Mês: agosto 2017

Continua!

Se as pessoas que não são assim tão tuas amigas te disserem que estás demasiado magra ou muito musculada ou que andas a treinar demais e a comer de menos, não lhes ligues. É só o medo delas a falar. O medo de que fiques mais forte, mais rápida e mais capaz do que alguma vez sonharam. É nessa altura que vais ter de te agarrar a tudo o que construíste, fechar olhos e dizer a ti mesma: continua!

Deitei a balança fora!

Durante anos, pesei-me todos os dias. Todos, sem exceção. Eu passei muita fome por opção. Queria ser magra, a qualquer custo. Todos os dias me pesava na esperança de ter menos uns gramas. Às vezes tinha, outras não. O peso pode variar por muitas razões: se fomos ou não à casa de banho, se comemos mais ou menos na noite anterior, se estamos prestes a menstruar… Por isso, pesar-me todas as manhãs nada mais me dava de que a obsessão de qualquer coisa muito difícil de gerir, emocionalmente falando. Eu queria pesar 55 quilos. Esse sempre foi o meu objetivo. Já tinha pesado mais de 80, portanto a meta era ambiciosa. 55 era o número que eu queria. Porque gosto de números. Porque gosto de planear partes da minha vida com base nos números. Quando comecei as consultas de reeducação alimentar, a balança foi um tema. Não me podia pesar todos os dias, para bem da minha saúde mental. Não podia, mas nem sempre cumpria. Eu queria os 55, bolas! Um dia, em desespero, cheguei a casa e pus a balança no lixo. Achei que não havia outra solução e foi remédio santo. No último ano pesei-me duas vezes, no gabinete de estética onde faço as massagens. Pesei 59 kg. Aquele número pouco me disse: primeiro, porque tirei os números do peso da cabeça. Depois, porque estou muito satisfeita com o estado do meu corpo ao dia de hoje, independentemente do peso que carrego. Eu deitei fora a balança e aconselho todos os que querem perder peso a fazer o mesmo. Pesem-se nas consultas, se as fizerem, na farmácia, de quando em vez e está bom. Há números relativos à nossa saúde muito mais importantes do que o número do peso. Sobretudo quando esses dígitos são responsáveis por nos destruir a cabeça, chegando mesmo a poder constituir um atraso na perda de peso (em vez de promover o contrário).

Um mau ímpar, nunca pode ser um bom par.

Contra mim falo. Andei anos à procura de alguém que me fizesse sentir bem, sentir melhor comigo, com os meus pensamentos e com o meu aspeto. Estava sempre à espera da aprovação do outro, quando por dentro tudo, ou quase tudo, era muito negro. Eu não era um bom ímpar. Assumo isso com a certeza de que a culpa do fim das minhas relações também foi minha. Não só, mas também. Porque um mau ímpar, nunca pode ser um bom par! Acho que é também por isso que tanta gente mantém relações infelizes. Procura no outro aquilo que lhe falta, numa espécie de complemento. Eu fiz isso muitas vezes [quase sempre]. O resultado? Frustração. Muita. Como é que eu podia estar à espera que a minha felicidade dependesse, exclusivamente, de outra pessoa? Nesse sentido, este caminho que tenho feito tem-me ajudado muito a pensar sobre as razões que nos levam ou não a dividir a vida com alguém. Que direito temos de exigir a outra pessoa que nos complete? Que nos dê o que nos falta? E se ao outro também faltar qualquer coisa? E se nós também não formos capazes de corresponder? Não digo que tenhamos de ser todos perfeitos e sãos. Há gente assim? Mas digo que cada um tem de conseguir estar sozinho, sentido-se inteiro e percebendo que faz tudo o que está ao seu alcance para ser feliz, independentemente de quem chega ou parte da sua vida. Porque aos meus olhos, ter alguém na vida não pode significar menos do que um aumento de felicidade, àquela que já trazemos dentro do peito. Um acréscimo, não um depósito em saldo negativo. Ao dia de hoje, não tenho nenhum medo da solidão amorosa. Mantenho-a com a certeza de que nestes últimos anos me tornei um ímpar muito mais completo, cheio de avanços e recuos, mas com a convicção plena de que há assuntos que não se podem deixar em mãos alheias. Para o meu [nosso] próprio bem.

Eu nunca fui!

Eu nunca fui a mais gira.
Eu nunca fui a mais esperta.
Eu nunca fui a mais elegante.
Eu nunca fui a mais bem vestida.
Eu nunca fui a mais festiva.
Eu nunca fui a mais desejada.
Eu nunca fui uma série de coisas.
Algumas continuo a não ser.
Outras nunca serei.
E está tudo bem!

O mais importante foi ter aprendido que, mesmo não sendo a mais num sem número de coisas, eu sou mais eu, que é o que mais me interessa.