Mês: novembro 2015

Ser uma boa influência para os miúdos

Os meus alunos são finalistas e vão ter uma viagem no final do ano. Os pais dos miúdos organizaram-se para angariar dinheiro e, uma vez por semana, vendem comida na escola.

Este ano, graças a Deus, a ementa da venda está muito mais variada e saudável. Ontem, quando ia a sair, uma aluna minha veio ter comigo a gritar o meu nome.

Joaaaaaaaaaana! Veja: também havia mousse de chocolate, mas eu preferi isto. Fiz bem, não fiz?

Mostrou-me uma tacinha com bagos de romã e eu senti-me profundamente orgulhosa por, de vez em quando, falar com eles sobre a importância de fazermos boas escolhas.

Os meus alunos são os melhores do mundo #5

Uma aluna magoou-se. Como é maneirinha peguei-a ao colo para a ajudar (e porque é o meu último ano com eles e tenho de compensar já todas as saudades que vou ter). Ainda com ela ao colo, apanhei um lápis do chão, que outro miúdo deixou cair naquele instante. Ele olhou para mim e disse:
– Eh lá, Joana, isso do CrossFit está a deixá-la mesmo forte, ãh?!

Somos todos Pernas Finas #5

fotografia (4)

Sempre fui um rapaz que praticou futsal, naqueles intermináveis torneios de bairro com os amigos da rua. Também fui bastante esforçado nas aulas de Educação Física. Sempre fui, por isso, um rapaz ativo, que não gostava de ficar parado.

No entanto a minha rotina alimentar não era das melhores. Apesar de comer saudavelmente em casa, comendo raramente doces, fritos e bebidas gaseificadas, na rua não era bem assim. De tal forma que, aos 14 anos, quando fui alertado para o meu excesso de peso, o médico que me acompanhava exigiu que não ultrapassasse a barreira dos 100 quilos, até completar 18 anos. Consegui à rasquinha e isso fez-me sentir triste.

A entrada na faculdade contribuiu para diminuição da atividade física no dia a dia, ficando-me apenas pelos jogos ao fim de semana. E aquele excesso de peso, que se ia mantendo, em nada contribuía para aumentar a minha autoestima e a minha autoconfiança. Muito pelo contrário: afetava a toda a minha forma de ser e de estar com os outros e comigo.

Felizmente, (o amor tem destas coisas) um desgosto mais forte foi o rastilho para eu querer mudar de vida. O melhor de tudo, é que o desporto se tornou o meu maior gosto pessoal, um escape. Passei a adorar praticar exercício físico, a sentir-me com mais energia, com mais ânimo, com melhor saúde.

As razões que permitiram incendiar a mudança, hoje em dia, não interessam para nada. Porque hoje, eu continuo a cuidar de mim por mim, pelo meu futuro, por um futuro que quero que seja melhor, mais ativo, com mais saúde. São esses os motivos mais acertados para todos os dias procurar o melhor de mim para mim.

Sebastião Monteiro

Mas

Odeio mas. O mas faz-se sempre acompanhar duma espécie de parece que sim, mas afinal não. O mas contradiz. O mas desdiz. O mas é tudo menos inocente. Quando eu era gorda ouvia muitos mas. Tens uma cara bonita, mas. Os teus olhos são de um verde diferente, mas. O teu cabelo é brilhante, mas. Tens umas belas mamas, mas. Mas, mas, mas. Parecia que eu tinha todas as condições para ser um máximo, mas. Eu não quero ser um máximo, seja lá o que isso for, mas sei que quero fazer o melhor por mim. Todos os dias.

O Muffin Sonhador

muffin-banana4

Era uma vez um Muffin que era triste. A sua tristeza vinha de um sonho que tinha e não conseguia realizar. O seu sonho era ser comido por alguém que levasse uma alimentação saudável, todos os dias, e pelo seu aspeto conseguisse convencer esse alguém a comê-lo, quebrando, assim, o seu jejum prolongado de coisas doces. O Muffin gostava ainda que esse alguém fosse mulher, para que quando fosse comido pudesse habitar nas suas coxas para sempre.

Um dia, o Muffin, cansado de ser um queque comum, decidiu cobrir-se de avelãs. Depois de estar bem composto, foi pôr-se, todo pimpão, na montra de uma bela pastelaria com a profunda esperança que aquele upgrade lhe valesse a concretização do sonho. Olhava com atenção para cada pessoa que entrava pela loja. As mulheres interessavam-lhe sempre mais. Por isso, sempre que entrava um homem tentava passar despercebido.

Certa tarde, depois de um dia cinzento, o Muffin avistou na entrada da pastelaria uma miúda com um ar absolutamente desgrenhado. Devia ter tido um dia de cão. Era a presa perfeita. O Muffin olhou-lhe para as coxas e foi amor à primeira vista: era nelas que queria habitar para a eternidade. Quando a rapariga se chegou à caixa e pediu um café com leite sem lactose, o Muffin fez tudo para ser notado. Passou à frente do Muffin de Baunilha, do de Maçã, do de Morango com Chocolate Branco. Acotovelou-os mesmo.

De repente, a rapariga olhou para ele e apontou na sua direção. Quando o Muffin viu a tenaz a aproximar-se nem queria acreditar. Ele ia, finalmente, ser comido por uma miúda e viveria feliz até ao fim. A primeira dentada mostrou ao Muffin que era profundamente desejado. E assim se sentiu até à última migalha. O Muffin, já em pedaços, percorreu o corpo daquela jovem mulher e, quando chegou ao lar que tanto ansiava, respirou de alívio. Tinha realizado o seu sonho. Era um Muffin feliz.

