Mês: dezembro 2015

Tegnho o nagriz togdo entugpido. Togdo!

Quando estou constipada perco logo o apetite e aproveito isso, confesso. Já me chegam todos os apetites que tenho nos outros dias todos. Deste dia cinzento passado em casa, valeu-me um chá paquistanês maravilhoso, oferecido por uma aluna, sob o mote: É um presente para a Joana não engordar. Isso e dormir muito, que é um mal de que me queixo durante a semana. Por isso, nem tudo foi mau. Não fossem os milhões de lenços ranhosos e uma dor no peito que se assemelha às dentadas de cinquenta cães em simultâneo e teria sido um dia perfeito, perfeito.

Jantares de Natal

fotografia (6)

Olhar para esta fotografia, tirada no jantar de Natal do colégio, há três anos, lembra-me a Joana que fui. O exterior podia não ser o mais bonito e elegante do mundo, mas o interior estava bem pior. Garanto. Por isso, não posso deixar de olhar para esta Joana do passado sem deixar de ficar profundamente orgulhosa do meu crescimento.

Por fora o meu corpo mudou muito: foram vinte os quilos perdidos O corpo que tenho hoje é um corpo muito diferente do que me habituei a ter e a ver todos os dias da minha vida. Tanto que, às vezes, ainda me custa a reconhecer este corpo como meu. É admirável como mudou. Mudou tanto. Eu mudei-o tanto.

Por dentro, foi como se tivesse engolido cada uma daquelas lantejoulas e tudo em mim fosse brilho e esperança em dias cada vez melhores. Em vivências mais autênticas. Em conquistas sólidas. Em gargalhadas soltas e cheias de fé.

Olhar para esta fotografia faz-me ter a certeza de que fui capaz do que muitos duvidaram. Tu nunca serás magra! Esta sensação de vitória sabe-me a pato. Mais que isso: esta sensação de vitória faz-me acreditar, com todas as forças, de que sou capaz de quase tudo o que eu quiser. Mesmo.

Segundas-feiras

I love Monday phrase handwritten on the school blackboard

Quando eu era gorda e quebrava a dieta a uma quarta-feira, por exemplo, dizia: já estraguei isto tudo, recomeço segunda, e passava o resto da semana a enfardar que nem uma lontra. Era isto sempre que fugia ao plano alimentar que tinha sido estabelecido. Como se uma refeição ou um pequeno deslize comprometesse todo o trabalho. Ao dia de hoje, sempre que tenho uma refeição fora do meu plano, seja em que dia for, esforço-me para que o seguinte seja exemplar. Bebo mais água, faço todas as refeições e treino. Agora é segunda-feira sempre que se trata de voltar ao plano e aos bons hábitos de todos os dias, mesmo que o dia da semana seja outro qualquer. Esta foi uma das maiores aprendizagens que fiz: adiar o que tem de ser feito, complica tudo. Na vida em geral, na perda de peso em particular. É verdade que as segundas-feiras concentram em si o ódio de meio mundo, mas eu aprendi a gostar delas porque as vejo como um recomeço. E, para mim, a segunda-feira é como o Natal, é quando eu quiser.

Sem tempo

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Trabalho muitas horas. Treino até tarde. Chego a casa depois das dez. Durmo menos do que queria. Sinto que tenho falta de tempo e que precisava de parar um bocado. Parar o tempo e ficar assim, quieta, a ver-me parada, a controlar um tempo imóvel, todo ao meu dispor. É esta a vida que escolho para mim. Escolho-a, todos os dias, porque encontro nela a serenidade e a ocupação que desejo. Por isso, não me devia sentir assim, tão cansada, mas sinto. Cansada e com pouco tempo. Este tempo que é o que dele faço. Faço o que posso. Posso com tudo o que faço. Será que posso? Ai, este cansaço. E esta falta de tempo. Pudesse eu pará-lo. E não o faria.

Rugas

Ai que caraças, que estou a ficar com rugas. Já tinha olhado para o espelho com atenção, dando por mim a ver umas marcas que não eram comuns em mim, mas ontem, maquilhada, percebi que a coisa está a ficar séria. É verdade que os 30 me estão a bater à porta, mas eu ainda tenho muita celulite com que lidar. Ainda não estou pronta para as rugas, não, não estou. Olha agora, o que havia de ser de mim com rugas? Já me informei e o creme milagroso da cena, segundo a DECO, é um baratíssimo duma conhecida marca de supermercados. Pelo sim, pelo não, vou lá comprar uma palete de caixas daquilo, não vá eu estar mesmo a ver bem e estes meus olhinhos estarem realmente a ficar rodeados de profundas linhas de preocupação. E de milhões de horas de riso, graças a Deus. Não há-de ser nada. Não há-se ser.

Que frio, pá!

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Hoje fui tirar mais umas fotografiazinhas porque o 2.º aniversário da Perna Fina está a chegar e eu não gosto de deixar passar datas especiais em branco. Fui e levei uma tshirtzinha e pouco mais, que uma pessoa agora é magra e gosta de mostrar as curvas e também não há necessidade de se tapar até ao pescoço. Mas bolas, que estava um frio de morte e eu não conseguia parar de bater o dente. O que me intriga é que há gente que anda sempre com pouca roupa, seja qual for a altura do ano. Um casaquinho de caracacá e já está. E eu gostava mesmo de ser assim, mas, p’los vistos, não sou. Tenho de rever esta coisa das indumentárias e preparar-me para o inverno. Doutra maneira vou passar o tempo a comprar comprimidos para a gripe.

Trocar de corpo

Sempre que via uma mulher mesmo boazona dizia: quem me dera trocar de corpo com ela. Quem me dera ter aquelas mamas, aquelas pernas, aquela barriga, aquele rabo. Quem me dera ser assim ou assado. Foram tantos anos a querer ser outra pessoa, que não eu. Foi tanto tempo a desdizer-me de tantas maneiras. E hoje é tão diferente. Mesmo que pudesse, não trocaria de corpo com ninguém. Nem com a mulher mais perfeita do mundo, seja lá essa perfeição o que for. Porque hoje eu gosto muito do meu corpo. Mais do que isso: eu aceito o meu corpo, trabalho-o, valorizo-o, estimo-o, cuido dele. Trato-o bem porque é o único que tenho e porque vivo nele todos os dias. Vivo neste corpo que é meu e não no das atrizes e cantoras que eu passava a vida a admirar. Eu trocar de corpo? Nem pensar.