Mês: outubro 2015

Resumo do treino de hoje

Odeio burpees.
Odeio burpees.
Odeio burpees.
Odeio burpees.
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Odeio burpees.
Odeio burpees.
Odeio burpees.
Odeio burpees.
Odeio burpees.
Odeio burpees.
Odeio burpees.
Odeio burpees.
Odeio burpees.
Odeio burpees.
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Odeio burpees.
Odeio burpees.
Odeio burpees.
Odeio burpees.
Odeio burpees.
Odeio burpees.
Odeio burpees.
Odeio burpees.

Cinquenta vezes.
Tantas quantos os burpees do treino de hoje.
Ai.

Eu era gorda, mesmo.

8

Dizia-me, no outro dia, a moça que me arranja as sobrancelhas: nossa, você era bem fortezinha, ãh? Eu derreti-me toda. Porque a adoro e porque ela fala aquele português açucarado, que torna tudo o que diz muito mais doce. (E as saudades que eu tenho dum doce?) Porém, eu sou adepta de chamar os bois pelos nomes. Eu não era nem forte, nem fortezinha, nem cheiinha, nem rechonchuda, nem larga de osso, nem roliça, nem gorducha, nem balofa, nem anafadinha, nem maciça, nem fofinha, nem o raio que me parta. Eu era gorda, mesmo. O meu corpo era composto, na sua maioria, por gordura. Por isso, o que eu era, era gorda. Custou-me muito a admitir isto. Isto de ser gorda. Porque sempre tive tendência para desvalorizar aquela minha condição, não a queria aceitar. Também eu recorri aos mais variados eufemismos, com medo de usar a palavra certa, por me faltar a coragem de lhe dar a importância que tinha (e ainda tem). Eu era gorda. E só quando me consciencializei disso é que comecei a mudar. Porque a mudança de raiz não pede meias palavras, nem meias medidas. Pede tudo de uma vez, para que funcione, assim desejo eu, para sempre.

Vantagens #1

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Antigamente, sempre que eu usava saltos, parecia um elefante a andar em bicos de pés. Um elefante muito desajeitado. Era a falta de equilíbrio, eram as dores nos pés passados cinco minutos, era a chicha dos chispes a sair por cada tirinha dos sapatos. Era tudo. Era um desconforto sem memória. Mas, também, convenhamos, não sei se os sapatos muito altos foram pensados para gente gorda. Não há salto, nem pé, que aguente suportar tanto peso em desequilíbrio. Emagrecer traz-nos também esta vantagem: suportar melhor o uso de saltos altos. Agora já não pareço um elefante em bicos de pés, mas ainda preciso de treinar (e muito!) um andar arranjadinho. Afinal, foram anos de jejum destas coisas todas.

Somos todos Pernas Finas #1

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Sempre fui a maior da turma. A minha relação com a comida sempre foi boa. Boa demais, até. A situação do peso começou, silenciosamente, a agravar quando saí do secundário, porque, uma vez que deixei de ter aulas de educação física, não fazia qualquer desporto. O pior de tudo é que aliviava o stress a comer, mas não era a comer uma maçã com raiva, era a comer o belo do bolo.

Quando terminei a licenciatura, e comecei a trabalhar, inscrevi-me num ginásio. Aquilo custava-me horrores (o que é natural ao início), mas o que me fez desistir, além de não estar verdadeiramente motivada, foi ouvir os instrutores a fazerem comentários trocistas sobre uma senhora que também frequentava o ginásio e tinha obesidade mórbida. Pensei para comigo: nas costas dos outros vejo as minhas. Entretanto inscrevi-me no mestrado e foquei-me completamente nisso, sempre, está claro, com a minha querida comida.

Em janeiro de 2013, comecei a reparar que tinha tensão alta. Fui à médica de família e levei forte e feio na cabeça, porque fui diagnosticada com hipertensão. Tudo o que ela me disse eu sabia e tinha plena noção que o meu estilo de vida me traria um enfarte antes dos 30. Fiquei assustada, mas como tinha em mente outro foco, que era terminar o mestrado, aquela preocupação ficou no subconsciente. Entretanto, fui percebendo que tinha outros sintomas de obesidade mórbida, nomeadamente dores ao nível das articulações. Este foi o meu primeiro sinal de alerta.

Terminei o mestrado, em setembro de 2013, e estas questões começaram a invadir a minha mente. Inscrevi-me num novo ginásio e na avaliação da condição física, que precede a construção um plano de treino, e fiquei realmente assustada: 112 quilos, 119 centímetros de cintura, IMC de 37 (obesidade grau II), 45,3% de massa gorda e 25,1% massa magra. Fiquei para morrer. Foi um tomar de consciência do que era realmente o meu corpo. Uma bomba relógio.

