Categoria: Diário

Limpar o palato

“Tenho de limpar o palato” é uma expressão que uso quando termino a refeição. Limpar o palato significa que a refeição só está terminada se eu comer um doce. Um gelado, um bolinho, um crepe, fruta com Nutella, gomas, o que for. Nos últimos onze meses limpar o palato foi coisa rara na minha vida. (Choro com soluços.) Aos poucos, fui-me habituando a terminar a refeição e pronto. Às vezes bebo um café, outras como uma pastilha sem açúcar. Vou sobrevivendo como posso, portanto!

O mais impressionante disto tudo, é que quanto mais açúcar como, mais vontade tenho de comer. Esta sensação de vício vem dar razão àqueles estudos que dizem que o açúcar vicia tanto, e é tão prejudicial para a saúde, como o álcool ou a droga. E para ter a certeza que é mesmo assim, de vez em quando testo-me: meia dúzia de gomas no bucho e pronto. O meu sistema volta a ficar todo aos saltos e parar é sempre mais difícil.

Se estou a dizer que nunca mais como açúcar? Não! O que seria de mim? Mas aprendi que devo evitar ao máximo, porque me põe meia doida, com picos de humor, porque não acrescenta nada à minha condição física, porque, vá, em último caso, me destrói as células. Irra! Um desafio de 21 dias sem açúcar veio mesmo a calhar. Que seja o que o Deus-do-Açúcar quiser!

Troca-te, Perna Fina! #1

trocate

Há coisas que nos lembramos de comer desde sempre e sem as quais não nos imaginamos a viver. No cinema, por exemplo, para além de beijos apaixonados, nunca podem faltar as pipocas. Doces ou salgadas, adoro ambas. Às vezes, o filme ainda não começou e eu já devorei meio pacote. Uma vez passei uma noite inteira a vomitar por causa de tanta gula. Quando isso aconteceu, jurei que nunca mais comia pipocas, mas está bem, está. No cinema eu tenho de trincar qualquer coisa estaladiça, dê lá por onde der. Ultimamente, tenho levado pacotinhos de fruta desidratada e a coisa não tem corrido mal. Hoje em dia é bastante fácil de encontrar fruta seca: maçã, pêra, pêssego, ananás… Eu gosto muito da maçã, confesso. A grande diferença é que um pacote pequeno de pipocas chega a ter perto de 1000 calorias e um pacotinho (de mais ou menos 20 gramas) de fruta desidratada não ultrapassa as 50 a 70 calorias. Ok, não é mesma coisa, mas é tudo uma questão de hábito. Eu vou começar a comprar os bilhetes para o cinema com uma mola no nariz, bem agarradinha ao pacote de fruta. Quem está comigo?

Por que é que o Crossfit é espetacular?

crossfit

1.º O treino é diferente todos os dias.
2.º Toda a gente é tratada p’lo nome.
3.º Trabalham-se todos os músculos do corpo.
5.º Os atletas ajudam-se e motivam-se mutuamente.
6.º É um treino curto e intenso, que acelera o metabolismo.
7.º Cada atleta tem a possibilidade de progredir ao seu ritmo.
8.º Os resultados, físicos e psicológicos, são visíveis rapidamente.
9.º O treinador adequa os exercícios ao desenvolvimento de cada atleta.
10.º Os movimentos a executar são explicados e exemplificados ao pormenor.

 

A Páscoa dos Pernas Finas

A Lousã é um lugar bonito, onde se come maravilhosamente. É de lá que vem o meu mau feitio e quando lá vou posso confirmar isso. Andam sempre todos à guerra uns com os outros. Hoje, assim que me viram, disseram: Estás tão magra, filha! E apesar de acharem que as mulheres se querem com chicha, concordaram que estava melhor assim. Por isso, ofereceram-me toda a espécie de iguarias pascais. Aceitei as que achei que podia aceitar. Foi um dia bom.

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NÃO!

Para conseguirmos perder peso e ganhar saúde temos de aprender a dizer não. E não pode ser um não qualquer: tem de ser um não convicto, inabalável, que faça o outro perceber que, por muito que nos tente, não vai obter outra resposta que não a primeira. Não. Porque parece que quem nos rodeia faz de propósito. Eu sei que é sem maldade, quero acreditar nisso, mas às vezes é demais.

