Categoria: Diário

Dias assim

Todos os dias me esforço um bocadinho mais. Tenho-me obrigado a isto porque ninguém pode ser tão exigente comigo, como eu devo sê-lo. Os frutos que tenho colhido são sumarentos, mas ultimamente tenho acusado algum cansaço e hoje talvez me tenha sentido no limite. A cabeça doeu-me o dia todo. O corpo arrastou-se a cada movimento. A alma só acompanhou a carne e os ossos. Entre um dever e outro, sentei-me numa esplanada e usufruí de uma bola de gelado de morango. Por alguns minutos, permiti-me lamentar o desgaste físico e emocional dos últimos tempos. Depois levantei-me, direta para o compromisso das 18:30, e segui mais tranquila. No final do dia fui para o CrossFit, onde tive de saltar milhentas vezes para cima duma caixa. O resto da neura foi passando, sempre que subi a pés juntos. Há dias assim.

Assuntos verdadeiramente interessantes #2

Barbas. Há muito tempo que falo com as minhas amigas sobre o fascínio que nutro por homens com barba. É uma fraqueza que eu tenho. Acho que ficam, sei lá, mais homens. A barba torna os homens mais bonitos, mais adultos e mais respeitáveis, mesmo que sejam uns autênticos asnos (que o são, na maioria das vezes, com ou sem barba). Tenho amigas que concordam com esta minha teoria. Tenho outras, uma em especial, que dizem não ser bem assim. Parece que a tendência veio para ficar e toda a gente ganha com isso: quem aprecia lava a vista, quem usa tem menos trabalho com as aparadelas. No entanto, apraz-me esclarecer alguns aspetos importantes: 1.º As pêras não entram nesta categoria de homem-absolutamente-sexy. Sempre que vejo um homem com pêra vem-me à ideia uma imagem tenebrosa. 2.º Barba sim, mas com alguma contenção. A dita não precisa de chegar a meio do peito, ok? Mais, convém que esteja sempre limpa e minimamente penteada. Se assim não for, mais vale andar de cara limpa, tipo bebé chorão. Posto isto, e porque sou uma querida, perdi algum do meu tempo a procurar imagens duns senhores que me agradam e que, por sinal, usam barba. Qualquer um deles, se um dia precisar, tem o meu sofá à disposição. Vai que se dá o caso de virem para as minhas bandas? Onde eu moro os hóteis escasseiam que é uma coisa doida. (O Brad, o homem mais tudo do mundo, pode trazer a Angelina e os 56 filhos. Cabem cá todos!)
Mandatory Credit: Photo by Broadimage/REX (4270848d) Adam Levine 'The Voice' Top 10 Artist of Season 7 , Los Angeles, America - 24 Nov 2014

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robertptTão fofinhos, pá!

… e o problema que é ter amigas magras, que nunca foram gordas?

Ter amigas magras, que não sabem o que é andar com o botão das calças desapertado é muito, muito difícil. São amigas que estão habituadas a ser giras, podendo comer este mundo e o outro, sem grandes preocupações. E, por isso, roçam na ideia de que eu posso viver a minha vida alimentar com a mesma leveza que elas.

Este domingo foi a loucura: churros com nutella, uma bolinha de gelado do Santini e, ao jantar, um prego em bolo do caco de bradar aos céus. Quando acabámos o prego, prometemos que junho e julho iam ser meses mais controlados, que íamos abusar, no máximo, em duas refeições por semana, ao fim de semana, e que nos esforçaríamos por evitar as sobremesas. Depois lembrámo-nos que faltam poucos dias para os Santos Populares e… Bolas!

O melhor de mim

fotografia

Hoje já não vivo em guerra, estou em paz. Já não odeio o meu corpo, tenho orgulho nele. Já não devoro comida para compensar, como para ser saudável e aguentar os treinos loucos que faço todos os dias. Sou livre. De preconceitos. De vontades alheias. De amizades com cobrança. De desamores. Sou dona de mim. E esta minha condição faz-me ter a certeza que a decisão de mudar de vida foi a escolha certa. Mais: faz-me entender melhor alguns percalços no caminho. Talvez eu estivesse apenas a preparar-me para tudo isto. Para me completar comigo. Para ser, em absoluto, o melhor de mim.

O verão deixa-me cheia de calor (e não só!)

