Durante anos, pesei-me todos os dias. Todos, sem exceção. Eu passei muita fome por opção. Queria ser magra, a qualquer custo. Todos os dias me pesava na esperança de ter menos uns gramas. Às vezes tinha, outras não. O peso pode variar por muitas razões: se fomos ou não à casa de banho, se comemos mais ou menos na noite anterior, se estamos prestes a menstruar… Por isso, pesar-me todas as manhãs nada mais me dava de que a obsessão de qualquer coisa muito difícil de gerir, emocionalmente falando. Eu queria pesar 55 quilos. Esse sempre foi o meu objetivo. Já tinha pesado mais de 80, portanto a meta era ambiciosa. 55 era o número que eu queria. Porque gosto de números. Porque gosto de planear partes da minha vida com base nos números. Quando comecei as consultas de reeducação alimentar, a balança foi um tema. Não me podia pesar todos os dias, para bem da minha saúde mental. Não podia, mas nem sempre cumpria. Eu queria os 55, bolas! Um dia, em desespero, cheguei a casa e pus a balança no lixo. Achei que não havia outra solução e foi remédio santo. No último ano pesei-me duas vezes, no gabinete de estética onde faço as massagens. Pesei 59 kg. Aquele número pouco me disse: primeiro, porque tirei os números do peso da cabeça. Depois, porque estou muito satisfeita com o estado do meu corpo ao dia de hoje, independentemente do peso que carrego. Eu deitei fora a balança e aconselho todos os que querem perder peso a fazer o mesmo. Pesem-se nas consultas, se as fizerem, na farmácia, de quando em vez e está bom. Há números relativos à nossa saúde muito mais importantes do que o número do peso. Sobretudo quando esses dígitos são responsáveis por nos destruir a cabeça, chegando mesmo a poder constituir um atraso na perda de peso (em vez de promover o contrário).

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