Isto para dizer que as ofertas são muitas. À nossa volta vão sempre existir pessoas a oferecer-nos chocolates, gelados, gomas, batatas fritas, fast food… E nós temos de saber resistir e, lá está, saber dizer que não. Não precisamos de ser pessoas-rudes-do-campo, como diriam os Gato, mas devemos recusar as ofertas do demo sem sentirmos peso na consciência por ofendermos quem quer que seja. Deixo aqui um guia de respostas que incluem o não, caso precisemos de abortar rapidamente a missão de quem nos tenta, sem magoar ninguém.

Obrigada, NÃO aprecio.
Obrigada, ainda NÃO fiz a digestão do almoço/lanche/jantar.
Obrigada, ainda ontem comi isso, NÃO me apetece muito. Será que enjoei?
Obrigada, passei a noite a vomitar. O jantar caiu-me mal. NÃO posso abusar.
Obrigada, NÃO posso comer isso. Descobri que tenho uma espécie de alergia a esse alimento.

Nunca podemos dizer que estamos de dieta, ou coisa que o valha. Aí é que os outros terão um gostinho especial em fazer-nos pisar o risco. Se ainda assim os demónios continuarem a insistir, digamos só: NÃO VOU COMER ISSO, PERCEBESTE?! E, se chegarmos a esta fase, acho legítimo que levantemos um pouco o tom de voz. Sempre sem passar o risco da boa educação. Ou NÃO.

Processo inverso

“Ai, quem me dera ter outra vez 18 anos. Tinha um corpaço. Usava calças muito justas e tops com o umbigo de fora. A praia era toda minha. O biquíni eram o mais pequeno possível, não tinha ponta de celulite. As minhas mamocas eram redondinhas, empinadas, e o meu rabo parecia ter vida própria. Ia duas vezes por dia ao ginásio e aguentava tudo. Ai, quem me dera ter outra vez 18 anos.”

Este pode muito bem ser o discurso saudosista de qualquer mulher que deixa de se reconhecer com o passar dos anos. Não sei se lamento. Desculpem a minha frontalidade, mas se eram isso tudo na juventude, com certeza puderam usufrir dela sem complexos físicos, p’lo menos. O que já é uma enorme felicidade.

Eu, aos 18 anos, não era nada daquilo. Tentava esconder o meu corpo o mais possível, usando calças largas e camisas que não me vincassem muito. Não usava biquíni porque tinha as mamas demasiado grandes e descaídas. Já estava carregada de celulite. Não fazia desporto nenhum. O meu passatempo preferido era comer. Credo, eu não queria nada voltar aos 18 anos.

Alguns dirão que eu contribuí para o estado em que o meu corpo ficou. Têm toda a razão. A única coisa que eu lamento foi ter perdido tanto tempo a chorar por viver numa casa feia, desarrumada e mal decorada. Isso eu lamento e dificilmente deixarei de lamentar. Agora, o que passou passou e eu tenho tentado focar-me no estado em que viverei daqui para a frente.

É essa a mensagem que desejo passar a todos aqueles que me lêem e, por alguma razão, não estão felizes consigo. É possível transformarmos o nosso corpo num sítio em que gostemos de habitar. É possível termos orgulho na nossa imagem. É possível sentirmo-nos verdadeiramente felizes. É possível se quisermos a sério. Não podemos querer mais ou menos. Temos de querer mesmo muito a sério, assim como uma boa mãe deseja o bem-estar e a felicidade do seu filho. Porque quando queremos muito uma coisa, esforçamo-nos por tê-la.

Há apenas um pormenor com o qual devemos estar preparados para lidar: quando tomamos a decisão de mudar, há muita gente a assistir à espera de nos ver tropeçar ou, como quem diz, a engordar de novo. Não nos podemos preocupar muito com isso, nem levá-los a mal. Estão apenas com medo que cheguemos aonde nunca sonharam. É o mais provável. Eu estou no processo inverso. Não quero voltar aos 18 porque me sinto lindamente nos 28.

