Eu odeio ir ao médico. Odeio. Só vou mesmo na última. Porém, há médicos que tenho de visitar de vez em quando. Os otorrinos tornaram-se meus amigos há uns anos, quando perdi a voz. Drama do caraças, nódulos e derrames nas cordas vocais, o que dá imenso jeito a quem usa a voz para trabalhar. Tenho de me calar? Como assim? Tenho de me calar? Aquele diagnóstico deu cabo de mim. Fui à terapia da fala, como me mandaram, mas a terapeuta dava-me frases com erros ortográficos para ler em diferentes tons e eu vim-me embora. Isto foi há uns 5 anos. Este setembro, assim que começaram as aulas, comecei a ficar muito rouca. Perdi a voz várias vezes. Estes meus novos alunos só me conhecem como sendo uma espécie de Olavo Bilac da educação, enfim. Estou, portanto, a adiar a ida a um otorrino há meses. Uma querida mãe de um ex-querido aluno, preocupada comigo, encontrou-me um médico perto do trabalho e até me enviou o número de telefone, foi só marcar. Hoje lá fui. Fui, mas mais valia não ter ido. Assim que olhou para mim disse que tinha o nariz torto. “Também é um gosto conhecê-lo, doutor”, pensei eu. Depois abri a boca e pimba: uma laringite crónica. Crónica, tipo, para sempre? Acabei de tomar duas embalagens de antibiótico, mas vou ter de tomar mais. Pronto, isso e fazer uma tomografia axial computorizada, vulga TAC, para ver o interior do meu nariz torto. Deus me livre! E comida? Esquecer tudo o que é café, chocolate, mentol, tomate, citrinos… Deve ser!? E não comer à noite, e elevar a cabeceira da cama, olha que jeitão que isso dá. É por isto tudo que odeio ir aos médicos, porque sempre que lá vou me arranjam uma maleita qualquer ou descobrem qualquer coisa torta ou fora do lugar. Isto depois dos 25 foi sempre a piorar, foi o que foi. Mas bom, deixei-me lá ir elevar a porcaria da cabeceira da cama. Dormir nas alturas deve ser mesmo o melhor disto tudo. Ou não! Bah!

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