Categoria: Diário

Aprende

Aprende: deves ouvir mais do que falas.
Aprende: deves calar-te mais do que te comprometes.
Aprende: deves agir mais do que apenas pensas ou supões.
Aprende: deves esforçar-te mais do que achas necessário.
Aprende: deves fazer mais perguntas do que dar respostas.
Aprende: deves perceber mais antes de lançares as criticas.
Aprende: deves tentar mais vezes do que aquelas que desistes.
Aprende: deves andar mais para a frente do que olhar para trás.
Aprende: deves ser tu mais vezes, mesmo que os outros não estejam preparados para ti.
Mas protege-te o suficiente. No final, até a tua barriga, que é tua, às vezes te dói.

Sobre um tempo interno

Passamos a vida a dizer que não temos tempo. Eu era uma dessas pessoas. Ainda sou um pouco. Ultimamente, tenho-me esforçado para ter tempo comigo e o que tenho vindo a descobrir, é um tempo muito valioso, que eu não conhecia. Nunca me tinha permitido a viver, porque estava incapaz de fazê-lo.

Eu não gostava de estar sozinha comigo. Os meus pensamentos, as minhas angústias, os meus medos, estavam sempre a minar a minha paz. Eu era (ainda sou) muito ansiosa. Acho que esta ansiedade foi crescendo comigo e que era uma das causas que me levava a comer. A comer muito, sem pensar. Para sentir. Para me acalmar.

Eu queria estar sempre com gente à minha volta, precisava do barulho alheio, para me esquecer do meu silêncio podre. Porque quando estava sozinha, fazia disparates, maltratava-me. Odiava a pessoa que era, a minha imagem, o meu corpo. Detestava o sentimento da falha permanente, da impossibilidade de atingir os meus objetivos, que não passavam de sonhos.

Este trabalho, de estar sozinha comigo, tem sido muito interessante de se viver. Aos poucos, tenho dado por mim, sozinha, a perceber que estou tranquila. A sentir que está tudo bem, e o que não está, ficará. Dou por mim a ter a certeza que já não estou em luta comigo, a maior parte do tempo, e, por isso, consigo lidar melhor com os meus pensamentos, com as minhas vontades e com os meus receios.

Isto vai muito além de se estar gorda ou magra. Está acima do amor dos outros, do trabalho de todos os dias, das responsabilidades que se têm de cumprir. Este tempo interno existe na mesma proporção que me sei ser. Ser pessoa que não precisa de compensações externas para se conseguir serenar, nem para lidar com as dificuldades dos dias.

Não me perguntem como é que isto se consegue, porque eu não vou saber explicar. A única coisa que eu sei é que este autoconhecimento me tem trazido a capacidade de tomar melhores decisões, me tem feito ser audaz, me tem possibilitado ser melhor (comigo) a cada dia que passa. Estar magra, ou lá o que é isto que estou, é “só” uma consequência deste trabalho.

Porque no fim de contas, independentemente de todas as pessoas que passam ou passarão na nossa vida, há uma que perdurará no tempo até ao fim: nós mesmos. Eu não sabia viver comigo. Ainda estou a aprender. Estou a melhorar. Sabe bem. Que perdure no tempo e que eu não me esqueça mais do bom que é viver sem uma guerra interior.

Compulsão Alimentar

“Compulsão alimentar é uma doença mental em que a pessoa sente a necessidade de comer, mesmo quando não está com fome, e que não deixa de se alimentar apesar de já estar satisfeita. Pessoas com compulsão alimentar comem grandes quantidades de alimentos num curto espaço de tempo.” 

Durante toda a minha vida fui apelidada de gulosa. Ou grande parte dela, vá. As pessoas à minha volta achavam que eu era gorda porque comia muito, o que era verdade, mas julgo que achavam que podia parar de comer e emagrecer se assim o quisesse.

Não. Todas as dietas que fiz falharam. O que eu tive, o que eu tenho ainda hoje, é uma doença, que me levou a comer doses descontroladas de comida, para lidar com situações difíceis que vivi. O que eu tive, o que eu tenho ainda hoje, está muito além do pecado da gula.

É um assunto sério, que eu vivi, mas já não vivo, em silêncio absoluto. Eu estive gorda porque comia muito, para me fazer mal, para me castigar, para compensar. Falo disto assim porque sei que, como eu, há milhares de pessoas a passar pelo mesmo. A viver de vergonha. A esconder.

