Quando perdemos muito peso, como eu perdi, ganhamos um medo. Ou dois. Ganhamos medo de comer, por ter medo de recuperar o peso perdido. No meu caso, por ter vivido anos com a compulsão alimentar, a comida era uma espécie de amor-ódio. Eu via na comida um conforto e um diabo, ao mesmo tempo e na mesma proporção. Por isso, comer não é (era?!) uma cena simples para mim. Vou explicar.

Em miúda comia zero. Era um cadáver com pernas. Depois, na mudança da idade, comecei a comer tudo. Esse comer tudo durou até aos 28 anos. Pelo caminho, passei muita fome, como já escrevi inúmeras vezes, e recuperei o peso todo, em todas as tentativas. À medida que fui mudando a minha alimentação, fui percebendo algumas coisas, que hoje considero indispensáveis.

Comer tem de ser um processo natural. O mais natural possível. Apesar de hoje ter bastante cuidado com o que como, não vivo obcecada com o que vai ser o meu almoço ou o meu jantar, nem tenho já aqueles apetites loucos. Preparo as minhas refeições, para não ser apanhada desprevenida, mas faço-o duma forma tranquila. Planeio a minha alimentação, como todas (ou quase todas) as dimensões da minha vida.

Comer bem não me vai engordar. Se eu comer comida a sério, sem grandes invenções, sem grandes molhos, sem grandes rócócós, eu não vou engordar. Não vou engordar, porque estarei a comer o que o meu corpo precisa para estar nutrido ao ponto de ser saudável, de ter energia para treinar, para trabalhar, para cenas afins.

Comer as doses certas é, também, fundamental. Eu amo batata doce, mas não posso comer um prato dela. Tenho de comer uma pequena dose, lembrando-me que a ingestão de calorias tem de ser tida em conta num processo destes, que nunca está acabado. Quem diz batata doce, diz arroz, diz fruta. São alimentos calóricos, que fazem falta, mas nos quais não me posso perder.

Eu ainda tenho algum medo de comer, porque não quero voltar ao que era. Mas este medo, como qualquer um, é absolutamente irracional. Porque quando encaixo a cabeça e penso com o discernimento necessário, constato que o medo é desnecessário, desde que continue a fazer o que tenho feito nos último 4 anos. Comer Bem. Treinar Mais. Ser Feliz.

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