Não te importes com o estado do teu corpo, aceita-te como és e sê feliz

Ah ca-granda-mentira! Quem é que inventou isto? Sim, claro que tenho de me aceitar como sou, por exemplo: se eu tenho 1 metro e 63 não posso viver frustrada com o facto de não ter 1 metro e 80. Não há nada que eu possa fazer em relação à minha altura a não ser usar uns sapatos mais altos. Mas em relação a uma outra série de aspetos, que não gosto em mim, há imenso a fazer. E que mal tem eu me querer melhorar? Não tenho esse direito? Sou uma pessoa fútil por me querer sentir melhor comigo?

Por isso eu veto em absoluto essas teorias mentirosas de que as pessoas com excesso de peso são extremamente felizes. Quem é que pode ser feliz tendo pouca mobilidade? Quem é que pode ser feliz por entrar numa loja comum e não ter nada que lhe sirva? Quem é que pode ser feliz quando é olhado de lado por não encaixar na norma. Ai que cabrões, malditos padrões! E falo em excesso de peso, como falo também em celulite, em estrias, em pontos negros, em mamas descaídas, num rabo flácido… Em tudo o que me incomoda por alguma razão, que é minha, e que não deve ser julgada.

Neste Dia das Mentiras, proponho que cada um encontre a sua verdade. Seja ela qual for. Proponho que cada um se importe a sério com o estado do seu corpo, na medida em que se permite no direito de o amar em absoluto. Porque sim, devemos aceitar o nosso corpo como é todos os dias, mas mais ainda quando olharmos para ele e conseguirmos dizer: aceito-te assim e sinto-me feliz contigo, porque sei que te trato bem e cuido de ti, da melhor forma que sei, em consciência e com verdade.

Regresso ao passado #4

São 17:00 e eu posso sair do trabalho. Não me apetece ir já para casa. Talvez esteja a precisar de dar uma volta. Entro no carro e a minha cabeça começa imediatamente a disparar 1000 alarmes: quero comer qualquer coisa que me saiba bem. Que dia de merda! Que falta de paciência! Sim, vou comer qualquer coisa que me saiba bem. Eu posso, no fim de semana fiz uma caminhada valente e a semana passada comi sopa de manhã à noite. Acho, até, que estou mais magra. É, posso comer qualquer coisa que me saiba bem. Sozinha, para pensar na minha vida ou para me esquecer dela. Sem julgamentos, um segredo entre mim e mim.

Já sei o que me apetece. Um cheeseburguerzinho e uma cola pequena. Já estou a salivar. Há uma semana que não toco em batatas fritas, que são o meu alimento preferido do mundo inteiro. Começo a conduzir com a música aos berros, como se quisesse abafar a ideia que tive e canto alto, muito alto, como se pusesse o piloto automático, como quem diz que não quer saber para onde vai, nem por que razões quer ou acha que precisa de comer.

Chego ao Mc e pondero pedir no McDrive. Não. Vim até aqui, está um dia bonito, vou estacionar o carro e vou caminhar até lá. Saio do carro e, ainda sem pensar muito no que me move, vou até à caixa para pedir o tal cheeseburguer. Que horas são? 17:30? Epá, se comer agora já não janto. Peço ‘masé um menu, com tudo a que tenho direito. Ah, e um gelado também, que eu gosto de limpar o palato. Ketchup. Molho para batatas. E um saquinho de nuggets, porque não?

Pego em tudo e vou sentar-me na mesa mais isolada que encontro. Olho para o telemóvel e passo os olhos pelas notícias. vejo o que os meus amigos do facebook andam a postar e vou comendo. Devoro as batatas, quentes e cheias de sal, sem pestanejar. Vou intercalando com os nuggets, sempre sem pensar muito. De que me adianta pensar? Como o hambúguer, bebo a cola até ao fim e delicio-me com o gelado.

Acabo de comer e sinto-me enfartada. Se calhar comi demais!? Não. Agora até estou mais calma e o dia já não me parece tão mau. Por um descargo de consciência vejo as calorias disto tudo que comi: hambúrguer – 600 cal; cola – mais de 300 cal; batatas – 500 cal; nuggets – 300 e tal cal e gelado – 300 e não sei quantas cal. Ai que caraças, uma vez disseram-me que para eu emagracer, tinha de comer apenas 1200 calorias por dia e agora, numa refeição, comi mais de 2000! Sou mesmo estúpida! Eu até já tinha lanchado! Tinha alguma necessidade de engolir isto tudo? Tinha? Pronto: está feito, está feito. O resto da semana volto às sopas, de manhã à noite.

