Mês: fevereiro 2016

Jesus falou e disse

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Jesus veio comentar o meu blogue. Jesus falou e disse. Estou só um pouco confusa: será Jesus filho de Deus Nosso Senhor ou o Jesus da lagartagem? É que se for o Jesus do céu eu aceito o facto de continuar a ter cara de bolacha e assumo que encolho a barriga para as fotografias. Agora, se for o Jesus dos lagartos…! Bem, eu parto esta merda toda. É que esse tipo desperta em mim um ódio, deixa-me completamente descontrolada. É que vou mesmo partir para a ignorância. Mas bom, como não sei qual deles é, ficamos por aqui nesta história. Oops, parece que acabo de escrever uma publicação acerca de um comentário muito pouco útil.

Eles não me viam assim

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Quando publico uma fotografia do meu antigamente, a minha mãe passa-se. Passa-se porque diz que nunca me viu assim. Diz que nunca viu aquela bóia que eu tinha à volta da cintura, nem as bochechas que mais pareciam duas bolas de carne prontas a estufar. A minha mãe sempre foi uma mãe muito atenta, mas não olhou para mim com o distanciamento necessário para perceber que eu estava a roçar a obesidade. Acho que ainda hoje não acredita e diz sempre: modificaste a foto, não foi? Não, não foi. Eu não modifiquei nenhuma imagem. Eu tinha um problema com a comida, que ninguém percebeu. Na cabeça deles, era gulosa e pronto. Isto para dizer que, por vezes, é preciso olharmos para nós próprios como se fossemos outra pessoa. Olhar e fazer uma avaliação sincera daquilo que vemos. Isso e consultar alguém completamente imparcial. Porque os que gostam de nós, nem sempre são capazes de nos dizer as coisas como elas são.

Desistir

Há dias, uma leitora pediu-me dicas para não desistir. Não desistir de comer bem, não desistir de se exercitar, não desistir de cuidar de si. Perguntou-me o que é que faço para manter o foco. Eu, que desisti tantas vezes, respondi-lhe que desistir faz parte do processo. No meu caso fez. Eu desisti muitas vezes. Tantas. Dava por mim, infeliz com a dieta, farta do esforço de me mexer mais, mandava tudo à merda e voltava a comer. Eu desisti mesmo muitas vezes. Mas, sei lá porquê, tentei sempre de novo. Acho, também, que eu sou assim. Teimosa. Casmurra. Obstinada. Por isso continuei a tentar. A desistir e a tentar. Até que houve uma vez, que dura até hoje, em que não desisti mais. As coisas começaram a fazer sentido, a minha cabeça arrumou-se, o meu corpo começou a reagir, a estreitar, e eu comecei a entusiasmar-me. E é isso que me continua a entusiasmar: as mudanças no meu corpo. Olhar para ele, num exercício de puro narcisismo, é que me faz não querer desistir. Acho que aprendi que quando desistia não estava a desistir da dieta, estava a desistir de cuidar de mim. Estava a desamar-me. Isto é, sobretudo, uma questão de amor próprio. Continuo a ter dias difíceis, em que me apetece devorar bolos inteiros, mas há qualquer coisa dentro de mim que me diz para não o fazer. Não sei de onde vem essa voz, mas sei que existe. Desistir é um ato de desamor. É uma escolha. E neste momento eu não tenho, nem me permito a ter, outra opção.

Ando sem fome

Não sei o que se passa comigo: ando sem fome. Para o comum dos mortais isto não é nada de alarmante, mas no meu caso é estranhíssimo. É que fome é o meu nome do meio. Joana Fome Duarte. Vai daí, pus-me a pensar nas razões para andar com falta de apetite.

1.ª possibilidade: A quantidade de comida que armazenei neste corpinho ao longo dos anos ainda cá está de alguma forma e, agora, decidiu mostrar-se, fazendo com que me sinta num estado de satisfação permanente.

2.ª possibilidade: A proteína que ando a comer ao pequeno-almoço quase me alimenta para o dia. Salmão e atum com fartura, às duas primeiras refeições do dia, e é ver-me sem fomes doidas durante o resto do tempo. Será disso?

