Eu nasci, não é verdade, e os meus pais passaram a ser responsáveis pela minha educação. E foram bem supimpas na tarefa: tenho-me como uma miúda educada, que sabe estar. Cof cof. Porém, do alto dos meus 30 anos bem feitos, constatei há uns tempos que, hoje em dia, quem educa o meus pais, e o meu irmão, sou eu. Não no geral, que somos todos amantes da liberdade de espírito, mas alimentarmente falando.

Faça-se aqui um breve parênteses: a minha família gosta de comer. Somos todos bestas de grande alimento. Gostamos tanto do salgado, como do doce. Gostamos da mesa farta, quase sem espaço para pôr a loiça e os talheres. Depois, somos craques em arranjar desculpas para comer. O Benfica ganhou? ‘bora comer! O Benfica perdeu? ‘bora comer. Passa tudo muito por comer, só porque sim.

Ora, vai que cresci imbuída neste espírito de comer como se não houvesse amanhã e o resultado esteve, claramente, à vista. Quando comecei a mudar de vida, a minha família achou que seria um episódio com fim à vista, como tinham sido todos os outros. Para seu grande espanto, este episódio dura há mais de três anos e, parece-me, só há pouco tempo perceberam que não vou MESMO voltar a ser uma pequena grande orca.

Agora, eu trabalhei muito este meu problema da comida. Com consultas, com autoreflexão, com desporto. Eles não. Sucede que os velhos hábitos ainda lhes estão muito impregnados e teimam em não sair, de maneira nenhuma, o que é uma grande chatice. Como alguém tem de pôr ordem na barraca, assumi o papel de mentora alimentar da minha mãe, pai e irmão. Porém, não tenho sido muito bem sucedida.

A minha rica mãe é a que mais me ouve. Continua sem deixar o pão e o leite, que eu acho que só lhe fazia era bem, mas pronto. Tem cuidado, sobretudo, ao jantar. Faz uma alimentação muito mais à base de peixe do que de carne, come fruta e legumes com fartura. Está mais magra, diz que tem menos vontade de comer. Maravilha. O meu pai e o meu irmão, é um vê se te avias.

Cereais com fartura, pão com manteiga aos sacos, iogurtes açucarados, pizas, douradinhos, massas, muito arroz e, no caso do meu irmão, pouquíssimos vegetais e frutas. É muito esquisitinho, o menino! Confesso, que estou quase a abortar missão com estes dois. Já devia saber, por mim, que ou uma pessoa muda porque quer ou nada feito. Eu já devia saber, mas enfim.

Eu é que os educo (ou tento, vá), mas ou eles mudam porque assim o desejam ou…

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