Tailândia, 2015

Sempre que imagino uma viagem, tento pôr-me no lugar para onde vou ou gostava de ir, antes de lá chegar, antes até de comprar o bilhete de avião. Como será estar na Califórnia? Ou na Grécia? Ou na Indonésia? Como será? Será quente? Será húmido? Como será? Imaginei muito isso com a Tailândia, por exemplo. Imaginei, antes de ir, como seria estar naquela água incrível das imagens da net. E quando lá cheguei foi mesmo bom. A praia, a comida, as pessoas. A limpeza nem por isso e essa parte desgostou-me um pouco. Porém, não ia à espera de milagres nesse campo.

Serve esta conversa toda para quê? Para fazer um paralelismo entre os sítios onde gostava de ir, e como me imagino lá, e o estado em que desejo que o meu corpo fique. Como se estivesse, literalmente, numa viagem com destino marcado. Tal como nas viagens, acredito que nesta minha caminhada, muito particular, haja coisas que goste muito e outras que nem tanto. Porque é mesmo assim. Porque é o que tem de ser. Talvez a cara fique demasiado magra. Talvez os ossos das clavículas fiquem muito salientes. Talvez eu nem goste de me ver tão magra.

Talvez. Mas enquanto lá não chegar, nunca vou saber. Nunca farei ideia se me prefiro de uma ou de outra maneira e eu odeio dúvidas e ansiedades. Odeio o limbo. Odeio a incerteza. Gosto de ter tudo controladinho, mesmo que às vezes perca o controle. Por isso, é com serenidade que respondo às pessoas que me fazem a pergunta: mas o que é que tu queres perder mais? Eu quero perder as dúvidas. Eu quero saber o que acontece ao meu corpo se comer sempre bem e se treinar sempre muito. É isso que quero.

O que espero é encontrar as águas quentes das ilhas Phi Phi. O caril encarnado de gambas e ananás. Os gelados de fruta mais que deliciosos. É isso que espero. Se pelo caminho encontrar algumas praias menos bonitas do que as expetativas, logo ando mais um pouco, que é como quem diz, logo a faço os ajustes necessários ao meu plano alimentar e de treino. Mas deixem-me lá chegar sem tantas perguntas, sem tantas ansiedades. Afinal o corpo é meu. Afinal eu é que mando em mim. Afinal quem ainda escolhe os meus destinos paradisíacos sou eu.

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