Mimi mimi

Sempre fui muito maricas. Pouco tolerante à dor. Andava sempre mimi mimi. Choramingava, choramingava. Fazia fitas para correr à volta do campo. Mostrava má cara sempre que tinha de me mexer mais do que era suposto. Claro que o meu peso não me ajudava, mas eu também me esforçava pouco.

Quando comecei o Crossfit, ainda era um pouco assim. Dava por mim a revirar os olhos ao que os treinadores me dizam para fazer. Guinchava sempre que tinha de executar mais uma repetição. Doiam-me as mãos, os joelhos, os ombros e eu desdizia a minha vida a cada segundo.

Hoje continuo a queixar-me, mas em boca pequena. Porque percebi que isso irrita os outros e com razão. Porque ou eu quero aquilo e me esforço sem me queixar ou não quero. Por isso, agora estou assim: não há cá mimi mimis para ninguém. Só um suspiro ou outro, de vez em quando, e um lombo dorido, mas feliz.

Somos todos Pernas Finas #4

DesktopA minha jornada em busca de um estilo de vida mais saudável começou num dia em que, depois de me enviarem umas fotografias minhas de uma festa onde tinha estado durante o fim-de-semana, não fui capaz de me reconhecer. Sentia que aquela não era eu. A cara redonda, o papo no queixo, a t-shirt justa e apertada, não era eu. Naquele dia, deu-se um click. No dia em que vi aquelas fotografias, pensei: eu não posso continuar assim. A balança registava 79,4 quilos, num corpo de 1,62 metros. Tinha de 19 anos. Não era isso que eu queria para mim.

Nunca fui magra, sempre fui alvo de atenção familiar porque “A tua irmã é que é toda esbelta, alta, magra e elegante. Tu tens de controlar o que comes”. Eu tinha que me esforçar para poder ter o corpo esbelto, magro e elegante que ela sempre teve sem sacrifício. Mas eu tinha noção que desde a faculdade tinha começado a ganhar algum peso. A falta de tempo puxou refeições rápidas e descuidadas. A falta de tempo (que eu pensava que tinha) fez com que não tivesse um momento para me dedicar à atividade física. O desmazelo levou-me perder a fé em mim própria. A autoconfiança, que nunca foi muita, diminuiu. A balança deixou de ter uso, porque não queria controlar a evolução crescente dos números que lá apareciam. Estes hábitos foram modelando quem eu era, o meu corpo, a minha consciência.

Cortei nos cereais achocolatados ao pequeno-almoço, substituíndo por cereais integrais e de fibra, mais saudáveis. Comecei a planear os meus snacks entre as refeições e a levar comida de casa (para além de se poupar imenso dinheiro, foi uma ótima maneira de não ceder a tentações). Ao final do dia, chegasse a casa a que horas chegasse, ia correr. E que ninguém pense que nas primeiras corridas se corre alguma coisa. No primeiro dia não aguentei 600 metros seguidos. Procurei fazer os exercícios de vídeos que encontrei na internet. Tive de aprender a dizer que não a muitas ofertas tentadoras.

Os primeiros quilos desaparecem como água: quase que sentia a gordura a gritar enquanto saía do meu corpo. Tudo o que fiz, e faço, veio das minhas pesquisas. Então, por iniciativa própria, ingressei num ginásio. Pedi um plano de treino de acordo com as minhas condições e comecei a treinar. É neste ponto que me encontro agora: a treinar. A lutar por mim. A tentar valorizar os 10 quilos que já perdi e a tentar perder os 10 quilos que me faltam.

Sair da casa dos 70 quilos foi uma grande conquista. Todos os dias me tento focar e mentalizar que nunca mais me vou querer desleixar e chegar àqueles valores. Há dias/semanas em que cometo erros (e muitos), mas nunca vou poder desistir ou esquecer-me das minhas metas e objetivos. É um esforço diário por mim própria, para mim própria. E que bem que sabe, me mimar assim.

Sofia Sequeira.

Eu acredito em mim

IMG_9663

Quando eu comecei a mudar a vida, tu disseste ser um disparate frequentar as consultas de reeducação alimentar. Que eu devia ter a força suficiente para parar de comer sozinha, que devia deixar as merdas das psicologias e tomar o controlo da minha alimentação. Ponto. Acusaste-me muitas vezes de ser fraca, preguiçosa, acomodada, incapaz de conseguir o que quer que fosse. Querias que eu acreditasse nessas palavras e que vivesse delas. Querias ter-me aí. E a verdade é que acreditei e estive aí. Anos. Hoje percebo que tinhas medo que eu tomasse a decisão de mudar a fundo. Porque, no fundo, sabias que eu tinha força para isso e isso assustava-te de morte. Porque no dia em que eu decidisse mudar, a nossa história mudaria também e para sempre. E mudou. Hoje acredito em mim duma forma que não achava ser possível. Sou capaz de tudo o que disseste que nunca seria. De ter o corpo que eu quero, de usar as roupas que eu quero, de ser quem eu quero. Eu acredito em mim e não permito que me desacredites nunca mais. Nem tu, nem ninguém. Sou quem sempre desejei ser. Sou-o por fora. Sou-o, ainda mais, por dentro.