Categoria: Diário

Coisas que me tiram do sério #11

Desgraçadinhos. Seres que estão sempre mal, que sofrem mais do que os outros, que trabalham mais e têm mais chatices na vida. Eu não posso com desgraçadinhos. Porque estão sempre infelizes, a curtir a fossa. E se lhes dizemos: hoje estou mesmo cansada. A resposta é logo: então e eu? Porra, eu lá quero comparar cansaços? Cada um tem o seu. Os desgraçadinhos são pessoas que acham que gerem lindamente o seu tempo, mas, na realidade, desperdiçam-no. Depois andam sempre a lamentar o que não fizeram, o que não viram, com quem não estiveram. Privam-se de vivências por uma ou outra razão, que podia ser resolvida facilmente. Nunca podem. Nunca estão. Têm muito para fazer. Sempre. A vida passa-lhes ao lado, cheios de desculpas. Sobra-lhes o autoengano.

Deus me perdoe se nisto peco #3

Deus me perdoe se nisto peco, mas eu não bebo leite. Em miúda, esta questão do leite era um verdadeiro sarilho: quem é que não bebia leite? Ainda me lembro do sabor, das natas que se criavam em cima, quando estava quente. Um nojo! Para mim, sempre foi um blheck gigante, mas a minha mãe borrifava-se no que eu dizia e obrigava-me a beber leite. Anos a fio.

Cresci com campanhas a apoiar o consumo de leite, que fazia bem aos ossos e quê, mas nada me convencia de que aquilo fazia bem a alguma coisa. Mais, eu morria de azia. Houve até uma altura em que perdi a voz, porque o refluxo gástrico era tanto que me estava a queimar as cordas vocais, literalmente. O leite era a principal causa. Eu nunca supus que isto fosse sério ao ponto de inúmeros problemas na minha vida se relacionarem com este alimento.

Até chegar aos 28 anos e constatar que tenho intolerância à lactose. Não fiz nenhum teste de alergia, mas testei-me à seria. Fiquei um mês sem tocar em lacticínios e depois comi um iogurte, só para ter a certeza. Achei que ia morrer, a desfazer-me em diarreia. Foi tudo o que precisei para cortar com esta história, que me atormentava há séculos. O acne também passou. Eu que me enchia de hormonas há mais de uma década para não ter borbulhas…

A bem da verdade, quase não consumo lacticínios. Não sou extremista, de vez em quando como gelados e queijo, que eu adoro. Iogurtes, só sem lactose ou vegetais. Leite? Leite nunca mais. Até porque tenho lido muito acerca desta temática, sobre o que é efetivamente o leite e a minha aversão à cena não pára de crescer. Gosto daquela ideia: a vaca é tua mãe? Então não bebas o leite dela!

Somos o único mamífero que bebe leite em idade adulta, doutro animal. Blheck. Blheck. Blheck. Ao longo deste processo, tenho provado muitas bebidas vegetais. As minhas favoritas são as de arroz e côco. Nem todas as marcas me satisfazem, mas encontrei uma ou duas que gosto muito. Percebo que esta ideia de não beber leite choque alguns puritanos da alimentação, mas eu sinto na pele os efeitos de não o beber. Teorias à parte, é tudo o que me interessa é retirar benefícios dos alimentos. Não o contrário.

Viciada em treinar

Eu estou viciada em treinar. Para as pessoas que me lêem, esta não será uma afirmação estranha, mas eu não imagino a reacção dos meus colegas da escola, por exemplo (considerando que lêem o blogue, claro!). É porque eu era aquela pessoa que tinha sempre negativa a educação física, incapaz de dar duas voltas ao campo de futebol, em passo de corrida.

Eu tinha a história 13 vezes por mês, só para poder não fazer a aula. Eu arranjava maleitas, que me impedissem de mexer. Eu era essa pessoa. Aquela que era sempre a última a ser escolhida para as equipas, que acabava por ficar para último, na equipa que tinha mesmo de me aceitar por não ter alternativa.

Portanto, passei desta pessoa imóvel a alguém que sente necessidade de treinar… Por isso, aqui estou eu para vos escrever acerca desta metamorfose espetacular que se deu em mim. Porque é mesmo verdade: eu estou viciada no treino. Dizia no outro dia ao meu treinador que há uma qualquer cena dentro de mim, que me leva a querer treinar.

É uma sensação boa, uma espécie de formigueiro, não sei bem. Só sei que o treino diário passou a ser uma prioridade gigante na minha vida e que me organizo ao minuto para poder ser consistente nisso. Não estou com isto a querer dizer que passei a gostar de burpees, por exemplo.