O verão é uma tragédia alimentar. Todas as minhas hormonas palpitam por uma esplanada e alguns raios de sol. Este meu apetite não seria problemático se me ficasse pela Vitamina D. Há aquelas pessoas estranhas que dizem que perdem o apetite com o calor e que comem só uma saladinha e um suminho de fruta. Eu só penso em caracóis, amêijoas, pregos no pão, choco frito, gambas com alho e mais uma porradona de coisas, que, assim de repente, nem vale a pena enumerar (ou vou começar a babar-me para cima do teclado). Estes petiscos também me apetecem no inverno. Eu sou lá pessoa para dizer que não a um camarão frito em pleno mês de dezembro?! Mas no verão, com o sol, com os dias grandes, com as roupas leves, há pouca coisa que me apeteça mais. E a minha luta começou no fim de semana passado, em Sesimbra, com uma sapateira, a melhor musse de chocolate de sempre e uma bola de berlim.

Os meus alunos são os melhores do mundo #4

respect

“Devemos respeitar os mais velhos: os professores, as professoras, os idosos, os nossos irmãos mais velhos, os nossos pais e as nossas mães. Também devemos respeitar pessoas importantes como o Presidente Cavaco Silva, o Primeiro Ministro Passos Coelho, o Luís de Camões, o Cristiano Ronaldo e a Joana Duarte.”

Antigamente

Sempre odiei o percurso entre a areia e o mar. Era o que mais detestava nas idas à praia. Tinha a convicta sensação de que toda a gente estava a olhar para mim e a reparar em todas as imperfeições do meu corpo (não as vou enumerar, ok?). Ontem foi o meu primeiro dia de praia do ano e, pela primeira vez na vida, não precisei de encolher a barriga no caminho até ao mar. Caminhei, simplesmente, sem me preocupar muito. Afinal, que preocupações devo ter numa ida à praia, para além de aplicar regularmente o protetor? Eu tinha tantas. Isso era antigamente.

Contos da Perna Fina #2

A Esperança era uma jovem mulher, que vivia nos arredores de Lisboa. Tinha 20 e poucos anos e estava a terminar os estudos superiores na área da comunicação. Quem a conhecia estranhava a escolha do curso. A Esperança era uma miúda tímida, que facilmente passava despercebida. A família e os amigos não percebiam como seria capaz de se afirmar num mundo em que imperava a imagem e a presença. Mesmo assim a Esperança seguiu a sua vontade e terminou o curso.

A Esperança era também muito organizada e metódica. Ainda durante os estudos tinha passado horas a pesquisar empresas de comunicação que lhe interessavam e no último ano tinha enviado centenas de currículos. Em meados de maio, recebeu a chamada que tanto esperava. Tinha encontrado o seu primeiro emprego. Não era estupidamente bem pago, mas era uma boa escola. A Esperança estava muito entusiasmada com a oportunidade e no primeiro dia de trabalho já estava à porta da empresa uma hora antes do previsto. Toda a gente a recebeu bem e os primeiros meses passaram a correr.

Havia, porém, uma parte da vida da Esperança em que não pensava muito. O amor. Tinha tido uma paixão avassaladora começada na escola secundária, que não tinha acabado da melhor maneira. O desgraçado deslumbrou-se com o início da vida académica e varreu, na mesma noite, uma quantidade considerável de caloiras. O filho da mãe jurava a pés juntos que não se lembrava bem da noite em questão, mas as fotografias no seu telemóvel mostravam mais do que a Esperança gostava de imaginar. Desde essa altura que ela não confiava em gajo nenhum.

Saía pontualmente com alguns colegas, amigos de amigos, divertia-se, tinha boas conversas, mas nada neles a fazia apaixonar-se perdidamente. E, apesar de negar, um grande amor era tudo o que queria. Então, era no trabalho que se focava, quase como se as letras e as imagens que via no portátil não a fizessem pensar no desamor que tinha vivido. Um dia viu entrar pela porta da empresa um rapaz que devia ter a mesma idade que ela. Talvez fosse um pouco mais velho, não tinha a certeza. Ele era alto, muito moreno e o olhos eram cor de avelã. Tinha um sorriso rasgado, que lhe marcava duas covinhas amorosas nas bochechas. Era lindo.

A Esperança ficou pasmada com o à vontade de rapaz. Tinha acabado de chegar para uma vaga de alguém que se tinha despedido e falou a todos como se os conhecesse desde sempre. Toda a gente estava animada com a chegada dele. Sobretudo o mulherio. Para a Esperança, ele representava toda a expressividade e vida que ela não tinha ainda, apesar de todos os esforços nesse sentido. A Esperança não dormiu nessa noite só a pensar nele.

