Mês: janeiro 2016

O prazer de treinar

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Eu sempre fui uma nulidade nas lides desportivas. Tive muitas vezes negativa a educação física. Mexia-me pouco, tinha o período três vezes por mês, doía-me sempre alguma coisa. O excesso de peso não ajudava e, por fazer muito pouco, continuava a crescer. Foi assim desde pequena. Andei na natação, na dança, na ginástica, mas aquilo dizia-me pouco. Da dança eu gostava, mas onde é que já se viu uma dançarina gorda?

Cresci a achar que odiava tudo o que implicasse mexer-me mais do que necessário. Inscrevi-me nalguns ginásios, mas ir lá era como quem me arrancava pedaços de carne à dentada (o que não teria sido má ideia, na prática). Há uns anos conheci a Zumba e gostei daquilo. Era divertido e fazia-me suar. Porém, as mudanças que eu queria trazer para o meu corpo não iam lá com danças.

Descobri o CrossFit por acaso, nuns vídeos da internet. Achei que seria absolutamente impossível fazer aquelas coisas. Falei nisso a meia dúzia de pessoas que concordaram comigo: aquilo era para duros. O primeiro treino rebentou-me até às entranhas. Não conseguia fazer xixi em condições, não dormia, mal andava. Foi arrebatador. Tão intenso que me fez voltar. Nunca imaginei ser fisicamente capaz de lançar uma bola 150 vezes seguidas, ou fazer flexões em pino e ir correr a seguir, ou saltar à corda até morrer e fazer 30 elevações antes de me ir embora. Nunca me imaginei capaz disto.

O meu corpo nunca seria capaz. Julgava eu. A minha cabeça é que não era. A verdade é que descobri que sou muito feliz a desafiar-me desta maneira. É um prazer treinar todos os dias. É em cada treino que deixo as minhas vitórias e as minhas mágoas, que cumpro objetivos e supero frustrações. Eu encontro isto no CrossFit. Outros encontrarão na corrida, no futebol, no rugby, no judo, numa caminhada. Não interessa o nome da coisa. Só interessa o prazer e o bem que faz. Ao corpo. A tudo.

A minha saia de tule

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No início do blogue escrevi um texto sobre o desejo que tinha de vestir uma saia de tule. Isso foi há mais de dois anos. Na altura, lembro-me de ter ficado um pouco ofendida por me terem dito que nunca teria corpo para usar uma saia destas, que me faria sempre parecer gorda. No outro dia lembrei-me da ocasião perfeita para usar uma saia assim. É, minha gente, vai acontecer e eu mal posso esperar.

Agora está tudo nestes termos.

Pois que ando no Crossfit há coisa dum ano. Pois que agora já não há desculpas para isto ou para aquilo. Portanto agora é assim: só saio daquela porra daquela box quando tenho tudo feito. Tudo feito isto é: mesmo que acabe o tempo estipulado para a tarefa, eu continuo a fazê-la, até terminar tudo o que é suposto. Porque nem que eu me mate, eu estou naquilo até ao fim. Isto porque o meu amigo David, que treina comigo, me disse: pá, tens de te desafiar mais, pôr mais peso, ser mais rápida, isso vai melhorar o teu desempenho. Mais coisa menos coisa. E eu, que não sou de ouvir e calar, enfiei isto na cabeça e pronto. Ontem, por exemplo, demorei mais dois minutos do que era suposto, mas fiz aquilo até ao fim. Até ao fim. Porque essa história de que no meio é que está a virtude é para meninos. Agora está tudo nestes termos: vou e acabo-me ou vou e acabo-me. Não há outra opção.

No final, fica sempre tudo bem.

Às vezes a vida é uma valente merda. É chata, aborrecida. Só traz chatices. Às vezes a vida parece estar tão embrulhada, que eu não sei por onde me virar. São situações atrás de situações, percalços atrás de percalços. Sempre a cometer os mesmo erros, como se não tivesse aprendido nada na última vez. Nem na penúltima. Nem na antepenúltima. E quando acho que estou prestes a estatelar-me no chão, aparece sempre uma luz (não me falhou até hoje), que me faz voltar a ter esperança em momentos melhores. Nem sempre sou crente na vida. Nesta vida, que funciona quase como uma entidade autónoma, dona de si e de mim. Nem sempre sou. Mas ela, duma maneira ou de outra, nunca me falha. No final, fica sempre tudo bem.