Não adoro tudo o que faço nos treinos, mas os movimentos passaram a ser um pormenor. Eu quero (preciso!) é de ir, de fazer, de me sentir a melhorar. Preciso daquela sensação boa, no final, de dever cumprido. Houve um tempo em que me obriguei a treinar para ter saldo para comer. Agora também já não é isso. Eu treino porque quero, porque gosto, porque me sinto melhor assim. E enquanto eu puder, assim será.

Dizem que… #3

Dizem que eu passo fome, para me manter assim, e é um bocadinho verdade. Eu adorava poder escrever que já como tudo o que me apetece, sem ter de me preocupar com isso, mas não é verdade. Não é, nem nunca vai ser. Para perder peso é preciso abrir mão de uma série de coisas boas e não há volta nenhuma a dar neste campo. Não há, nem nunca vai haver. É impossível alguém perder peso a comer tudo o que lhe apetece, isso não é real, não é humano. Eu sei que existem pessoas que perdem peso se comerem menos massa do que o costume, só porque sim. Eu sei que esse tipo de pessoas habitam neste mundo e eu odeio-as, mas tirando esse género de gente, ou bem que se come limpo ou nada feito. Por isso, sim: eu passo fome. Fome de coisas boas. Fome de coisas que me alimentam a alma, mas me aumentam a barriga, os braços e as pernas. Fome de gelados, de chocolates, de pizas, de massas, de pão, de batatas fritas. Fome de enchidos, de queijos, de petiscos, de cachorros, de bolos, de tartes. Eu passo fome disto tudo. Como às vezes, não tantas como gostaria, mas a minha vida passou a ser isto. Tenho vindo a descobrir que sou muito mais feliz a passar fome e a ter uma cintura fina, do que a comer, trazendo uma bóia à cintura. Por isso, continuo faminta e nem por um segundo me arrependo da decisão que tomei.

A fotografia é de hoje e eu gosto muito dela. Ninguém diz que passo fome, pois não?

Inspira-te, Perna Fina #8

Sempre achei esta atriz muito gira, mas desde que a sigo no Instagram que a acho uma verdadeira inspiração. Mudou radicalmente a sua alimentação e escreve, várias vezes, sobre os benefícios que essas mudanças trouxeram para a sua vida, nomeadamente à pele e ao cabelo. Treina muito também. Gosto das stories, que dão várias dicas de pequenos-almoços, por exemplo, e das fotografias, cheias de bom gosto. Acho que vale a pena seguir a Catarina Gouveia, mesmo.

Isto de ser forte

A semana passada, quando estive a recuperar da minha lesão e escrevi sobre a vontade louca de devorar meio mundo, recebi muitas mensagens a dizer que eu era forte e que seria capaz de ultrapassar calmamente a situação, sem comer.

Já estou muito melhor, já voltei aos treinos e sinto que já recuperei (quase) na totalidade. Vivi este acontecimento da minha vida com a maior naturalidade que me foi possível, até porque não foi o fim do mundo, mas terei sido assim tão forte?

Forte no sentido em que quem me lê espera que eu seja. Eu comi muito naqueles dias em que estive em casa. Talvez a quantidade não tenha sido significativa, mas a qualidade sim. Comi muito gelado, piza, pão, sushi e mais uma quantidade de coisas que agora me escapam.

Comi e não sinto que tenha sido fraca por causa disso. Acho que é importante escrever o seguinte: o que me fazia fracassar em todas as dietas, antigamente, não era o facto de fraquejar de vez em quando, era a incapacidade que tinha de parar.

Ao dia de hoje, eu sei parar. Eu sei perceber que ainda como porque estou triste, mas não deixo que esse comportamento perdure no tempo. Assim que voltei à minha rotina, voltei à minha comida de todos os dias, voltei aos treinos. Pus um ponto final na cena.

É por isso que me considero cada vez mais forte: porque aceito que às vezes a comida ainda me dá conforto e porque, com a mesma intensidade, sei reconhecer que uns dias de comida de plástico não me definem como pessoa e, por isso mesmo, volto rapidamente ao que quero que seja a minha vida, sem desculpas.

Já escrevi algumas vezes sobre a importância de recomeçar todos os dias. A consistência é tudo na vida: no trabalho, no treino, no amor, na capacidade de superação, em tudo. Não preciso de ser forte sempre, mas preciso de ser muito, muito forte algumas vezes.

O meu esforço é exatamente nesse sentido: fazer com que os momentos de força sejam de tal forma intensos que me permitam atingir os meus objetivos, mesmo sabendo que, por vezes, ainda me tenha de agarrar a um saco de gomas… Não é isso que me define. Já foi. Agora não é.

Carta aberta às Boazonas do Instagram

Olá, Boazonas do Instagram, como estão?

