Mês: Abril 2016

Desamor e Cocó

Aluna – Joana, gosta de alguém?
Eu – Gosto, mas ele não gosta de mim. O que hei-de fazer? – dei eu numa de desgraçadinha.
Aluna – Cocó.
Eu – Como cocó?
Aluna – Faça cocó em cima dele. Se ele não gosta de si…

Acho que queria dizer: Cague-se d’alto no tipo, ãh? Mas como tem 9 anos, achou que a palavra cocó era mais adequada. Sempre a aprender. Até porque boas estratégias nunca são demais.

Controladinha

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Como é que eu sei que ando mais controladinha? É simples. Desde a Páscoa que tenho um frasco de Nutella em casa e ele ainda não acabou. Na verdade, está bem cheiinho. Sempre que abro a despensa, a minha alma treme. Vejo aquele pedaço de céu e sinto uns pequenos espasmos de desejo. Para acentuar o meu controlo, pus o frasco em cima da caixinha das avelãs, que como quase todos os dias. Sempre que as vou buscar toco na Nutella. São como choques elétricos. A ver vamos, como diz o outro. A ver vamos.

Comer sozinha

Na última consulta voltei a falar com a doutora Catarina sobre os extras. Há muito tempo que não me custa seguir o meu plano alimentar. Treinar tornou-se um prazer. O que me tem impedido de chegar mais longe são mesmo os extras. Um chocolate, uma fatia de bolo, uma empada, o que for. Pequenos snacks, pouco saudáveis, que vou comendo aqui e ali.

Muitas vezes, a maior parte das vezes, dou estas facadas a mim mesma quando estou sozinha. Durante muito tempo, já escrevi imensas vezes sobre esse tema, estes momentos de comer sem pensar muito existam para compensar alguma tristeza ou algum desgosto. Hoje, não creio que seja por isso que como sozinha. Creio que como porque me apetece verdadeiramente e não por estar a tentar compensar sentimentos em falta ou em excesso. Mas a doutora levou-me, outra vez, a pensar sobre isto.

Há necessidade de comer sozinha este tipo de coisas, sobretudo doces? Dizia-me a doutora: “se alguém lhe oferecer uma fatia de bolo coma. Se estiver num jantar com amigos coma. Mas se estiver sozinha, num café, fará sentido pedir uma fatia de bolo de chocolate em vez de comer o lanche que faz parte do seu plano?” Eu fiquei a pensar nisto e realmente não faz muito sentido.

Por isso, decidi que vou deixar estas facadinhas para os eventos sociais da vida: jantares, festas de aniversário, a celebração de uma data especial. Quando estiver sozinha, terei de fazer o esforço por comer aquilo que é suposto comer e que trago sempre comigo. Porque, de forma mais ou menos inconsciente, o ato de comer sozinha uma coisa que sei que não faz parte do que é suposto leva-me sempre à Joana que fui.

Mesmo que a minha cabeça me diga um sem número de vezes que não estou a comer para compensar. Tenho de me educar nisto. Acho que este é o passo seguinte. De qualquer forma, comprometi-me com a doutora em escrever todos os extras que comer até à próxima consulta. Porque às vezes os resultados tardam e nós achamos que não há razão para isso, mas há. Há sempre.

Gelado de Frutos Vermelhos

imageIngredientes:
– 250 gramas de iogurte grego (sem adição de açúcar);
– 250 gramas de frutos vermelhos congelados;
– 3 folhas de hortelã;
– 1 banana grande;
– mel a gosto;

Modo de preparação:
1.° Com a ajuda de um robô de cozinha, triturar os frutos vermelhos com as folhas de hortelã, durante alguns segundos;
2.° Juntar a banana, o iogurte e o mel e voltar a triturar até obter a consistência de gelado;
3.° Comer logo de seguida, até porque não vão aguentar esperar.

Nota: O gelado que sobrar pode ser guardado no congelador. Quando voltarem a servir, devem tirá-lo do frio algum tempo antes, pois estará em pedra.

Receita Original de Jamie Oliver

O pai da Perna Fina

Disse o meu pai, absolutamente surpreendido:
– Ontem estive com uma cliente que lê lá aquela coisa que tu escreves.
– Lê o blogue? – perguntei eu.
– Sim, isso. Quando viu que eu me chamava José Duarte perguntou se eu era alguma coisa à Joana Duarte, a Perna Fina.

Definitivamente, o meu pai não está preparado para ter uma filha que escreve cá nesta coisa e que é reconhecida por isso. AHAHAHAHAH.

Problemas

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Toda a gente tem problemas. Toda a gente. Não há quem não tenha uma chaticezinha ou outra: corações partidos, maus empregos, contas para pagar, eletrodomésticos a avariar. Seja o que for: toda a gente tem problemas. A grande diferença está na forma como cada um encara o seu problema.

À partida, há problemas que não podem ser resolvidos. Então, de que vale continuar a pensar nisso e viver amargurado porque a vida não correu como esperada? Para quê? Há até aquela frase: o que não tem solução, solucionado está. Depois, há os problemas resolvíveis. Uns são mais chatos que outros, mas eu cada vez acredito mais que a resposta para um problema depende muito de quem o interpreta e escolhe a estratégia mais apropriada para chegar à solução. Porque, às vezes, dum probleminha, fazemos um problemão.

