Mês: maio 2016

Eu engordo até com água

Há pessoas que dizem isto: a mim, até a água engorda. Eu também usei frases destas. Frases que usava para abafar a minha consciência, que me dizia, com todas as letras, que eu engordava porque comia (e muito!). As frases feitas que usamos mais não são do que desculpas. Desculpas que erguemos para nos enganarmos, um pouco mais, acerca do que fazemos diariamente e que nos impede de atingir os nossos objetivos. Mudar implica largar as desculpas. Exige comprometimento, esforço, dedicação e persistência. O que engorda são os bolos, os gelados, os folhados. Não é a água.

Doze anos daquilo

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Nunca tinha parado para pensar no tempo em que vivi a sofrer por causa da minha relação com a comida. Só no outro dia, quando a jornalista do programa me entrevistou e pediu um intervalo de tempo, é que eu me apercebi que vivi aquilo durante doze anos. Aquilo: um misto entre o ódio que tinha ao meu corpo e a incapacidade de conseguir mudar a vontade de comer muito ou de não comer nada. Doze anos. Doze anos é mais do que a vida inteira dos meus alunos, por exemplo. Se aos dezasseis anos me dissessem que aquilo ia ser como foi, eu não acreditaria. Porque, simplesmente, acharia que não seria capaz de suportar, a todos os níveis, tanta merda, durante tanto tempo. Mas ei, não quero fazer daquilo uma fase deprimente, apesar de ter sido. Quero antes dar a certeza, a toda a gente que passa pelo mesmo, que é absolutamente possível nascer de novo. Porque eu voltei a nascer (ou nasci pela primeira vez). E a alegria que sinto por tudo o que conquistei, é muito mais doce do que uma bola de berlim, comida num dia de praia. É a segurança serena de que aprendi a gostar e a cuidar de mim, do meu corpo e da pessoa que sou. Todos os dias.

Atitudes que nos fazem perder peso

Tenho recebido muitas mensagens a pedir dicas para perder peso. Julgo que as pessoas que querem emagrecer se sentem meias perdidas sobre o que comer e deixar de comer. Acho, também, que têm algum receio de entrar numa dieta, tal qual a entendem: fome, fome, fome. Eu andei assim muito tempo, por isso entendo muito bem o que sentem. Eu posso escrever a lista de todos os alimentos que como e que evito e tudo o que tenho aprendido sobre alimentação, mas, antes disso, acho mais importante criar uma lista de atitudes que ajudam à perda de peso. Pequenas coisas, umas mais banais que outras, mas indispensáveis a um emagrecimento progressivo e saudável.

1.º Se queres perder peso, guarda essa informação só para ti. Os outros adoram saber que estás a tentar emagrecer. A-DO-RAM! E, vá-se lá saber porquê, a maioria gosta de testar a tua consistência nisto de tentar emagrecer. Por isso, não digas a ninguém. Se te oferecerem alguma coisa que não queres comer ou se estiveres numa situação em que queres evitar algo, diz: não me apetece, obrigada; ontem comi demais, ainda estou enfartado/a; acho que tenho alergia a isso, a minha médica pediu-me que evitasse durante uns tempos. Vais ver, vão respeitar mais do que se disseres que estás a tentar emagrecer.

2.º Compra uma lancheira e prepara as tuas refeições. Controlar o que comes é fundamental. Nunca, em momento algum, podes deixar que a fome te ataque, correndo o risco de entrar numa pastelaria e comer um croquete e uma torta com doce de ovos. Não, não e não. Leva sempre contigo pequenos snacks: legumes crus; frutos secos; barrinhas energéticas sem açúcar; tortilhas de milho/arroz; fruta; ovos cozidos; gelatina; iogurtes magros; atum; salmão fumado. Vai variando. Evita comer sempre as mesmas coisas. Há um sem número de alimentos bons que podes comer todos os dias.

3.º Prova novos sabores. Esta está diretamente relacionada com a anterior. Quem é que aguenta comer, todos os dias, peixe cozido com bróculos? Ninguém, Minha Nossa Senhora, ninguém. Hoje em dia, a internet tem à tua disposição milhões de ideias de receitas simples e saudáveis. Procura. Experimenta. Não digas que não gostas se ainda não provaste. Especiarias, ervas, adoçantes naturais. Todos esses temperos que não conheces podem ajudar-te a ser mais saudável e a gostar do que comes, a sério.

4.º Testa o teu corpo. Foi preciso chegar aos 28 anos para perceber que a lactose me incha a barriga e me traz umas cólicas de morte. Não precisei de espetar agulhas para saber isto: limitei-me a testar as reações do meu corpo a alguns alimentos. Há alimentos que comemos durante toda a vida, sem nunca nos questionarmos sobre quais os seus efeitos no nosso organismo. Ouve o teu corpo. Ele é uma máquina quase perfeita. Se estiveres com atenção, ele dir-te-á o que deves fazer ou não.

