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Eu sempre fui uma nulidade nas lides desportivas. Tive muitas vezes negativa a educação física. Mexia-me pouco, tinha o período três vezes por mês, doía-me sempre alguma coisa. O excesso de peso não ajudava e, por fazer muito pouco, continuava a crescer. Foi assim desde pequena. Andei na natação, na dança, na ginástica, mas aquilo dizia-me pouco. Da dança eu gostava, mas onde é que já se viu uma dançarina gorda?

Cresci a achar que odiava tudo o que implicasse mexer-me mais do que necessário. Inscrevi-me nalguns ginásios, mas ir lá era como quem me arrancava pedaços de carne à dentada (o que não teria sido má ideia, na prática). Há uns anos conheci a Zumba e gostei daquilo. Era divertido e fazia-me suar. Porém, as mudanças que eu queria trazer para o meu corpo não iam lá com danças.

Descobri o CrossFit por acaso, nuns vídeos da internet. Achei que seria absolutamente impossível fazer aquelas coisas. Falei nisso a meia dúzia de pessoas que concordaram comigo: aquilo era para duros. O primeiro treino rebentou-me até às entranhas. Não conseguia fazer xixi em condições, não dormia, mal andava. Foi arrebatador. Tão intenso que me fez voltar. Nunca imaginei ser fisicamente capaz de lançar uma bola 150 vezes seguidas, ou fazer flexões em pino e ir correr a seguir, ou saltar à corda até morrer e fazer 30 elevações antes de me ir embora. Nunca me imaginei capaz disto.

O meu corpo nunca seria capaz. Julgava eu. A minha cabeça é que não era. A verdade é que descobri que sou muito feliz a desafiar-me desta maneira. É um prazer treinar todos os dias. É em cada treino que deixo as minhas vitórias e as minhas mágoas, que cumpro objetivos e supero frustrações. Eu encontro isto no CrossFit. Outros encontrarão na corrida, no futebol, no rugby, no judo, numa caminhada. Não interessa o nome da coisa. Só interessa o prazer e o bem que faz. Ao corpo. A tudo.

1 Comment on O prazer de treinar

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