Ontem resisti às tentações alimentares. Hoje, olha, caguei. Caguei e encomendei uma piza, a escorrer queijo (que me faz tão bem #sqn), cheia de salame picante. Encomendei, por telefone, deitada na cama: o meu habitat dos últimos dias. Pensei: deixa-me cá pôr já a carteira ao pé de mim para poder pagar logo e não andar aos saltinhos de um lado para o outro, à frente do menino da piza. Toca a campainha e eu, ai fod**-se, que susto!, que entretanto tinha adormecido. Toda uma logística: telemóvel no sutiã, que é do mais digno que há, cartão multibanco na boca, canadianas em riste e pumba. Antes de chegar à porta, que a minha casa não é assim tão pequena, já o moço estava a tocar outra vez, a achar que não estava ninguém em casa e que ia ser vítima daqueles telefonemas-fantasma. Chego ao intercomunicador e digo: olhe, a porta não abre. Vou dar-lhe o código, ok? Pronto, o rapaz põe o código da porta com sucesso e eu tento abrir a porta da entrada de casa, que estava fechada à chave! A chave estava no quarto, na minha mala, e naqueles nanosegundos eu pensei que era mais rápido ir ao pé coxinho até lá. Poing, poing, poing, p’ra frente e para trás. Abro a porta e está o menino da piza a olhar para mim do género: pá, queres a piza ou não? Eu olho para ele e digo: olá, faz-me um favor? Estou assim, não vou conseguir pegar na piza e andar com ela. Importa-se de a deixar em cima da mesa? E o tipo lá foi, amoroso, sempre a pedir licença por ter entrado em casa. Tento pagar com o multibanco e não havia rede. Foi aí que disse para mim mesma: Joana, se o teu destino é este, opta por não viver mais, faz esse favor a ti mesma. Se calhar aqui mais na escada, disse o rapaz. E eu de muletas! Fomos até ao vão da escada e a merda do cartão lá deu. Olhe, as melhoras e bom proveito, despediu-se ele. Eu fechei a porta, larguei as cabras das bengalas, sentei-me e pensei: depois disto tudo, estas calorias não vão contar. Não vão! Os deuses do fitness vão ter esta minha odisseia de fundo do poço em consideração. Vão sim.

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