Categoria: Diário

As minhas Levi’s pretas

Comprei-as há imensos anos, num outlet, ao preço da chuva. Naquela altura tinha feito uma grande dieta e as calças assentavam-me perfeitamente. Passei anos sem as vestir. Há uns meses voltei a vesti-las e foi uma alegria gigante. Usei-as imenso e senti-me uma bomba sempre que as vesti. Hoje talvez tenha sido a última vez que as usei. Já me estão demasiado largas e já não me ficam bem. Sou incapaz de as pôr no lixo ou de as dar. Sinto carinho por elas, sei lá. Vou procurar outras, iguais ou parecidas, mas mais pequenas. Para umas pernas mais finas, como as minhas.

Até sempre, McDonald’s!

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Sempre gostei muito de McDonald’s. Devo ter comido aqueles hambúrgueres milhares de vezes. Hoje em dia, não sei bem porquê, nem o cheiro consigo suportar. Acho que este meu luto com a famosa loja de hambúrgueres se deu quando saíram umas notícias sobre a qualidade da carne, que na verdade não era bem carne. Nunca mais me soube bem, por não saber bem o que estava a comer. Ou, então, o meu palato já não suporte tanto plástico, talvez seja isso. Porque antigamente ir ao McDonald’s era uma satisfação. Todo o meu corpo vibrava com as batatas fritas cheias de sal, com o hambúrguer a escorrer molho e, ainda mais, com o gelado mergulhado em caramelo quente. Já nada disso me apetece. A sério. Aquela comida, que na realidade não é bem comida, já não me diz nada. E eu acho que este indicador mostra uma profunda mudança em mim, naquilo que como e naquilo que gosto de comer. Acho que, tão depressa, esta cadeia de hambúrgueres não voltará a ganhar um tostão à minha conta. Eu bem sei que não lhes fará diferença nenhuma, mas para mim, e para o meu corpo, será uma diferença fundamental.

Queridos Pernas Finas

É com grande pesar que admito que falhei na promessa dos 15 dias sem açúcar. Mas a culpa não foi minha, não, a culpa foi do bolo de aniversário duma aluna minha. Vou contar-vos como tudo aconteceu para perceberem como fui levada a quebrar a promessa, fui quase obrigada a fazê-lo.

Às 8:30 da manhã, como todos os dias, fui buscar os meus alunos para começarmos a trabalhar. Quando reparei, uma das minhas alunas envergava uma grande caixa branca, como se de uma armadilha se tratasse. Lá dentro vinha o seu bolo de aniversário.

Eu comecei logo a pensar na promessa e a dizer para mim mesma: não vais comer, não vais comer, não vais comer. Chegou a hora de cantar os parabéns, eu abri a caixa do bolo e, aos meus olhos, apareceu um nove gigante, de chocolate brilhante, com muitas bolinhas coloridas.

Eu, qual Eva prestes a provar o fruto proibido e a ser expulsa do paraíso, toquei com a ponta do dedo na cobertura do bolo. E foi o fim do mundo em cuecas. A cobertura era tão, mas tão boa, que todas as minhas hormonas saíram do sítio.

Distribuí o bolo pelos alunos e, já com a sala vazia, olhei para um pequeno, mesmo pequeno, pedaço de bolo e, zumba, engoli-o duma vez. Ai, soube-me tão, mas tão bem. Lembrei-me imediatamente da minha promessa e pensei: já foste.

A promessa continua de pé. Já me certifiquei que não há nenhum aluno a fazer anos nos próximos dias. Haja Deus. Haja CrossFit. Haja tempo para correr. Haja sentido de humor, que um cubinho de bolo vale o que vale. Um cubinho de bolo. Ou dois, vá.

Coisas que me tiram do sério #3

Aquelas pessoas que, perante uma mega-sobremesa, dizem: não gosto muito, é demasiado doce. Argh! Nada é demasiado doce, percebem pessoas amargas?! Nada! (Esta minha irritação está aumentada porque há 3 dias que não trinco nada com açúcar. À exceção da fruta, é claro.)

