Mês: março 2016

Consultório sentimental #4

Matei-te. Matei-te sem usar armas, sem ter sujado as minhas mãos com o teu sangue. Matei-te em mim. Matei-te de vez. Para sempre. Matei-te sem esforço, porque, na verdade, e olhando para o que se passou com frieza, talvez nunca tenhas estado realmente vivo em mim. Estiveste sempre nesse limbo que te carateriza, nessa inconstância, nessa incerteza de quem quer, querendo mais ou menos. E eu, eu não sou de mais ou menos. Eu sou ou não sou. Eu quero ou não quero. Eu tenho ou não tenho. Tu não. Tu és mais ou menos. Tu queres mais ou menos. Tu tens mais ou menos. Ah, como eu odeio gente mais ou menos. Por isso matei-te. Sem arrependimento. Sem remorso. Matei-te e enterrei-te, bem enterrado, nas profundezas do meu coração. Um coração que prefere a solidão negra a um comprometimento cinzento.

Pernas Finas

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Não é a primeira vez que me perguntam: mas tu queres ter as pernas finas? Esta pergunta vem, sobretudo, de pessoas da box. Porque uma pessoa que faz aqueles treinos, dificilmente terá as pernas finas. Porquê Perna Fina, então?

A minha família paterna é conhecida como a família dos Perna Fina. Fisicamente falando, são pessoas que têm mesmo as pernas finas, mas é o feitio que os distingue de todas as outras pessoas daquela aldeia.

Um Perna Fina é alguém de caráter duvidoso, é extremamente vaidoso, amua com facilidade e se as coisas não correm como está à espera ui, é fugir. A minha avó é dos exemplares mais puros. Todas as pessoas da família concordam com esse facto. Logo, o meu pai saiu apuradinho e eu, que também tenho esse sangue a correr nas veias, não sou exceção.

Ora, sempre que em miúda tinha acessos de raiva, a minha mãe dizia: ai, és mesmo uma Perna Fina, cheia de desgosto, claro está. E eu, que de Perna Fina sempre tive apenas o feitio, achei que esse era o nome perfeito para o meu blogue.

Porque eu não queria ter só as pernas finas, eu queria ter tudo mais fino. É um nome forte, pelo já sou tratada. E é uma alegria sempre que alguém chama por mim, dizendo: Oh, Perna Fina! Mesmo que, hoje em dia, estas pernas sejam muito mais musculadas do que finas, gostando eu mais delas do que nunca.

Whey

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Tenho recebido algumas mensagens a questionar-me se tomo algum tipo de suplementação. Eu tomo proteína whey a seguir aos treinos. Num português simples, esta proteína é rapidamente absorvida pelo organismo, facilitando a recuperação e a construção do músculo. No meu caso, que treino à noite, o batido de proteína funciona como jantar.  Porque depois do treino, é xixi, banho e cama. Quando jantava sentia-me sempre muito enfartada, com muita dificuldade em fazer bem a digestão. Ultimamente, ficava um pouco indisposta a seguir ao batido. Era a lactose a roçar-se no meu intestino. Agora descobri esta, sem lactose, sem glúten e sem aspartame (um adoçante muito pouco saudável). Sabe a Nesquik, é mesmo boa. Para já acho que é isto.

Calma, São Pedro, calma!

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Vamos lá ver, São Pedro, não te estiques assim com o calor de repente, que eu ainda não estou pronta para pôr este corpinho ao léu. Contava com isso lá para maio, percebes? Por isso, não me trames já. É que este verão faço 30 anos e gostava muito, imenso mesmo, de estar na melhor forma de sempre. Eu sei, eu sei que estou no bom caminho, mas uma pessoa pode sempre melhorar, não é verdade? Abdominais e agachamentos com fartura, para que tudo esteja onde sempre devia ter estado. Não estou a dizer para voltares às tempestades, São Pedro, nada disso, mas também não mandes já um tempozorro daqueles que dá mesmo vontade de ir para a praia. Até porque as coleções de biquínis saem por estes dias e eu não posso empenhar o meu ordenado todo duma vez. É que eu gosto de muitos biquínis, de muitas marcas, e eu tenho de cobrar os atrasados, sabes? Por isso, Pedrocas, dá-me mais um mês, mês e meio, porque aí estarei pronta para ofuscar todos os banhistas com a minha tez pálida. Pode ser? Obrigadinha.

Imagem: Cantê Lx

Matava-os a todos!

