O dia 2 de janeiro sempre foi um dia muito importante para mim. Ou, pelo menos, eu achava que era. Era sempre no dia 2 que eu começava uma nova dieta.

Normalmente, era assim: ia a uma consulta a meados de dezembro. Percebia que estava gorda. Metia-me numa nova dieta. Enfardava por três nos dias que faltavam até acabar o ano e, ao dia 2, começava a nova dieta. E depois: fome, fome, fome e mais fome.

Era sempre isto. Todos os anos. Muitos, muitos anos da minha vida. A dieta funcionava durante uns tempos, eu emagrecia e vacilava uma vez. Vacilar sabia-me bem, apesar do sentimento de culpa. Vacilava mais uma vez. Outra.

Acabava por me borrifar na dieta. Já me sentia mais magra. Estava farta de passar fome. Voltava a pôr açúcar no chá do pequeno-almoço. Voltava a comer arroz e massa como se fosse passar a tarde a laborar no campo. Um exagero pegado.

Engordava tudo outra vez ou mais. Falhava mais uma dieta. Achava, mais uma vez, que não era merecedora de coisas boas. Pensava-me uma fraca, uma inútil, uma idiota gorda e incapaz de cumprir metas.

Hoje é dia 2 e eu não comecei nenhuma dieta. Escrevo este texto enquanto espero que comece mais um treino de Crossfit. O Natal e o Ano Novo mal passaram por mim, alimentarmente falando.

Este dia 2 é diferente de muitos outros da minha vida. É a certeza de que a minha vida mudou muito e para sempre. Acresce o facto de me sentir na minha melhor forma física de sempre e com vontade de melhorar ainda mais.

Que todos os meus dias sejam desta certeza absoluta que é: as dietas não funcionam. Nada é mais importante do que dar ao nosso corpo o que ele mais precisa. Cabe a cada um descobrir as suas necessidades. Foi isso que fiz. Foi isso que mudou. Foi por isso que perdi peso. E nunca mais o recuperei.

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