Eu passo a minha vez, ok?

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Pois, diz que o melhor do mundo está solteiro e a fila de candidatas já dá a volta ao Entroncamento. Estão todas doidas, doidas! Eu queria só dizer que passo a minha vez. Ele é um excecional jogador de futebol, milionário, poderoso e tem um corpo que-sim-senhor, mas aturar a Mãe Coragem deve ser mais trabalhoso que ganhar todos os prémios que o Ronaldo já ganhou. Eu passo a minha vez, ok? Passo mesmo.

Reza Contra a Chuva

Ficava muito agradecida se alguém partilhasse comigo uma qualquer reza contra a chuva. A filha da mãe chegou hoje e já me deixou fartinha dela até à ponta da minha meia molhada. Sim, porque eu achava que ia estar sol, como tem estado, e saí à rua com um botinzinho aberto. Priceless.

15 dias sem açúcar

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Eu vou andar a bater com a cabeça nas paredes, mas hoje prometi à minha doutora que não vou comer doces até à próxima consulta, que é daqui a 15 dias. (Só para limpar o meu corpo dos excessos de dezembro). É que o açúcar é tóxico, é viciante, destrói as células e engorda. O que hei-de eu fazer? É que eu adoro tudo o que é guloseima: bolos, sobremesas, gelados, gomas, compotas, chocolates, tudo e mais alguma coisa. Mas eu levo a sério o que a doutora me diz e, por isso, vou esforçar-me mesmo. Quero só deixar um aviso à navegação: o meu feitio vai passar de mau a insuportável. Portanto, peço que ninguém se ofenda comigo se me disser ou fizer alguma coisa que aumente a minha irritabilidade e eu a/o mande para um sítio menos bonito. 15 dias sem açúcar. 15 dias sem açúcar. 15 dias sem açúcar… Ok, vou só ali curtir a depressão desta minha vida amarga e já volto.

Sobre competição

A pessoa com quem eu mais compito é comigo e, de vez em quando, sinto que entrei numa luta sem fim. E, por ter de estar sempre comigo em mim, chego a roçar a exaustão. Porque quando compito com os outros permito-me ter algum tempo para relaxar e imaginar o que estarão a fazer para atingir ou não os seus objetivos. Quando compito comigo não há escapatória possível. Neste campeonato que é só meu, jogam a razão e a emoção. A razão não podia ser mais evidente. É a emoção que me engana, que me trai, que às vezes me supera. Nem sempre. Nem nunca. Anseio o dia da inundação interior. Inundação de amor próprio, de amor d’outro, de aceitação e agradecimento. Inundação de emoção racional. De Paz. Dar de comer à alma, empanturrá-la. Deixar o corpo leve, sereno de si. Uma carga de trabalhos para 2015.

Amor de hoje: o triste caso (da filha) do Juvencio

Esta música veio ter comigo e eu senti-me na obrigação de refletir sobre as palavras entoadas. Peço-vos que a oiçam com toda a atenção, porque esta obra prima pode mudar vidas.


Bem, comecemos por analisar a primeira estrofe.

Minha vida está um dilema,
Mas o que é que eu vou fazer?
Se casar é um problema,
Precisamos resolver.
Chego a casa logo de manhã,
P’ra com a família relaxar,
E eu pergunta para a minha filha:
Filha, onde foi a mamã?

Para o Sr. Juvencio Luiz estar casado é um dilema. Não é que o pobrezinho chega a casa e percebe que a sua amada esposa não está? Mas esperem lá, chega a casa, de manhã, vindo de onde? Mais: se pergunta à filha pela mamã, o raio da miúda passou a noite ao encargo de quem? Eu não sou de intrigas, mas parece-me coisa para denunciar à proteção de menores. E continua.