A compulsão alimentar é uma realidade que precisa de ser discutida com seriedade. É uma doença que, apesar de ter manifestações físicas, tem outras, psicológicas, muito, mas mesmo muito mais graves. É urgente falar disto. É urgente dar voz a quem sofre disto. Se não for por mais nada, este blogue já valeu a pena.

Férias para quê?

As férias são uma catástrofe. Não há horários. Não há disciplina. Não há regras. As férias são uma verdadeira catástrofe. Se durante o resto do ano ainda me consigo controlar minimamente, quando me apanho com ordem de soltura é o fim do mundo em cuecas.

Gelados? São aos dois por dia. Bolas de Berlim? O senhor não ia passar por mim em vão, não é!? Pão com manteiga e petiscos? Como assim, ia negar? E pimbas, é o que se vê: não há calças que me sirvam, não sei o que vou vestir para voltar ao trabalho.

Já imagino o que vou sofrer, uma sala cheia de miúdos, com um calor insuportável e eu de calças apertadíssimas. É o fim! Mas quem me mandou comer que nem uma pequena lontra, quem foi? Quem me mandou quebrar a dieta? Quando a cabeça não tem juízo…

Mas agora começou setembro e eu vou mudar. Vou mudar à séria: acabou-se o pão, o arroz, a massa, as batatas, as tostas. Acabaram-se os refrigerantes, os bolinhos e as sobremesas. Aliás, acabou-se tudo o que implica comer. Fome. Eu preciso é de passar fome!

Grelhados e cozidos. Zero hidratos. Nem fruta vou comer, só para dar aqui um abanão ao meu corpo. Talvez até experimente um daqueles planos detox… Até ao Natal perco os quilos das férias e os outros todos que já tinha de perder. Agora é que é! Sim, sim!

Se conseguir perder 5 quilos por mês, são 20 quilos até ao Natal. É isso! Depois, no Natal, lá me encharco de coisas boas. Não hei-de ganhar 20 quilos em duas semanas. Bem, vamos a isto, que eu tenho de recuperar das férias. Ai, as férias deram mesmo cabo de mim!

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Este seria o meu estado há uns anos. Provavelmente, começaria uma nova dieta, muito restritiva, que acabaria por falhar algumas semanas após o seu início. Hoje, não só sinto que as férias não deram cabo de mim, como tenho a tranquilidade de voltar à rotina, sem extremismos.

O que nos faz perder peso, sem o voltar a ganhar, é a consistência. O trabalho de todos os dias, de alimentação equilibrada e de treino regular. Sou pelo fim das dietas. Sou pelas férias livres, mas com cabeça. Sou pelo caminho longo, nunca pelos atalhos. Sou pelo cuidado com que trato de mim. Todos os dias.

Como é que queres estar daqui a um ano?

Fiz esta pergunta no final do último vídeo que lancei no meu canal de YouTube. Fi-la de uma forma muito consciente, porque um dia me coloquei esta mesma questão: Como é que quero estar daqui a um ano?

Gostava que todos os que me lêem se fizessem esta pergunta também, porque quem não tem ambição, fica estagnado, nunca muda, se mudar for um desejo, jamais evolui. Como é que quero estar daqui a um ano? é uma pergunta muito importante.

Quero estar no mesmo emprego ou quero estar noutro? Quero estar na mesma relação ou quero estar noutra (ou sozinho)? Quero estar mais magra ou mais musculada? Quero ser menos ansiosa ou estar sempre à beira de um ataque de nervos?

Todos nós passamos por dúvidas destas todos os dias, a grande cena é o esforço que fazemos para lhes encontrar respostas válidas. Melhor: o essencial é como passamos a organizar a nossa vida, se aquilo que passamos a querer é diferente do que temos.

Eu sempre quis estar menos gorda, desde há muitos anos. Continuo a querer. Não que queira estar mais magra do que estou agora, mas antes porque entendo este trabalho como uma continuação de vida, não pelo corpo em si, mas pelo cuidado que passei a ter comigo. Vou continuar isto.

Se é perder peso que queres, sim, tu que me lês, porque este blogue também é sobre emagrecimento, coloca esta questão a ti próprio: como é que eu quero estar daqui a um ano? E depois de saberes a resposta, traça um plano e começa a cumpri-lo.

Pede ajuda. Informa-te. Estuda. Investiga. Evita os atalhos. Sê persistente. Resiliente. Faz o melhor por ti, a partir desse segundo, todos os momentos que puderes. Ama-te mais e permite-te mais. Coisas boas acontecem a quem é atento a si e às oportunidades. E a quem faz por isso.