Lá comecei com os treinos: cardio e musculação de grandes grupos musculares. A partir daí, mentalizei-me que, apesar de nunca ter consumido drogas ou álcool, eu tinha um problema de adição que não via. No primeiro mês, em outubro 2013, comecei a diminuir nos bolos e folhados, retirei o açúcar dos cafés e dos galões que bebia e comecei a notar diferença, não só a nível físico, mas também a nível psicológico.

Depois de ter lido muita coisa sobre nutrição, e de traçar o melhor plano alimentar para mim, percebi que o meu problema com a comida, além da necessidade de me sentir saciada, é a necessidade do sabor. Para começar, fiz uma restrição de hidratos de carbono durante 15 dias e depois comecei lentamente a retomar os mesmos.

Em dezembro de 2013 já tinha perdido 10 quilos. Celebrei a vitória com uma ida às compras. Passei do 48 para o 44. Fiquei muito feliz e percebi que até neste desafio eu estava a conseguir atingir os meus objetivos. Quando ficava stressada, ia para o ginásio e conseguia libertar toda a minha frustração no treino e isso fazia com que tivesse mais rendimento a todos os níveis. Aprendi a canalizar o stress para outra atividade que não comer.

Em setembro de 2014, pela primeira vez, consegui comprar roupa numa loja que nunca tinha entrado: a Stradivarius Pode parecer uma coisa superficial, mas é uma forma material de compensar todo o esforço que fiz. Dois anos depois, com 70 quilos e 89 centímetros de cintura, ver a minha evolução, dia após dia, ao nível da condição física é algo fantástico, mais do que vestir aquela peça de roupa gira. A capacidade de tentar superar-me vale mais que qualquer valor numérico que me queiram atribuir. É o que me faz seguir em frente sem nunca olhar mais para trás.

Joana Medeiros

Homem Irracional

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Já houve alturas em que achei que a minha vida tinha perdido o sentido. Que procurei nos outros e nas coisas razões para me preencher. Estava perdida dentro de mim. Já houve momentos em que não gostei de mim, nem de ninguém. Já houve um tempo em que só gostei de outros e me anulei. Hoje sei o quanto é importante encontrar em mim e nas minhas atitudes sentido para a vida que vivo todos os dias. Há uns anos teria interpretado este filme de forma diferente. É um bom filme.

O namoro perfeito

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Dizia ontem à minha amiga: se fosses homem, eras o namorado perfeito para mim. Ela concordou. É que tirando o facto de nos desentendermos no que toca ao futebol, tudo o resto é perfeita harmonia. Gostamos das mesmas coisas, dizemos os mesmos disparates, estamos ambas em contenção, somos seguidas pela mesma dietista, treinamos na mesma box. Ontem fomos ao cinema e demos por nós a comer maçã desidratada, em vez de pipocas, e a rirmo-nos muito por causa disso. Porque ela podia ser um namoro perfeito, mas não é. É só alguém com quem sei que posso mesmo contar. Para tudo. Até para ser uma Perna Fina, porque isso também é o que ela deseja para si. Motivamo-nos muito uma à outra. E encontrar alguém assim é mesmo muito valioso. By the way, o Homem Irracional, do Woody Allen, é um filme do caraças.

Queques proteicos de banana e chocolate

Ingredientes:
– 1 medida de proteína whey de chocolate;
– 1 banana grande;
– 1 ovo inteiro e 2 claras;
– 1 colher de sopa de óleo de côco;
– 1 colher de sopa de manteiga de amendoim.

Preparação:
1.° Aquecer o forno a 180°;
2.° Misturar todos os ingredientes e bater num liquidificador;
3.° Deitar a mistura em formas de silicone e levar ao forno durante 15 minutos.
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Deliciem-se, Pernas Finas.

[Receita adaptada]

Somos todos Pernas Finas

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Porque este blogue já não é só meu nem da minha mãe, gostava de incluir nele outras histórias para além da minha. Porque, com certeza, há por este país fora muitos e muitas Pernas Finas, que merecem ver o seus sucessos reconhecidos.

Enviem-me a vossa história para o endereço geral@pernafina.pt, acompanhada, se assim o desejarem, de uma fotografia do antes e do depois.  Não interessa se perderam, ao dia de hoje, muito ou pouco peso. Aliás, podem ser histórias do processo inverso. Interessa o caminho que têm percorrido na luta por um estilo de vida mais saudavel. Por uma vida (ainda) mais feliz.