3.ª possibilidade: Já alimentei o meu corpo que chegue, mesmo que viva até aos 89 anos. O tipo está alimentadinho para o resto da vida, não quer mais, e está a dar-me sinais disso. Do género: não comas, já chegaram anos de enfardanço desmedido. A sério.

4.ª possibilidade: É só uma fase. Que rica fase. Estou eu aqui agora a pensar sobre isto e daqui a uns dias dou por mim com umas fomes descontroladas por bolos e cenas. Sim, porque isto de ter um comportamento alimentar equilibrado dá um trabalho que Deus me livre. Mas é o caminho. Sem dúvida que é o único caminho.

Resta-me aproveitar isto, sem grandes deslumbramentos, que a vida não está para brincadeiras. Aproveitar e ficar muito caladinha, não vá alguma bruxa saber que ando sem fome e fazer-me uma macumba para eu começar a comer este mundo e o outro. Vamos ser discretos nisto, ok? Vamos ser discretos.

Trinta anos

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Já não é a primeira vez que eu estou no meio de um grupo de pessoas e sou a mais velha. Este ano faço trinta anos. Trinta. Dizem que os trinta são os novos vinte. Deus Nosso Senhor me livre e guarde de estar aos trinta como estava aos vinte: com mais vinte quilos, com mais vinte mil inseguranças, com mais vinte milhões de insatisfações. Estou prontíssima para os trinta. Até porque a vida nunca foi tão boa.

Estranho e bom

Hoje, estava eu num consultório à espera de ser chamada, quando oiço o meu nome e me levanto. À porta estava uma rapariga, que olhou para mim e disse:
– Eu conheço-a.
– Conhece? – disse eu, envergonhada por não identificar aquela cara.
– Sim, conheço-a do seu blogue. – e sorriu, amorosa.
Eu fiquei tão sem jeito que nem disse nada. Nem à saída.
Gostava de ter agradecido o sorrido tão sincero.
Foi estranho ser reconhecida assim. Foi bom.
Hoje foi um dia tão bom.

Inspiração, corpo bonito e saúde

Recebi, a propósito da foto da Sabrina, alguns comentários que se referiam aos hábitos pouco saudáveis de algumas estrelas, bem como à infelicidade que sentem, mesmo tendo um corpão daqueles. Tenho alguns devaneios a fazer relativamente a estas considerações.

Métodos pouco saudáveis – Todos nós, de uma maneira ou de outra, já fizemos opções pouco saudáveis. Que atire a primeira pedra quem tentou emagrecer sem NUNCA usar a ajuda de um produtozinho ou outro. Drenantes, laxantes, inibidores de apetite, aceleradores de metabolismo. Tudo isso são coisas pouco saudáveis, apesar de parecerem inofensivas. Plásticas? Tivesse eu possibilidade e ia pôr já a minha bunda a arrendondar à lei da faca. O CrossFit serviria apenas para manter a coisa. Eu já fiz uma plástica e houve poucos montantes na minha vida tão bem gastos como aquele.

Guerra de egos – Todos nós temos um ego ao gritos. Todos nós competimos por ser melhores. Mesmo que digamos que não. Queremos ser mais giros, mais magros, mais ricos, mais rápidos, mais viajados, mais arranjados. Mais. Não precisamos de ser famosos para vivermos numa guerra de egos. Mas é claro, os famosos estão mais expostos a isso. Vivem da imagem. Vivem de aparecer. É a vida deles.

Infelicidade – Os gordos são felizes e infelizes. Os magros também. Os altos e os baixos também. É verdade que o facto de agora ser magra me torna mais feliz na minha convivência comigo, muito mais, mas também vivi ótimos momentos sendo gorda. Às vezes, quando estamos bem connosco, transparecemos felicidade, mas esse estado não existe em nós de forma permanente por termos as pernas mais ou menos musculadas. De qualquer forma, prefiro continuar a querer estar na minha melhor forma de sempre. Assim, os momentos de infelicidade parecem até custar menos.