Categoria: Diário

Divorciei-me!

Estava, há mais de três anos, à espera deste dia. Do dia em que pudesse, finalmente, fechar o capítulo do maior desamor da minha vida. Apesar desta relação já ter acabado há muito tempo, só hoje a encerrei definitivamente. Hoje divorciei-me. Não foi um divórcio à séria, porque não tínhamos casado. Não tinha havido o vestido, nem os convidados, nem a festa, nem o bolo. Não tinha havido nada disso. Só o resto. O bom e o menos bom. Mas houve um bem comum, que hoje deixou de ser meu (e ainda bem). Por isso, hoje, com todos os papéis assinados e com as contas feitas, sinto que me divorciei. Há algum tempo que me sinto muito livre de mim. Hoje, acho-me nas nuvens. Esta porta fechou. Acabou! Divorciei-me!

Gatos do aeroporto

Eu fico toda nervosinha quando entro num aeroporto. Assim, toda ansiosasinha, excitadinha. Gosto muito de me pisgar daqui e ir para o mundo. Por mim, estava sempre de rabinho num avião, para cá e para lá.

Junta-se a este meu entusiasmo, o facto de no aeroporto haver muitos gatos. Homens giros que se fartam, passam por todos os corredores, a todas as horas. Portugueses, estrangeiros. Lindos, lindos.

Os comissários e os pilotos são qualquer coisa. Podem não ser uma estampa, mas aquele estatuto de quem tem um avião nas mãos dá cabo de mim. A farda ajuda. Muito! E eu nem era destas coisas, mas os 30 deram-me para isto.

Acho que o aeroporto é um bom sítio para se lavar a vista, que funciona como topping do delicioso que é viajar. Gatos do aeroporto… São só os meus olhos ou tenho apoiantes nesta teoria?

Sobre o texto de ontem…

Recebi muitas mensagens ao texto de ontem, dizendo que a minha ambição de melhorar a vida das pessoas já está ser cumprida. Escreveu-me uma leitora que depois de começar a ler os meus textos entrou para o Crossfit. Disse-me outra que o facto de perceber que havia alguém com o mesmo problema que o seu, a fez ter esperança na mudança e que, aos poucos, tem conseguido comer melhor e até já se pôs a caminhar ao fim do dia.

Muitas pessoas me escrevem a dizer que as inspiro. Isto de assumir que posso ser uma inspiração é um pouco presunçoso, e eu não sei se gosto disso, mas, a verdade, é que me ponho no lugar das pessoas e compreendo o que dizem.

Quem me dera que alguém tivesse escrito alguns dos textos que eu já escrevi, para que os pudesse ler nos momentos mais difíceis. Quem me dera ter sabido antes que não era a única pessoa no mundo a comer até ficar mal disposta. Quem me dera ter aprendido, há anos, que as dietas não emagrecem ninguém. Quem me dera!

Mas se calhar não era mesmo para ter havido, por isso é que não houve. Quase como se isto fosse uma predestinação fofinha, que me esteve reservada desde sempre. Será que é isso? Acreditar nisto também é presunção, não é?

Seja pelo que for, a minha intenção (e ambição) mantém-se. Melhor: aumenta a cada dia. Por isso, obrigada por me tratarem tão bem e por quase fazerem valer a pena ter passado por aquilo tudo, que foi tão duro, tão devastador e agora tão recompensador.

Obrigada. E rezem ou peçam ou acreditem ou queiram ou ajudem a que estas minhas ideias ganhem vida. A acontecer, será espetacular!

Vai acontecer!

Ontem estive a gravar uma conversa com um amigo para o seu canal de YouTube. Ele chamou-me para conversar sobre blogues. Mais concretamente: sobre o que fazer para que um blogue tenha sucesso. O Francisco deixou-me falar de como tive a ideia de criar a Perna Fina, sobre a razão de ter escolhido este nome, a importância de me associar a marcas… Bom, o vídeo saí no próximo fim de semana e aí terão oportunidade de o ver com atenção e de me ouvir a botar discurso p’ra lá de meia hora.

A dada altura da conversa, e esta foi a parte que mais me entusiasmou, o Francisco levou-me a pensar sobre até onde irá a Perna Fina: em termos de crescimento de blogue, como uma marca, até como uma empresa (que o Francisco diz que eu já sou uma empresária e ainda não sei disso). Eu sei, quero e vou fazer por isso, que a Perna Fina vai continuar a crescer. Os números do blogue continuarão a subir: mais seguidores, mais visualizações, mais cliques aqui e ali. Estes números interessam, sobretudo, às marcas, que podem passar a ter o interesse de investir em mim de alguma maneira.