5.º Bebe água. É preciso voltar a este tema? A água é fundamental. Limpa, purifica, drena. Faz bem à pele, ao cabelo, ao intestino, a tudo. Bebe água, porra! Esta rotina é absolutamente indispensável a uma perda de peso bem sucedida.

6.º Continua a frequentar eventos sociais onde tenhas de comer. Não te prives de viver a tua vida. Vai aos jantares e aos almoços e aprende a escolher o melhor para ti. Às vezes podes comer o que te apetecer. Outras deves tentar comer o mais limpo possível. Vais a uma hamburgueria? Ok: troca as batatas por salada e pede para o teu hambúrguer vir no prato, em vez de vir no pão. Vais comer marisco? Ok: come as amêijoas e o camarão, mas não caias de boca no cesto do pão torrado com manteiga. Vais a um restaurante mais tradicional? Ok: esquece a carne de porco à alentejana e pede carne ou peixe grelhados. Há sempre opção.

7.º Mexe-te. É um bocado como a água: ou mexes o rabo ou muito pouco acontece, percebes? Quer dizer: se controlares o que comes vais perder peso, vais, mas ninguém quer ficar com badanas, verdade? O trabalho de musculação é fundamental. Queimar gordura e construir músculo, deve ser um dos principais objetivos.

8.º Determina pequenos objetivos. Estabelece dois: um para atingir a curto prazo e outro para cumprires no espaço de um ano, mais ou menos. O objetivo de longo prazo deve ser mais exigente que o primeiro. Propõe-te a correr uma maratona, a perder 15 quilos, a fazer o pino, sei lá. Algo que aches ser impossível ao dia de hoje. Perder peso é um desafio do caraças, é bom que sonhes alto.

9.º Pergunta a ti mesma(o): quero perder peso porquê? Porque no meu meio de trabalho a imagem é fundamental? Para agradar alguém? Porque quero vestir umas calças 36? Porque quero ser fit? Porque sim? Seja pelo que for, mas que seja por ti, pelo teu bem-estar, pela tua saúde física e pela tua sanidade mental. Primeiro tu, depois os outros.

10.º Caga nas opiniões alheias. Os outros terão sempre o que dizer. Estás bem assim! Deixa-te disso! Queres perder peso para quê? Já estás magra/o demais! Isso até te faz mal! Treinas todos os dias? Olha as articulações! Estás com fraqueza? Vê lá se andas a comer pouco! Estás a ficar sem mamas! Estás a ficar sem rabo! Ui, esses braços estão a ficar muito musculados! É cagar nestes comentários todos. Só tu é que sabes como te sentes bem, dentro dos limites do que é saudável, claro está. Por isso, não te deixes afetar com as bocas da reação. Se queres mudar, muda, e não deixes que nada nem ninguém te impeça de atingires os teus objetivos.

Dia de não fazer dieta ou a Sónia faz anos!

Ouvi na rádio, de manhã, que hoje se celebra o dia de não fazer dieta. E o locutor dizia: Por isso, hoje esqueça o sacrifício e coma tudo o que lhe apetecer. Amanhã, logo volta a passar fome. Tenho duas coisas a dizer sobre este comentário:

1.ª Enquanto as pessoas continuarem a achar que para terem um peso saudável precisam de viver em sacrifício, nunca mais chegamos a lado nenhum.
2.ª Quem acha que para se ser magro, ou coisa que o valha, se tem de passar fome, porque no dia anterior se comeu um pouco mais, está demasiado desinformado.

Já é tempo de se começarem a mudar estas conceções, a sério que é, ou nunca mais deixaremos de ter tanta gente a ter uma relação destrutiva com a comida. Era igualmente bom que quem tem a responsabilidade social de falar para centenas de milhares de pessoas mudasse um bocadinho o discurso. Mas isso já sou eu a viver numa utopia.

No meio disto tudo, fiquei apenas contente por ter a certeza que, noutros tempos, esta comemoração tonta me serviria de desculpa para enfardar o dia inteiro. Fiquei feliz por já não viver de dietas. Para mim, o mais importante do dia de hoje é isso mesmo: saber que não preciso de um dia para me permitir a não passar fome, porque nunca passo. Isso e celebrar o aniversário da minha grande amiga Sónia. [Parabéns, meu amor!]

Lista de extras

Há umas cinco semanas que ando a fazer este exercício: escrever uma lista de todos os extras que como. Entenda-se por extra tudo o que como fora do meu plano. As facadinhas, as asneiras, as batotas, o diabo-que-me-valha. Porque às vezes não sou capaz de perceber por que é que os meus abs ainda não estão tão definidos como queria ou por que razão nunca mais chego aos 55 quilos de uma vez.

