Mês: Abril 2018

Massa Gorda

Houve um tempo em que a minha massa gorda era de 39%. 39% de massa gorda, considerando o meu género e a minha idade na altura, correspondia a obesidade. Eu era obesa. Quando digo isto as pessoas chamam-me exagerada. Normalmente, associam a obesidade a pessoas com mais de 100 quilos (só para ter um número redondo). Por isso, na cabeça de muita gente, eu nunca fui obesa. Mas fui, a verdade é que fui. Os números diziam isso. O valor da massa gorda dizia isso. No fim de semana, no bootcamp, voltei a conhecer este número, através de uma balança que faz essa medição. 17,4% de massa gorda é o que habita hoje no meu corpo. Passar de 39% para 17%, é uma espécie de feito heróico. É passar de obesa a atleta, literalmente. Interessa dizer que este dado se torna fundamental para perceber a minha composição corporal e é muito mais significativo que o peso. Muito mais. Por isso, o peso já não conta. A balança só teve um número mais pequeno que este na infância. Mas, como já escrevi muitas vezes, deixei de me pesar. Voltei a fazê-lo por imposição do meu treinador, para percebermos a evolução. Agora, para além do peso, sei a quantidade de gordura. E isso sim, interessa-me. É isto!

Ninguém ia saber…!

Quando eu comia às escondidas, fazia-o porque não queria que os outros soubessem que estava a falhar outra dieta. Queria que achassem que estava a ser bem sucedida, que daquela vez, era de vez. Mas nunca era. Afinal, eu comia, comia muito. Só que ninguém sabia e, para mim, isso era o suficiente. No outro dia, tive estas bolas de berlim na sala. Estava lá eu e elas, sozinhas. Ninguém ia saber, se eu tivesse comido. Ninguém me veria a falhar. Porém, neste momento, eu importo-me pouco com os olhares alheios. Eu não falho comigo. Agora, eu vivo em paz com a minha consciência. E não troco esta paz por nada.

É muito fixe estar aqui!

Dei por mim a dizer esta frase, mais do que uma vez, o fim de semana passado. Estive no bootcamp que anunciei neste texto e a experiência foi mesmo enriquecedora. Tive a oportunidade de cozinhar e comer refeições equilibradas, de ir às compras, tendo em atenção os rótulos, de treinar e de contar a minha história.

A minha história de vida, que passou muito por esta insatisfação com o meu corpo, com o meu aspeto e com a minha imagem. Às tantas, dei por mim a dizer, em tom motivador: isto é fixe. É mesmo muito fixe estar aqui. Aqui, deste lado, do lado de quem se sente bem consigo e com as suas escolhas.

E nunca tinha pensado nisto assim. Nisto de poder haver dois lados (ou mais do que dois, até). Porque até cá se chegar, tudo parece meio vago, meio impossível, meio estranho. Mas, posso garantir, é uma sensação incrível. Poder viver num corpo que não nos atormenta é das melhores coisas que já senti. É uma liberdade que sai dos poros, que vem de dentro para fora.

Gostei do fim de semana também por isto. Por poder ser a concretização real e ao vivo de que é possível chegar aqui. O caminho é tudo menos fácil. É acidentado, tem muitos obstáculos, mas o destino? O destino é para lá de incrível. É a ideia de se ser absolutamente feliz em alguns momentos, que passam a ser muito mais frequentes do que um dia foram.

Atalhos

As pessoas, no geral, querem ter a vida facilitada em inúmeras coisas. Querem ganhar dinheiro fácil, querem progredir na carreira de um ano para o outro, querem perder o peso todo num mês. Então, decidem atalhar. Decidem escolher o caminho mais fácil, o que lhes parece mais simples, o que acham ser apenas o indispensável para atingirem os seus objetivos, com pouco esforço. O que é que normalmente acontece? Várias coisas. Por um tempo, pode parecer que estão no bom caminho, mas isso não passa de uma ilusão. Os atalhos são inimigos da consistência, da resiliência e da superação. Os atalhos são fantasias da nossa cabeça, são perdas de energia, de dinheiro, de tempo. Eu escolhi os atalhos durante a minha vida inteira: batidos, sumos, fome, dias de asneira, falando apenas de perda de peso, claro! Agora não há atalhos, há só três coisas: alimentação, treino e descanso. Vá, também há alguma suplementação e massagens, mas tudo com conta, peso e medida. Quem atalha num determinado aspeto, atalha na vida. E o que pode parecer aliciante, não passa de uma manobra de diversão autoinduzida.

