[Nas cachoeiras do Brasil, a exibir o tanquinho.]

Não como açúcar PROCESSADO há 60 dias. Desde que anunciei esta decisão, tenho sido bombardeada com questões: mas não comes porquê? Queres ficar mais magra? Que mal tem comer só de vez em quando? Não estás a exagerar? Até quando vais fazer isso? É para sempre?

Eu não sou extremista, não gosto de fundamentalismos, mas em relação ao açúcar tenho algumas convicções. Estas convicções são sustentadas pela ciência, mas não só. Surgem, também, da minha experiência de dietas sem fim e dos meus episódios de compulsão alimentar, que me atormentaram durante anos. É sobre tudo isto, este texto.

Posso começar por escrever que o açúcar é algo que traz ZERO benefícios à nossa existência. Pelo contrário: só traz MALEFÍCIOS. Um deles é o vício. Lá chegarei. Se precisamos de açúcar para viver? Claro que sim! A fruta e os amidos, como a batata doce e o arroz, dão-nos tudo o que precisamos a esse nível.

Em termos científicos, pode dizer-se que para perder massa gorda há um requisito: estar em défice calórico. Ou seja: tem de se gastar mais calorias do que aquelas que se ingerem. Claro que há mil e uma formas de o fazer… Se é possível consumir açúcar processado e perder massa gorda? É. Traz algum benefício? ZERO. Os açúcares são calorias vazias, por isso, têm nenhum valor nutricional. Logo, se o caminho que tenho feito tem sido o de comer para me nutrir…

A única coisa que podemos todos concordar é que o açúcar sabe bem. Mexe com tudo! É um grande prazer momentâneo, de muito curta duração. Usei os alimentos com açúcar como conforto durante anos a fio. Eu era viciada em açúcar. Ficava de ressaca se não o comesse. Assumo-o e falo disso porque sei que posso ajudar outros.

Tenho aprendido que vida é feita de escolhas e prioridades e, por isso, dei por mim a levantar algumas questões. O que é que me dá mais prazer: comer um pedaço de bolo e ter de 30 segundos de fogo de artifício nas papilas gustativas ou ver-me ao espelho, ou em fotografias, e ter prazer em ver o meu próprio corpo?

Mais, o que será mais importante: comer por prazer ou ter o prazer de perceber que o meu corpo é capaz de coisas que nunca tinha imaginado, fisicamente falando. Quando é que na minha vida me imaginei como atleta? Nunca! Nunca, porque sempre pus o prazer fácil e instantâneo à frente do que agora venho a descobrir.

Neste sentido, esta minha decisão será para sempre? Nem eu serei eterna, graças a Deus. Não sei. Agora sei que não vejo motivo de voltar a comer uma coisa que me desestabiliza a imensos níveis: o humor, a pele, a força, o desempenho atlético, a vontade de comer mais.

A isto tudo acresce o facto de ter tido um distúrbio alimentar mais que diagnosticado. Trabalhei esta coisa de ter de conseguir comer só uma bolacha do pacote, mas fui muitas vezes mal sucedida. Na verdade, basta pensar num ex-alcoólico: alguém lhe daria um copo de vinho para a mão e lhe diria para beber apenas um golo? Ou pedir a um ex-fumador para dar apenas um bafo? Comigo é mais ou menos isto.

Habituámo-nos a comer açúcar, mas basta irmos a alguns lugares no mundo para percebemos que há gente que vive lindamente sem ele. Experimentemos ir Alaska dar um cubo de açúcar a um esquimó ou a índio de uma tribo remota. Qual será a reação deles?

Por tudo isto, reforço apenas uma ideia: neste momento as minhas prioridades mudaram. Com elas chegaram novos prazeres, novas formas de estar. Neste momento o açúcar PROCESSADO não tem lugar na minha vida. Passaram 60 dias, creio que passarão muitos mais. Talvez até deixe de os contar.

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