Mês: fevereiro 2016

Sobre o preço e o valor das coisas

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Calculo que não haja quem não queira ganhar mais dinheiro. Andamos sempre a fazer uma gestão entre o que recebemos e o que gastamos. Pergunto-me, muitas vezes, como será poder comprar ou ter tudo o que se quer. Como será? Como será comprar coisas sem olhar para a etiqueta do preço? Enfim. Talvez nunca venha a sentir esta sensação de tranquilidade na hora de pagar as minhas despesas ou os meus luxos, mas sonhar não custa. Isto porque, quando falo no CrossFit, recebo comentários a dizer que é uma modalidade cara e, sobre isto, tenho algumas coisas a escrever.

Em primeiro lugar a noção de caro e barato depende muito da carteira de cada um: quem ganha mais pode gastar mais do que quem ganha menos. Quanto a isto há muito pouco a fazer. Pudesse eu e a Zara não tinha descanso. Depois, há muita gente, eu incluída, que às vezes não direciona bem os focos do seu dinheiro. Há as despesas, as obrigações às quais não podemos fugir, mas há, também, uma série de outras coisas que pagamos, sobre as quais devíamos pensar e, no mínimo, fazer escolhas.

Pagar o CrossFit é pagar a minha saúde e o meu bem estar. É ter a certeza que sou acompanhada de forma individualizada, tendo exercícios adaptados à minha progressão e às minhas necessidades. É terapia. É desafiar-me a ser melhor e mais forte. Hoje em dia, graças ao meu trabalho e à forma como giro os meus ganhos e as minhas despesas, posso pagar por este serviço, que é, para mim, fundamental.

Se um dia não puder, terei de reconsiderar as minhas prioridades. Porém, tenho a certeza que poria a mensalidade do CrossFit à frente da manicure, do cabeleireiro, do tabaco que não fumo, das saídas à noite semanais, dos jantares fora, das roupas e das botas que gosto de comprar. Mas ei, cada um gasta o dinheiro que tem onde quer. Neste momento, esta é a minha realidade. Se um dia mudar, eu logo pensarei no assunto.

É bem provável

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É bem provável que o CrossFit seja responsável pelo fim deste blogue. Porque eu ando sempre a elogiar a cena e a dizer que melhoro nisto e naquilo, mas há dias em que ir àquela box é o mesmo que descer ao inferno. Hoje, por exemplo, desafiei-me a pôr mais peso do que é costume. Senti-me toda valentona e quê. O tempo para terminar a tarefa era de 16 minutos e aos 15 ainda me faltavam alguns push press e 200 saltos à corda. Mas eu, que me comprometi com isto à séria, pedi ao treinador para não parar o relógio, que eu queria ver o tempo que demorava a acabar aquele delírio. 198, 199, 200 saltos à corda, que no total foram 1000, porque tive de fazer a sequência de treino cinco vezes. 17’21”, foi o meu tempo. Atirei-me para o chão e achei que me ia desmanchar a chorar. Chiça, aquilo custou-me horrores. Tanto, que cheguei a casa a ponderar terminar com o blogue. É que as dores nos ombros são tantas, que escrever se torna um ato doloroso. Na verdade, respirar custa. Porque me dói tudo. Tudo. Amanhã estou lá outra vez.

Receitinhas das boas, por favor!

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Alguns Pernas Finas queridos, que nunca me falham, responderam ao meu apelo e enviaram-me inúmeras receitas que me parecem bem boas. Ainda não me dediquei a executar as ditas, por isso, é que ainda não publiquei nenhuma delas. Acho que no próximo fim de semana isso vai acontecer. Depois mostro os resultados finais.

Ginásios – The Day After

Eu já sabia que ia levar com bocas da reação. Eu já sabia, mas bom, faz parte das regras do jogo. No entanto, achava que tinha sido clara quando disse que “Quero acreditar que tive pouca sorte. Que nos ginásios existe bom ambiente e que todos são bem vindos, sejam mais ou menos fit, mas isso não aconteceu comigo.” Trata-se, portanto, duma experiência pessoal. Vale o que vale.