Cozidos e grelhados

Quando eu fazia dieta das coisas que mais me custava era ter de comer todos os dias cozidos e grelhados. Não que não goste, mas estas duas formas de cozinhar estão muito associadas a uma comida um pouco sem graça e sem sabor. Era só eu sentir o cheiro do peixe cozido e dos brócolos e começava logo a desdizer a minha vida. É certo que o paladar também se educa, mas eu tenho aprendido que posso assar, estufar e saltear os alimentos, sem que isso prejudique os meus objetivos. Não posso, não devo, encharcar o salteado de azeite, nem comer o estufado ou o assado a nadar no molho, mas desde que garanta que as gorduras usadas não são muito más, a coisa vai-se controlando. A comida ganha logo outra cor e o sabor não tem comparação. Porque essa coisa de comer só cozidos e grelhados é um bocado old school e está muitas vezes relacionada com dietas restritivas. [Digo eu com os nervos.] De vez quando também lá vou parar e dou por mim a trincar um peixinho cozido, como hoje ao almoço, mas, na maioria das vezes, os meus almoços são saladas cheias de cor, assados reconfortantes e estufados de bradar aos céus. E a vida passou a ser muito mais saborosa.

Coisas que me tiram do sério #6

Gente que não sabe o quanto me esfalfo todos os dias e ainda pergunta, com ar de troça, se os treinos que faço são assim tão duros, já que os consigo fazer diariamente. Raios os partam, pá. Sabem lá o que são burpees, wallballs, russian twists, box jumps, deadlifts e mais uma porradona de coisas. Sabem lá, pá, sabem lá. E depois é a falta de consideração pelas minhas competências atléticas. Sinceramente.

Desculpas

Estou um pouco melhor nisto, mas, de quando em vez, ainda dou por mim a arranjar desculpas para o facto de ter engordado. Valho-me de frases feitas para poder fugir à mais pura das verdades: eu engordei porque comi (por vezes) quem nem uma lontra. Eis as desculpas que mais utilizo:
– Comi qualquer coisa que me fez mal.
– Está para me aparecer o período.
– Estou com o período.
– Estou no fim do período.
– Sinto-me inchada.
– O meu intestino não anda nada bem.
– Estou a fazer uma retenção de líquidos dos diabos.
– Sinto-me cansada.
Mas, que atire a primeira pedra quem nunca se fez valer duma desculpazinha ou outra para abafar o que quer se seja.

Lista de compras

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As idas às compras são fundamentais numa perda de peso de sucesso. Quantas vezes se compram coisas desnecessárias, como bolachas, chocolates ou sacos de gomas? Eu comprei produtos deste género inúmeras vezes e comecei a comê-los, às vezes, ainda antes de de sair do supermercado.

Esta coisa de aprender a comer mudou também as minhas idas às compras. Porque agora, dedico-me muito mais a analisar os rótulos das embalagens e a perceber a origem dos alimentos. Neste sentido, decidi elaborar uma lista de compras típica de Perna Fina. Vejamos:
– carne, sobretudo frango;
– peixe: salmão, pescada, robalo, truta, atum (fresco ou em conserva), bacalhau, dourada;
– ovos;
– fiambre de frango;
– arroz basmati e quinoa;
– tortilhas de milho;
– batata doce, brócolos, espinafres, alface, rúcula;
– fruta: maçãs, bananas, pêras, morangos;
– queijo de barrar e minibabybel light;
– leite magro e iogurtes magros sem lactose;
– frutos secos: avelãs, nozes, amêndoas, tâmaras, ameixas;
– sementes: chia, girassol, sésamo;
– água mineral;
– chá e infusões de vários sabores;
– muitas especiarias e ervas: cominhos, açafrão, orégãos, tomilho.

Assim de repente, é isto.

Dois quilos

O que é que o Pai Natal me deu? O que foi, o que foi? Dois malditos quilos. Dois. Fui à consulta e a doutora Catarina pôs-me de castigo (e eu a dizer que não desmarcava consultas porque ninguém me poria de castigo). Dois quilos. É um facto. São dois, na verdade. Dois factos que se alojaram em todo o meu ser: mamas, anca, rabo, barriga. Dado o cenário, o meu plano sofreu algumas alterações. Nada de detoxs, ãh: menos farináceos, menos frutas, mais água, nada de frutos secos, mais proteína. É isto, mais coisa menos coisa. Mais uma vez o meu corpo me provou que das duas uma: ou eu me mantenho certinha no meu caminho ou de Perna Fina terei apenas o nome. Mas não. Eu sempre fui uma miúda ajuizada, vou voltar a entrar nos eixos e mandar estes quilos para o raio que os parta. Daqui a quinze dias voltamos a este assunto. Tenho dito.