Biquínis e fatos de banho (triquínis não!)

Ai o verão! Estou em crer que este será O verão. Se não for por mais nada, será por eu me sentir incrivelmente saudável e de bem com a vida e, por isso, poder desfrutar tranquilamente de tudo o que o Universo me oferecer. (Uma grande amiga garante-me que o Universo, quando eu menos esperar, será muito generoso comigo. Assim seja!)

Se durante toda a minha existência a época balnear foi um martírio, este ano pensar em escolher roupa de praia provoca-me calafrios, calafrios dos bons. As redes sociais estão cheias de fotos de biquínis e fatos de banho de perder a cabeça e eu já não consigo parar de pensar na possibilidade de deslizar p’los areais desse Universo a passear este corpinho crossfitado (LOL).

Como há muita oferta, ainda não pensei bem no que quero usar. Gostava de ter um fato de banho, acho muito elegante, e não visto nenhum desde miúda. Mas também não digo que não a um biquínizinho com folhos ou coisas assim. Talvez compre um de cada e vá variando. Depende dos valores, claro, que alguns são autênticos assaltos à carteira.

Estes são pura inspiração.

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Onde é que posso adquirir o cabelo (e o bronze?!) da miúda da primeira foto?
Dava-me um jeitão.

O melhor presente

A minha doutora deu-me um presente que não precisou de embrulho. Deu-me a sua visão do percurso que tenho vivido desde que a conheci, escrevendo um texto que me comoveu até às entranhas. Foi a única pessoa que compreendeu o meu problema com a comida. Quando eu falava no meu vício a familiares ou a amigos próximos, ninguém me levava a sério. Diziam que eu tinha de fechar a boca e pronto. Se eu bebesse até cair, se eu me drogasse, se eu gastasse todo o meu ordenado em jogo, talvez percebessem a minha compulsão. Como o meu vício era a comida, e ficar gorda era a única consequência, o meu problema, aos olhos dos outros, era apenas uma enorme gula. Não era bem assim.

“A J era uma das muitas “J’s” que persistem no mundo: mal com o seu corpo, consigo mesma, insegura e triste. A comida era a sua maior inimiga, mas também o seu maior conforto. Descrevia na primeira consulta, há cerca de 10 meses, a sua relação conflituosa com a alimentação. Chorou. Não de vergonha, mas de medo. Medo de não conseguir libertar-se daquele corpo que não reconhecia e daquele comportamento compulsivo que a prendia num ciclo sem fim de “dieta” desde muito jovem. Fazia atividade física intermitente, tal como a sua relação com a comida, auto-penitenciando-se.
“Um caso difícil…” pensei para mim, “mas vou conseguir ajudar a J”.
A primeira consulta foi longa, tumultuosa e extenuante para ambas. Foi explicado à J que o seu comportamento alimentar tinha de mudar, que tinha de abandonar o “como tudo ou não como nada” para conseguir ter sucesso a longo prazo e ter força para continuar, que as compulsões tinham de parar. Para isso precisávamos de tempo, sinceridade, perseverança, garra, trabalho de equipa, confiança e de mudar de atitude!
A verdade é que foi mesmo assim. A J “agarrou-se” à sua oportunidade. Teve altos e baixos na sua vida que, claro, afetaram a alimentação. Mas foi mais forte. Reconheceu e aprendeu que a alimentação saudável não é uma dieta, é um estilo de vida e é para sempre.
Juntas fomos construindo o seu plano alimentar, que tanto mudou nestes 10 meses, até estar realmente perfeito, totalmente “à sua medida”.
Porém, a J não mudou a sua vida só com a alimentação, procurou um desporto que a satisfizesse e desafiasse! Tem-se superado e surpreendido, já não há limites para o que consegue fazer, até o pino!
E o que interessa o peso inicial e final da J para a sua história? NADA! A história é sobre a sua mudança de atitude perante a vida, foi isso que a fez ter sucesso e não a dieta X”, Dietista Catarina Cachão Bragadeste.

Um obrigada do tamanho da minha felicidade à Doutora Catarina, por me ter ajudado sempre, com tanta generosidade, compreensão e assertividade. Obrigada por ter acreditado em mim, no meu potencial, na mulher que queria ser, sem saber como. Ser-lhe-ei eternamente grata.