Eu tenho uma amiga, que é mesmo muito minha amiga, que só come merdum. Ela come hambúrgueres, sushi e petiscos sempre que lhe apetece. Ela é magra, tem uma barriga de fazer inveja. Diz ela: eu sempre fiz muito exercício e as células têm memória. Incomodada com a alimentação que a miúda leva, falei com o namorado. Sim, que isto de ser magra por fora é uma coisa, por dentro é que são elas! Disse-me ele: ainda bem que a chamas à atenção. Às vezes, em casa, encontro pacotes de batatas fritas de presunto nos sítios mais estranhos. Ela come mal, come mesmo. Olha, uma luta que tive com ela foram as natas… Nesse segundo, a minha amiga, que esteve quase calada até então, diz: vês? Eu estou mesmo muito melhor. Eu até já cortei nas natas. Antigamente punha natas em tudo, agora ponho só nalgumas receitas. E tivemos de nos rir, não é verdade? Mas como é que aquela cabeça pode achar que tirar as natas já a faz ter uma alimentação menos má. Ultimamente, se passa por mim com merdum nas mãos, esconde, que o respeitinho é muito bonito e eu gosto. Mas o que eu gostava mesmo, era que a minha amiga parasse de usufruir da genética, se mexesse um pouco mais e comesse melhor. Porque é minha amiga e porque tem direito a viver com qualidade. Ela diz que as análises estão TOP, mas eu não sei… Bom, agora sempre que falamos em comida eu digo: ainda bem que já deixaste as natas! E é um fartote! Talvez, mais dia menos dia, deixe outras coisa também. Aí, será missão cumprida. Até lá, só dores de barriga de tanto rir (a minha barriga dói mais que a dela, porque eu faço abdominais até à morte e ela não. Só para ficar este registo, ok?).

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