Achava também que se percebia que quando digo que “Apesar destes padrões idiotas já estarem a cair, não deixa de ser verdade que há uma série de experiências que são negadas às pessoas que não se encaixam nesta norma…”, não estou a ser preconceituosa. Estou só a relatar o que senti, muitas vezes, na pele. Mais uma vez, vale o que vale.

Por fim, e porque tive o cuidado de acrescentar uma pequena nota, onde escrevi que “Sei que esta descrição corresponde apenas a uma pequena percentagem dos frequentadores de ginásio. Eu sei disso. Mas se fosse falar de pessoas comuns, isto não tinha tanto interesse”, parti do princípio que se percebesse que este texto está cheio de ironia e que não é meu objetivo ofender ninguém. Até porque nestes casos, só enfia a carapuça quem quer.

Ginásios

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Eu nunca gostei de ginásios. Nunca. Sempre tive a sensação que algumas pessoas lá estão para se mostrarem e não para se tornarem mais saudáveis. Essa sempre foi a minha impressão. Andei nalguns ginásios, mas ia para lá sempre muito contrariada. Primeiro porque era gorda e porque sentia sempre uns olhares trocistas, do género: oh gorda, vai masé agarrar-te a mais uma bolinha de berlim e não ocupes o espaço de pessoas boazonas. Tipo: sai daqui, não pertences a este lugar.

Quero acreditar que tive pouca sorte. Que nos ginásios existe bom ambiente e que todos são bem vindos, sejam mais ou menos fit, mas isso não aconteceu comigo. No início do blogue, comecei a frequentar um ginásio com alguma regularidade e dei por mim, constantemente, a observar os que lá estavam. Segue-se a análise daquilo que observei.

Eles – Os tipos do ginásio são todos muito semelhantes ao Cristiano Ronaldo, que é um rico jogador, mas tem sempre aquele ar pouco polido. São gajos bronzeados, com gel no cabelo, patilhas fininhas e muitos, muitos músculos. Tantos, que quase não conseguem fechar os braços e, por isso, andam como se fossem autênticos homens primitivos à procura da presa. A sua indumentária de treino é escolhida com todo o cuidado: usam, quase sempre, uma camisola de alças, toda rasgada, para que possam observar convenientemente os bíceps, enquanto os trabalham, em frente ao espelho. Consigo, trazem sempre um shaker com líquidos de cor duvidosa e bebem-nos muitas vezes durante as séries de exercícios. Séries, inúmeras séries do mesmo exercício. Isto porque treinam apenas um grupo muscular por dia e orgulham-se de postar selfies a dizer: dia de peito, fazendo uma peitaça semelhante à de um peru prestes a acasalar. Estão horas no ginásio, hooooooooras, mas é mais o tempo que passam a ver o seu reflexo e a olhar para o rabo das boazonas do que a treinar, efetivamente.

Elas – Se eles parecem o Cristiano, elas parecem umas Barbies. E não aquelas que saíram ultimamente, com diferentes tipos de corpo, as de antigamente, mesmo. Não interessa se são loiras ou morenas, o que interessa é se têm umas mamas e um rabo jeitoso. Isto, porque é indispensável que vistam aqueles fatos de lycra, que vão desde o pescoço até à canela. Até ao pescoço é como quem diz, que os fatos são completos, mas espera-se que tapem apenas parte do peito. Fato, meias, ténis a condizer e uma maquilhagem imaculada. Porque elas não vão para ali suar. Vão mostrar-se, perceber se há algum PT novo e giro, que as possa ajudar a arrendondar ainda mais aquele bufunfo que já roça a perfeição. Sim, porque elas treinam sobretudo o rabo e as pernas. Todos os dias são dias de rabo e pernas. Doutra maneira, como vestirão os fatos de mergulhadoras sensuais? Os seus treinos iniciam-se sempre com uns vinte minutinhos de passadeira ou elíptica, só para que mostrem algum empenho na coisa. Param muitas vezes para beber água, pausa que normalmente coincide com a deles. Nesse momento, trocam-se juras de amor suadas, muitos sorrisos cintilantes e dão-se início a uma série de relações de profuuuuuuuuunda amizade.

