Mês: dezembro 2015

Deus me perdoe se nisto peco #2

A internet anda cheia de versões saudáveis dos tradicionais doces e pratos de Natal. Mas eu acho isso um pouco tonto. O Natal são dois dias, em que podemos relaxar um pouco das obrigações de todos os dias. Das obrigações alimentares também. Não digo que tenhamos de começar a comer que nem uns bois a 1 de dezembro, mas bolas, na noite de 24 e a 25 que tenhamos o discernimento de comer o que bem nos apetece. Com açúcar, com gordura, com o que for. Com a certeza que no dia 26 voltamos à alimentação de todos os dias. Ninguém vai engordar 34 quilos por comer uma rabanada ou duas. Garanto que não.

Joelhos

Quem disser que os tem bonitos, mente. Os joelhos são uma parte do corpo mesmo feia e com pouquíssima graça. E, a partir duma certa idade, há peles por todo lado, a força da gravidade começa a fazer o seu trabalho sujo e tudo piora um pouco mais. Eu nunca pude falar muito sobre os meus, porque nada mais eram que duas pequenas grandes bolas de chicha e, por isso, limitava-me a esquecer-me que existiam. No outro dia, com a perna cruzada, notei uma saliência nunca antes por mim vista, naquela parte do meu corpo. Os meus joelhos, ou melhor, as minhas rótulas, nasceram finalmente em mim, 29 anos depois desta minha humilde existência no mundo. Pobrezinhas, toda uma vida cobertas por um manto de gordura, podem, agora, ser finalmente livres e gritar presente. E é vê-las contentes, de fora, e eu também contente, por elas. Por mim.

my ideal career?

fotografia 1
Não sei onde é que este blogue vai parar. A única coisa que eu sei é que a Perna Fina mora em mim dum jeito irreversível e que estas pernas estão muito mais finas também por isso.

[Por isso e por todos os squats, burpees, deadlifts e cenas doidas que eu faço. Ámen.]

Amor no coração

Eu nunca estive zangada, sabes? Nunca. Só achei que talvez fossemos muito diferentes e por isso afastei-me. Mas eu, lá no fundo, apesar deste meu mau feitio e deste aparato todo que monto à minha volta, tenho um bom fundo. E eu sei que sabes disso. Eu sei que sabes que o tenho e sei que também o tens. Por isso, queria só dizer-te que está tudo bem. Sempre esteve, mesmo que achasses que não. Talvez eu não estivesse a saber resolver algumas coisas dentro de mim, sobre ti. Mas depois chegou o Natal e o meu coração encheu-se de amor. Eu deixei que transbordasse, até chegar a ti. Está tudo bem, ok? Está tudo bem.

Adele, Adele #2

I want every single piece of you.
I want your heaven and your oceans too.
Treat me soft but touch me cruel.
I wanna teach you things you never knew, baby.
Bring the floor up to my knees,
Let me fall into your gravity
And kiss me back to life to see
Your body standing over me.

I miss you, Adele, 25

Adele, Adele!

adele25Pudesse eu passar o dia com uma superestrela e eu escolheria a Adele. Perdoem-me, queridas Ivete e Beyoncé, meus amores maiores, mas a Adele… A Adele é a maior diva dos últimos tempos e novo disco é qualquer coisa. É paixão, é desgosto, é tudo até lá ao fundo. É tão Adele. É tão bom. Era ela querer e podíamos ser BFF’s. Podíamos, podíamos.

E se eu engordar tudo outra vez?

Já escrevi muitas vezes que vivi de dietas. Vivi de engordar e de emagrecer. Vivi de comer tudo e de não comer nada. A minha vida era assim, cheia de altos e baixos. Como se não fosse dona de mim, nem das minhas ideias. Muito menos fosse dona do meu corpo. Acho que era muito por causa dessa inconsistência que eu voltava a engordar.

A mudança que trouxe para a minha vida está muito além da perda de peso. Mais do que ter um corpo diferente, eu sinto-me uma pessoa diferente. É uma diferença que não sei explicar bem por palavras. É como se agora conseguisse ver melhor. Ver no sentido de analisar as vivências que vou tendo e o modo como me sinto em relação a elas.

Também por isto sou tão descrente em dietas. Não foi nenhuma dieta que me fez emagrecer. Não foi nenhum chá, não foi nenhum comprimido milagroso, não foi por comer só isto ou aquilo. O que me fez perder peso foi a minha atitude: perante a comida, perante a vida no seu todo. E isto pode parecer quase filosófico, mas não é. É, na verdade, muito simples.

Eu perdi peso porque passei a ser muito mais atenta a mim, à minha vida e àqueles que me rodeiam. Fui, muitas vezes, engolida por situações e por pessoas. Como se a minha vida pudesse ser controlada pelo acaso e eu apenas tivesse de me resignar ao que ia acontecendo, ao que ia vivendo. E comendo. Comendo muito ou não comendo de todo.

Às vezes, tenho medo de ter perdido a capacidade de me deslumbrar. Corro esse risco. Mas sinto que esta capacidade de ser (um pouco) mais fria e objetiva me trouxe mais coisas boas que más. Quero acreditar nisso. É por tudo isto que acho que não vou voltar a engordar. Porque não dependo de nenhuma dieta. Porque não dependo da aprovação de ninguém.

Neste processo, que não pode ser feito por mais ninguém, eu dependo só de mim, da minha consistência e do meu esforço. E se noutras alturas da minha vida estas minhas competências estavam demasiado flácidas, hoje estão mais musculadas que nunca. Porque eu, num registo que pode roçar o egocentrismo, acredito profundamente que quem manda em mim sou eu.