Vivi, anos a fio, prisioneira de mim. Refém do meu corpo, da minha cabeça, da minha alma amargurada por tantas razões. Razões que não eram mais fortes, nem mais fracas que as de ninguém. Eram as minhas, as que me entristeciam. Vivi sem saber bem quem era, o que queria, para onde ia, apesar de, ao olhos dos outros, parecer sempre muito segura e orientada. Não era. Não tanto como alguns me achavam ser. Ainda bem que assim o era, que assim o foi. Hoje, mais do que nunca, luto pelo direito de ser livre de mim, em mim. Vivo, todos os dias, com a vontade de não voltar ao que era, ao que não queria ser. Todos os dias, todas as horas da minha vida. Não consigo sempre, mas consigo muitas vezes. E há poucas coisas que me entusiasmem mais do que a liberdade de ser quem sempre desejei. Talvez me tenha tornado mais egoísta, mais autocentrada. Talvez. Que a vida não me tolde a alma ao ponto de deixar de olhar para o lado, de ser empática. Mas, também, que jamais me volte a tirar esta capacidade e alegria plena de ser livre: livre de mim.

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