Isto, foi o que eu observei, o que eu senti. E foi, muito por isto, que nunca me identifiquei muito com o ambiente dos ginásios. Mais uma vez, quero acreditar que fui eu que tive pouca sorte. Que os espaços que se propõem a oferecer saúde sejam para todos e não apenas para gente turbinada. Lembro-me de ser miúda e de ver a Baywatch e da minha mãe me dizer: já reparaste que nessa praia só entram pessoas bonitas? Devem ter um porteiro a fazer uma seleção de quem pode e não pode frequentar a praia. E é um bocado isto. Apesar destes padrões idiotas já estarem a cair, não deixa de ser verdade que há uma série de experiências que são negadas às pessoas que não se encaixam nesta norma, criada por não sei quem, que dita que quem não é assim ou assado, não pode estar ali ou além.

Nota: Sei que esta descrição corresponde apenas a uma pequena percentagem dos frequentadores de ginásio. Eu sei disso. Mas se fosse falar de pessoas comuns, isto não tinha tanto interesse.

Miúda, tu és um espanto!

Miúda, eu sei que tu achas precisamente o contrário, que a vida e os outros te fazem acreditar noutra verdade que não esta, mas lê bem o que te escrevo: tu és um espanto. Leste bem? Lê em voz alta, por favor: tu és um espanto.

Sei que achas que sou doida, que não estou a ver as coisas como elas são, mas eu estou mais consciente que nunca. Não há nada de errado contigo e está na altura de perceberes isso e de te agarrares a esta ideia com unhas e dentes.

Porque eu sei que tu passas a vida a esconder o teu corpo. Usas roupas mais largas, evitas as lojas, as idas à praia são um martírio e que até já te inscreveste num ginásio, mas, chegas lá, vês aquelas boazonas e perdes a vontade de voltar.

É, eu sei que isso se passa contigo. Sabes porquê? Porque se passou exatamente o mesmo comigo. Já para não falar de todos os rapazes que amei, ou julguei amar, e que nunca olharam para mim por eu ser gorda. Para eles, eu era tudo menos uma opção.

É por eu saber o que se passa contigo, que te escrevo esta carta. Quero que a leias com toda atenção, porque julgo que pode ser determinante para a tua vida a partir daqui. Lê bem: tu não vais ser gorda para sempre.

Agora estás a duvidar de mim outra vez, não estás? Eu sei que sim, mas continua a ler. Tu não vais ser gorda para sempre se assim o desejares. Se tu puseres na tua cabeça que vais mudar, garanto-te, nada te irá impedir.

Mais: não precisas de passar fome, mas precisas de comer bem. Não precisas de estar dez horas num ginásio, mas vais ter de levantar esse rabo do sofá. E, à medida que os dias forem passando, a mudança chegará.

Posso garantir-te, que os tempos que se seguem à mudança são muito bons. A tua confiança aumenta tanto. A forma como encaras o dia a dia torna-se muito menos pesada. É tudo mais leve. Tu serás mais leve e não apenas em cima da balança.

Depois, vais querer continuar a ser cada vez melhor. As roupas serão mais justas, as lojas não te meterão medo e as idas à praia serão puro prazer. Porque tu, miúda, sempre foste um espanto. Esse estado sempre esteve dentro de ti.

E agora que já sabes a verdade sobre ti, por favor, deixa que toda a gente a veja também e não percas mais tempo. Começa, aos poucos, a trazer pequenas mudanças para a tua vida, torna-a melhor, torna-te melhor. Melhor que nunca.

Deixas-me pedir-te uma coisa? Só uma! Acredita nisso. Acredita em ti. Começa a mudar agora, não na próxima segunda, não no próximo mês. Muda agora. E não deixes, nunca mais, que te façam duvidar do que és: um espanto.