Começo por dizer que assumo, à partida, que este texto pode ser polémico. Que muita gente estará contra isto e eu aceito. É legítimo. Prontos? Eu não janto. Eu raramente janto. Aliás, eu só janto se tiver um jantar combinado com a minha família ou com amigos. De resto, eu não janto. E passo a explicar.

Eu já fiz muitas dietas, como quem me segue há algum tempo sabe. Já passei muita fome. Já emagreci muito. Já tive crises sérias de compulsão. Já engordei tudo outra vez. Fiz dietas muito restritivas. Fiz dietas de batidos. Fiz dietas de sopas, de frutas, do diabo a sete. E fiz, também, aquelas dietas, ou regimes alimentares, em que se deve comer de X em X horas.

Em todas essas situações eu perdi peso, nalgumas engordei tudo outra vez ou mais. Desde que comecei a Perna Fina mudei muito a minha alimentação. Fiz consultas de reeducação alimentar e mudei toda a perspetiva que tinha do que era comer. Aprendi muitas coisas. A mais importante, talvez tenha sido conhecer o meu corpo e dar-lhe apenas o que precisa.

Pelo caminho, larguei os produtos com lactose, eliminei o glúten quase na totalidade, passei a evitar ao máximo os produtos processados, reduzi o consumo de carne e retirei o açúcar da minha vida. Sem fundamentalismos, mas a perceber que se o fizesse me sentia mais forte, satisfeita e de bem comigo.

Durante este processo, percebi, também, que comia vezes demais. Entendi que não precisava de estar sempre a comer fruta, nozes, cenouras, o que fosse. O que acontecia era que o meu estômago estava constantemente a ser alimentado, e o meu cérebro também, e por isso eu tinha sempre mais vontade de comer, tinha de estar sempre a trincar qualquer coisa.

Junta-se a esta brincadeira o facto de ter uma hérnia do hiato e, por isso, dever comer muito pouco ao jantar. A hérnia, “que fica à entrada do estômago”, faz com que tenha refluxo gástrico e uma azia de morte. Sempre que comia à noite e me deitava pouco tempo depois, sentia-me tão, mas tão mal, que pouco descansava. Era como se o meu corpo estivesse preocupado em fazer uma maratona durante a noite.

Ora, juntando isto tudo, percebi que não precisava de comer à noite. Comia para me ir deitar logo a seguir ou muito pouco tempo depois. Deixou de me fazer sentido. Por isso, hoje em dia, como o pequeno-almoço, debico qualquer coisa a meio da manhã, almoço e depois faço um lanche reforçado para ter energia para treinar. Simples assim. Há já algum tempo.

O que é que tenho sentido? Que durmo muito melhor. Que tenho uma barriga mais chapada. Que tenho menos fome. Que me sinto menos ansiosa sobre os horários em que tenho ou devo comer. Que é tudo mais leve, em todos os aspetos. Há muita gente que fala desta ideia de não comer nada depois das 18:00. Aliás, manequins pelo mundo inteiro cumprem essa regra.

Tudo isso me diz pouco. O que me interessa, verdadeiramente, é a forma como me sinto, que é a melhor que nunca. Como menos, mas nunca me senti tão saciada, nem com tanta energia, nem com tanta fúria para treinar. Não estou a incentivar ninguém a fazer o mesmo que eu, mas gostava só que pensassem nisto. Será que não andamos a comer vezes demais, sem necessidade?

5 Comments on Depois das 18:00…

  1. Olá PARABÉNS pelo teu blogue e pela tua força para a mudança 😀 um verdadeiro exemplo. Eu tb concordo que não necessitamos de jantar, mas tenho uma dúvida se treinares ao final da tarde, como consegues não jantar?? é que eu morro de fome depois do treino e nem faço crossfit !!!!!

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