Há pessoas que não sabem parar e estar quietas, sem fazer nada. Isto pode parecer tonto, mas eu vou tentar explicar que não é.

Vejo isto nalguns alunos meus: todos os dias fazemos um momento de quiet time e há miúdos que, simplesmente, não conseguem estar quietos uns minutos.

E perguntam sempre: o que é que vamos fazer a seguir? E depois? E isto preocupa-me. Há adultos assim: que têm mil afazeres, que nunca param.

Eu já fui assim. Era tudo depressa, tudo a correr. Tinha de estar ocupada. A comer também era assim, tudo numa sofreguidão pegada, sem parar para pensar e ver-me.

Saber não fazer nada pode ser doloroso. Ficarmos apenas sentados, com os nossos pensamentos, com as nossas dores, sem TV, sem música, sem Instagram.

Tenho-me dedicado a este exercício mais vezes que nunca e tenho percebido que me dava pouca atenção. Porque há sempre qualquer coisa para fazer… Ou havia.

É urgente saber parar. Sem distrações. Ficar sentada, ou deitada, a pensar, a sentir, a planear. É urgente saber lidar com o que está cá dentro.

Saber esperar é uma virtude, diziam-me quando era pequena e eu nunca percebi porquê. Saber parar é uma virtude, diria eu. No meio do caos, é difícil crescer.

É possível, mas não de forma tão profunda, não tão sentida. Não precisa de ser durante horas, o tempo dependerá da necessidade de cada um…

É urgente parar. É imperativo saber parar.

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