Os dias passavam e ele continuava a mostrar-se educado, expansivo e amável com todos. Aos olhos da Esperança ele tornava-se cada vez mais encantador. Sempre que se deitava, imaginava como seria sair com ele, namorar com ele, casar com ele, ser velhinha com ele. E sentia-se ridícula por tudo isso, mas não conseguia evitar tais pensamentos. Passavam-se meses e a Esperança nunca teve coragem de lhe dizer mais do que um Olá ou Adeus. Talvez ele até tivesse namorada… Como seria ridículo convidar alguém para sair, sendo essa pessoa comprometida!

Os dias acabavam, as estações mudavam e a Esperança continuava a ser uma profissional competente, uma boa filha e uma amiga preocupada. Um dia, num jantar de amigos, a Esperança conheceu um rapaz comum, que a convidou para sair. Ela aceitou e sentiu que havia alguma química entre eles. Começaram a namorar e um ano meio depois casaram, numa cerimónia simples e com poucos convidados. Nesse ano a Esperança foi promovida a coordenadora do seu departamento. Tinha uma vida boa, que melhorou quando engravidou do primeiro filho. Um rapaz. Quando regressou ao trabalho tinha um postal na sua secretária, dando-lhe os parabéns pelo nascimento do filho. Era Dele. O coração da Esperança quase lhe saltava pela boca.

No final do dia, foi buscar o filho e reparou como nunca antes nas covinhas amorosas que fazia nas bochechas sempre que se ria com vontade. Nesse momento pensou que dali a alguns anos, aquele seu filho iria arrebatar o coração de alguém e sentiu algum ciúme dessa rapariga. Seria mais corajosa do que ela? A Esperança adormeceu o filho a pensar em como teria sido a sua vida se um dia se tivesse levantado da sua secretária e dito: Ei, bem-vindo. Eu sou a Esperança. Se precisares de alguma coisa…

Que dieta é que eu faço?

Houve uma altura em que me mentalizei que faria dieta até ao fim dos meus dias. Esta ideia consolidou-se quando achei que, das duas uma, ou passava uma fome de morte ou seria uma pequena bola de sebo para sempre. Isto era o que eu achava. Fiz algumas dietas ao longo dos anos. Todas elas foram eficazes à sua maneira, sobretudo porque pressupunham grandes restrições alimentares. E aqui não houve grande magia: se habitualmente comia como uma lontra e de repente passava a comer muito menos, emagrecia. Passado algum tempo, começava a ressacar com a falta dos alimentos que gostava, comia tudo o que tinha evitado e engordava o que tinha perdido. Às vezes um pouco mais.

Hoje sou absolutamente convicta que as dietas não funcionam, tal como eu as entendia: um processo curto e de resultados imediatos. O que se tornou importante foi perceber que tenho de comer de tudo, sem grandes fundamentalismos. Percebi também que uma bola de berlim por dia não me leva a saúde nenhuma de jeito. Uma dieta, como mostra a origem da palavra, é uma maneira de viver. É ser capaz de usufruir dos alimentos, percebendo que existem para me nutrir e não para me engordar ou tornar dependente deles.

A verdade, é que a estrutra que está montada me confronta a toda a hora com coisas muito apetecíveis, cheiinhas de gordura, açúcar, sal e aditivos de toda a espécie. Eu já assumi o meu profundo amor pela nutella, por exemplo, mas longe de mim ter um frasco desse demónio em casa. Noutro dia passei numa pastelaria que tinha croissants com nutella da verdadeira e eu não pensei duas vezes. Comi-o num sopro. Não é um croissant que me vai fazer engordar, pensei eu, e fiquei muito contente por conseguir ter este discernimento. Nem sempre o tive.

Que dieta é que eu fiz ou faço? Nenhuma. Tenho um plano alimentar, que não foi elaborado por mim, que foi evoluindo muito ao longo dos últimos meses. Foi o plano que se adaptou a mim, não fui eu que me adaptei ao plano. Porque o que funciona comigo pode não funcionar com outra pessoa e vice-versa. A dieta do ananás, a dieta do chocolate, a dieta da proteína, a dieta detox, a dieta dos 533 dias, a dieta da sopa, a dieta da boca cosida, a dieta do gelo, a dieta do pau de marmeleiro no lombo… Têm todas o mesmo em comum: são efémeras. Que Deus nosso Senhor queira que eu nunca mais caía numa dieta.