Já falei ao de leve nalguns textos sobre este tema, mas nunca me dediquei a escrever sobre ele afincadamente. Pois é, cambada, desenganem-se os que acham que para emagrecer precisam de passar fome. Eu achei isso durante toda a minha vida e o resultado foi tudo menos bem sucedido. Apesar de cada vez mais se falar na importância de se ter uma alimentação variada, equilibrada e sem demasiadas restrições, este continua a ser um conceito demasiado estranho para quem quer emagrecer, de forma permanente. A restrição e o jejum persistem em ser o objetivo da maioria das pessoas que pretendem perder peso. A ciência explica-nos isto. Ora atentem: Sabe-se que comer com pouca frequência ou mesmo fazer jejum reduz a produção de insulina e leptina (hormonas que informam o cérebro de que estamos saciados), aumentando a produção de grelina, que se traduz em sensação de fome! De facto, grandes picos de grelina diminuem o gasto de gordura, ativando os centros de recompensa cerebrais. Resultado: comemos mais quantidade de alimentos e de menor qualidade nutricional. A fome é inimiga do controlo do comportamento alimentar, fazendo-nos desejar alimentos mais calóricos, comê-los mais rapidamente, mastigando mal e quando nos apercebemos já ingerimos mais do que precisaríamos na realidade. Não obstante, saltar refeições (passar mais de 4 horas sem comer) aumenta a produção de hormonas do stress, como o cortisol, que por sua vez aumenta o desejo por gordura e açúcar (1). Tudo ao lado, portanto. O pior de tudo, é que se entra num ciclo vicioso de fome, emagrecimento, fome, ingestão de muita comida, aumento de peso, frustração, ingestão de muita comida… Sair disto torna-se muito mais difícil do que a perda de peso por si só. Acreditem, eu sei do que falo. Por isso, comam! Esqueçam as bolachas, as barrinhas de cereais, os produtos light e comam comida a sério, de boa qualidade. Procurem alternativas, novos sabores, percebam o que faz melhor e pior ao vosso corpo e, muito importante, se acharem que não conseguem fazer isto sozinhos, procurem ajuda médica. Só um especialista vos ajudará a tomar as melhores decisões. Mesmo. Mas comam, por favor comam.

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