Há gente perita nisto, não há? Os fatalistas. Tudo lhes corre mal. A vida é uma bosta. Não há mais nada a fazer. Ai, que grande dor. Há, também, aqueles que são otimistas demais. O quê? Não. Isto vai tudo ficar bem. Vai tudo resolver-se que é uma maravilha. Não, não é preciso eu me mexer muito. As coisas vão acontecer. BA-LE-LAS. Na maioria das situações, ou nos pomos a mexer ou muito pouco acontece.

Depois há as pessoas que têm um problema, o analisam, traçam uma estratégia, que põem em pratica, e chegam a um resultado. Muitas vezes fazem a contra-prova e acontece errarem na solução. Normalmente, estes matemáticos não se importam de tentar mais uma vez. Ou duas, até.

Serve esta conversa toda para quê? Eu sou das dramáticas, estão a ver? Acho que vai sempre tudo correr pelo pior. Aiai, aiai, aiai. De vez em quando, tenho rasgos de lucidez e torno-me um pouco mais otimista, a roçar ali o devaneio. Nos últimos tempos tenho procurado algumas soluções que me tem sido duras de encontrar.

Ainda não cheguei ao resultado, acho que estou longe disso, mas anima-me o facto de ter começado a traçar um plano, de me ter disponibilizado a isso. Mostra que não ainda não me dei por vencida, ao mesmo tempo que me assegura que não estou alheada. Quero muito melhorar esta capacidade de resolver problemas, daqueles que não se resolvem com um algoritmo. Daqueles que terminam, quase sempre, por se usar equilibradamente a cabeça e o coração.

Chuva

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Eu sei que a chuva é necessária para tudo e mais um par de botas, eu sei, mas terminar o domingo sabendo que o que me espera é uma semana inteirinha de chuva, dá-me um azedume que até me atrapalha a fala. Quando chove há mais trânsito. Quando chove está sempre tudo pegajoso. Quando chove os cabelos ficam todos no ar. Quando chove anda toda a gente mais mal humorada. Quando chove a vontade de sair de casa é quase nenhuma. Quando chove é tudo menos fácil. Quando chove o meu feitio é ainda pior. Talvez seja o meu síndrome de fim de domingo a falar mais alto, mas será que dá para me fechar no meu quarto e dormir até que a primavera apareça mesmo? Os animais que hibernam é que a sabem toda, é o que é.

Os outros não percebem

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Ninguém, bom da cabeça, seria capaz de oferecer um copo de vinho a um alcoólico. Mas muito facilmente, se oferece uma fatia de bolo a uma pessoa que tem problemas com a comida. Porque as pessoas não percebem esta dependência. A luta que é resistir, não comer quando está mesmo ali. É difícil. É muito difícil. Eu sei que às vezes não é por mal, mas porra, é tempo de se levar isto mais a sério. A dependência de comida é da mesma dimensão da dependência das drogas, do jogo, do sexo, do que for. Ok, a comida não sobe à cabeça, não faz cambalear, mas tem outras complicações. Complicações sérias. Profundas. Quando eu recuso um doce, a muito custo, não estou a fazer charme, nem a querer ser mais magra. Estou a educar-me nas exceções. Nos extras. Os outros não percebem, mas está na altura de começarem a perceber.

Pela liberdade de escolha

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Cada um tem o direito de escolher ter o corpo que quer. Seja magro, seja gordo, seja musculado, seja como for. Porque cada um é que sabe como se sente bem consigo. Não temos todos de ser magros, nem gordos, nem musculados. Temos de ser aquilo que quisermos. Estes conceitos estão muito relacionados com o que achamos ser mais ou menos bonito ou mais ou menos atraente e, felizmente, há gostos para tudo. Há mulheres que gostam de se manter muito magras, há outras que preferem ter curvas, há ainda outras que preferem ter músculos. Há mulheres que gostam de ter o peito pequeno, outras que o aumentam, outras que o diminuem. Há mulheres que sonham ter um rabo maior e mais redondo e outras que davam meio mundo para que o seu bufunfo fosse menos notável. E está tudo bem com isso. Ou devia estar. O meu corpo já passou por muitas transformações. Em miúda era muito magra, escanzelada mesmo. Na puberdade virei uma pequena orca e comecei um sem fim de dietas. Até há muito pouco tempo fui de obesa a magra demais. Hoje tenho um corpo muito diferente do que imaginei. O mais importante é que o vejo ao espelho e gosto dele. Mesmo com a celulite. Mesmo com o rabo menos volumoso do que gostaria. Talvez nunca esteja completamente satisfeita com a minha imagem. Talvez, até porque acho que sou difícil de satisfazer, mas há uma coisa que eu sei: o corpo que eu tiver dependerá muito do corpo que eu quiser e fizer por ter. E ninguém tem nada com isso a não ser eu.

Perdição

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E o calor que está hoje?
Estou p’raqui toda a suar.
A única coisa que me assusta
É saber que o verão está a chegar.

Assusta é como quem diz,
Que eu quero é praia, calor e curtição.
Os meus medos são outros:
Os caracóis e a manteiga no pão.

Porque no ano passado,
Foi a desbunda total.
Engordei quatro quilos,
Comi como um animal.

Por isso este verão,
Vou tentar controlar-me mais.
Ser daquelas pessoas que dizem:
Obrigada, não me apetece mais.

É que este será O ano,
Tenho eu esta boa premonição.
Ajuda-me Deus Nosso Senhor,
Afasta a minha gula da perdição.