Eu tenho um sentimento pouco claro no que à mudança diz respeito. O que é um pouco tonto, dada a revolução que fiz na minha vida, mas refiro-me a mudanças mais internas, quase de caráter. Por muito que gostássemos, por diversas razões, que alguém mudasse, ansiar isso é só uma perda de tempo. Para não dizer estúpido.

E perdoem-me se perdi a fé num sem número de pessoas, mas a minha vida ainda não me permitiu o contrário. Uma pessoa desligada, será sempre uma pessoa desligada. Um traidor, será sempre um traidor. Um forreta, será sempre um forreta. Um mau intencionado, terá sempre intenções duvidosas. Sempre. Mesmo que desejemos com todas as forças que assim não seja.

Mas é. E, também, que direito temos nós de exigir o contrário? Cada um é como é, verdade? Agora, a escolha de permitir que essas pessoas continuem nas nossas vidas é exclusivamente nossa. Se é fácil mandá-las embora? É uma merda. Às vezes temos de ser nós a sair de cena, não há outra solução.

Outras vezes permanecemos lá, mesmo que nos sintamos a corromper a alma, numa dor quase física. Porque estamos habituados àquilo. Porque não sabemos se o que está do outro lado é menos mau. Porque temos medo. Porque estamos acomodados. Porque (achamos que) gostamos um bocadinho. Porque. Porque. Porque.

Eu, que mudei muito, sou pouco crente na mudança… Talvez esteja apenas a ser incapaz de explicar isto melhor por palavras. A essência de cada um é inalterável, diria eu, é estrutural. Não está errada, nem tem de mudar. Até porque isso não vai acontecer. Nunca. Ainda que, por vezes, seja essa essência, ou a falta dela, que nos faz querer partir (ou ficar).

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