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Eu até já me tinha conseguido levantar da cama, tantas são as dores por causa do treino de ontem, estava a ouvir a Descidinha e a pensar que este verão será o melhor de sempre, quando esbarro nesta notícia e me sobem as iras todas de uma vez. O título da notícia? Selena Gomez, não vai acreditar como está o corpo da ex de Bieber. Claro que abri a notícia, porque isto do corpo é algo que me toca um bocadinho, e deparei-me com esta imagem. Pobre miúda, se calhar na noite anterior comeu um bocadinho mais, estava inchada, ou coisa que a valha, e vê logo a sua imagem a correr a internet por não ter a barriga tão definida como devia. Como se a miúda estivesse tão mal, tão horrorosa, tão disforme que não se pudesse olhar para ela. E mesmo que estivesse? Quem é que tinha o direito de lhe apontar o dedo? Estes filhos da mãe destes jornalistas, que espalham estas notícias sensacionalistas e levam as miúdas, que são ou não fãs da Selena, a achar que ela não está digna de vestir um biquíni e ir à praia, dão cabo da minha paciência. São estas merdas que influenciam, muitas vezes, miúdas e miúdos a criarem uma má relação com a comida e com o seu corpo. Por acharem que não se encaixam nas regras que alguém definiu. Eu sei que isto sempre foi assim e sempre será, mas irrita-me à mesma. Estes jornalistas ou fotógrafos da tanga, matava-os a todos. Ou dava-lhes só uma hora de burpees sem parar, como castigo por serem uns valentes anormais. Queria ver se voltavam a tirar fotografias destas.

A melhor versão de mim

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Procuro estar, a cada dia, mais perto da melhor versão de mim. Uma versão incacabada, que me permite estar consciente dos meus defeitos e virtudes. Procuro, por isso, reinventar-me a cada manhã, com a esperança de que aquele dia será o melhor de sempre. [#confia] Ser a melhor versão de mim, está muito além do meu aspeto físico. Está, sobretudo, na certeza que eu tenho de que pratico o bem. Comigo e com os outros. De que tento ser justa, leal, coerente com os meus princípios. Que não me corrompo, por nada, por ninguém. Que me sou fiel, que me sei amar e que, sobretudo por isso, sei dar amor. Ser a melhor versão de mim exige esforço e dedicação. Exige, também, algum egoísmo. Porque só quando me dediquei a aproximar da melhor versão de mim própria, fui capaz de ser a minha melhor versão para o resto do mundo [ou para os poucos que realmente me importam].

A última

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Sempre achei que ficar em último, num grupo de pessoas, fosse qual fosse a situação, não era para mim. O CrossFit tem-me ensinado que isso não é assim tão importante. Efetivamente, sou muitas, muitas vezes a última a acabar o treino proposto. O que eu tenho aprendido é que não posso nunca, em situação nenhuma, ficar em último lugar comigo. Desistir. Desleixar. Desinvestir. De mim. Isso é que não. Hoje fiz um treino mundialmente conhecido no CrossFit. O Murph: 1600 metros de corrida, 100 elevações, 200 flexões, 300 agachamentos e, no final, outros 1600 metros de corrida. Entrei naquilo a saber que nunca na minha vida fiz nada tão exigente fisicamente. Entrei sem saber como ia sair. Mas fiz tudo, sem saltar uma única repetição, a certa altura com imensa vontade de desatar a chorar. Gosto do CrossFit, também, por mexer comigo por dentro. Levei 1 hora e quase 15 minutos a acabar tudo. Fui a última. E o que é isso importa, no final? Nada. Porque comigo eu fiquei em primeiro. Neste momento, esta é a única competição que me importa.

Baywatch ou o Zac Efron dá cabo de mim

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A minha vida era boa, e eu não sabia, quando ao final do dia podia ver as Marés Vivas. Não fazia ideia, mas está a ser gravado um filme inspirado na série, que sairá no próximo ano. Na verdade, tudo isto me passaria ao lado, não fossem as imagens do queriducho Zac Efron, de quem eu sou fã desde que cantava em musicais da Disney. O moço, para além de ter uma carinha-que-sim-senhor, apresenta, aos dias que correm, um corpo-que-ai-jesus-que-se-me-apaga-a-luz. Parece que o Zac fez uma dieta toda XPTO, cujos princípios assentam num estilo de vida mais saudável. Que saudável que ele está. E não é que há uma senhora que lhe vaporiza o corpinho para que pareça suado? Há trabalhos. Depois há empregos de sonho.

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