Isto têm-me ajudado, sobretudo, em consulta quando conto à doutora Catarina como foram os meus dias desde a última consulta, alimentarmente falando. Nas últimas consultas a doutora ajudou-me a perceber que os extras tinham sido demais. Um quadrado de chocolate aqui, uma fatia de bolo ali e os objetivos a chegarem a passo de caracol.

Desde a última consulta, há uma semana e meia, comi 4 extras: dois bombons (em momentos diferentes), um almoço de sushi e um pastel de nata. De resto, tenho cumprido o plano exemplarmente. Deixo aqui o desafio: comecem a escrever tudo o que comem, que não esteja incluído nas refeições principais nem nos lanches e, com certeza, ficarão surpreendidos.

Às vezes não perdemos peso e não sabemos porquê, simplesmente porque perdemos noção do que comemos. Cada vez mais acho que para emagrecer, se torna fundamental estarmos atentos a nós, ao que comemos e ao que deixamos de comer. Tenho aprendido que se assim for, a perda de peso passa a ser uma consequência boa das escolhas que fazemos todos os dias e não uma epopeia de mágoa e frustração.

OST #19


Ela sabe bem,
Sabe bem o que quer.
Não deve nada a ninguém,
Pois ela faz o que ela quiser.

Ela abre o jogo.
Ela vai ganhar.
Ela brinca com o fogo,
Sem medo de se queimar.

Está tudo bem com esta gente?

O que é que passa na cabeça de alguém para se filmar a maltratar um animal? Primeiro foi aquela besta a atirar um cão duma ponte. Agora apareceu outra besta a pendurar um cão na janela. Mas esta gente come merda às colheres ou quê? O que é que leva alguém a exercer tanta violência sobre um ser indefeso? Juro que isto me preocupa muito para além dos animais maltratados nos vídeos. É que alguém que é capaz de fazer isto a um animal, com tamanha falta de empatia pelo sofrimento do outro, é capaz de muito mais. E eu nem quero pensar bem no que este tipo de pessoa será capaz, porque ainda perco o sono. Por mim, são severamente castigados e o castigo deve acumular uma série de atenuantes: a violência gratuita, a filmagem, a publicação da filmagem… Mais: espero, genuinamente, que alguém perceba que estes seres precisam de uma intervenção psicológica séria e urgente. Não há palavras para isto, a sério.

Sobre a ida à televisão

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Foi mesmo giro ir à televisão. Primeiro, porque adoro que me tratem do cabelo e me maquilhem. Depois, porque acho que tive um discurso muito sereno, feliz e nada lamechas, que era tudo o que não queria. Tipo: Ai, coitadinha da gorda! Ir à televisão trouxe mais visibilidade à Perna Fina. A página do facebook cresceu cerca de 2000 gostos e o site do blogue veio abaixo, com tantas tentativas de acesso.

A minha família adorou, sobretudo a minha mãe. As Pernas Finas verdadeiras também deliraram. Ligaram e tudo. Mas a reação melhor do mundo veio dos meus alunos. Estão doidos por terem, segundo eles, uma professora super famosa. Sempre me acharam a melhor do mundo, agora acham que roço a imortalidade.

Obrigada, de coração, a todos os que me apoiam nisto e vibram com as minhas vitórias. Obrigada a todos os que, nem que seja por um segundo, se inspiram na minha história para mudar a sua vida de alguma forma. Um enoooooorme obrigada à minha doutora Catarina, que me salvou das dietas, e aos meus treinadores, por terem uma paciência sem limites. Estou muito feliz com tudo o que está a acontecer, confesso. Isto acabou de começar.

Sonha

Sonha alto. Depois, certifica-te que, todos os dias, deixas terminado mais um degrau da escada que te levará até ao teu sonho. Não vaciles, nunca, nessa construção. Porque, no final, nada te impedirá a subida com um orgulho leve nos ombros.

Eu confundo as pessoas

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Ri-me muito, no outro dia, com as estagiárias que estão na minha sala. Dizem elas que, quando souberam o meu nome, foram ao site da escola ver a minha cara. E viram, ok. Depois foram procurar-me no facebook e ficaram confusas: é que não conseguiam encontrar nenhuma Joana Duarte parecida com a pessoa que tinham visto no site anterior. Começaram a procurar a partir dos amigos comuns, tipo tentativa e erro e lá acabaram por me encontrar. “Oh Joana, é que parecem pessoas completamente diferentes. Achávamos mesmo que estávamos a procurar a Joana Duarte errada.” Não estavam. Até a minha mãe, que é minha mãe, estranhou a minha cara numas fotografias que estivemos a ver no outro dia. As bochechas diminuíram muito, os olhos cresceram, o queixo acentuou-se. Esta ideia de poder confundir as pessoas dá-me um certo gozo. Um gozo genuíno, de quem mudou mesmo e se sente mesmo muito feliz por isso.