado errado” da vida.

 

Correr para ver (e ser vista)

O bom de correr na rua, para além de todos os benefícios evidentes, é que vemos gente. Eu adoro ver gente. Adoro observar gente. Podia passar horas nisso. Quando corro, observo como posso. Troco olhares com pessoas que nunca vi e com quem nunca falei e nalgumas vejo admiração. Sorrio por dentro. Acontece também encontrar pessoas que conheço. Nunca páro para lhes falar. Não posso parar. Nestes contactos com gente, que me olha e para quem olho, sinto-me crescer. A cada corrida sinto que a Joana dos tempos de escola está quase a desaparecer de dentro de mim.

A Joana dos tempos de escola tinha todas as doenças do mundo nos dias de educação física.
A Joana dos tempos de escola nunca foi atlética. Nunca fez um pino, uma roda.
A Joana dos tempos de escola era sempre a última escolha no momento de fazer as equipas. Nunca marcou um golo, nunca defendeu nenhum.
A Joana dos tempos de escola foi gozada e humilhada por colegas (como é normal?!) e por uma ou outra (maldita) professora de educação física.
A Joana dos tempos de escola sempre foi a gorda e morria de vergonha que a vissem a mexer-se mais do que era previsto.

Hoje quero mais é que me vejam, que me olhem. Correr na rua, muito mais do que correr numa passadeira num ginásio, dá-me a possibilidade de ver e de ser vista. Sem complexos, sem traumas. Com atitude, com confiança e com vontade de ser melhor. Porque mereço e porque quero.

O que é feito do desafio dos 28 dias?

Devem estar a pensar: “Aquela Perna Fina desapareceu do mapa e deixou de nos dar conta das corridas!”. A segunda parte é bem verdade. Desculpada?

Terminaram os 28 dias de fevereiro e eu concretizei o treino de corrida 14 vezes. Exatamente metade da vezes a que me propus. Podia dar-vos mil razões para não o ter feito nos outros 14 dias, como ter estado constipada, doer-me o joelho direito porque bati com ele, ter chegado a casa estafada… Em vez disso, vou dizer-vos que este mês foi muito importante para mim, mesmo que não tenha conseguido correr os 28 dias seguidos. Nos 14 treinos que concretizei, enfrentei medos e venci obstáculos. Superei o desafio de correr toda a subida e senti-me invencível. O meu corpo ficou mais forte e julgo que a minha cabeça também.

Não cumpri o desafio, mas vou continuar a correr. Ganhei-lhe o gosto e hoje em dia dou por mim tão interessada num bonito vestido, como nuns belos ténis de corrida. Creio que a vida é isto: avanços, recuos, ganhos e perdas (tentando ganhar o maior número de vezes, claro). Agora, para além de correr, estou a pensar seriamente em incluir na minha rotina de treino exercícios de força: agachamentos, abdominais, flexões… Vou tratar de procurar exercícios que se adequem aos meus objetivos e depois conto-vos tudo. Prometo.