Às vezes tenho medo de ser feliz. Tenho medo desta paz que me invade o corpo, dos pés à cabeça. Às vezes, lamento esta felicidade. Como se não a merecesse. Como se nunca a tivesse desejado. Às vezes, sinto receio. Receio que chegue um vendaval e destrua isto tudo. Esta alegria que tenho e que, dizem, é contagiante. Eu rio com os olhos, com a boca. Eu rio por fora. Rio ainda mais por dentro. Se a minha vida é perfeita? Não. Se eu gostava que este momento durasse para sempre? Amava. Por isso, nada mais me resta que não usufruir. Gozar todo o meu esforço, todo o meu trabalho, tantas as minhas lágrimas. Resta isso, que chega e dá para vender. Talvez até abra uma banca, com o slogan: Vende-se Alegria! Talvez seja um sucesso. Ou não. Será que as pessoas querem realmente ser felizes? Será? Talvez também tenham esse medo, como eu. Mas só às vezes. Noutras, permito-me SÓ a ser tudo o que sempre desejei.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *