Mês: fevereiro 2018

(Quase) 4 anos de treino

Neste momento, considero-me uma atleta. Não que pudesse participar nos Jogos Olímpicos e tivesse a chance de ganhar uma medalha de ouro, nada disso. Mas, ao dia de hoje, eu sinto-me uma atleta. Ou antes: eu olho para o meu corpo e vejo-me com uma forma atlética.

Eu sempre quis ser magra. Magra, mesmo magra. Nunca consegui isso. Acho que nunca conseguirei, na verdade. Porém, com o tempo, percebi que o corpo que eu achava que queria, nunca esteve ao meu alcance. Porque há coisas que, por muito que queiramos, não serão diferentes.

Com o avançar deste processo de me tornar uma Perna Fina, fui percebendo, e continuo a perceber, que o treino é absolutamente fundamental nisto tudo. Na maioria das vezes em que tentei perder peso, fi-lo a passar fome. Apenas em duas das tentativas fiz exercício.

O que é que acontecia? Eu perdia peso, mas não construía músculo, não ficava tonificada. Era assim uma cena, nem gorda, nem magra, meia molecas. Eu não gostava de treinar. Eu não queria treinar. Eu (achava que) não tinha jeito para treinar.

Quase 4 anos depois de ter iniciado o Crossfit, percebo, e estou irremediavelmente convicta, que o meu corpo está assim porque eu treino muito, de forma consciente. Porque eu como bem, também, mas não é sobre isso que agora quero escrever.

Eu treino muito e treino de forma diversificada. Faço trabalho de força, vulgarmente conhecido como musculação, faço trabalho cardiovascular, aquele que me põe a arfar e faço trabalho acessório, onde me dedico a trabalhar especificamente algumas parte do corpo.

Às vezes dizem-me que tenho sorte. É verdade, eu tenho alguma sorte. Mas, no caso da forma atlética que hoje carrego comigo, não sei se lhe chamaria sorte. Há 4 anos que me dedico a isto e que me empenho à seria.

Aprendi a gostar de treinar e sinto-me bem a fazê-lo. Não tenciono ter um corpo perfeito, nem ser atleta profissional, mas agrada-me esta coisa de ter força, de ser rápida, de ter alguns músculos. Isso agrada-me muito. E talvez esta tenha sido uma das maiores mudanças.

Acredito que nem todos os que me lêem possam fazer estes treinos loucos que faço, por variadas razões. Mas, acredito também, que temos ao nosso dispor uma quantidade imensa de informação que nos pode ajudar a ser mais autónomos e a mexer qualquer coisa.

Há uma parte muito séria e importante: ninguém ache que do dia para a noite vai correr uma maratona. É muitas vezes nestes casos, quando se vai com demasiada sede ao pote, que se arranjam lesões e que se fica a odiar o exercício para sempre.

Começar a caminhar, a fazer umas flexões, uns abdominais… Empurrar coisas, puxar coisas, treinar o agachamento. Ver tutoriais no YouTube, ler livros, consultar sites, dar uns socos… Este foram os melhores 4 anos da minha vida. Foram muito suados. Foram sorte? São esforço!

Caminho Solitário

Este caminho que tenho feito, é um caminho muito solitário. Não quero parecer ingrata perante as pessoas que me têm ajudado, mas há uma parte que ninguém pode fazer por mim. É esse o caminho solitário.

Eu tentei trilhar este caminho inúmeras vezes. Falhei por muitas razões, a principal talvez tenha sido a [falta de] noção do que me levava a querer perder peso. Porquê? Para quê? Por quem?

Eu vivi muitos anos da aprovação dos outros. Queria perder peso porque queria que me vissem como uma miúda gira, cujo corpo condizia com a personalidade extrovertida, simpática e quase sempre alegre.

Portanto, eu queria perder peso para ser aprovada, para usar as roupas que as outras miúdas usavam, para agradar àquele rapaz da escola, para ser igual, ou o mais parecida possível com as minhas colegas.

Por isso, nem sempre foi por mim que quis fazer isto. Foi pela aceitação alheia, pela ideia quase ingénua de poder mudar por fora, sem mudar por dentro. Como se isso fosse possível. Como se isso tivesse efeitos a longo prazo. Não teve.

Neste sentido, este é um caminho solitário. Porque é uma coisa que devo fazer, e quero fazer, de mim, para mim, por mim. É um caminho solitário, algumas vezes egoísta, mas é um caminho feito com passos consistentes. Conscientes.

Este é um caminho que eu espero sem volta. É um caminho que tentei começar há muito, para me qual me preparei a vida inteira. É um caminho muito meu, com algumas e boas ajudas, mas que ninguém o pode fazer por mim.