Não me aconteceu nem uma, nem duas vezes: ir a um restaurante e ficarem ofendidos por querer pouco acompanhamento ou por não querer acompanhamento de todo. A conversa é quase sempre deste género:

– Quais são os acompanhamentos?
– Queria os legumes assados, por favor!
– Mas tem direito a dois acompanhamentos. Posso juntar arroz ou batata frita?
– Não obrigada, queria só mesmo os legumes.

Dez pás de legumes começam a marchar para o meu prato e eu digo, quase a medo:
– Não é preciso pôr muito, por favor!
– Então, mas só quer isto?
– Sim, sim. Está bom assim!
– Mas tem direito a mais.
– Eu sei, mas não é necessário pôr mais.

Eu sei que as pessoas não sabem que eu já estive próxima de ser membro de uma família de orcas, eu sei. Mas estamos numa época que quanto mais melhor. Não interessa se se vai desperdiçar, se não apetece assim tanto, se é um exagero pegado. Só interessa encher o prato. Eu acho que esta é uma característica muito portuguesa: se tenho direito, levo até nos bolsos. Para quase tudo, o que tem coisas boas e outras mais ou menos. No caso da comida, julgo que devíamos repensar uma série de coisas. Sem extremismos, mas com mais cabeça. Acreditem, eu sei do que falo.

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