Mês: outubro 2015

Do meu pai…

(Antes de lerem o texto, atentem na grossura do meu braço, aos 25 anos.)

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Do meu pai eu herdei quase tudo: os olhos claros, a tendência para engordar, o benfiquismo e o mau feitio. Do meu pai eu herdei o número de dietas sem fim e o andar. Do meu pai eu herdei o estatuto de Perna Fina e essa foi a melhor herança que eu podia ter recebido.

P’ró que m’havia de dar

Sempre roí as unhas. Há dois anos que as pinto com verniz de gel e, desde então, a coisa melhorou significativamente. Porém, nos últimos tempos, ando com umas ganas às unhas que, para além de lhes arrancar o gel, as trinco até ao sabugo. A Raquel, que cuida da minhas mãos com todo o carinho, já não sabe o que me fazer. Diz ela que deve ser amor. Eu ainda não dei por nada, mas se for amor, por favor, que seja um daqueles que nem me dá tempo de pensar em roer as unhas. Se não nem vale a pena.

Se calhar

Se calhar vou parar com esta brincadeira do desafio. Ou eu muito me engano ou isto está a funcionar de tal maneira, que eu me encontro mais magra que nunca. Mais magra que isto só em criança pequena. O que me dá um alento sem precedentes, é certo, mas também me complica a vida. É que agora, a cada manhã que passa, eu tenho menos roupa para vestir. E eu juro que não estou exagerar. Houve coisas que comprei quando voltei das férias, que agora me caem pela cintura abaixo. Estou em crer que vou ter de empenhar os meus tostões e o meu tempo num centro comercial. Um programinha que eu não gosto absolutamente nada. Nada mesmo. Ai, que vida esta, a que eu escolhi para mim.

#delgadinhaparaomeninojesus
#nãovacilo
#atéaonatal
#estoufeliz

Sobre o desafio #atéaonatal


Meus amores mais queridos do mundo inteiro, que abraçaram o desafio #atéaonatal, há alguns pontos que preciso de esclarecer convosco (ou com quem não se comprometeu e mesmo assim opina sobre o assunto):
1.º É para continuarmos a comer, ok? Serve este desafio para evitarmos coisas das quais não precisamos de ingerir para sobreviver. Ou alguém me vai dizer que precisa muito, muito de um folhado misto para passar bem o dia?
2.º Se tivermos alguma ocasião especial, como um aniversário ou isso, não vamos ofender a pessoa que nos convidou, recusando tudo o que nos oferecer. Não comemos é tudo o que estiver na mesa, entendido?
3.º Estendi o desafio #atéaonatal porque conto, por essa altura, ter atingido os objetivos a que me propus. Era ótimo que todos tivéssemos algo para conquistar até à data.
4.º Não nos deixemos influenciar pelas bocas da reação e conseguiremos ser fiéis ao desafio. Vai sempre haver gente a tentar desviar-nos do caminho da luz. Faz parte. (Ainda hoje me ofereceram Oreos recheadas de manteiga de amendoim.)
5.º Lembremo-nos de ir partilhando as nossas refeições, usando os hastags #atéaonatal e #delagadinhaparaomeninojesus.

Somos todos Pernas Finas #2

isabel nunes

Recuemos um pouco até 2011, tinha eu 17 anos. Nessa altura, na zona onde moro, ouvia-se falar muito numa nutricionista que andava semanalmente por algumas farmácias daqui. Fazia uma avaliação inicial, construía um plano alimentar adaptado a cada pessoa, conforme o objetivo que se pretendia. Ora, em Maio de 2011, meti na cabeça, e lá fui eu marcar uma consulta com ela. Tendo em conta que pesava 104 quilos (sim, 104) e que a minha altura era de 1,70 metros, tinha mesmo que fechar a boca e seguir à regra o plano dela. A primeira semana foi um pouco complicada, como seria de esperar, mas chegar ao fim dessa semana e já ver menos 1,5 quilos, só me deu mais força para continuar. A partir daí, com a ambição de querer chegar à maldita balança todas as semanas com menos peso (fosse o que fosse), não me custou nada não comer as coisas maravilhosas a que estava habituada.

Tinha então os meus lindos 104 quilos e o meu objetivo inicial era, olhando à minha altura e por ter uma estrutura óssea larga, chegar aos 70 quilos. Como disse, comecei a dieta em Maio de 2011 e, posso dizer que, em Dezembro desse mesmo ano, já tinha chegado aos 70 quilos. Ou seja, perdi 34 quilos em 7 meses.

Chegando ao meu objetivo, comecei a ir com menos frequência às consultas com a nutricionista e ESTAVA POR MINHA CONTA. Tive uma vontade enorme de ir comer aquilo de que já tinha saudades: McDonald’s, gelados, batatas fritas, farturas, gomas, chocolates (NUTELLA, oh meu deus)… Pois bem, tudo tão bom, mas não podia ser tudo de uma só vez. Comecei, aos poucos, a comer de tudo. Tive dias em que me estraguei por completo, mas chegava ao fim do dia e parecia que me sentia mal comigo mesma. Nos dias seguintes, cortava em praticamente tudo outra vez.

Ao fim de um mês sem ir à nutricionista, lá fui eu. Fevereiro de 2012 e eu com medo da balança. Falei das loucuras que cometi, do que tentei fazer para arremediar a situação e com receio, lá fui para cima da balança. Lembro-me como se tivesse sido ontem, não queria olhar para baixo e ver o número que marcava. Só ouço a minha nutricionista a dizer: “Isabel, Isabel… Podes respirar porque estás com menos 2 quilos.” Abri os olhos e não é que estava mesmo marcado na balança 68 quilos? Não queria acreditar.