Eu estou bem, obrigada, não fiquem apoquentadas a achar que me vou pôr p’raqui a lamentar a minha vida, nada disso. Mas bom, calculo que estejam melhor que eu, não é verdade?

Até porque estão sempre em altas, estou certa? Sempre alegres, sempre bem vestidas, sempre bem maquilhadas, sempre a comer (pouquíssimo) em sítios super in.

Convosco não há TPM, não há dias em que o cabelo pareça um ninho de ratos, não há mau humor, não há celulite, estrias, não há falta de dinheiro, não há dias de trabalho de 12 horas. Não há.

São assim: comem bem a todas as refeições, treinam muito, maquilham-se com as melhores marcas, usam as jóias mais brilhantes, têm os namorados mais gatos.

Ótimo, Boazonas do Instagram, ótimo! Fico muito feliz por todas, enquanto choro em posição fetal as dores que tenho nos rins, dada a altura do mês.

Porque eu não sei se sabem, mas as pessoas comuns padecem de cenas chatas, têm problemas para resolver e nem tudo se resume a um filtro.

Era só isto. Alguém tinha de vos dar a saber a realidade. Se um dia se dignarem a descer até aqui, venham tranquilas. Parece difícil, mas até se leva.

Aqui come-se, dança-se, chora-se, abraça-se, bebe-se, treina-se, têm-se uns desgostos, procuram-se outros, vive-se. É fixe, acreditem.

Ou então não venham, que nos ajudam a sonhar. Esse vossos rabos em forma de emoji de pêssego são uma grande ambição na minha vida. Tinha dois, se pudesse. Continuem a exibi-lo, por favor!

Vá, um grande beijo nessa bochecha cheia de makeup,
Joana.

Deus me perdoe se nisto peco #2

Deus me perdoe se nisto peco, mas eu pelo-me por uma francesinha. Tudo aquilo é merdum, eu sei, mas só de imaginar aquele pão com carne e enchidos, a escorrer queijo e molho, a minha boca lateja. E eu gosto daquilo mesmo picante, mesmo ao ponto de queimar a língua. Prefiro a salsicha de lata, à fresca. Gosto do bife médio, fino e tenro. Normalmente, como sem ovo, mas percebo que esta minha opção choque os mais puros devotos desta iguaria. Hoje comi uma e estou aqui toda consoladinha. Deus me perdoe. Ele já perdoou.

Ainda bem que já não tenho balança!

Ainda bem mesmo, que sabem lá o que eu enfardei nestes dias que fiquei a cortar os pulsos em casa. Sabem lá! Por isso, ainda bem que já não tenho balança. É que amanhã vai cair-me a ficha e era menina para me passar a pesar de manhã e à noite. Era era. E era menina para ter engordado assim um quilinho, para desdizer a minha vida e começar a passar uma fome de cão durante dias, para depois voltar a devorar tudo outra vez, no fim de semana. Eu era assim, mas já não sou. Comi, está comido. Isso é um assunto arrumado na minha cabeça. Comi porque estive em casa a passar-me. Era razão para isso? Não era, mas foi. Por isso, agora, é tempo de voltar à minha comida de todos os dias, aos treinos (ainda só com um pé) e à esperança de que tudo volte ao normal, sabendo que os próximos dias serão de ressaca alimentar. Azar o meu. Ninguém disse que isto era fácil, ninguém disse, mas também, quem diz que é impossível está a mentir.

Dizem que… #2

Dizem que o Crossfit é perigoso. Estão sempre a dizer-me isso e eu já não os posso ouvir. Aliás, já perdi a conta da quantidade de vezes que me disseram que torci o pé por causa do Crossfit. Efetivamente, eu estava dentro da box, mas eu torci o pé porque caí da bicicleta, ou seja, não torci o pé a fazer nenhum movimento típico de Crossfit. Até podia ter sido, mas não foi. Porque os pés se torcem em variadíssimas situações, que fogem a este demónio que é o Crossfit: num passeio com pedras irregulares, a descer escadas, com saltos, a descer do carro, a pendurar um quadro em casa, a dançar, a correr, a dar beijinhos na boca, a estender a roupa, a sei lá. Só sei que não vale a pena pôr as culpas todas das coisas más da vida nesta modalidade, porque isso é só estúpido. A acontecer o fim do mundo, a culpa será do Crossfit? Tenham juízo e, a menos que já lá tenham ido bater com os costados, guardem a vossa opinião dentro da boca. Ou engulam-na, que vão ver a azia com que ficam. E não é porque o Crossfit faz mal. É porque o vosso julgamento, sem conhecimento de causa, é absolutamente indigesto.