Boicote

Escrevi, um dia, sobre o autoboicote. Escrevi e voltaria a escrever cada palavra (à exceção do Snickers, claro está)! O autobocoite, as desculpas que arranjamos para não comer bem, para não treinar, são mais de muitas. Eu conheço-as a todas e usei-as milhares de vezes. Este foi um processo que me levou anos. Parar de comer às escondidas, parar de me enganar, parar de dizer que era só mais uma vez. Parar.

Hoje acho que já não me boicoto. Acho não, tenho a certezinha absoluta. A luta agora é outra: é não deixar que me boicotem. As pessoas lidam mal com a mudança. Quando se habituam a ver-nos de uma maneira, normalmente uma maneira mais contida, custa-lhes a aceitar-nos de outra. Por isso, envergam a bandeira do boicote. E toca de investir num desencorajamento sem fim.

Às vezes é de forma inconsciente, não digo que não, mas as pessoas, de um modo geral, adoram ver até onde vai a nossa obstinação. Morrem por testar o ponto pelo qual vergaremos. Tenho sentido muito isso. Tenho sentido isso todos os dias, aliás. E, confesso, já me chateou mais. Agora é só ruído. Agora é só mais uma quase queda, um quase desconforto, um quase desgosto.

Porque há uma coisa que eu aprendi, e não me importo nada que me apelidem de egoísta: as minhas decisões têm de ser boas, em primeiro lugar, para mim. Porque foi por não me pôr em primeiro lugar, e por ter querido sempre agradar à opinião dos outros, que deixei que o meu amor-próprio se arrastasse na lama.

Não quero dizer com isto que para se perder peso, mudar de vida e se ser bem sucedido numa série de coisas se deva pisar alguém, nada disso. Só digo que se tomamos uma decisão a devemos assumir, aceitando que haverá quem não concorde, sabendo que haverá quem tente dissuadir-nos. Nem sempre é por mal, que fazem isso. Às vezes é só medo. Medo alheio. O medo também é uma escolha. Não a minha. Não mais.

De volta!

Estes dias de férias souberam-me a pato. A um pato com redução em vinho do Porto ou isso, daqueles todos XPTO, feitos por um chef de cozinha à séria. Consegui mesmo desligar daquilo que é a minha vida doida e usufruir das aulas de surf, do ioga e de imensas conversas boas, com gente já conhecida e com outra que conheci lá. Lá, em Aljezur, onde tudo é lindo, onde todos são simpáticos e têm um ar feliz. Eu andei como quis: despreocupada de todo, de roupa larga, sem maquilhagem, sem sapato no pé. Estavam previstos dias maus, mas eu sou filha da sorte e o sol brilhou que se fartou. No meio destas atividades programadas, tive ainda espaço para pensar nos meus projetos e para os escrever. Esperam-se novidades bem boas, aviso já! Mas pronto, acabou. Está na hora de largar o chinelo, a cara lavada e o cabelo por arranjar. Está na hora de voltar a vestir a roupa do dress code e a ter um ar sério (dentro do meu género). Confesso que adorei estes dias. Foram melhores do que sonhei. Agora só volto a eles em julho. Que Deus Nosso Senhor me ilumine. Iluminará!

I’m off!

Vou fechar para balanço, que é como quem diz: VOU DE FÉRIAS! Os últimos três meses foram de cão. Por isso, os próximos dias serão de descanso muito merecido. Não darei notícias porque vou para um sítio onde o conceito é desligar. Desligar do telemóvel, das redes sociais. Vão fechar-me o telefone num cacifo, dizem eles! Não sei como vou aguentar, porque sou completamente dependente do meu telefone, mas, confesso, está a apetecer-me passar por isto. Vou dormir, fazer ioga, aprender a fazer surf?! e passear. Vou acalmar-me um bocadinho, que a este ritmo não chego a velha e era coisa que até apreciava. Falamos para a semana, ok?