Ser livre

Escrevo muitas vezes sobre ser livre de mim. Sobre poder viver sem estar presa a coisas, a pessoas, a situações. Fui exemplar este ano inteiro. E-XEM-PLAR. Comi sempre bem, treinei muito, fiquei na minha melhor forma física de sempre. Sempre a trabalhar bastante, a organizar o meu tempo, a correr de um lado para o outro. Podia ter decidido continuar este registo nas férias. Podia, mas não o fiz. Quer dizer, não perdi a cabeça, mas fui muito mais flexível comigo. Acho que engordei. Não sei quanto, mas hei-de saber, mais dia menos dia. Ou não, porque isso já não é mesmo o que mais me interessa! Interessa-me ter a certeza que o fim das férias, significa o fim desta vida de maior libertinagem. O regresso ao trabalho, que está para muito breve, é sinónimo de mais treino, de marmitas, de água bebida na quantidade certa, de horários. Não vou entrar de dieta, vou apenas voltar, o mais depressa possível, àquilo que é a minha alimentação de todos os dias, sem as exceções que abri durante este mês. Porque a liberdade é isto: tomar decisões, viver com as consequências, acertar novas decisões. E está tudo bem!

32


O 31.° ano da minha vida foi o ano mais importante de sempre: arrumei assuntos que estavam desarrumados há anos. Nem um, nem dois, vários. Os meus alunos aprenderam muitas coisas e foram felizes. Os meus amigos continuaram por perto. Este blogue cresceu como nunca. A minha família esteve bem. Eu cheguei à minha melhor forma física de sempre. A fasquia está muito alta, mas a minha ambição é maior que isso. Só posso agradecer tudo o que tenho, porque sou uma sortuda sem medida. Eu acredito que a vida se organiza por ciclos e sei que hoje começou um novo para mim. Sinto-o. Obrigada por todas as mensagens tão queridas. De coração. Que esta Perna Fina continue a ser esperança para todos aqueles que querem mudar, mesmo que ainda não saibam como.

Des-na-tu-ra-da

Sou uma desnaturada, eu sei. Tenho deixado este barraco ao abandono e ontem, quando a minha mãe me disse que não escrevia desde dia não sei quantos, senti-me péssima. Eu não estou morta para a vida, estou super ativa no Instagram e no YouTube (e nas férias, também!). Essa é que tem sido a questão: é que tive um ano de trabalho de bradar aos céus e precisei mesmo desta pausa. Porque escrever implica mais atenção do que publicar apenas uma foto, não é verdade?! Mas não se aflijam, que eu não estive só a descansar. Estas férias foram muito produtivas a muitos níveis, Perna Finamente falando também. As novidades não vão tardar e são melhores que boas. Assim que puder, conto tudo, tudo. Por enquanto, vou aproveitar esta última semana da melhor forma que posso e finalizar este bronze que está bem fixe.

Quantos quilos perdi?

Eu fui gorda, mas também fui muitas vezes magra. Fazia dieta atrás de dieta, perdia peso e engordava tudo outra vez (ou mais). Tenho memória de me ter posto em cima de uma balança, há mais de 6 anos e de ter mais de 80kg. 81 e picos. Desde que comecei a Perna Fina, já tive vários pesos: lembro-me de celebrar os 72, os 68, de ter ficado muito tempo parada nos 64, de ter chegado aos 61 e de me sentir incrível. O peso mínimo que tive foi de 57 quilos, por isso, de forma arredondada, digo que perdi 25 quilos.

Eu já peguei num peso de 25 quilos e é qualquer coisa de muito pesada. É impressionante! Perdi muita, muita chicha, é certo, mas mais do que isso: eu transformei o meu corpo. Neste momento, tenho a composição física de um pessoa dita atleta, o que me deixa muito, muito, feliz. Tenho um IMC de 21 kg/m2, nível 1 de gordura visceral (o valor mínimo de gordura ao redor dos órgãos) e muito mais de metade do meu peso é músculo. A minha idade metabólica é de 16 anos, o que é metade da minha idade real. Tenho 58 quilos.

Eu perdi muito peso, é verdade, mas a mudança que fiz no meu corpo já está muito além de um emagrecimento. Está numa profunda alteração de estilo de vida, de perspetiva do que é ser saudável. E feliz (comigo e com os outros).