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Era uma vez um Muffin que era triste. A sua tristeza vinha de um sonho que tinha e não conseguia realizar. O seu sonho era ser comido por alguém que levasse uma alimentação saudável, todos os dias, e pelo seu aspeto conseguisse convencer esse alguém a comê-lo, quebrando, assim, o seu jejum prolongado de coisas doces. O Muffin gostava ainda que esse alguém fosse mulher, para que quando fosse comido pudesse habitar nas suas coxas para sempre.

Um dia, o Muffin, cansado de ser um queque comum, decidiu cobrir-se de avelãs. Depois de estar bem composto, foi pôr-se, todo pimpão, na montra de uma bela pastelaria com a profunda esperança que aquele upgrade lhe valesse a concretização do sonho. Olhava com atenção para cada pessoa que entrava pela loja. As mulheres interessavam-lhe sempre mais. Por isso, sempre que entrava um homem tentava passar despercebido.

Certa tarde, depois de um dia cinzento, o Muffin avistou na entrada da pastelaria uma miúda com um ar absolutamente desgrenhado. Devia ter tido um dia de cão. Era a presa perfeita. O Muffin olhou-lhe para as coxas e foi amor à primeira vista: era nelas que queria habitar para a eternidade. Quando a rapariga se chegou à caixa e pediu um café com leite sem lactose, o Muffin fez tudo para ser notado. Passou à frente do Muffin de Baunilha, do de Maçã, do de Morango com Chocolate Branco. Acotovelou-os mesmo.

De repente, a rapariga olhou para ele e apontou na sua direção. Quando o Muffin viu a tenaz a aproximar-se nem queria acreditar. Ele ia, finalmente, ser comido por uma miúda e viveria feliz até ao fim. A primeira dentada mostrou ao Muffin que era profundamente desejado. E assim se sentiu até à última migalha. O Muffin, já em pedaços, percorreu o corpo daquela jovem mulher e, quando chegou ao lar que tanto ansiava, respirou de alívio. Tinha realizado o seu sonho. Era um Muffin feliz.

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