Mês: Março 2018

Às escondidas!

Eu comi muitas vezes às escondidas. Quando a compulsão começou eu tinha 16 anos. Foi nessa idade que fiz a primeira dieta. Durante o dia passava muita fome, à vista de todos. Eu queria ser magra! Ao final do dia, como apanhava um autocarro diferente do dos meus amigos para ir para casa, comia. Comia hambúrgueres e bolos de pastelaria. Também comia gelado e chocolates. Comia sempre sozinha, escondida, com medo que alguém me visse, que alguém visse que estava a falhar.

Ontem, antes do treino, estava a comer uma tapioca sozinha no carro e senti uma sensação muito estranha. Uma sensação de paz gigante. Eu estava a comer no carro, sozinha,  porque estava demasiado cansada para o barulho do centro comercial. A única coisa que queria era usufruir daquela tapoica do bem, antes de me ir acabar no treino que me esperava. Eu só queria estar sozinha comigo. Porque se antes a solidão era um esconderijo, hoje é serenidade.

É impressionante como as mesmas situações podem ser vividas, e sentidas!, de formas tão distintas. É impressionante como podemos fazer com que a nossa vida evolua, se transforme. Ontem, eu podia perfeitamente ter pegado num bolo e ter ido para o carro, sozinha, para o comer longe dos olhares alheios, como fiz tantas vezes. Não foi o que aconteceu. E o mundo pode não acreditar, mas o mais importante disto tudo é mesmo esta boa relação comigo e com o meu corpo. Que eu não volte atrás. Magra ou menos magra. Que eu não volte atrás.

Ai, que medo!

Eu acho muita graça às pessoas que tentam dissuadir os outros pelo medo. Uma tirada ótima que tenho ouvido ultimamente é: não tens medo de ficar grande? Eu sinto muita vontade de rir, confesso!

É que eu constato que as pessoas que dizem isso não têm a mínima noção do que é preciso para mudar o corpo de forma a ficar grande. Aliás, se alguém dito grande ouvisse isso, talvez até se sentisse ofendido.

Porque são horas e horas de treino. Horas e horas de preparação de refeições. São vidas dedicadas àquilo. Vidas centradas na competição e nas vitórias. Alguns aditivos pelo meio, mas, quem somos nós para julgar?

Por isso não, gente que se preocupa com o meu futuro tamanho, eu não vou ficar grande. Esse medo eu não tenho. Os treinos que faço e a alimentação que mantenho só me deixarão assim p’ró gostosa. AHAHAHAH! Isso, gostosa! Vão ter de aguentar, ok?

Bolo de Chocolate


Ingredientes:
– 1 tablete chocolate de culinária sem adição de açúcar (comprei no Celeiro, na zona de alimentação para diabéticos);
– 2 colheres de sopa de óleo de côco;
– 6 ovos;
– 2 colheres sopa de farinha de côco.

Modo de Preparação:
1.° Derreter o chocolate com o óleo de côco em banho-maria. Deixar arrefecer;
2.° Bater as claras em castelo e juntar as gemas ao preparado anterior;
3.° Juntar a farinha de côco e misturar;
4.° Envolver as claras em castelo;
5.° Levar ao forno durante 15 / 20 minutos, a 180°.

Eu adicionei uma coberturazinha de manteiga de amendoim, só porque sim! Isto soube-me assim a um Snickers Maroto…! Foi o bolo de aniversário da minha mãe e ficou aprovadíssimo.

Querer e Poder

Há coisas que posso ter e não quero.

Há coisas que quero e não posso ter.

E o problema do querer e do poder é o facto de haver coisas que não dependem de mim. São essas as coisas que me encanitam, que me fazem ficar raivosa, por querer, querer muito, e não poder.

E outras, que estão ali, quietas, ao meu dispor, e não me causam a mínima comichão. Não mexem comigo, sequer.

Dizem que querer é poder e eu até concordo. Mas quem terá o poder de ter todo o seu querer?

Desfigurada

A minha mãe, a rainha das pérolas, diz que estou a ficar desfigurada. Está absolutamente contra o facto de eu não comer açúcar por tempo indeterminado, contra querer ficar mais magra, mais musculada. Afirma que estou a perder a graça toda e que estou a perder todo o meu juízo. Esta foto, segundo a minha mãe, prova a sua teoria. Sou toda ossos! Não sou, de todo, mas a minha mãe deve ter medo que eu ande mal alimentada ou assim. Não ando e já lhe disse isso, mas o que hei-de eu fazer? Nada, só sorrir e acenar. Sorrir e acenar e continuar esta minha vidinha de filha rebelde.