Ela diz que mamã saiu ontem à noite, quando o papá saiu.
E até agora de manhã, mamã, não voltou.
Sei que não é a primeira vez,
Segunda vez ou a terceira vez.
Eu não aguentei,
Quase me envenenei.

Lá está: a mamã saiu quando o papai saiu. Mas quem é que ficou com a miúda? Como se não lhe bastasse passar a noite sem ninguém em casa, ainda tem um pai com tendências suicidas?! Começo a ficar seriamente preocupada com a criança e estou prestes a abrir um abaixo assinado.

Se durmo fora, dormes fora.
Quer dizer o quê?
Se janto fora, jantas fora.
P’ra fazer o quê?
Se vou para os copos, também vais.
É desafio ou quê?
‘Tá competir o quê?
‘Tá me mentir você!

Pronto, está decidido. Este é um caso a denunciar. Sim, porque no meio disto tudo o que me preocupa é só, e apenas, a miúda. Janta e dorme sozinha, enquanto os queridos paizinhos andam em competição a ver quem emborca mais copos?! Que se lixem os cornos do Juvencio! Isto ainda pode melhorar?

Eu prefiro divorciar, porque aqui já não há casamento.
Não vale a pena me enganar,
Porque já não tens mais sentimento.
Não quero te envergonhar
Em frente da nossa filha amada.
É melhor calar.
Para mim não tens nada para falar!

Filha amada? Aqui vou ter de me dirigir diretamente a ti, Juvencio: só podes estar a gozar com a nossa cara! Uma filha amada não passa o dia abandonada a ver o Cartoon Network. Não. E o ar de felicidade da mãe? É, como diria o Quim Barreiros, esse guru da música popular portuguesa, o que eu acho é que na tua casa está entrando outro macho. Já foste, Juvencio. Já foste!

Vais te dar mal é.
Vais te dar mal é.

Ah pois vais! Na verdade, vão-se dar mal (é) os dois, que eu vou juntar uma carradona de gente para denunciar esta bandalheira. Pobre miúda, pá. Pobre miúda!

Chiça, até me dói o estômago! Isto é coisa para transtornar seriamente uma pessoa.  Ou lá se é.

Afinal, quem é que não gosta de boa comida?

Os meus alunos têm andado a estudar Portugal e um dos pontos de pesquisa é a gastronomia de cada distrito. Os miúdos têm apresentado os trabalhos diariamente e sempre que chegam à parte da comida eu não me contenho e das duas uma: ou faço um grunhido ou sai-me uma piadinha e fico a salivar, não querendo nem saber do facto de serem nove da manhã.

No outro dia um aluno disse-me: A Joana só se lembra de ter ido aos sítios por causa da comida, não é? Eu ia morrendo! Efetivamente, se pensar em Setúbal, penso logo em choco frito. Se pensar no Porto, penso logo numas pataniscas de bacalhau que lá comi há uns anos. Se pensar em Faro, mais precisamente em Tavira, começo logo a sonhar com umas amêijoas ou com um pão d’alho MARAVILHOSO, que existe lá na ilha, que não encontro igual em mais lado nenhum. Mas há mais. Se pensar em Leiria, penso logo nas Brisas a escorrer doce d’ovos. Se pensar em Évora, penso imediatamente numa carne de porco à alentejana de tirar o fôlego…

O pior é que me apercebi disto só porque o A. me chamou à atenção. Percebi, também, que há muito pouco a fazer em relação a este meu maior pecado: a gula. Eu gosto do comer. Eu gosto de comer e lutar contra este meu gosto é um desgosto do caraças. Porém, também entendo que ou percebo que estas refeições que adoro devem ser exceções no meu plano alimentar ou de Perna Fina terei apenas o nome. E eu não quero isso.

Voltando ainda aos meus alunos, que são os mais bonitos, inteligentes e espetaculares que este século já viu, depois de eu me justificar como pude, outro miúdo levantou o dedo para pedir a palavra e disse: Não se sinta mal, Joana. Afinal, quem é que não gosta de boa comida? E é!