Passaram-se estes anos, três anos. Tenho 21 anos (a caminho dos 22) e, fazendo a minha vida normalmente, com ou sem pecados pelo meio, estou com 63 quilos. Antes, era impensável entrar na Zara, Pull & Bear, Salsa, entre outras lojas com roupas lindas, porque o fim dessas entradas seria verem-me a chorar. Nem o 44 daquelas calças me servia, nem o XL das camisolas me assentava bem. Agora? Agora o difícil não é entrar nas lojas, mas sim sair. Sem dúvida que me sinto bem comigo mesma mas, por vezes e por ser bastante insegura, olho para mim e parece que não gosto do que vejo. Paranoias minhas, enfim.

Admito que tenho dias em que sou uma autêntica gorda, mas com a dieta aprendi, acima de tudo, a comer. Eu que achava que nunca iria conseguir obter resultados, nos dias de hoje, olho para estes registos e choro… Choro de alívio por não ter sido assim tão difícil a questão de não poder comer tudo aquilo a que estava habituada, choro de alegria e orgulho, porque CONSEGUI! Arrepio-me também, e não me perguntem o porquê. Talvez por ter perdido sensivelmente 40 quilos.

Partilho isto porque, mesmo que para muitos não simbolize nada, para mim foi das melhores fases que tive na vida e pode ser que seja uma “fonte de inspiração” para quem está a passar pelo que eu já passei. Meninas (e meninos) acreditem em vocês. Por muito impossível que pareça, tudo se consegue na vida. Basta acreditarem e fazerem um pequeno (grande) esforço, porque se tudo nos viesse parar às mãos sem qualquer esforço, também não teria piada.

Isabel Nunes

Coisas que me tiram do sério #5

Pessoas que estão 50 anos à espera numa fila para pedir a sua refeição e quando chegam à caixa é que vão decidir o que comer e empancam a fila toda. Por que é que não pensaram no que queriam pedir enquanto aguardavam ser atendidos? Será assim tão difícil? É que passam a ideia de que podem despender imenso tempo ali, não querendo nem saber se os outros estão nessa onda ou não. Não há paciência.

#atéaonatal

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A minha contenção já vai nas três semanas. Três semanas sem nenhum excesso. Sem comer nada que saia do meu plano. Já sei que há quem me vá achar extremista, que as asneiras são importantes e blá blá blá, mas, a verdade, é que nunca me senti tão bem. Sinto-me com imensa energia, durmo melhor, a minha pele deita luz p’los poros. Juro que deita.

Por isso, e porque não quero estar sozinha nisto de me sentir melhor que nunca, quero desafiar outros a fazer o mesmo. O desafio é o seguinte: até ao Natal evitar, ao máximo ou em absoluto, bolos, bolinhos, bolachas, gelados, gomas, batatas fritas, molhos e afins. Mais: proponho, também, que aqueles que se juntarem a mim partilhem nas redes sociais as imagens das suas refeições saudáveis, acompanhando-as de #atéaonatal.

Estou em crer que se movermos este tipo de energia em conjunto, algo de muito bom acontecerá. Não me perguntem porquê, mas acredito mesmo. Sinto. Posto isto, a pergunta impõe-se: quem está comigo? Vamos ficar todos delgadinhos para o nascimento do menino Jesus, vamos?

O desafio começa agora.

Eu não ia…

anoretica

Não ia mesmo fazer isto a mim própria. Porque eu sei bem o que é viver com um comportamento alimentar pouco saudável. Por isso, não me ia meter noutro só para ser magra. Não ia mesmo. Quem convive comigo todos os dias, sabe bem que eu como, que treino e que estou saudável. E eu julgo ter um ar saudável. Eu gosto de estar magra, mas não é minha vontade ficar subnutrida, nem magra demais. Muito menos quero ficar doente. Às vezes é preciso ter mais cuidado com as palavras usadas, não as usando em vão.

Vais perder a graça toda.

De quando em vez, a senhora minha mãe dá o ar de sua graça. A minha querida mãe, que adora que eu coma as suas comidinhas, mas que também quer que eu seja saudável, está sempre num limbo de desconforto no que se refere à minha magreza. Ontem, depois de anunciar que tinha perdido mais dois quilos e meio, a minha mãe perguntou: Agora vais parar não vais? É que essa cara já está a ficar demasiado ossuda. Vais perder as bochechas. Vais deixar de ser tu. Vais perder a graça toda.

A minha querida mãe, a pessoa mais importante do mundo inteiro, não consegue desfazer-se da imagem da filha bochechuda. Eu percebo: eu fui uma bebé e uma criança linda comó caraças. Mas o que eu tento explicar-lhe é que para eu ter bochechas fofinhas, há outras partes do meu corpo que se tornam demasiado fofinhas também. Muito fofinhas até. E não pode ser.

Por isso, temo que, aos olhos da minha mãe, eu esteja próxima de ser uma sem graça. Mas ok, tudo bem, eu aceito viver assim. Com a certeza de que não terei um pequeno anexo por baixo do meu queixo ou uma anca semelhante à da Kardashian em final de gravidez. Ou então, posso sempre por uns implantes… Nah, nada disso. Vou só manter-me nesta demanda, na esperança que a minha mãe assuma, de uma vez por todas, que agora tem uma filha de cara ossuda, com pouquíssima graça.