E, apesar de eu ser doida por números, e querer que este blogue seja uma top de visualizações e cenas, o que eu quero mesmo, e farei com que isso aconteça, é estar cada vez mais perto das pessoas que me lêem. Porque querem perder peso. Porque querem ganhar músculo. Porque querem começar a treinar. Porque querem comer melhor. Porque querem mudar de emprego. Porque querem mudar a cor do cabelo e lhes falta coragem.

Seja pelo que for: eu quero que os meus textos, e esta minha condição de ser Perna Fina, contagie o máximo de pessoas possível e que, por isso, a vida delas melhore de alguma maneira. Eu sei que isto é ambicioso. Não tenho uma ideia certa de como isto vai acontecer (apesar do Francisco achar que eu sou uma estratega nata), mas sei que acontecerá.

Porque, hoje em dia, o estado de ser Perna Fina está muito além da perda de peso. Está no esforço de todos os dias, no empenho de ser sempre melhor. Na vontade de crescer e aprender e trabalhar, como poucos. Está na coragem de tomar decisões e de enfrentar as consequências. Está nisto tudo e muito mais.

É isto que eu quero para a Perna Fina: quero que seja contagiante, honesta, crua, humana, diferente, inovadora, vendável, inacreditável. Quero que toque as pessoas e que as melhore, independentemente da forma. É isto que eu quero. É isto que vai acontecer.

Consegues sempre um pouco mais!

Seja no que for, consegues sempre um pouco mais, se te esforçares para isso. Estou, claro está, a falar de tudo o que depende exclusivamente da tua vontade, do teu empenho, da tua coragem. Esta coisa de acreditar que consegues sempre um pouco mais, é fundamental para combater a acomodação: de corpo e de espírito. Uso esta máxima nos treinos. Dá sempre para fazeres mais flexão, mais um agachamento, mais uma elevação. Dá sempre! Aplica-se também à alimentação de todos os dias. Dá sempre para compensares ao almoço a porcaria que comeste no jantar de ontem. E por aí fora. O mais importante é mesmo não ficares confortável, por muito aliciante que isso seja. Por isso, é fundamental começares por algum lado. Se já estás lançado, é continuar a querer. E querer mais! Se queres começar, é fazer isso mesmo. Começar. Tentar. Fazer todos os dias um pouco mais. Na mesma é que não. Pior muito menos. Consegues tudo o que quiseres muito. A questão é sempre esta: queres? Mesmo?

Mulheres com Mamas, se faz favor!

Eu não gosto de extremismos em nada. Não adoro o cinzento, prefiro o preto ou o branco, mas há posições com as quais não me identifico em absoluto. Por isso, não ergo a bandeira do feminismo. Porque há coisas que me parecem exageradas. Ou algumas vozes, talvez seja mais isso. Algumas vozes.

Mas se há coisa que eu odeio, é haver mulheres que atiram abaixo outras mulheres. Que acham que as outras são todas umas cabras, umas invejosas, umas ressabiadas. Algumas são, nem todas, e este discurso a favor dos homens, vindo de mulheres transtorna-me. Vindo dos homens também, como é óbvio. Não suporto machistas.

Serve esta conversa toda para quê? Para chegar a uma expressão que eu odeio de morte: uma mulher com tomates ou aquela mulher tem uns grandes tomates ou que mulher de tomates. Esta merda desassossega-me a alma. Dá cabo de mim. Causa-me uma coceira sem precedentes.

Como se uma caraterística puramente masculina engrandecesse alguém. Como se fosse o surgimento de tomates, a razão para uma mulher enfrentar o que quer que seja. Como se as mulheres pudessem ser, ou deixar de ser, o que quisessem, por terem, ou não, aqueles dois saquinhos ali pendurados.

E eu não sei se mais alguém se encanita com isto, talvez seja só uma parvoíce minha, mas eu acho que não. Acho que está na altura, de uma vez por todas, de usarmos, também, carateríticas femininas como forma de engrandecimento. Assim de repente, surgem-me mamas. Sim, mamas! Essa peculiaridade tão feminina, tão apreciada por toda a gente.

Sim, porque toda a gente gosta de mamas: seja porque as deseja ter ou ver de perto, homens e mulheres. Mamas são mamas, minha gente. Não há quem não as aprecie. Ora, desta feita, por que não passarmos a dizer: uma mulher com mamas ou aquela mulher tem umas grandes mamas ou que mulher de mamas?

Não no sentido bardajão da coisa. Antes com o intuito de engrandecer aquela mulher por ser mulher, dentro daquilo que é expectável ter no seu corpo (que não é certamente um par de tomates). Porque acho que o machismo continua a existir em pequenas coisas, como nesta expressão tonta.

