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Já escrevi milhentas vezes que vivi de dietas. Vivi de passar fome e de comer muito. Vivi, anos, numa busca permanente entre aquilo que queria ser e o que era na realidade. Sempre que comia alguma coisa para além do peixe cozido ou do bife grelhado, comia com culpa. Comia com os pensamentos a invadirem a minha cabeça, num turbilhão de emoções que me dizia: tu queres comer, tu precisas de comer, mas sabes que, assim, nunca serás magra. Acabava por comer, porque o apetite falava mais alto, e por me sentir muito culpada por isso. Hoje como sem culpa. Como com a certeza de que não como todos os dias mal. Como a saber que na refeição seguinte volto ao meu plano. Não no dia seguinte, não na semana seguinte, na refeição seguinte. Como a saber que me vou acabar nos treinos, conseguindo gastar tudo o que comi e o que mais houvesse. Como a saber que não é um gaufre que me fará engordar, mas que dois ou três farão e, por isso, nos próximos dias não voltarei a cheirar coisas do género. Comer sem culpa, de forma consciente, é meio caminho andado para uma perda de peso bem sucedida. É o caminho inteiro para a liberdade de um corpo que, durante anos, foi escravo de si mesmo.

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