Porque já não faz sentido haver estas diferenças entre homens e mulheres. Faz cada vez menos sentido. Um homem com tomates e uma mulher com mamas, ambos capazes de feitos heróicos. Ambos capazes de serem aquilo que quiserem, independentemente do género ou das miudezas que trazem penduradas no corpo.

Molho de vinagre balsâmico e mel

Este é o meu molho preferido para saladas. Tem o toque ácido do vinagre e o gosto doce do mel. Fica um molho espesso e delicioso! Vai lindamente com saladas, frias ou quentes, de atum, frango, figos e nozes… Basta usar a imaginação.

Ingredientes (para uma saladeira):
– 4 a 5 colheres de sopa de azeite;
– 2 a 3 colheres de sopa de vinagre balsâmico;
– 1 colher de chá de mel;
– sal e pimenta a gosto;
– óregãos (opcional).

Modo de Preparação:
1.º Misturar todos os ingredientes num copo com tampa e agitar bem;
2.º Deitar sobre a salada na hora de servir.

Jogo mental

Descobri, há relativamente pouco tempo, que já não treino para me manter magra. Quer dizer, treino porque me faz bem ao corpo, isso é uma verdade absoluta, mas já passei essa fase.

Hoje treino, sobretudo, para me manter sã de cabeça, para me manter equilibrada, dentro dum género muito meu, para me manter calma.

E isto pode parecer roçar a demagogia, mas não. Isto é mais real do que muitas coisas físicas que já me aconteceram na vida, é qualquer coisa que me ultrapassa.

Este jogo mental que mantenho comigo, todos os dias, dá-me um poder inexplicável. Eu sinto-me forte, rápida, segura, pronta para enfrentar (quase) tudo.

Hoje, noite escura e com um frio de morte, estive a lutar à séria num jardim. Passou uma senhora que disse nunca ter visto uma mulher a lutar assim.

Que assim ninguém se chegava a mim. Que não era nada graciosa. Foi o meu treinador que respondeu: sabe defender-se, já viu? É, eu sei defender-me.

Mas é mais do que isso: é um corpo firme, é uma alma tranquila, é um coração calmo e um peito cheio de orgulho. É uma cabeça arrumada. É um saber ser sem preço.

Carta aberta aos meus professores de Educação Física

Queridos professores de Educação Física,

Meus fofinhos do coração! Ou devia antes escrever: meus desencorajadores de potenciais/bestiais atletas, ãh? Porque foi isso que foram, toda a minha escolaridade. Gente que não me fez ver todo o meu potencial atlético, todo o meu porte de pessoa que treina, que sua, que gosta de sofrer em posições que machucam um pouco.

Eu sei, eu sei, que não dava para ver grande coisa em mim, porque toda eu era chicha. Eu sei disso perfeitamente e é por aí que vos desculpo um bocadinho. Olhavam para mim e viam apenas uma miúda gorda, preguiçosa, com pouco jeito para a coisa, alguém que tinha o período 37 vezes por mês. Não era a vossa aluna de sonho, compreendo perfeitamente!

Mas, a bem da verdade, qual de vós se esforçou em perceber por que não me mexia mais? Qual? Nenhum, meus grandessíssimos filhos da mãe. Limitavam-se a pôr-me um 2 na pauta e, a muito custo, no final do ano, lá me davam um 3. Visto que eu até era boa aluna… Podiam ter feito a diferença, mas não fizeram.

Foi preciso eu chegar quase aos 30 para descobrir pessoas e treinos que me fizeram perceber que, afinal, eu até gosto de me mexer, que até posso ter algum jeito nisso, que até posso ser toda fitzinha. Agora, se estão à espera de ganhar alguns louros nisto, tirem o cavalinho da chuva. Eu devia era processar-vos por desleixo pedagógico. Olhem que sei do que falo!

E as ofensas que uma de vós me fez? Quantas bolas estão em campo?, perguntava a rir-se. É, alguns conseguem ser muito cruéis. É, alguns nem de tijolos deviam ser professores. É, alguns deviam falecer aos bocadinhos e arder no inferno. Se os meus desejos se cumprirem, um ou dois de vós vão sucumbir. #beijinhonoombro

Eu agora treino todos os dias. Puxo ferro, corro, faço ginástica, dou socos e pontapés. Eu agora sei que o exercício físico pode fazer parte da minha vida sem ser um sacrifício. Eu agora, que treino até nos dias do período, sinto-me uma badass do caraças e gosto. Gosto, sobretudo, de perceber que o problema não era meu. Ou não era só meu, também era vosso.

Expludam longe, seus cocós!

Um agachamento jeitoso,
Joana.